O «tempo da mão estendida»

Segundo Paulo Portas, Portugal já não precisa de pedir ajuda à Europa porque, deduz-se, o seu governo conseguiu equilibrar as contas e afastar o país da bancarrota. Ora, há tanta verdade nesta afirmação quanto glúten numa salada de alface.

Os fatores que levaram ao desequilíbrio das contas públicas em 2010/11 foram as despesas sociais acrescidas do Estado devido ao encerramento de milhares de empresas na sequência da maior crise financeira internacional de que temos memória, o aumento vertiginoso das «yields» pelos empréstimos concedidos a Portugal (a chamada especulação) e a inação do BCE, controlado por uma Alemanha que, por interesse próprio, adotou e impôs um discurso moralista contra certos países europeus mais soalheiros.

A mão estendida, que, convém não esquecer, Sócrates procurou evitar a todo o custo,  tendo-lhe sido retirado o apoio num segundo e derradeiro instante por interesses meramente eleitorais, foi substituída pela mão reverente e submissa, que mais não é do que uma forma mais sofisticada de mão estendida. Indigna, porque implica bajulação.

O facto de o BCE, perante o risco de deflação e crise do euro, ter finalmente decidido intervir para travar a especulação em torno dos juros das dívidas soberanas, a par de uma baixa acentuada do preço do petróleo, determinaram o alívio sentido. O empobrecimento de milhões de portugueses e a fuga de largos milhares foi o preço a pagar pela paz, infelizmente podre. Aliás, para este governo, não se trata sequer de «preço pago», trata-se de castigo cumprido e merecido.

Atentos ao meu segundo parágrafo, a narrativa oficial e a de Paulo Portas fazem muito pouco sentido. O país não está melhor: a dívida agravou-se e a economia não prospera, apesar da nova lei laboral e da facilitação da vida das empresas. Os serviços públicos degradaram-se e a sua modernização foi suspensa.

Paulo Portas não estende a mão, mas isso é porque aceitou a condição de escravo. Não lhe fica bem empinar o nariz quando o país que tem para apresentar brilha e sonha tão pouco.

13 thoughts on “O «tempo da mão estendida»”

  1. Melhor, melhor, só a Grécia, que nem a intervenção do BCE conseguiu salvar e que, agora orgulhosamente, pede uma extensão do programa de assistência financeira por mais 4 meses em troca de sujeitar as suas opções à aprovação das “instituições” (anteriormente conhecidas por “Troika”). Pobres mas honrados!

  2. Tão a bere? hum? se o Portas tibesse feito o curso dele ao domingo e com faxe, tinha o mesmu gabaritu do socras, inteligentiximo, filósofu, saíue da cubilhãe pra parize, tebe o nume na montra do gioirgio armani em beberli ilz, faladorre, amigo peçuale de chabez, fala inglesze, e franssês, é amigu de máriô soáreze, em bias de canonizaçãoe em Ébora, mártire da jostiça protugueza. éh pá, ó portas, és mesmu loirra, só bisitas peixeirass e num te daze cum gente fina, como a Lena e o gaju de angola. e o salgadu, ebidentemente. oqueie.

  3. Esta tomada de posição do blog é de grande qualidade e só temos de agradecer. Mas, relativamente a Portas, é como dar pérolas a porcos. Ele não entende, não entenderá nunca, porque se fica pela espuma, não aprofunda nada, não estuda nada, é um aldrabão consumado. A bem dizer, o Paulo Portas tem alma de corista, é só plumas e vidrilhos. Por isso ele faz tão bom par com o cantor de Massamá, esse que, para mal dos nossos pecados, o La Féria não contratou.

  4. “ouvi dizer que o cegueta é do mesmo grupo das portas”

    têm pinta de ser do mesmo curso, urinóis jardim do constantino e after eleven.

  5. Ó JÈ BICOS, JPFERRA, uóteva, oube, saves que tens razãoe numa coisa? Hum? bou-te dizere pá: a minha fama já bem de longe, meue, e ólha que é uma boa fama. ou penças, ó burrídico que eue minspiro em linques, hum? Ganda Maluka, pá. oube, iscrebe aíe. cumigu pá, o sócras já taba cá forra, pá ( ebidentemente se aquilo que ele alega tibesse razãoe de ser), e pruibia-o de falare pá, de receverre bisitas mediaáticas, pá. perturbaçãoe do inquérrito dize-te alguma cousa, ó gaju? hum? já agora, saves purque é cu gajo boltou pra portugale? hum? saves? é precisso dizer-te pa´? hum. debes pensare cus magistradus se formaram ao dumingo meue.
    Ignatezes, cala-te. oqueie.

  6. Deram 4 meses aos gregos.

    Podem-lhe dar 40 ou 400 anos, eles serão sempre os mesmos.

    Uns tesos, uns loucos e uns estroinas

    4 meses para o povo GREGO que vive há milénios com esse nome, é para rir à gargalhada até às lágrimas.

    A Europa já não é mais para levar a sério.

  7. Daqui a quatro meses levam outro saco de massa e apresentam uma lista variante desta. O pessoal vai dizer: estes gregos são espertos, os europeus são tolos. Mas tolos são os que pensam que os europeus (os alemães) são tolos. Temos que pôr a cabeça a trabalhar para desvelar este caso.
    Estou a esforçar-me para incluir no problema mais que a finança. Acudiu-me geoestratégia. Lembrei-me do lugar reservado à Grécia após a II Guerra Mundial, do facto dos russos estarem no leste da Ucrânia, de haver três ministros americanos no novo governo ucraniano.

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