O mundo da Comunicação Social é um circuito fechado que procura a diversão

Parecem uns putos sem nada que fazer, que vêem passar um gato e desatam a inventar tropelias para fazer ao pobre bicho. A direita vê, alinha, sugere mais outras e assim vamos. Aconteceu com a Ministra da Justiça como com vários outros alvos recentes.

Não houve um único canal de televisão que, ontem à noite, não estivesse debatendo a “gravíssima” questão da recondução, ou não, da actual PGR – cujo mandato termina apenas em Outubro. Isto devido a uma pergunta sobre esse assunto feita por um jornalista à ministra numa entrevista desse dia, a que ela respondeu com a sua leitura estritamente jurídica da questão.

À tarde, enquanto Hugo Soares se excitava na Assembleia da República inventando fins para o Estado de direito caso a PGR não fosse reconduzida, já os canais noticiosos faziam alguns ensaios de exploração do tema, com comentadores mais à mão. Mas, para a noite, a noite, já se elaboravam as listas de convidados que, aí sim, saltariam em grande para o palco para protagonizar o inesperado festival. Foi assim que vimos um desfile considerável de especialistas em Constituição e em leituras políticas de rostos e frases, os quais incluíram desde o Paulo Baldaia, a Ana Drago e o José Eduardo Martins até gente séria como o advogado Saragoça da Mata. Eram tantos e em tanto lado que lhes perdi a conta (e o nome).

 

A TVI24, então, levou a palma, antes, suponho eu, de passar ao futebol: convidou, a páginas tantas, nada menos que um painel de quatro analistas, quatro, além do moderador, para debaterem as interpretações do parágrafo da Constituição sobre esta matéria, que, desculpem lá, não são nem podem ser trezentas, nem cem, nem duas. Há uma e única interpretação: o mandato é de seis anos, mas, como nada mais é dito, subentende-se que não é inconstitucional renová-lo. Chegou a acontecer uma vez, há mais de vinte anos. Não voltou a acontecer. Pode voltar a acontecer. Ponto. Mas, para preencher a noite, discutia-se também se Costa estava ou não sintonizado com a Ministra da Justiça, ou se a afirmação dela tinha sido combinada com ele (não sei se alguém chegou a dizer que a Ministra devia ser demitida, mas tal seria totalmente plausível naquele ambiente insano), se a PGR ficava ou não fragilizada até Outubro, se o Presidente da República estaria informado e não sei quê e sabe-se lá que mais. Admito que tenha perdido um conjunto de teses importantíssimas sobre a indispensabilidade da doutora Joana para o bom funcionamento do nosso sistema judicial ou sobre o conceito de ofensa do PR, mas não tive paciência para aturar aquilo.

O Ferreira Fernandes, no DN, diz bem o ridículo do que se passa:

 

Escândalos para tansos

4 thoughts on “O mundo da Comunicação Social é um circuito fechado que procura a diversão”

  1. no tempo do passólas é que era bom, a menistra da justissa interferia nos prosseços e o primeiro menistro pedia a demição do procurador geral. a vidaleira foi escolhida e nomeada pelo cavaco para lhe garantir imunidade no bpn e vingar a intentona de belém com a perseguição política do sócras. tomaram-lhe o gosto e agora acham que a mama deveria ser vitalícia. se calhar têm razão, sem a ajuda da procuradoria não conseguem fazer oposição, propaganda nos jornalecos e ganhar eleições nos próximos 20 anos.
    http://www.tvi24.iol.pt/politica/pinto-monteiro/criticado-por-nova-ministra-pgr-nao-se-demite

  2. A polémica do dia teve a vantagem de comprovar científicamente a inadequação do perfil da actual PGR para o cargo que ocupa. O desempenho do PGR deve agradar a todos ou desagradar a todos. Quando a sua permanencia é um objecto de luta partidária como outro qualquer significa objectivamente que a sua acção teve mais que ver com política do que com justiça.

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