Quimera é uma palavra grega, assim como crise e caos

Ainda não vimos tudo nesta crise. Enquanto, em Portugal, Gaspar vai impondo, devagarinho e acusando a toda a hora o bandido, um modelo neoliberal, com o silêncio conivente da oposição, estando a deixar o país de pantanas mas incompreensivelmente conformado, na Grécia, o partido equivalente ao nosso Bloco de Esquerda prepara-se para experimentar um outro modelo qualquer, e totalmente oposto, cuja primeira etapa consiste na declaração de nulidade do memorando da Troika; a segunda, já anunciada, na nacionalização dos bancos e a terceira, presumo, em assistir em grande estado de ansiedade ao fecho da torneira dos fundos externos. A quarta logo se vê. Há, pois, margem para experiências várias.

No entanto, a malta do protesto por cá, que lacrimeja de orgulho ao olhar para Tsipras, deve arrefecer um bocado o entusiasmo. Neste momento, o tal partido, Syriza, com 52 lugares no Parlamento, só pode constituir maioria para governar se formar uma coligação com a Esquerda Democrática, dissidentes do PASOK (19 lugares), os Gregos Independentes (33 lugares), o PASOK (41 lugares) e os comunistas (26 lugares). Sem o PASOK não há maioria e sem o KKE (comunistas) também não. Estes dois fatores irão frustrar-lhes, acho que para bem deles, os planos.
Mas é pena. Eu, que nunca assisti em direto à implantação de um regime radical de “esquerda”, nem que fosse por quinze dias, não escondo a minha curiosidade. Seria agora ou nunca, caramba.

Dito isto, 1) há fortes probabilidades de a Grécia ir à falência e sair do euro, a menos que os militares tomem o poder com a “ajuda desinteressada” da Alemanha; 2) se isso acontecer (saída), não vamos safar-nos, o que vai provar que ser aluno de quadro de honra ou de fila dos burros é a mesma coisa para efeitos de desfecho; 3) a paz podre que se vive na Europa atualmente algum dia tem que acabar e o mês de maio de 2012 é tão bom como qualquer outro; 4) a Alemanha não costuma acabar bem, segundo os compêndios de história.

6 thoughts on “Quimera é uma palavra grega, assim como crise e caos”

  1. confesso que partilho, sem cinismo, desse desejo quimérico de ver o BE de lá formar governo. No estado actual das coisas, podia muito bem ser o elefante na loja de porcelanas, para acabar de vez com esta merda e seguirmos em frente…

  2. ignatz, darling, acho que te desencontraste do post e nos encontrámos na resposta (ver Janis on the other side)

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