“Pero si algún país cree que va a ser demasiado, se puede salir del euro”

Graças a este oportuno post do Miguel Abrantes, fiquei a saber o que pensa o consultor de economia do Governo alemão sobre os países do sul. A austeridade e a dor é o que vos resta, diz clara e displicentemente este alemão, mencionando mesmo Portugal; se não estão contentes, saiam do euro. O que, além de provocador, não deixa de ser curioso. Muito já devem ter recuperado os bancos alemães, pois ainda nos lembramos do quanto fez o diretório europeu para impedir que os gregos realizassem um referendo à permanência no euro em 2011. Aguardo para ver se esta tranquilidade e indiferença se manterá no caso da Itália. Desconfio que o sossego lhes acabe.

Cada vez estou mais convencida de que a nossa única saída da crise é mesmo a saída do euro. Mantendo-nos nós no clube, tal como está atualmente concebido e controlado, não haverá nem democracia, como cada vez mais se percebe, nem autonomia, nem perspetivas de futuro. Será o que a Alemanha quiser, sem hipóteses de haver sequer oposição a nível interno, quanto mais uma “credível”. Quando os imbecis que nos governam chegaram ao poder, ainda o rumo a seguir, mesmo ocupados pela Troika, podia ser um mais cauteloso e racional ou um mais ideológico e drástico. Optaram pelo segundo e a catástrofe está à vista – empobrecimento para além do suportável, economia destruída quase sem recuperação possível, uma geração totalmente perdida. E dizem-nos que nem assim a austeridade pode parar. A quem os substituir resta-lhe apanhar os cacos e… continuar a cumprir os ditames de Berlim. Por isso, não me parece tão trágica como no-la descrevem, nem mais trágica do que a situação atual, a saída da moeda única. Será mesmo esta a única proposta séria de uma oposição neste momento. Assim haja quem saiba explicar claramente o que está em jogo. Espero que a Itália ajude.

A manifestação silenciosa, ou fúnebre, segundo alguns, que decorreu no sábado e à qual não fui apenas por me encontrar no estrangeiro retrata também, quanto a mim, o desejo e ao mesmo tempo o receio de uma decisão que muitos sentem como inevitável e a única que, na ausência de um plano Marshall, faria sentido.

31 thoughts on ““Pero si algún país cree que va a ser demasiado, se puede salir del euro””

  1. Se esta ideia de sair do Euro tem mais ou menos lógica, seria a derrota dos europeistas alérgicos ao africanismo secular lusitano.

    Ceguinhos, incultos e sem memória, estes políticos destes 40 anos abrilistas.

    Iludiram, com o sonho europeu, o país historicamente virado a sul.

    Têm que ser julgados, esses políticos, antes que vão para a Igreja de Santa Engrácia.

  2. retornado,recebes-te subsidios do IARN à custa dos nossos impostos,para viveres melhor agora do que nos teus saudosos tempos do colonianismo africano ,mas comigo e muitos milhares de jovens a proteger-te o couro.se gostas de africa vai para lá,pois eles precisam de cabeças como a tua!

  3. que excelente raciocínio, Penélope. podemos fazer um exercício – o de fazer de conta que estamos na época da adesão à terceira fase da UEM, em uma lógica Keynesiana, onde podemos ver, até porque vimos, a dimensão dos custos suportados pelos estados-membros menos acelerados: a coação de colocar em marcha uma política completamente restritiva, foram, os EM contra os seus próprios interesses de desenvolvimento: do projecto da UEM, no que tange às condições de convergência nominal relativas às finanças públicas, emergia um conflito de objectivos e tudo indicava o sacrifício do seu potencial de crescimento e desenvolvimento para poderem dar cumprimento aos critérios de convergência: por um lado a diminuição das despesas públlicas ou a diluição da capacidade do estado em satisfazer os compromissos que permitem a tal harmonia social e, por outro, o aumento dos impostos ou a diminuição do rendimento disponível para os agentes económicos.

    agora é só pensar.

