Perda de tempo, Ricardo Costa

capa expresso 8 fev

Num artigo hoje publicado no seu jornal, Ricardo Costa resolveu justificar-se pelo título escolhido:

[…]O que disse Sócrates no Domingo? Primeiro, que “é falso” que o seu governo tenha dado início ao processo de venda, segundo, que “o governo nunca deu carta branca” à administração do BPN nacionalizado para executar essa venda. Acontece que o Expresso não disse nada disso. Disse – e fundamentou com documentos – que o processo de venda, de consulta a leiloeiros, de avaliação das obras e de marcação do leilão foi iniciada no Governo anterior. Facto que não tem nada de estranho, como aliás explicou Teixeira dos Santos ao Expresso, porque a administração do banco (ou do buraco) nacionalizado tinha como missão vender ativos que ajudassem a diminuir a fatura dos contribuintes.[…]

Voltemos a olhar para o título da notícia.
Pois é.

O que pretende o jornal transmitir com este titulado, em plena polémica? Parece-me claro:

1. Que este governo não fez nada de especial, limitou-se a dar seguimento a um processo já iniciado antes.
2. Que o Governo anterior também queria vender os Mirós e nas mesmas condições.
3. Que as ilegalidades cometidas pelo atual governo neste processo, ao agir ou ao permitir que outros agissem como contrabandistas, não são uma questão importante. Pelo menos não tão importante que mereça um título. Não tão importante como o objetivo do Ricardo Costa.
4. Que vender as obras de qualquer maneira, por atacado e sem o mínimo de bom senso também não é importante.
4. Que a culpa, seja lá do que for, é do governo anterior. Sempre. E que isso fique bem claro em letras gordas. Nem que o dito governo não se tenha pronunciado nem ordenado nem decidido nada sobre esta matéria.
5. E finalmente que o atual governo não se pronunciou, e bem, na perspetiva de Ricardo, sobre esta matéria.

Pois tenho umas perguntas para o Ricardo Costa:

1. Acha mesmo que a questão central aqui é a venda (em abstrato) dos Mirós?
2. E acha mesmo que, face às condições em que o atual governo se dispôs a vender a coleção e ao processo bastante desleixado e/ou clandestino seguido, não há motivos fortes para contestar a venda e, já agora, toda a operação?
3. É capaz de reconhecer ao atual governo alguma sensibilidade cultural, para já não falar no sentido do potencial económico da exposição de obras de arte, independentemente do que a administração do BPN e o secretário de Estado da Cultura andam ou não andam a fazer?
4. Pensará que somos parvos ao dar-nos a sua justificação para o título da notícia?

25 thoughts on “Perda de tempo, Ricardo Costa”

  1. Também ia escrever sobre mais esse número do mano Costa. E irei, espero. Porque estamos perante um magnífico jorro de hipocrisia e falácias de andaime.

  2. Claro que o Ricardo, utilizou o título garrafal para enganar o passante que só olha para as “gordas”, não compra o pasquim e mais tarde garante que : …”até o Expresso disse…”.
    Processo de venda, mas de que venda falará o mano Costa? E de quantos e quais Mirós? Qual o valor pretendido? E os activos a vender iriam também sair ilegalmente?!
    Pobre jornalismo que tais personagens alberga tratando-os como se fossem gente.

  3. Val, há matéria para mais longos e bons comentários como os teus. Só mais uma achega: esta justificação é apenas um pretexto para a exposição da tese do caranguejo. O que só vem comprovar a razão para aquele título.

  4. O Ricardinho Costa quer agradar ao Number One do PSD, bem como aquela gentalha que mandou os Miros para a Cristhie’s, clandestinamente e sem o aval da autoridade que gere o Património Nacional.
    O Costinha do Expresso é um grande malabarista a manipular os títulos daquele que já foi conhecido por : “Se vem no Expresso é porque é verdade”.
    Agora aquele heddomadário é gerido por catavento.

  5. Ai Costa,Costa… Desde que a mamâ foi a jornalista defensora-mór do grande democrata Savimbi, e sendo os genes o que são,quem se supreenderá com os vossos audazes avanços e estratégicos recuos?

  6. De facto já nos habituamos aos esquecimentos de Sócrates, o homem cujas narrativas a realidade veio demonstrar estar errado em quase tudo. Mas de pouco nos vale recordar as suas mirabolantes achegas sobre a matéria, quando esse facto nada adianta a esta ilegalidade agora cometida. O que se passou com os Mirós, como muito bem caracterizou MR, foi digno de uma républica das bananas, em que Passos Coelho podia perfeitamente ser o Noriega cá do sítio.
    Aquilo que mais nos devia atormentar a todos, é esta propensão do PSD imitar aquilo que o PS tem de pior e vice versa. Em matéria de promiscuidade são bem parecidos um com o outro, com alguma vantagem para os actuais detentores do Poder. Mas como interessa aos agentes laranja, corruptos há em todo o lado, e, entre o PS e o PSD venha o diabo e escolha, há que seguir essa narrativa sem pestanejar. Ou seja, apenas porque a Administração do Banco falido nomeada pelo PS colocou a hipótese de vender as obras do Miró ou outras que fossem, o actual governo pensou:
    “vamos aproveitar a deixa e leiloar os quadros quanto antes”, quem sabe não chove algum por fora?
    Aqui temos o perfil psicológico comum que nos tem dirigido nas últimas décadas. O Chico Espertismo!

