Querem uma ajuda para verem onde está o calculismo, ó tristes?

Na perspectiva da captação de mais votos nas próximas legislativas entre um determinado sector da administração pública, e de encurralar infantilmente o Governo, a direita e a extrema-esquerda pátrias reúnem-se num belo dia em volta de uma mesa e acordam num aumento de despesa permanente para o Estado de 800 milhões de euros anuais. O Governo, que se propôs com seriedade (e tem cumprido) aliar a devolução de rendimentos (e o seu aumento) a um estrito rigor orçamental, reage declarando que, a ser assim, não governa nem mais um dia sem que antes o povo se pronuncie sobre o necessário novo aumento de impostos ou cortes drásticos noutros sectores, como a saúde, que tal medida implica. Óbvio.

Pois bem, esta situação, que ficou à vista de toda a gente tal a clareza com que foi exposta por António Costa, chega ao processador dos descerebrados representantes partidários (a quem faltam espelhos) e do comentariado televisivo de serviço e de lá sai na forma dos seguintes “chouriços”:

  • Calculismo político do Governo ao “abrir agora uma crise”.

  • Há tanto calculismo político do lado da oposição como do lado do Governo. (E o Governo deveria fazer o quê?)

  • Para quê este drama, se o Presidente veta a medida? (Ignoram que o veto é ultrapassável)

  • Para quê esta crise, se o acto eleitoral, de qualquer maneira, já teria lugar daqui a quatro meses?

  • “Hohoho, as contas do Mário Centeno parecem-me erradas, pelo que isto é um acto teatral” (Aguiar Conraria dixit, RTP3 – pensando que um dia será ministro das Finanças). “Mas, atenção, acrescenta – isto é o que eu acho após as duas horas em que pensei no assunto, posso mudar de opinião”.

  • Os pagamentos seriam diferidos (e até incertos), afinal qual é o grande impacto orçamental?

  • Calma! O que aprovámos não é o que parece.

  • O facto de se aprovar o princípio do reconhecimento dos 9 anos não significa que se pague alguma coisa.

  • A direcção do PSD desconhece o documento aprovado.

  • O Governo que se deixe de lamechismos e negoceie mas é.

E já chega, suponho. Este é o resultado de um saltitanço insano de canal em canal. Estou certamente a omitir mais tolices do género destas  proferidas ontem à noite, mas, dada a lista supra, vocês, que só querem o meu bem, compreendem porquê.

Só pergunto é se estas pessoas que abrem a boca para, a propósito de um espectáculo miserável quer da oposição quer dos aliados do Governo, inventarem tacticismos inexistentes, fazerem interpretações esquizofrénicas de reacções provocadas, desvalorizarem argoladas ou simplesmente passarem as culpas alguma vez consideraram a hipótese de ficarem caladas perante o desmascarar das suas próprias indigências. Não é por nada, mas é que nem surpreendidas podem ter ficado.

30 thoughts on “Querem uma ajuda para verem onde está o calculismo, ó tristes?”

  1. Independentemente de termos que ser sérios e dizer que não foram os partidos à esquerda que mudaram de opinião, ver uma das Mórtáguas ao lado do CDS em matéria de finanças públicas… Até a Catarina já percebeu que tem o mesmo destino do Louçã depois da última coligação negativa. E vai ser sempre assim enquanto o bloco não interiorizar de uma vez por todas que a economia é sobretudo confiança. Eu também queria muita coisa para ontem .Quanto ao PSD, ainda vamos ver se Rio chegará mesmo a ter o seu grupo parlamentar. Nesta altura tenho muitas dúvidas. António Costa devia ter-se demitido logo ontem. Independentemente da asneira do cabeça de lista às europeias é impossível que o país não valorize a credibilidade conseguida para a Republica por Centeno. Nesta fase, tudo o resto são peaners. O dinheiro é todo igual e o que se tem poupado nos juros da dívida tem justificado todas as opções do governo. Como o país muito bem sente.

