Portas e Maria Luís – a viajar para se conhecerem melhor

O recente périplo dos dois ministros por Bruxelas, Frankfurt e Washington tinha por objetivo, segundo nos informaram, uma negociação com os verdadeiros responsáveis políticos da Troika das condições do nosso “ajustamento” (antes da chegada dos chamados técnicos). A menos que em Washington tudo mude (?), não terá passado afinal de uma visita de estudo ou, permito-me imaginar, de uma conversação a dois em novo e sempre agradável cenário, e isso na melhor das hipóteses, pois nada garante que tenham rompido o bloqueio mútuo. Como nos lembramos, Maria Luís era até há pouco tempo uma escolha de Passos Coelho inaceitável para Portas.

E por Portugal, que andam os dois a fazer? Segundo o jornal Público, com base em informações dos gabinetes de Barroso e de Olli Rehn, nenhuma alternativa de cortes na despesa ou proposta de revisão da meta do défice foi apresentada pelos dois governantes. Nem o mínimo sinal de vontade de negociar ou flexibilizar seja o que for. Donde se conclui que a viagem não passou de uma forma agradável de sanar um conflito, sob a capa de uma muito séria renegociação do nosso último memorando (ou “flexibilização dos termos do programa”), uma grande ambição de Portas (que se dizia crítico de Gaspar), ao qual nunca faltou e continua a não faltar garganta.

Eis o que diz o Público (sem link):

[…]Bruxelas, que tem acompanhado o debate interno e no interior do Governo sobre o ritmo do ajustamento económico e financeiro, aguardava com expectativa a primeira visita de Portas no seu novo cargo que inclui as relações com a troika, devido sobretudo ao tom crítico que tem utilizado sobre as exigências do programa.
De acordo com o que o PÚBLICO apurou, no entanto, o vice-primeiro-ministro não avançou de forma concreta em Bruxelas com nenhuma das reivindicações que tem vindo a fazer em termos de flexibilização dos termos do programa, a começar pela meta de 4% do PIB fixada para o défice orçamental de 2014.
As alternativas que poderão vir a ser contempladas pelo Governo para substituir as medidas de redução de despesas públicas que foram chumbadas pelo Tribunal Constitucional também não foram abordadas em detalhe nos encontros de terça-feira de Portas e Albuquerque com Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, e Olli Rehn, comissário europeu responsável pelos assuntos económicos e financeiros.[…]

5 thoughts on “Portas e Maria Luís – a viajar para se conhecerem melhor”

  1. andam a torrar dinheiro por conta do orçamento. nos tempos do socras havia verba para mandar repórteres de guerra a rodeo drive averiguar se andava a comprar gravatas de destruição massiva do erário público, agora nem sequer sabemos se os alforges da marilú são contrafacção de carcavelos ou do relógio.

  2. É sempre um prazer ler os escritos de Penélope e os inevitáveis comentários, aliás sempre doutos, do(a) inefável ignatz.
    No entanto não percebo como é que alguém poderia esperar alguma coerência do Dr. Portas. O querido é bom na criação de cenários jornalísticos, em negócios com Gaivotas e Capelos mas só a pose e o bronzeado o poderiam fazer entrar na galeria de estadistas responsáveis.

  3. vai ser lindo no fmi, o serradura kabral no piropo à strauss-kadela e a marilú dos swaps a tomar notas no moleskine prada que foi de amostra para justificar a última saída do nunes da asae. esta merda dava um oscar de mau gosto e piroseira em bollywood.

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