“Precog yourself”, ó Tavares

João Miguel Tavares, colunista e humorista promovido do Correio da Manhã para o Público e anti-socialista e anti-socratista desenfreado, caluniador sempre que lhe apetece, vem hoje desculpar Carlos Costa pelas falhas de supervisão. Nada que surpreenda, como grande defensor desta direita, apesar do que se sabe hoje, e não se sabia dantes, sobre as práticas da banca e do que se sabia já desde 2013 sobre o GES e Ricardo Salgado em concreto (nomeadamente a fuga, bem real, a não carecer de poderes de adivinhação, aos impostos). Mas, para não o acusarem disto e daquilo, o laborioso cronista aproveita e absolve todos os reguladores da banca de uma assentada, nacionais e estrangeiros, entre os quais Vítor Constâncio, por não poderem ser adivinhos. Não pasmem. Vítor Constâncio saltou, por artes mágicas, para a sua lista. Esta gente é assim.

Não fui pesquisar todos os artigos deste rapaz sobre a supervisão e o BPN. No entanto, ainda há pouco tempo, na mesma coluna, escrevia, sobre as insinuações e provocações de Durão Barroso a propósito de Vítor Constâncio, o seguinte:

“Em bom rigor, aliás, o caso BPN poderia e deveria ter começado em Março de 2001, quando a revista Exame, então dirigida por Camilo Lourenço, fez capa com o banco, chamando a atenção para inúmeros problemas. Na sequência dessas notícias, o BPN processou a revista. Quando ouvido no Parlamento, em 2009, Camilo Lourenço garantiu que “a primeira informação credível de que algo de grave se passava no BPN veio do próprio Banco de Portugal”. Durão Barroso é, pois, apenas mais um no coro daqueles que têm argumentado que o Banco de Portugal passou dez anos a dormir. A diferença é que a sua voz se faz ouvir mais alto do que as outras.

Mas ainda bem que assim é. Nicolau Santos perguntou, numa coluna online do Expresso, intitulada Abriu outra vez a caça ao Constâncio, o que é que era mais grave: “a actuação do polícia ou dos ladrões?” É óbvio que o mais grave é a actuação dos ladrões, e todos sabemos a que partido a maior parte deles pertencia. No entanto, ladrões sempre houve, há e haverá, e não podemos fazer muito contra isso – embora condená-los antes de os crimes prescreverem não fosse má ideia. Agora, a eficácia da polícia e da supervisão é, de facto, aquilo que mais nos deve preocupar, porque essa, sim, só depende de nós. Vítor Constâncio já esteve 12 horas a responder no Parlamento? Que esteja 24. Um caso como o BPN não pode voltar a acontecer.

Está visto. Constâncio esteve a dormir e teve tantas responsabilidades no que se passou com o BPN que merece, no mínimo, a tortura do sono no Parlamento. Já Carlos Costa, uma década depois e mais do que conhecedor de todos os truques financeiros e das novas regras e mecanismos europeus, não esteve. E afinal os outros também não! No caso de Costa, acrescento eu, a avaliar pelas operações entretanto executadas para grande proveito de alguns (já depois de conhecido o estado calamitoso do banco, sim, do banco, e a sua resolução iminente), podemos afirmar que não esteve mesmo nada a dormir.

9 thoughts on ““Precog yourself”, ó Tavares”

  1. Supervisor mesmo, a sério, era Vítor Constâncio! Com ele nem o caso BPN haveria, quanto mais o BES. Quantas saudades…!

  2. Desculpem lá , parece um bocado fora do contexto, mas não resisto:
    Investigadores da FCSH/NOVA revelam que BE e PCP foram quem mais se opôs aos governos socialistas
    Publicado em Julho 23, 2014 por FCSH/ NOVA
    Estudo da FCSH/NOVA mostra que durante os anos de governação do PS, nomeadamente de José Sócrates, a esquerda votou mais contra os diplomas que vinham do governo do que os partidos de direita.
    Investigadores da FCSH/NOVA revelam que BE e PCP foram quem mais se opôs aos governos socialistas
    Catherine Moury, Elisabetta De Giorgi e João Pedro Ruivo, investigadores da FCSH/NOVA, contabilizaram os votos dos seis partidos com representação na Assembleia da República (CDU agrega PCP e Os Verdes) em relação a propostas do Governo, demonstrando que os partidos de esquerda penalizaram mais os socialistas no poder do que os governos de direita. A conclusão faz parte do estudo “Incumbents, opposition and international lenders: governing Portugal in times of crisis”, que será publicado, para o ano, na revista “The Journal of Legislative Studies”.

    O documento afirma também que, em tempo de crise, o consenso entre os partidos também se torna mais difícil, sendo o governo de Passos Coelho aquele que menos conseguiu cativar votos da oposição para as suas medidas, desde 1995.

  3. Ó Mário Pinto larga o garrafão! O vosso problema – dos furiosos – é verem no sócrates o alpha e o omega dos problemas nacionais.

    Ainda me lembro quando o pobre homem estava no governo, e das culpas que eram atiradas ao governo sempre que não chovia, ou que alguém atropelava uma criança na rua. Os problemas de insegurança. Tudo culpa do governo. E aparentemente tudo resolvido… Hoje não existem problemas de insegurança no país, a criminalidade imigrou.
    Antes, câmaras em directo de manifestações de 15 pessoas.
    Hoje com três manifestações por dia em Lisboa, nem uma aparece nos telejornais.
    Sobre a liberdade jornalistica e o estado histérico do país, tens aqui um resumo curto. Que também te pode ser aplicado que nem uma luva.

  4. Verifico que, ao fim de alguns anos, o ambiente deste blog continua a ser ao nível de tasca mais rasca mas por que não deveria se os seus mentores e participantes são os mesmos?
    A cobardia mantém-se, como os mal educados comentadores escondidos atrás de um nick. Enfim…
    Pior do que todos os meus problemas é o o facto de o PS ter que arcar com a herança Sócrates porque, por mais que tentem branqueá-la, ela surgirá sempre, tal como acontece – uma vez mais – no caso BES, que nos traz à memória o caso BPN.
    Mas parece que ser “socialista” é ser assim mesmo, correcto?
    Inté….

  5. tudo talembra o socras, pinto. que obsessão, mas olha que isso não é culpa da minha má educação. A psicologia há muito que trata essas cenas…

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