Proença apanhado pelo ar do tempo, sob o efeito do equinócio

«Para o secretário-geral da UGT, refere, “um regime democrático não é só legitimado com o voto a cada quatro anos… Temos a democracia mas, de facto, nos últimos tempos, sentimos uma democracia musculada e isso é negativo.” Daí ver que entre Passos e Sócrates há cada vez mais semelhanças: “Eu diria que por vezes, numa fuga ao diálogo social, se estão a aproximar perigosamente um do outro. José Sócrates era um homem para o desenvolvimento económico-social e avançou com medidas que se revelaram negativas. Teve pela frente uma grande crise económica, na qual a União Europeia implementou medidas e ele implementou outras que combateram parcialmente a crise de 2008. Mas, na prática, avançou por um clima de sobre investimentos e perdeu a noção de que era fundamental dialogar no quadro da Assembleia da República e no quadro do diálogo social. Este Governo está a ir um pouco pelo mesmo caminho. E aquela que foi uma das questões centrais em termos do combate à crise, que era o diálogo político e o diálogo social, está em causa. Como se vê, há um problema relativamente ao consenso político em torno da discussão do memorando e, em termos de consenso social, também.»

João Proença sente-se talvez inchado com a importância que lhe tem sido atribuída na garantia da paz social. Sem total razão, porque a CGTP ajudou. Ora, tão súbito inchaço, a juntar a outros, só pode causar perturbações e desorientação. Podendo parar para pensar e desinchar, não, permite que tal estado o leve a dizer asneiras entremeadas de ambiguidades. Cada vez mais semelhanças entre Passos e Sócrates, ó Proença? Queres dizer que Passos era até agora um amor (no que andarás de braço dado com Mário Nogueira), mas que se está a aproximar perigosamente do “grande satã”? Já desconfiávamos. Alguém, e uma grande mixórdia de votantes, deve ter içado os estarolas ao pote.

João Proença faria melhor em ser claro naquilo que afirma. A que está a referir-se quando fala na “fuga ao diálogo social” de José Sócrates? Que me lembre, sempre as medidas de caráter laboral e social foram discutidas e negociadas antes de qualquer decisão, sendo que há sempre uma decisão de quem governa. Conhecerá Proença algum caso de decisão à má fila do governo anterior, daquelas que nem a Conselho de Ministros vão, quanto mais à concertação social? Se conhece, vomite, não se contenha.

Depois diz que Sócrates “era um homem para o desenvolvimento económico-social e avançou com medidas que se revelaram negativas”. Mas quais exatamente, João Proença? E qual a sua relação com as que estão a ser tomadas agora? Logo a seguir diz que Sócrates “teve pela frente uma grande crise económica”. Então em que ficamos, a crise rebentou-lhe em cima, o homem reagiu como pôde e, concertado com a UE, procurou atenuar-lhe os efeitos. Se não tivesse reagido, nomeadamente com investimento, teríamos Proença a dizer que teria sido preciso investimento para a economia não morrer e o desemprego não aumentar, que é eventualmente o que diz acerca do atual governo. Ou não? E a partir de uma certa altura, houve ou não que conter os gastos? De todos os ângulos me parece que sim e que sim às duas perguntas. Mas eu não uso óculos. João Proença devia passar um paninho pelos seus de vez em quando.

E finalmente João Proença revela ter memória curta. Com as primeiras chuvas, varreu-se-lhe completamente da cachimónia o quadro de permanente conluio anti-governo vigente na Assembleia da República. Como se dialoga com quem espreita, calcula e conspira para derrubar um governo minoritário em tempo de grande crise económica e, na verdade, quer lá saber do diálogo? Estavam noutra, João Proença!

14 thoughts on “Proença apanhado pelo ar do tempo, sob o efeito do equinócio”

  1. Com estas e outras parecidas vai o Proença conseguindo ver reconhecidas as suas qualidades, tendo sido recentemente intitulado por Cavaco Silva como um grande patriota, a propósito do acordo que assinou com o governo. Ora ser elogiado por esse grande humanista, politico e filósofo que nos preside é, como se sabe, uma enorme e rara honra. Que mais querem?

  2. Oh penople,este etu post foi um tiro numa” avioneta”.Depois de anos de seriedade (com alguns erros) mancha a sua carreira sindical, com estas declaraçoes cuja motivação dentro de pouco tempo vamos entender. Procura-se tacho.

  3. Sabemos que o DN tem enorme tendência para se travestir de CM devido à célula
    laranja residente! Pensava que seria aproveitamento de uma qualquer frase na en-
    trevista em causa mas, o Proença havia sibilado a enormidade de querer estabelecer
    uma comparação entre Coelho e Sócrates!
    O que só vem confirmar a falta de convicções seja no plano sindical, seja no plano
    da análise política, para mim põe em evidência ser um comportamento estilo “rolha”!
    A explicação mais plausível é que, como está de saída da UGT pretende continuar a
    intervir ou a viver à custa do actual sistema político em decomposição!
    Muito bem desmascarado, presunção e àgua benta cada qual toma a que quer!!!