  2. António Costa, fez o que devia ser feito, e surpreendeu todos, habituados que estavam so habituais recuos do PS (SNS), só que deste vez não foi assim.
    “António Costa devia-se ter demitido logo ontem” também corroboro esta opinião. È que até ao dia 15 a direita que monopoliza os media, vai ter muito tempo para reciclar o discurso politico e eventualmente emendar a mão, e passar o ónus para António Costa, por ter aberto uma crise, que dirão
    irresponsável. Aguardemos.

  3. se o zézito não quisesse ter sido mais que os outros países europeus ( como a espanha, alemanha ou frança que têm escolaridade obrigatória até aos 16 e estão , apesar disso , muito melhores na vida -:) ) e alargado a escolaridade obrigatória até aos 18 o problema era bem menor… ou seja, mais outro que se preocupou em arranjar artificialmente empregos para ficar bem nas estatísticas e a longo prazo nos lixou.

  4. Incrível como é que ao dia de hoje ainda há alguém com cérebro que não tenha percebido que Portugal foi obrigado a pedir ajuda externa unicamente por causa dos juros. Como aliás pode acontecer a qualquer português que tenha um empréstimo bancário. Aliás, se queremos analisar a crise portuguesa só pelo prisma das dívidas a primeira a vir à baila tem mesmo que ser a privada. As próprias instituições europeias já se fartaram de repetir que nunca acompanharam a falta de confiança dos mercados à altura. Portanto uma desconfiança artificial. Inclusive com o contributo de várias forças políticas portuguesas. Um nojo portanto. Infelizmente parece que não conseguiram aprender nada. Mete nojo ouvir Rio encher a boca com a bancarrota. Mas como já tinha comentado aqui, foi para o canto do populismo que o PSD já o conseguiu empurrar. Portugal não é o Porto. E o populismo à esquerda não entristece menos. Continuarem a achar que um país como Portugal põe e dispõe do mundo até é mais um bocadinho que populismo. Curiosamente não se ouve ninguém a falar do pecado original dos professores. Da famosa avaliação.

  5. Cadê o Presidente da República ? temos UM ?

    Cai um heli do INEM e lá vai o Marcelo …
    Morrem 2 pessoas de pneumonia a Legionella e lá vai o Marcelo …
    Cai uma árvore e mata pessoas numa procissão e lá vai o Marcelo …
    Há um motim na cadeia de Lisboa e lá vai o Marcelo …
    Há uma zaragata num bairro da margem Sul e lá vai o Marcelo …
    A Cristina inaugura um programa de televisão e lá está o Marcelo …
    O GR do FÊCÊPÊ enfarta no treino e lá está o Marcelo …

    O PM de Portugal diz que se demite daqui a menos de 15 dias e …
    …. por onda anda o omnisciente e omnipresente professor Marcelo ?
    Han ? Pois …

  6. Sejamos francos, também nunca se tinha visto um PM a ameaçar que se demite. De qualquer forma já deu para ver quem tremeu mais. É tão mau. tão mau, mas só se vê gente a fazer contas de cabeça e a dizer que não há necessidade.

  7. Um dos problemas nesta e em muitas outras histórias é a utilização de certas palavras tendenciosas para qualificar as atitudes de alguém, regra geral do PS, como por exemplo o vocábulo “ameaçar”. Essa palavra tem uma grande conotação negativa e não é esse o caso: Costa não “ameaçou” que se demite; ele disse-o ou afirmou-o, claramente e porquê. Coisas bem diferentes. Obviamente que o spin merdiático aí está para nos bombardear com as “ameaças” de Costa e, em seguida, com as suas “chantagens”, just wait and see.

  8. Ou não sabem o que aprovaram como disse o P. Ministro ou são uns perigosos
    aldrabões que, pretendem enganar desde logo os profes e, o seu ufano comissário
    Nogueira e, de caminho, todos os eleitores ao afirmarem não haver custos!
    Já o camarada Jerónimo continua a não compreender para que serve e, como fun-
    ciona o sistema bancário com a treta de haver sempre dinheiro para a banca e não
    atender os profes que, continuam a rejeitar ser avaliados com rigor esquecendo
    todas as vítimas da crise agravada com a recusa do PEC IV, perdas de emprego, de
    casas semi-pagas, ida forçada para fora, desvalorização salarial com a retoma da
    economia, etc. etc. … porque carga de agua os profes devem recuperar o tal tempo?
    Todos sofremos com a crise uns mais outros menos (os mais ricos), creio que o
    Governo até foi muito generoso na formula que apresentou para essa compensação!!!

