O Henrique cantou e depois dançou

Na semana passada, li a última página da revista do Expresso, a cargo de um tal Comendador Marques de Correia, pseudónimo do jornalista Henrique Monteiro, que a utiliza para escrever cartas de temática variada, pretensamente com humor requintado, à “antiga”. Raramente tem piada. O tema da carta naquele dia era a entrevista dada na semana anterior por Sócrates – embirração patológica de Monteiro – assim como o seu livro sobre a tortura nas democracias, e a ideia era, mais uma vez, fazer humor, desta vez troçando da ignorância que Sócrates revelara sobre Kant, nomeadamente ao referir-se à obra «Metafísica dos Costumes», que, segundo HM, não existia. De calinada em calinada, o que ele queria arrogantemente dizer era que só estavam habilitadas a falar de Kant pessoas como ele, nunca um qualquer indigente ex-primeiro-ministro, que decerto nunca lera nada. “Tu não me mexas no Kant”, poderia ser a súmula do que passava pela cachimónia do trocista Monteiro. E, de facto, arrogou-se um profundo, profundíssimo conhecedor da obra do filósofo. Tão profundo que Sócrates devia ter pensado, antes de falar, na sua (do pobre Monteiro) hipersensibilidade a imprecisões e leituras erradas. Teve azar. O ódio, a inveja, o despeito ou a pura criancice toldaram-lhe o discernimento e a memória e não acertou uma. Não só não mostrou humor nenhum como também se estatelou ao comprido.

Evidentemente que tanta arrogância assente em asneiras merecia uma resposta. Teve-a hoje, no caderno principal do jornal (infelizmente não há link). Num longo texto, abençoado de fina ironia, Sócrates esmaga-o, encostando-o a uma coluninha em que o vemos a rodopiar ainda tonto, enquanto sugere uma espécie de irem lá para fora falar (?), atira um derradeiro “Cantas bem, mas não me alegras” e insinua que o texto que o desfaz é de outro. Triste cena. Triste “gente séria”.

17 thoughts on “O Henrique cantou e depois dançou”

  1. Esse fdp nunca me enganou. Quando aparece nalgum canal a zurrar mudo imediatamente e jamais compraria o Expresso onde escrevem esses pretensos jornalistas. Se o burro for tão bom a escrever como é a zurrar estamos conversados.
    A culpa não é dele mas dos que lhe dão guarida. Mas de fdp como este está o mundo cheio. (Quando escrevo fdp quero dizer: Ferrenho Dos Pópós)

  2. ficou assim desde que foi torturado por um telefonema do socras e a partir daí usa o expresso para ajuste de contas pessoal.

  3. O snr. PINOQUICES é bem o exemplo daquele “Portugal menor que por aí centopeia a sua miséria moral” de fala Seixas da Costa numa frase a que só não chamo luminosa pela desgraçada miséria a que se refere.

  4. Ao insinuar tristemente que não foi Sócrates quem escreveu o texto que o esmagou, Monteiro
    1) reconheceu o baile que levou e
    2) elogiou Sócrates.

    Monteiro pensou que só lhe restava a insinuação torpe para poder continuar a tentar denegrir Sócrates. Mas como continuar a tentar denegrir Sócrates depois de o elogiar pelo baile que ele lhe deu?

  5. O Monteiro julgava-se um moço de forcados, e queria bandarilhar o Sócrates, mas saiu-se mal. Foi espezinhado, ferido, e escalpelizado. A esta hora está nos cuidados intensivos, por lesão num “órgão vital”, que poderá nunca mais recuperar. Quem te manda ti, Comendador Monteiro, armares-te em filósofo kantista?

  6. Inultrapassável a brilhantíssima resposta de Sócrates ao tal Comendador Monteiro, ao nível dos nossos melhores polemistas de sempre. Não sei o que mais apreciar em todo este triste e ao mesmo tempo exaltante episódio da rasteira política deste desgraçado país: se o nível e a profundidade dos conhecimentos que Sócrates revela em matérias que, ao que se sabia, lhe eram pouco mais que estranhas até há pouco tempo, se a fria e fina ironia de que faz um uso magistral, se a garra e determinação com que, pelos vistos foi capaz de se empenhar naquilo em que resolveu meter-se: a filosofia política. É este o Homem que os portugueses recusaram, preferindo acreditar na nojenta palavra dos muitos comentadores e comendadores Monteiros que enxameiam a nossa miserável comunicação social.

    Arrepia conhecer todo este episódio e comparar Sócrates com o pobre Passos Coelho que os portugueses puseram ao comando do destino deste país!

    Tudo isto me traz à memória um episódio relatado pela comunicação social há tempos atrás: um jornalista estende o microfone a Sócrates que acabava de chegar do seu “cooper” matinal! Cansado, Sr.Primeiro Ministro?! Sim, cansado naturalmente; mas “tem que ser, senão…comem-nos vivos!

    Num país, de que fala José Gil tão dado à inveja, imagine-se a raiva surda que deve andar pela mísera direita da nossa terra!

  7. só vi uma citação (4/5 do texto) e uma insinuação de que não foi o sócrates que respondeu. o cérebro dele parou definitivamente?

  8. um lider, de um governo democratico,alem de inteligente tem que ter carisma para ser aceite e respeitado pelos seus pares.que me recorde no governos socrates aconteceram dois factos politicos: o dr. manuel pinho que “encornou” o bernadino soares nas minas de aljustrel? e que depois lhe comunicou(foi honesto) no parlamento por “cifra” e a saida daquele economista cujo nome não recordo agora,que saiu ao fim ao fim de 4 meses,apresentando argumentos politicos(não conhecia o programa?) para a sua demissaõ,quando a realidade foi outra: a de ter que optar ou pela reforma ou pelo ordenado.digo isto, para compararmos com as vergonhas, a que temos assistido e vivido com este governo, liderado por um homem que sem respeito pelos portugueses se achou com arcaboiço para governar um pais com 8 seculos de existencia. por onde tem andado o emrabado henrique monteiro?

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