O balanço, por favor

  • A ideia de que, se tivesse feito o balanço dos governos de Sócrates, no que tiveram de bom e no que tiveram de mau, como se ouve dizer, António José Seguro e o partido socialista teriam uma base de partida sensacional para fazer uma boa oposição ao Governo carece de demonstração. Parece-me tratar-se de mais uma ilusão ou de algo que se diz para não se estar calado. Muito gostaria de ver o que teriam o personagem e os militantes a dizer da redução do défice até 2008; das formas como se combateram as dificuldades criadas com a crise, de que já ninguém se lembra, da subida abrupta do preço do petróleo em 2008 e que suscitou ruidosos protestos dos camionistas; da contenção de custos, a par do reforço da qualidade do ensino, que se pretendia com a reforma do estatuto da carreira docente e com o processo de avaliação dos professores; do papel do PCP, via Mário Nogueira, na agitação – e da apatia que agora se lhe seguiu depois de despedidos milhares de professores, de degradadas as condições de docência e de privilegiados os colégios particulares; da reforma da saúde e, mais uma vez, da sanha movida pelos autarcas PSD contra Correia de Campos – está melhor a Saúde agora?; da política de incentivos públicos à economia, decidida ao mais alto nível pela União Europeia e apoiada pelo BEI, para combater os efeitos de uma crise financeira de que todos temiam as consequências económicas e sociais; enfim, para abreviar, porque tudo já foi dito pelo Vega9000 no seu excelente “Tens vergonha, camarada?”, da luta político-diplomática pela negociação de um programa de estabilidade e contenção que nos livrasse da humilhação e das condições da Grécia e do que aconteceu ao acordo alcançado por Sócrates com o BCE e com a Comissão Europeia em 2011. Mais importante ainda, porque foi o fator determinante da maledicência e da queda – que balanço fariam do ataque pessoal cerrado da direita contra Sócrates a propósito do caso inventado do Freeport. Façam lá o balanço. Defendam e acusem. Quero ver.
  • Quero ver, mas não vou ver, não é? Caso visse, alguém esperaria qualquer oposição diferente feita por Seguro e a sua fação? O silêncio sobre o passado (uma má escolha) explica-se facilmente: por um lado, não têm nada a apontar fundamentadamente, sob pena de Seguro se ter que definir (só para contrastar) sobre várias matérias políticas, coisa que não poderia, não sabe e, logo, não quer, e, por outro, pensaram tirar partido, de modo oportunista e desleal, da onda de suspeição/rejeição lançada pela direita sobre Sócrates para ganhar votos de pulhas e/ou pacóvios, sem nunca se aliarem declaradamente ao Governo nos ataques, mas consentindo e aplaudindo na prática o que iam ouvindo. Nesse processo, nem lhes ocorreu que ficavam de braço dado com Portas, Passos e Cavaco, o que tornaria – e tornou – risível qualquer tentativa de divergência. E olha que três para companhia. Venha o balanço.

 

9 thoughts on “O balanço, por favor”

  1. jjlisboa,tu és como o cuco, sobrevives à custa da escrita dos outros!nos partidos democraticos o “comité central” não corta a liberdade aos seus militantes!

  2. penélope ,bem pode esperar sentada! eles sabem,que se vierem a jogo,serão derrotados pela verdade .ainda agora na antena, num debate sobre o plano rodoviario do governo , um tecnico disse: se o governo prosseguir com o disparate,é dinheiro deitado fora.pois as linhas previstas, ao fim de poucos anos estão desatualizadas, e as empresas a sair do pais por falta de competitividade. josé socrates não se irrita se a direita chamar a si mais uma das suas contestadas medidas!

  3. Penélope, tirando o genérico ‘… também cometeu erros…’, e ainda bem, pois prova que é um vulgar humano, e não um dos semi-deuses que raramente se enganam que abundam nos seus detratores, Sócrates, cometeu a ousadia de enfrentar os poderosos, os infalíveis, as eminências pardas. Por isso, penará até ao fim dos seus dias. É a sua cicuta. Foi condenado porquê, pelo 1/3 das PPP’s que não oneraram a herança recebida. Por apostar no Magalhães que anda a equilibrar as exportações, por querer apenas avaliar os que agora são despedidos, por cortar em tempo de crise internacional grave nos vencimentos que tinha aumentado, por querer tirar privilégios aos intocáveis administradores da justiça, por querer que este País fosse conhecido pelos feitos científicos em vez da sua agora crescente iliteracia, por querer educar os que não o puderam fazer mais cedo em vez de os crismar de inaptos, por defender as energias alternativas em vez de apostar nas fósseis, por defender o carro eléctrico em vez de distribuir carros a gasolina? Fico-me por aqui, pois a lista é longa e as comparações abundam.

  4. A narrativa de Seguro acerca da crise é a narrativa da direita. Sem tirar nem pôr. Os militantes que acompanham Seguro ou estão de má-fé ou fazem-se de desentendidos.

  5. Foda-se, que o Lisbosta é Lisburro como uma porta! Ainda não percebeste que ninguém aqui quer ir à tua latrina, para evitar ficar a cheirar mal? Vai vender a tua Lismerda à festa do avante, pá!

  6. Vocemecezes não tem mais nada para fazer? São funcionários de alguma Fundação ou repartição pública onde se apoiam mutuamente na lamuria e choraminguisse. PIEGAS E RESSABIADA.
    Sócrates é passado e por essas e outras razões e incompetências falhou redondamente e perdeu. FINITO ..
    Foi ele é o seu governo que mandaram vir a Troïka !!!! Ou não ??? É que deixaram o país chegar à miséria conhecida !!!! Ou não ???? Apesar dos supostos grandes feitos e inovações planetárias surpreendentes, no final perdeu o jogo . !!!!! Com ajuda da direita ou da esquerda ou da mulher da limpeza … FALHOU CLAMOROSAMENTE, PERDEU, FALIU O PAÍS E FOI CORRIDO..
    SIMPLES, JUSTO E HIGIÉNICO
    DEMOCRACIA A FUNCIONAR, APENAS.

    HABITUEM-SE …

  7. Nota adicional significativa: já não havia pingo de pachorra para aturar a insuportável má educação, arrogância, snobismo bacoco e FANFARRONICE do Animal Feroz.

    Portanto, a democracia, no final, nunca se engana … quem pelo conflito e soberba se relaciona e se afirma, no seu autismo arrogante e Salazarento, pelo falhanço, odioso e humilhação geral vai acabar.

    Lei Universal … e invariável.

    Amen.

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