  4. Aos alérgicos do ultramar tenho a dizer que se quizerem lições de história de Portugal têm que me pagar muito bem.

    Cultura paga-se.

    E aos que se queixam da crise também dou lições, mas pagas a peso de gargalhadas!

  5. se gostavas tanto bananas podias lá ter ficado ou aquilo só interessa com guarda-costas de borla? nem percebo porque te queixas, temos um governo das bananas gerido por brancos da banana. vai lá conferir, se não é retornado, é emigra ou parolo com gel, o que vai dar no mesmo.

  6. Retornado,

    Depois do 25 de Abril vieram vocês para Portugal e além das casas que tiveram direito à pala, mamaram também subsídios do IARN, como já referido, e pior, vocês tinham prioridade no emprego sobre os autóctones.

    Se muitos se queixam do peso da Função Pública, deviam recordar.se que grande parte desse peso foi acumulado com a gordura dos retornados, que não só não tinham qualificações mínimas para ocupar os cargos como também poluem a Administração Central, regional e local, tornando.a mais ineficiente e levando à criação de mais dívida pública e aumento do défice.

    Já faltou menos para mandar-vos todos de volta para o mesmo buraco de onde vieram só que desta vez vai ser para enterrá-los a todos.

  7. Eis finalmente aqui um comentário honesto.
    Também nao sei se a alternativa que nos resta , face ao vampirismo alemão, não será a saída do Euro. Agora, honestamente é uma hipótese que deve ser colocada e discutida com seriedade .

  8. Em caso de saída do Euro, isso tem que ser feito com alguma preparação. Creio que já não temos défice público primário, por isso podemos enfrentar uma situação de retaliação sem problemas imediatos de insolvência. Será preciso tomar algumas medidas para evitar problemas bancários. E importante haver um consenso popular sobre o assunto, pois o povo pode ajudar bastante se não houver uma corrida aos depósitos bancários. Deve-se fazer um referendo sobre a saída do Euro, ao mesmo tempo que os alemães ficam a pensar que o objectivo é fazer bluff em negociações de reestruturação da dívida que então iniciaremos. Eles não irão ceder nessas negociações, mas não interessa; o objectivo do referendo será mesmo sair do Euro.

    Finalmente, no meio da enorme confusão que será o dia do resultado do referendo (nos mercados) — nesse dia anuncia-se a redenominação da nossa dívida externa em escudos! — se for muito bom negócio deve-se, nesse dia, recomprar dívida pública, privada, etc, detida por estrangeiros.

    Se os italianos decidirem sair, então é muito mais fácil, pois embarcamos a nossa saída no meio da confusão que eles criarem. Mas para isso também é preciso alguma preparação, como é evidente.

  9. pois , qualquer pessoa normal pensará assim. acontece que a classe política tem mais a perder : uns lugarzinhos pagos a peso de ouro no parlamento eurocaca . mas pode ser que lhes saia o tiro pela culatra.

  10. o cromo quer desvalorizar imediatamente 30% na grécia, portugal e irlanda, 20% na frança e 10% na itália, já a alemanha valorizaria 20%. não seria melhor serem os alemanhosos a sair do euro?

  11. Penélope

    Está descoberto o homem que foi PM de um país da Europa e ideólogo desta política neoliberal que espalha o terror por todos os países do Sul da Europa.
    O meu amigo Pedro Passos está a seguir as políticas deste malandro neoliberal e insensível social que fez do seu povo cobaias de tão terríveis políticas, semelhantes às que nós estamos a sofrer, provocando a desgraça e a revolta dos seus cidadãos. Acho que este país ja saíu do EURO, pois é o que acontece a todos os países que seguem as teorias neoliberais do Gaspar e da Troika.

    Dou-vos pistas para descobrirem quem é o homem!

