Os alemães só querem o nosso bem

Primeiro atam-nos a corda ao pescoço ao impedirem que se reveja o estatuto do BCE de modo a que este possa comprar diretamente a dívida do Estado, pondo de uma vez por todas fim à especulação. Estrangulam-nos, castigam-nos, matam a nossa economia, chamam-nos preguiçosos e gastadores (não, não é por terem nascido maus; é por puro interesse económico e eleitoral). Depois, lançam ou criam condições para que se lancem “beneméritos” programas de formação e contratação de jovens quadros desempregados dos países sob garrote, num gesto de aparente bondade que só nos poderá deixar agradecidos.
O cinismo vai alto. A braços com falta de mão-de-obra qualificada interna, tudo fazem para que lhes seja fácil recrutar a malta desesperada do sul. E conseguem-no, sem qualquer dúvida. E há até quem veja nisso um gesto de grandeza e solidariedade. Escusava era a agência que tal propõe de sugerir que “os países de origem podem mais tarde recuperar trabalhadores com experiência”. Já chega de Antónios Borges. É que se está mesmo a ver que quem se sentir revoltado com esta situação só pode ser burro, não é?

4 thoughts on “Os alemães só querem o nosso bem”

  1. e tendo em conta a piramide demográfica dos boches , ainda pior que a portuguesa , não são nada parvos , pois não . importam jovens quadros em idade de procriar … muitos ficarão por lá. e são brancos , ainda por cima , ouro sobre azul !

  2. Meus senhores isto está a ficar complexo… como é que saímos destas amarras ?
    É a mobilidade interna a funcionar,entre países do sul (só serve para se ir á praia) e do norte (onde se trabalha).
    Isto não é uma união europeia (com letra pequena), mas sim
    anexação e deslocação (forçada) de populações.
    Como disse Bill Clinton no seu discurso, queremos uma economia de(países, cidadãos e empresas) onde o “winner takes all” ou uma mais solidária?

  3. Processo de ajustamento há só um, o alemão e mais nenhum. Os erradamente chamados processos de ajustamento português, grego, irlandês e, futuramente, espanhol e italiano, são, na realidade, processos de achinesamento.

    O processo de ajustamento alemão tem como objectivo ajustar o sistema produtivo do IV Reich à evolução do mercado global e à mudança de agulha da economia chinesa, que, a médio prazo, passará de “fábrica do mundo” (a produzir por encomenda e ao preço da chuva, graças a salários equivalentes, tudo quanto é pentelho de marca mundialmente consagrada) a fabricante e exportadora de marcas chinesas de raiz com alta qualidade, que concorrerão com os equivalentes alemães até agora em posição relativamente confortável no mercado global. Quem é que, no futuro, vai comprar Mercedes, BMW, Audi, Volkswagen e tutti quanti, apesar da sua comprovada qualidade, se os chineses lhe propuserem um “BMPing”, um “Volksxiao” ou um “Audiling” por um terço ou pela quarta parte do preço, com o dobro ou triplo dos equipamentos e de qualidade tão garantida como a dada altura o passaram a ser os Toyota ou Honda japoneses, conquistado o merecido prestígio depois do cepticismo dos primórdios?

    A Alemanha sabe que, para ser concorrencial nesse futuro que se aproxima a galope, precisa de baixar custos de produção, principalmente salários. Como não o pode fazer na Alemanha, sob pena de enormes convulsões sociais, força esse abaixamento, de forma selvática e brutal, na chamada Europa periférica, à sombra da defunta (chamar-lhe moribunda seria optimismo idiota) União Europeia e das regras que ela própria, Alemanha, violou impunemente e agora exige respeitadas. Concretizado o desígnio, fará então a Alemanha o favor de promover a produção pelos periféricos, a preços chineses, de componentes para as suas marcas, cujos preços poderão assim baixar substancialmente e resistir à concorrência chinesa, pensam eles de que. Sedentos de investimento estrangeiro e agradecidos por qualquer migalhita, os eurochineses farão o pino e darão cambalhotas para atrair a preferência e os favores do IV Reich. Isto, insisto, pensam eles de que, porque entretanto o cadáver adiado da União Europeia terá rebentado de vez e a Baviera e arredores não escaparão ao tsunami daí resultante.

    Temos, assim, em Portugal, Grécia e arredores, processos de achinesamento e não de ajustamento. A inspiração e direcção de orquestra são alemãs, com a vista grossa cobarde de uma reedição apalhaçada da República de Vichy, esperançada em comer umas migalhas que porventura sobrem da mesa principal. Depois, não faltam por aí cipaios e outros lacaios, a nível local (como a quadrilha do pote) ou destacados em poleiros de plástico carregados de lantejoulas, a coadjuvar a estratégia. Ouvir o Durão Barroso a arrotar postas de pescada fingidamente independentes para eurochinês ver não pode senão provocar vómitos a qualquer pessoa de bem. Ouvir esta gente sem espinha nem vergonha esganiçar ocasionalmente uns cacarejos de garnisé, com o bico ainda a escorrer nhanha do fellatio que fizeram aos donos cinco minutos antes, é mais um abuso a acrescentar às sacanices e esbulhos a que diariamente nos sujeitam.

    É claro que isto vai tudo dar bué da certo nos modelos que fritam as meninges do IV Reich e da criadagem indígena. Na prática, insisto, acontecerá o mesmo que com as previsões do Orçamento da comissão liquidatária do pote. A possibilidade, ou inevitabilidade, de a própria Alemanha, a verdadeira, a legítima, a da Bayer, acabar também, como das outras duas vezes, feita em merda, é coisa que não passa pela cabeça dos iluminados maestros e seus criados locais, mas parece-me a mim ser fatal como o destino. E da Europa restará mais ou menos o mesmo que das outras duas vezes, no século passado, em que os indígenas foram sujeitos à direcção de orquestra alemã.

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