  7. oh das caldas! quais esquecimentos do socras? até agora só tenho visto alembraduras inconvenientes à estória comuna e às aldrabices do regime, mas é capaz de haver qualquer coisa que me escapa, conta lá o que sabes. apesar das condições meteorológicas serem favoráveis a “chover algum por fora” com a quermesse surrealista encomendada à crista’s, convém lembrar que a prática do dízimo pró partido é a democratização das “luvas” da outra senhora e cuja massificação na administração pública foi o único contributo que o partido comunista deu para as “conquistas de abril”.

  8. para não haver confusões,ricardo costa,é “meio irmão” de um senhor chamado antonio costa.por vezes são parecidos,mas neste caso o ricardo é mais parecido com o dr.balsemão!

  9. tó das caldas,com essa tua argumentaçao falaciosa,não tarda muito para ganhares um “andar novo” com um das caldas no traseiro .sê serio e não compares o que não é comparavel.o jeronimo adorou o regime lenista,stalinista e odeia o homem da prestroika,mas não o comparo a esses bandalhos que ele ainda hoje idolatra! o louça,já não é politico,passou a ser comentador ao serviço da manutençao do poder nas mãos da direita,dado o volume das criticas justas e injustas ao ps! a auto critica ainda não a fez,depois de colocar a direita que nos tira direitos no poder!

  10. “… por vezes são parecidos…”

    … e deve ser na sombra projectada, por altura dos equinócios. muda d’óculos e não digas asneiras, pá!

  11. quanto ao savimbi,depois de o ver morrer no campo de batalha,e ver eduardo dos santos no ar condicionado,a viver da corrupçao e à grande e neste caso à “portuguesa,pois já e dono de uma boa parte do nosso orçamento,só me resta dizer: savimbi paz à tua alma.

  12. nota: estive em angola,como “militar à força”,mas deu para ver, porque estive na terra mais a sul de angola “Pereira D,eça,”como as gentes desta terra de savimbi gostavam.e como eu gostava delas…

  13. ignatz,posso ter sido pouco claro,mas o que quiz dizer é que os irmãos por vezes saõ parecidos.este nunca o foi nem nunca será!

  14. O dr. Balsemão sabe escolhe-los, o arquiteto ainda
    durou uns tempos, o torturado monteiro cospiu no
    prato da sopa, até chegou a tratar o Sócrates por tu,
    o ricardo bosta rápidamente atingiu o chamado prin-
    cípio de Peter, enrrola-se com facilidade … vale O!!!

  15. O caso Miró tem todos os requisitos para vir a ser mais um caso “Ó Abreu dá cá o meu”.
    Nunca ninguém saberá quanto valem realmente esses quadros. A única coisa que saberemos (talvez) é por quanto foram leiloados…

  16. O Ricardo pequenino,do jornal expresso,não é pequenino em função dos centímetros que o seu esqueleto possui de medida,mas sim,pela pequenez serventuária de um assalariado pago para o efeito.

    Como se o acima dito,não fosse já o suficiente,acresce o facto do tique chico-esperto,tentando tratar os outros à sua semelhança.A lucidez é tão pouca,que,chegado à idade adulta,não conseguiu perceber o obvio para qualquer inteligência mediana:um burro,nunca será um cavalo!

  17. os estatutos servem de argumento quando dão jeito.o loureiro e todos os outros assaltantes do bpn,já foram expulsos? está bem abelha.estão à espera do julgamento! quando isso acontecer já estão “o ceu”como benemeritos ! porque motivo capucho não se demitiu? estava à espera da benevolência do dux!

  18. O Ignatz é um bom companheiro. Assertivo no argumento, acutilante na resposta, arrasador no desafio. Parabéns pelo desafio colocado ao “Tó das Caldas”. Eu esperava pela resposta, mas já vi que não vou ter o prazer de ler o contra-argumento do Tó da loiça das Caldas. Ficou em cacos.

  19. Evaristo,

    haja alguém que reconhece o valor do ignatz neste blogue. O autor já lhe perguntou se ganha ao comentário e apelidou-o de maluquinho do aspirina (como sinónimo de fardo que qualquer blogue de porta aberta tem de aguentar). Agora compara com algum lixo que temos de aguentar no blogue e vê lá se o autor não devia agradecer a agudeza e insubordinação do ignatz. Isto era uma grande chatice se só tivéssemos fãs que se riem tanto dos posts que lhes “cai uma pinguinha”.Não achas?

  20. Edie,
    Estou de acordo. Esta porta está aberta, e entra quem quer. Umas vezes são os do costume, que se entretêm a esgrimir uns com os outros. Outras vezes lá vem uma ou duas “arrastadeiras” (herança do Relvas) conspurcando o ambiente de amizade que aqui se vive. Mas o Ignatz é único, e tem um poder de fogo incrível. Poucos são os que lhe mordem as canelas. Não se atrevem a enfrenta-lo, apenas rosnam, mas fogem sempre que o Ignatz levanta o dedo.
    Um abraço para todos.

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