Podemos espreitar o resto da bandeja?

Estas medidas de austeridade não são, em princípio, tudo o que há na bandeja*. Estas são as que repõem nos cofres do Estado as verbas ameaçadas pela decisão do Tribunal Constitucional, mais uns pozinhos de 400 milhões de euros correspondentes à diferença entre a descida da TSU para os patrões e o aumento da contribuição para os trabalhadores. Ora, função pública à parte, sabemos que o buraco orçamental deste ano se cifra em cerca de 3000 milhões de euros. Nada nos foi dito sobre a obrigatoriedade e o modo de o tapar.

Logo, será de esperar que tal seja anunciado depois de terminada a avaliação da Troika. Se assim for, e não se conhecendo cortes em “gorduras do Estado”, estaremos a assistir ao anúncio em duas etapas de mais medidas de austeridade, o que parece estranho para um governo que elegeu como princípio a concentração e rapidez dos sacrifícios, logo, por maioria de razão, o seu anúncio.

No entanto, pode dar-se o caso de a Troika já ter concordado em flexibilizar as metas do défice para este ano e para o próximo (afinal, a Irlanda atingirá um défice de 8,3% este ano e apenas está obrigada a atingir a meta de 1% em 2015). Nesse caso, este primeiro anúncio de medidas seriam as más notícias que se dão em primeiro lugar (miseravelmente justificadas por mentiras sobre a decisão do TC), e imediatamente antes de um jogo de futebol da seleção nacional, para daqui a uns dias ou semanas se anunciarem as boas – que não nos é exigido o cumprimento dos 4,5% para este ano, nem os 3% para o ano que vem. Será? Pelo que têm dito algumas das luminárias laranjas mais radicais, com Passos à cabeça, esse seria um facilitismo totalmente de rejeitar. Mas dificilmente se compreende que se divida o anúncio de mais medidas de austeridade em duas partes, uma má e a outra… péssima. Seria mais uma originalidade, mas do género que não incorpora inovação, pois o “mercado” não vai “comprar”. Também é certo que a inteligência e o planeamento não abundam hoje em dia para os lados de São Bento.

*O PS, com aquele discurso solene de Zorrinho, deu ar de querer gastar precipitadamente todos os cartuchos. Porque não insistiu mais na “tresleitura” da decisão do TC?

12 thoughts on “Podemos espreitar o resto da bandeja?”

  1. momento emergente

    “O nível de impostos já atingiu o seu limite”, constata Paulo Portas na carta aos militantes do CDS comemorativa do 38.º aniversário do partido formalmente celebrado no passado fim-de-semana nos Açores.
    http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=27&did=71376

    momento submergente

    O líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, destacou hoje o esforço de “equidade” entre o sector público e privado das medidas de austeridade anunciadas pelo primeiro-ministro, afirmando que visam também a criação de emprego.
    http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/cdspp-destaca-esforco-de-equidade-entre-publico-e-privado-de-novas-medidas-1562146

    o submarino levou um tiro e está com dificuldades em navegar

  2. Porque Seguro foi contra o pedido de fiscalização, que foi feito à sua revelia. Por isso, com que cara vinha agora invocar esse argumento?
    A cobardia paga-se.

  3. Penso que já está mais do que na hora do PS deixar de “centrismos” e “centrados” e colocar-se no outro lado da barricada. Em causa está o Estado de Direito e o futuro de um povo, perante este “golpe de Estado económico”.

    Francisco Louçã acusou o governo de mentir ao país e de se ter transformado “numa embaixada dos interesses financeiros”. O dirigente bloquista sublinhou que o PS terá que definir se continua a pactuar com este “golpe de Estado económico” que “diminui a democracia”. (…)

    O deputado do Bloco de Esquerda lembrou que as críticas do TC baseavam-se exatamente no facto de o governo penalizar exclusivamente o trabalho enquanto beneficia o capital, e que este órgão assumiu apenas a necessidade de algumas medidas provisórias de combate à crise. Ora, segundo Francisco Louçã, o que o primeiro ministro veio agora anunciar é a perpetuação de medidas que são ainda mais penalizadoras para os trabalhadores e pensionistas.
    (…)
    Louçã afirmou que a taxação dos 3.466 milhões de euros que se descobriu recentemente estarem depositados em offshores teria dado para pagar, e ainda superado, o valor equivalente ao corte dos subsídios de funcionários públicos e pensionistas.(…)

    “Estamos a viver um golpe de Estado económico” que se traduz “na diminuição da economia”, frisou o deputado bloquista, alertando que o Partido Socialista terá que fazer uma escolha e definir se continuará a apoiar a política de “insensibilidade, insensatez e crueldade” deste governo que se transformou “numa embaixada dos interesses financeiros” ou se, por outro lado, está disposto a romper com este memorando e a opor-se a este “golpe económico”.

    O Bloco estará, conforme adiantou Francisco Louçã, disponível para todos os combates, para toda a convergência contra a “violência dos talibãs da política financeira”.

  4. o problema do louceiro é reconquistar votos perdidos e o único sítio onde os pode ir buscar é ao ps, daí que os socialistas são o alvo de tão patrióticos discursos bloquistas, já tamos fartos da k7 o-governo- é-muito-mau-mas-a-culpa-é-do-partido-socialista. não hesitaram em impedir um governo legítimo de governar e entregaram o poder à direita, agora assobiam para o lado e dizem que o problema foi do ps e da austeridade do pec4. zé! tá na hora de ires fazer publicidade dessa merda para os blogues que apoiam oficialmente o governo e chatear os cornos aos direitolos, isso é que era serviço à democracia.

  5. blá, blá, continua agarrado ao PEC IV e verás a hecatombe social e económica a arrebentar-te na cara. Acorda, pá! Isto é lá tempo de andar a cuspir para o ar, ficando na “reserva activa”, ou “abster-se violentamente”.

  6. Tens razão Zé! Este papagaio do val, o ignatz, é só verborreia e azedume.
    Não sei se tenho mais vontade de dar com um taco de basebol na cabeça do passos ou do louçã, ambos me metem grande nojo. E acerca de 20 anos admirava bastante o louçã, agora só de lembrar dá-me arrepios.
    O que importa agora é correr com esta cambada de bandidos, o mais depressa possível, e nem importa quem vem a seguir, porque pior não é de certeza!!!

  7. oh rato! de seguida enfia o taco de basebol no cu do gerómino e dá a lamber ao portas e ficas com o serviço completo.

  8. Zé,uma pergunta que gostaria que me respondesse.Era ou não preferivel estarmos agarrados ao pec 4, 5, 6, e 7 ,até mesmo a um posterior resgate mas com socrates a governar,do que actual situação? com um Pm ao serviço dos grandes interesses economicos?

  9. Seguro ,ontem meteu-me simplesmente nojo.Quando Herman lhe pergunta o que o distingue de passos coelho,podia aproveitar a oportunidade para marcar a diferença,não o fez e por isso disse: o PM só pensa nos numeros! e eu penso nas pessoas. que pobreza. Orgulho-me de votar socialista,porque alem do mais temos espirito critico.Isto que estou a dizer era impossivel ouvir da boca de um comunista,que teve anos um cinzentão como carvalhas e nem uma critica publica lhe faziam, por estarem acantonados na sua” casa do degredo” pelos crimes cometidos pelos” seus herois” como staline e lenine,em nome do socialismo.deixem de votar nesta gente,para acabarmos de vez com a direita a governar,pois são esta gente que os lá põe.como mais uma vez se viu?

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