  9. A ânsia de criar problemas ao governo é tanta que até cegam na hora das votações.
    Votam sem saber o que votam, votam sem ler o que votam, votam sem perceber o que votam, e até os possíveis beneficiados (?) inebriados pela ganância do lucro fácil, também cegam na hora de partilhar os sacrifícios que todos sofremos.
    Espectáculo triste…

  10. Não posso estar mais de acordo, o comissário Nogueira na ânsia de captar mais uns votos para o partido esqueceu-se que todos os Portugueses perderam rendimentos ,e não pensou que estava a ser um guloso a pensar só nos professores ,e os reformados ? Os trabalhadores do privado ? Os restantes trabalhadores da função publica ? É preciso ser muito pouco inteligente ,o António Costa fez muito bem ,agora descalcem a bota , o CDS e o PSD cairam que nem patinhos na esparrela ,os eternos defensores de não há dinheiro,que não se pode gastar mais do que se têm são agora defensores de gastar mais 800 milhões de euros ,o povo em geral agradece a posição de António Costa.

  11. O Povo aplaude de pé António Costa!
    Que deu uma rodada de “baile” aos pixotes maior ainda do que os 8 a 1 do Sporting ontem aos de Belém! E, a propósito de Belém, parece que lá o Palhácio está cheio de tocas de avestruz, não?…
    Quanto ao merceeiro Rui Rio, ficará para a estória como o maior anjinho de sempre da Democracia portuguesa. Ao lado das cristas murchas.
    Mas não confundam a merda cagada com o tulicreme: o Jerónimo só não quer perceber “como funciona o sistema bancário” (sabes muito, tu…) porque não lhe convém e, por muito que isso doa a certos papagaios, a Mortágua e a Catarina metem a cristalhada toda num chinelo, mais ainda do que o Louçã metia o Portas.
    E vocês aí ao canto, senhores prufeçores da mula ruça, fiquem sabendo que se voceses querem oitocentos milhões de guito por ano, eu também tenho direito a reaver os DOIS MIL E QUINHENTOS PAUS DE EURO QUE O CABRÃO DO GASPAR ME GAMOU, caralho!
    Já ninguém tem PACHORRA para aturar a vossa conversa de chacha: TRABALHEM, CALÕES!

  12. Francisco Dias: E eu cá por mim tomo nota de que você concorda com um dos piores artigos jamais escritos pelo Daniel. Parece o CDS a contorcer-se para se explicar e a perder a noção do ridículo. Pensei em transcrever aqui algumas das passagens mais exemplificativas, mas cheguei à conclusão de que era difícil deixar alguma de fora. A amizade não pode ser cega assim.

  13. Chegou à conclusão que “era difícil”. .. discutir argumentos dá trabalho, não é? O sectarismo é cego assim.

  14. argumentos baseados em falsidades misturadas com desejos é profissão de fé, não tem discussão. o bloco ainda está a tempo de salvar o acordo com a direita se votar os condicionalismos que a direita quer introduzir no decreto lei, mas para isso era preciso terem coragem de assumirem as cenas que protagonizam.

  15. Francisco Dias: Este absurdo não lhe chega?

    “Um governo não se demite porque discorda de uma lei aprovada no Parlamento, demite-se se o que tiver sido aprovado puser em causa a aplicação do seu programa. E é bom que fique claro: o programa e o orçamento são os do XXI Governo constitucional, não são nem os dos anteriores nem dos que virão.

    Não faz sentido um primeiro-ministro demitir-se porque as condições de governabilidade do executivo seguinte estão postas em causa e depois candidatar-se a liderar o executivo seguinte nessas mesmas condições.”