  4. O problema do Sr. Passos Coelho, foi querer ser primeiro-ministro de um pais falido e corrupto. Nunca devia ter concorrido as eleições e deixar a mação apodrecida nas mãos dos socialistas que levaram este pais a miséria. Este imberbe rapazinho, deixou-se levar pela ambição do poder e não avaliou o quanto este rectângulo esta dominado pelos grandes lobbys das construtoras (as parcerias publico/privadas) ,dos Institutos e empresas do estado, das fundações(estima-se que existem cerca de 1000 fundações em Portugal, a maioria a serem financiadas pelo estado), do grande capital(Bancos),pelos homens do avental, etc. etc.etc.Como não tem poder ,nem força,vai-se virando para os mais fracos,julgando assim poder sanear as contas publicas..

  5. Camaradas: Sabem porque é que eu fugi para Paris? Porque sei a “bacorada” de País que vos deixei, e antes que vocês acordem e me fuzilem resolvi fugir, assim se quiserem pedir responsabilidades peçam aos meus “capangas” que ainda aí estão. No caso das ppp falem com o Paulo Campos, que ele em conjunto com os financiadores sabem o que secretamente assinaram, de modo a que essas rendas não pudessem ser alteradas. Mais vos quero dizer, que o Antonio Barreto tem razão no que diz, só que os acordos estão de tal forma feitos que o Passos Coelho não tem hipótese de baixar as rendas dessas ppp.

  6. É preciso acabar com esta corja que nos suga.São os deputados que não representam os eleitores mas defendem os interesses seus, das empresas para quem sao consultadores etc.já vamos com tres ex-presidentes a mamar a grande; sao aqueles que transitam dos governos para as empresas publicas, sao os vigaros como o Dias Loureiro, oloiveira e costa jose socrates, armando vara. Depois temos os patroes da justiça que prendem os sem abrigo mas nao encontram os que vivem em mansoes.
    Só um Primeiro Ministro com coragem para começar a cortar a eito podera salvar portugal

  7. Ó Camaradas Aspirinas,
    Tu mesmo dizes que “No caso das ppp, falem com o Paulo Campos, que ele em conjunto com os financiadores sabem o que ‘secretamente’ assinaram de ‘modo a que essas rendas não pudessem ser alteradas’.
    Não dás conta, na própria ideia que expressas, ou Barreto expressa e tu cospes, a impossibilidade contraditória existente que desmascara completamente a mentira que se quer propalar e por conseguinte fica sem pés nem cabeça?
    Repara, se são documentos ‘secretos’ ninguém os conhece ou, pelo menos são desconhecidos para apreciação do caso, ou não? Se assim são como podem contar ou fazer juizo de valor para impedir que essas rendas não possam ser pelo Estado ou, em sede de justiça, alteradas? Se são secretas, intervêm como no processo de avaliação e renegociação que se propala ser inevitável?
    O problema talvez seja mesmo outro, pá. Talvez se queira, visto que é uma mentira que vem de longe, é esconder que afinal os beneficiários são precisamente os amigalhaços financiadores de campanhas, pois não foram os ‘empresários unidos’ que se juntaram e elaboraram vários manifestos pró PSD salvar o país?
    O Barreto tem razão? Claro, segundo o seu ponto de vista de empregado milionário do merceeiro pingo doce, defende-se.

  8. Ó Penélope o Proença está apanhado mas não é pelo ar do tempo, ele está apanhado mas é pelos líquidos, anda a meter muita água e a beber muito vinho.

  9. Olá Penélope,
    isto deve andar-lhes a correr mal, pois começamos a ver por aqui os pataratas que confundem o pai da amante com a amante do pai.
    O João Proença nunca foi grande espingarda, mas agora que pensa ser o fiel da balança, não cabe em si de inchado e aproveita para bater no ceguinho, pois sabe que à pala disso lhe choverão mais umas palmaditas nas costas, e quem sabe o que mais poderá chegar agora que a hora é de partida.
    Mas, nem é de estranhar tal atitude, pois se há alguém que gosta de apagar o passado é ele. Veja-se, como exemplo, o que fez nas comemorações dos 25 anos da UGT.
    Mas, que dizer, de alguém que estando em greve, não descurou uma viagenzita a Moçambique para ir às compras!
    Nessa época (2010), o Sócrates não o incomodava assim tanto.

  10. José Sócrates nunca faria o mesmo que Proença, caso tivesse sido secretário geral da UGT:
    – Aprovar em 2012 um código de trabalho que é a porta de entrada da selvajaria no mundo do trabalho. Uma aprovação indigna de qualquer dirigente sindical.

    Proença é uma vergonha de pessoa e uma nódoa como sindicalista, está a preparar-se para um tacho no pingo doce, como consultor de despedimentos.
    Além do mais é indigno de ser socialista, comparando negativamente um seu camarada de Partido com o mais inepto e mentiroso primeiro ministro que há memória.

    De facto com gente assim como poderemos dar esperança aos portugueses?

  11. Louça e jeronimo para o poder já.Eles que venham.ao segundo dia de poder a europa fecha a torneira do dinheiro e da comida.Eu vi o que passamos no periodo do vasco goncalves.Era trabalhar para stock,pois o boicote às nossas exportaçoes foi a arma utilizada pelos paises europeus e não só..

  12. O Proença já está a trabalhar para o paraiso dourado:Parlamento Europeu.O Francisco Assis, o intriguista Manuel dos Santos, a Ana Gomes e a Jamila Madeira acompanha-lo-ao.
    Por isso nao vale a pena perder muito tempo.O Seguro vai fazer uma razia a tudo que cheira a Sócrates.

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