Oxford “priggish”. Pouco “chic”

Maria Filomena Mónica faz render os anos de juventude passados em Oxford como não imaginaríamos e como não mandaria a inteligência que o fizesse. Não perde uma única oportunidade para nos lembrar que por lá passou, nem que tenha sido há 150 anos. Se, como acusa, Sócrates se preocupa exclusivamente na vida em ser “chic a valer”, como um personagem do tempo do Eça, com que se preocupará Filomena Mónica? Adivinharam. E o resultado é algo caricato. Quer ser snob, mas é apenas pedante e antipática. E invejosa. Na entrevista que hoje dá ao i, é-lhe pedido, a páginas tantas, que aponte n’Os Maias figuras que retratem os políticos atuais. Diz mal de Crato, no qual, confessa, começou por ver grande competência. Mas foi buscar Sócrates logo que pôde, ora pois, e comparou-o ao Dâmaso Salcede, enquanto novo-rico, uma fachada sem conteúdo, que achava Paris o máximo no século XIX:

Para não falar no Sócrates, que nem licenciado é, pretende ser engenheiro. José Sócrates é uma espécie de Dâmaso Salcede, cuja única preocupação na vida é ser “chic a valer”, imitando tudo o que se faz em Paris.”

Insultar até morrer, não é? Porque, boas universidades, só ela, meus caros. Estudar, só ela. Escrever livros, só ela. Ela esteve em Oxford! Há 150 anos. A estudar Salazar.

Alguns esclarecimentos (e não tenho mandato):

  1. Sócrates não pretende ser engenheiro. Ele é engenheiro. Ao que sei, com uma pós-graduação em Ambiente e outra em Filosofia Política.
  2. Ao que pude observar enquanto foi ministro e depois primeiro-ministro, uma das grandes preocupações da sua vida não é ser “chic a valer”, mas político a valer: progressista, organizado, eficaz, confiante e com visão. Há uma diferença. Se, pelo caminho, gostava de bons fatos, é com ele. Admito, porém, que esse gosto marginal ao seu trabalho faça espécie a uma mulher precocemente contaminada pelo gosto das inglesas em termos de indumentária. Problema seu, amiga.
  3. Há muito que o que se faz em Paris deixou de inspirar o mundo.

A menos que Paris seja, com algum esforço, uma metonímia para o mundo civilizado, e não tenho dúvidas de que, para MFM, esse mundo só pode ser o anglo-saxão, a imitação de Paris, até no que à moda diz respeito, já conheceu melhores dias. Pelo que seria bastante improvável que, há seis anos, alguém por cá quisesse imitar o que se fazia em Paris. Mesmo em “fashion”, se era a isso que a entrevistada se referia. Não é o Ermenegildo Zegna italiano? E o Boss? É, por acaso, francês? Maria Filomena Mónica é superficial e, por vezes, bastante disparatada. Ir estudar para Paris, se é essa a indireta que pretende mandar, pode ter sido uma decisão justificada por mil motivações. Familiares, pessoais e 998 outras. Mas não me parece ter sido superficial nem merecedora de escárnio.

19 thoughts on “Oxford “priggish”. Pouco “chic””

  1. A Maria anda a ler muito o Observador… dá nisto! Devia experimentar outras leituras, podia ser que descobrisse que Portugal até é um grande país, que os portugueses, a sua cultura e história, merecem mais que o desprezo que a emigrada lhes atribui. Perdoem-lhe, afinal Maria Filomena Mónica está a fazer aquilo que sabe melhor, ser de uma superficialidade “nouveau riche” que não lhe fica bem… é assim, “quelque chose” de croissant enquanto não cai a guilhotina.

  2. parabens, pelo excelente post. pergunto: o que se pode esperar de uma mulher que consegue viver com antonio barreto? merda digo eu!

  3. Para ser Eng. necessita de estar inscrito na Ordem. Se não está inscrito é licenciado em engenharia, não é engenheiro.
    O mesmo sucede com os advogados. se está inscrito é advogado, se não está e jurista.
    VW

  4. “… e um licenciado em economia o que é?”

    é um licenciado em economia. já um burro não precisa de estar inscrito num curral ou pagar cotas para exercer a profissão.

  5. No meu entender,o Dãmaso Salcede do Eça vai inteirinho pela boçalidade,cretinice e “dandismo”pacóvio para o tal Melo do micro partido do “irrevogável”.Para a dita cuja Mónica,lembro o saudoso Jorge Amado e a sua classificação do mulherio em decadências várias,ou seja e para ela,a de “grande baqueana”muito para lá da ” balzaquiana”.

  6. A melhor parte é a parte em que a Maria Filármónica toca este trecho:
    “Sou formada em Filosofia, onde não aprendi nada”

    @Verginia Wolfa-mos, debater se este ou aquele título é mesmo o fim da linha argumentativa. Equivale a não ter mais nada para dizer.

  7. interpreto assim: a senhora é um Ega, um bobo da corte que Sócrates teria sido se tivesse decidido ficar. mas ela também é um Eça instrumental porque, incapaz de enfrentar uma grande paixão, sem confiança em si mesma – daí fugir a sete pés da verdade recorrendo à mentira.

    MFM é, enfim, um espelho do que condena: uma queirosiana mesquinha e, por isso, isso sim, uma poseur à moda de Paris. :-)

  8. Nuno, esse tipo de linguagem é manifestamente excessiva e não é aceitável entre pessoas que todos os dias a partilham o mesmo espaço.

  9. E o vodka, vocês esqueceram-se do vodka?
    É que o “teor” das respostas da MFM, tais como as do VPV quando entrevistado, tem muito que ver com a hora a que são dadas. E quer um, quer outro, só começam a “funcionar” lá mais para a tardinha, depois do trotil começar a fazer efeito.

  10. MFM pensa-se o centro do universo. Engana-se, porque quem só olha para o seu umbigo, dificilmente vê a arvore, quanto mais a floresta.
    Há neste tipo de gente, que se pensa admirada, uma presunção bacoca . Querendo mostrar-se uns génios, escrevem livros que ninguém lê e dão entrevistas , a pedido, para se sentirem vivas.

    E são estas “estrelas” que se fixam, p.ex., em Sócrates, que as faz sentir-se “nuvem”.
    Muito se tem falado e escrito, no sentido de compreender o porque da sanha com que atacam o homem!! É uma fixação patológica, doentia e até despeitada e invejosa.

    Há porém uma coisa que habita o subconsciente de muita gente e que faz estender a perseguição até ao fim dos tempos!

    Não perdoam a inovação, a inteligência, a determinação, a vontade e a perseverança e mais,……. ainda que aparentemente prosaica,…….. esta coisa simples : o homem é bem parecido, bonito mesmo, e numa sociedade de gente feia de espirito e às vezes de aparência , isto conta muito !!!

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