    1- Homem a quem não se podia confiar a compra de um carro em segunda mão;
    2- foi PM no ínicio do sec.XXI
    3- também teve de se fazer à vida, trabalhando hoje numa empresa russa ligada à energia

    http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/espanha_portugal_e_grecia_necessitam_de_uma_desvalorizacao

  12. Realmente das Áfricas só regressou a escumalha como o RetaRdado, porque os de valor arranjaram maneira de lá ficar! Diz que antes de Abril era só visionários, cultos e com memória de elefante…

  13. “Aos alérgicos do ultramar tenho a dizer que se quizerem lições de história de Portugal têm que me pagar muito bem.
    Cultura paga-se.
    E aos que se queixam da crise também dou lições, mas pagas a peso de gargalhadas!”

    UM GAJO TÃO PRESUNÇOSO OU É UM GÉNIO OU UM IGNORANTE PROFUNDO.

  14. esse Hans-Werner Sinn dá razão a quem diz que também há imbecis lá fora; os exemplos conhecidos de “desvalorização interna”, a começar pelo dos Estados Unidos em 1929-33 (uma das nações mais industrializadas de então) são desastrosos.

    Que alguém aconselhe o imbecil a ler (por exemplo):

    http://newsfrom1930.blogspot.pt/

    Trata-se de uma muito bem feita recolha de notícias do Wall Street Journal de 1929-31. Não resisti a deixar aqui um excerto:

    «AFL pres. W. Green [central sindical], says he’s not sure if Asst. Commerce Sec. J. Klein was quoted accurately as saying “there will be hell to pay throughout the US in the event of a general wage reduction,” but that “it is my honest opinion, arrived at after deliberate and calm consideration, … that it ought to be a logical outcome of the wage cutting policies pursued by the highly protected employing corporations of the nation.”

    An “insurgent” group of miners has called a strike against the Glen Alden Coal Co.; J. Boylan of the United Mine Workers said the strike was unauthorized and a “complete failure” with only a handful walking out; W. Inglis, company pres., said about 5,000 of the company’s 25,000 workers were out; T. Malone, “insurgent leader,” said about 10,000 were on strike. Officials of the Amer. Federation of Full-Fashioned Hosiery Workers said they were opposed to a strike called by their local in Paterson, NJ. The union’s agreement last Saturday to 30%-45% wage cuts has been met by agitation for a general strike at local unions in NJ, NY and New England, but national union officials said they stood behind the agreement.

    US govt. denies pleas of labor organizations to close bridge at El Paso in order to bar Mexican laborers.

    Reports from Al Capone’s headquarters in Chicago “indicate that he has sent out a wage cut order, similar to those of industrial firms all over the country.” The amount of beer and liquor sold at saloons is reportedly down about a third from the days of prosperity, and gambling houses are also bringing in substantially less.»

    (Wall Street Journal, 25/10/1931)

  15. eu não suporto angela merkel,mas compreendo-a.depois de tudo que passou com o social fascismo na RDA,tudo que estamos a passar,para ela era “canja.”

  16. “portugues a viver em angola”,recorda aos nativos a historia da politica portuguesa nas colonias e vens de “requitó “de imediato.de politica ai nem a boca abres.

  17. mas o que se vê, nunocm, é que a educação infanto-juvenil de angela merkel, na ex-RDA, não a preparou para isto; não teve acesso ao Wall Street Journal…

  18. … além disso, tudo o que lhe cheira a marxismo (incluindo o keynes, coitado, que nem marxista era) merkel acha que é para esquecer. Teoria, não tem. Quanto a factos, na ex-RDA o Wall Street Journal (WSJ) — que esse ela gostaria de ler — estava censurado; e agora a senhora anda demasiado ocupada com intrigas políticas, não tem tempo para se reeducar com a leitura do WSJ de 1929-32…

  19. Acho espantoso que tanta gente ainda nao tenha percebido que o velho espirito Imperial Alemão está (adaptado aos tempos actuais) de volta.

