Poeira que já cegou

Passos Coelho, que a muito custo deixa o estado de estupor catatónico em que mergulhou após as últimas eleições, decidiu que nada mais lhe restava perante o partido do que retomar a azáfama da antiga campanha de mentiras, confiante de que ninguém dá (mais uma vez) por nada. Ontem já o ouvi nas televisões e rádios, algures longe de Lisboa, a dizer que este governo destruiu quase 60 000 empregos desde novembro, com a precisão de que 48 000 foram este ano e os restantes no ano passado. Ou seja, que Costa tomou posse e, mal a tinta da sua assinatura secou, começaram as empresas a despedir pessoal. Certo? Errado. Eis a verdade, reposta por Nicolau Santos no Expresso:

A partir de 2014, a taxa de desemprego em Portugal começou a cair aceleramente, de um pico de superior a 17% no último trimestre de 2013. A economia, contudo, crescia agonicamente, longe dos 2% que, historicamente, são necessários para haver criação líquida de emprego. De onde vinha então a queda acentuada do desemprego? Pois, agora sabe-se: vinha dos “ocupados”, pessoas considerados pelo IEFP como alguém inscrito no centro de emprego e integrado num programa de emprego ou de formação profissional. Eram 30 mil mo final de 2011, 78 mil no começo de 2013 e atingiram um pico de 174 mil em meados de 2015. Como grande parte destes “ocupados” são considerados empregados, a taxa de desemprego descia. Agora que os apoios para essas ações diminuíram devido ao final do anterior quadro comunitário de apoio, o desemprego está a subir“.

7 thoughts on “Poeira que já cegou”

  1. Nicolau Santos destoa do perfil editorial.
    Aliás no mid-night express já é corpo presente.
    Quando a faca o atingir o que resta do que já foi uma instituição passa a lixo

  2. O problema ainda é outro e começa por ser meramente técnico. É uma questão de sazonalidade. A série trimestral do INE de emprego e desemprego, não apresenta dados com valores corrigidos de sazonalidade. Segundo estes dados efetivos, entre o 3º trimestre de 2015 e o 1º trimestre de 2016 o número de empregados diminuiu cerca de 62 mil. Mas, também um ano antes, entre o 3º trimestre de 2014 e o 1º trimestre de 2015 o número de empregados tinha diminuido 88 mil, era primeiro ministro Passos Coelho. O resultado de agora até parece melhor. Isto é uma constante, para além da tendência média, o emprego sobe um pouco no 2º e 3º trimestre e decresce no 4º e primeiro trimestres. A isto chama-se sazonalidade e a diferença é, neste caso, estatisticamente significativa, ainda que não seja muito ampla. É muito mais pronunciada na atividade turistica, no consumo de cerveja, etc..
    Analisando a série mensal da taxa desemprego do INE, a qual foi corrigida de sazonalidade, verifica-se que, do último trimestre de 2015 para o 1º de 2016 o desemprego decresceu cerca de 0,2 pontos percentuais . É o mesmo resultado a que se chega se se corrigir a série trimestral (do desmprego) da sazonalidade respetiva.

  3. O traste de Massamá nunca teve pingo de vergonha, mente com a maior
    das facilidades! Ainda ontem, no DN o P. Baldaia que nada tem de esquerda,
    escrevia o que foi o logro da “saída limpa” do ajustamento que, o País foi sub-
    metido por o traste ter sido empurrado para o Pote, nesse ajustamento mais
    de 8 mil milhões de euros foram varridos para debaixo do tapete, ou seja os
    encargos com a banca falida … que ninguém viu e, o contribuinte paga!!!

  4. A oposição está resumida a Marcelo.

    Vamos ver o que vai dar a trempe da caranguejola.

    O PS já não tem qualquer programa próprio, como tal, Costa tem que sse sujeitar aos «humores» de terceiros.

    Aí, um dia terá que entrar Marcelo.

    Ou talvez os estivadores salvem o país da banca…rota!

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