    Você acha que é o Bloco que vai governar a partir de Outubro, certo? E, se for o PSD, acha que algum dia iriam pagar a conta agora aprovada, e felizmente chumbada? Até o Jerónimo diz agora que não vale a pena enganarem os professores (e ele podia até votar a favor da prevista proposta do PSD). O Daniel está completamente disparatado nesta matéria. De tal maneira que até é um favor para ele ninguém comentar)

  16. Mas, onde está o absurdo no texto que citou? Absurdo é mesmo o “primeiro-ministro demitir-se porque as condições de governabilidade do executivo seguinte estão postas em causa e depois candidatar-se a liderar o executivo seguinte nessas mesmas condições”!

  17. Francisco Dias: Na sua perspectiva e na do Daniel, um primeiro-ministro responsável (ou irresponsável, pouco interessa) devia deixar passar alegremente um diploma que agrava a despesa pública em centenas de milhões de euros a título permanente só porque provavelmente nem será ele a governar. Boa. A partir daí, a oposição “encostada” poderia aprovar tudo o que lhe viesse à cabeça – bastava que a medida não constasse do programa do Governo. Tenha juízo, homem.

  18. Penélope, a ver se entende: o Costa só não seria calculista se se demitisse e anunciasse que não se recandidatava!

  19. Francisco Dias: – Você está cada vez melhor.
    “Ó António Costa: olha, estivemos aqui a pensar e, como todos queremos contar com o voto dos professores, decidimos reconhecer-lhes todo o tempo congelado. É duro para o orçamento e os orçamentos futuros, porque haverá mais pretendentes a um presente igual, mas, olha, se tu também achas isso, demite-te e diz que não serás mais candidato.”

    “Olhem, bem visto. Está bem.”

    Ahahahah. Anedóticos não faltam por aqui.

  20. oh francisco, não vale a pena.
    está a falar para uma porta que nem os argumentos que esgrime é capaz de reconhecer, quanto mais

  21. Compreendendo ambos, a emotividade cândida da Penélope e o racionalismo frio do Francisco Dias, apetece-me dizer, candidamente: mas como é que a Assembleia da República tem poderes para aprovar uma medida orçamental que não tem consequências práticas para a sua Legislatura e vincula apenas as seguintes?
    E assim sendo apetece-me exigir, fria e racionalmente, que a Assembleia da República actual aproveite e aprove já medidas orçamentais que vinculem decisivamente as próximas quinze ou dezasseis Legislaturas, já que é o intervalo de tempo em que se pode prever, com uma margem de erro suficientemente reduzida, que anormais como o Gaspar voltem a pôr as patas no Orçamento do Estado…
    Boa?

  22. Concessões como essas são Contratos celebrados com o Estado (e, já agora, faltou a primeira de todas, a da Brisa), não são opções governamentais.
    Portanto, a questão mantém-se: como é que numa Legislatura se podem definir questões exclusivamente respeitantes a outra, em termos de Orçamento do Estado?

  23. Quem assina contratos que vinculam o Estado, não é o Governo? Uma lei não é expressão do contrato social? Quantas legislaturas cabem em 30 anos?Assumam lá que preferem ver o Estado a pagar lucros ao capital rentista do que vencimentos a funcionários.

  24. oube lá ò erecções & deribados, deve ter sido por isso que o botas só pagava salários e ao fim de 40 anos tinhamos 25 km de auto estrada e uma ponte pró outro lado, cujos financiamentos acabaram de ser pagos pela democracia.

  25. Pois, o Alfredo da Silva, o Sommer, o Champalimaud, o Feteira et alia enriqueceram a trabalhar. E já agora, vão lá comparar os km de autoestrada construídos pela Brisa EP e pela Brisa SA. E quem pagou as pontes e paga a manutenção das infraestruturas é o Orçamento de Estado, não a concessionária.

  26. Pois, o Alfredo da Silva, o Sommer, o Champalimaud, o Feteira et alia enriqueceram a trabalhar. E já agora, vão lá comparar os km de autoestrada construídos pela Brisa EP e pela Brisa SA. E quem pagou as pontes e paga a manutenção das infraestruturas é o Orçamento de Estado, não a concessionária.

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