    Se bem se lembram este espirito não trouxe nada de bom.

  20. Penélope,

    ao ler-te lembrei-me de que não podemos pôr as culpas em ninguém pelo que nos acontece. As não escolhas também são escolhas.
    Desse ponto de vista, somos responsáveis pela escolha (ou não escolha) que fizemos internamente. As bosas notícias: é sempre possível escolher de novo. Ou não escolher. Mas viver bem com isso, ou então escolher outra coisa, escolher fazer de outra forma. Somos nós, quem escolhe, quem mais ordena. A questão é: queremos ordenar?

  21. Bento,
    no seguimento, é certo que os alemães têm um ADN de domínio. Mas quem tem o ADN de ser dominado faz parte do problema.

  22. pois, a teoria do “espaço vital” que era uma importante componente dos planos imperiais da Alemanha da primeira metade do sec XX, está certamente de volta. Mas aplicam a receita numa altura de enorme crise do Ocidente. Há uma predisposição dos alemães para os destinos trágicos. Depois dizem que levam uma facada nas costas, como Siegfried levou no “Crespúsculo dos Deuses” (ou será antes “Crepúsculo dos Ídolos”, como ironizou Nietzsche?).

  23. joaopft

    O artigo do Hans-Werner Sinn deve ter criado tanto mal-estar a tanta gente que nem eu imagino quem possa ser que já foi retirado do jornal de negocios online.

    Depois este Governo e o Relvas, em particular, é que controlam a comunicação.

    Vão, mas é, dar banho ao cão!!!!

  24. Edie: Estás inteiramente certa, mas, como diria o João Quadros, “o mal está feito”. Quem escolheu, escolheu mal. Entretanto a situação na Europa evoluiu e não para melhor, excetuando a compra de dívida pelo BCE. O Pacto Orçamental é um novo espartilho aos Estados imposto pela Alemanha. Não mais nos livraremos do chicote se continuarmos no euro, porque de chicote se trata, como deixam escapar muitas das cabeças pensantes alemãs. Continua a haver escolhas, claro, porque pior governo do que este era impossível. Podemos escolher quem se bata pela nossa história, pelo nosso destino, por maior justiça, mas a política económica vai estar um bocado limitada se nada acontecer no quadro europeu.

  25. Penélope

    Só dizes chavões sem nenhuma coerência. Se leste, claro que leste, o comentário do Hans-Werner Sinn, a Alemanha nao está a impor aos outros Estados membros do Euro nem mais nem menos, do que impôs a ela própria. Estamos a sofrer as consquências de fazermos parte de uma moeda forte no qual não estávamos preparados para entrar. Nem os políticos fizeram questão em consultar o povo português e, muito menos, ajustar a nossa economia à entrada do euro. Foi uma festa enquanto durou o crédito fácil e barato e a compra de bens baratos importados. Ninguem se preocupou para o reverso da medalha, neste caso da moeda, ou seja, perda de competitividade das nossas empresas, estagnação do PIB e endividamento brutal público e privado do país. Agora a culpa é da “gorda”.

    http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/espanha_portugal_e_grecia_necessitam_de_uma_desvalorizacao

  26. oh tu que não sabes ler jornais e chegas sempre atrasado! quando toda a bloga já comentou o assumpto a santa ignorância descobriu o precioso link para as asneiras do bofe. desde que venha do reichstag engoles tudo e botas na ventoínha com interpretações citrinas, tamém já fora de prazo. kind of jerk.

  27. Não vês que sou RetoRnado?

    Portanto nem precisavas de duvidar que sou tudo o que dizes: “UM GAJO TÃO PRESUNÇOSO OU É UM GÉNIO OU UM IGNORANTE PROFUNDO”.

    Soma a isso tudo aquilo que somos todos os patrícios, a experiência de alguns portugueses que foram RetoRnados.

    É um currículo muito especial, como vês.

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