O alemão que se foi deitar a pensar que teve graça

É verdade que há por aqui, em Portugal, uma grande reverência, acompanhada de temor, perante as «instituições» europeias, sobretudo o Eurogrupo (uma entidade sem verdadeiro estatuto), onde prepondera o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble. Os jornalistas contribuem em muito para essa ideia de reverência, veiculam-na e apropriam-se abusivamente dela. É vê-los agora, com o novo governo, a insistirem constantemente na tecla da reação do Eurogrupo, “ai como se portará Centeno no Eurogrupo”, “ai quando é que Portugal leva um puxão de orelhas”. Meus senhores, já paravam com infantilidades como estas. Tratem os governantes com respeito, façam perguntas enquanto portugueses (ou não façam, talvez seja melhor), não lustrem o ego de pessoas arrogantes, tenham um mínimo de orgulho no país e desejo de que esse orgulho seja assumido e defendido nas instâncias europeias.

Vem isto a propósito do seguinte: a uma pergunta de um jornalista (penso que português) a Schäuble sobre o novo ministro das Finanças português e as garantias que deu ou não deu de cumprimento dos compromissos europeus, o alemão, transbordando paternalismo, meteu lá pelo meio da sua resposta tão afável quanto um alemão o pode ser (conhece bem Costa), mas à condição, a seguinte graçola:

«Se assim for [se o plano orçamental a apresentar por Portugal for no sentido do cumprimento dos objetivos europeus], Centeno poderá até ficar sentado ao meu lado no Eurogrupo» (cito de cor, ouvido há momentos na RTP). E sorriu, de certa forma triunfante. O que disse é ofensivo.

Se era para ter graça, não teve. Para fazer de Dolly, já bastou a Maria Luis. Mário Centeno deve continuar bem disposto ao falar com esta gente, mas, se fosse a ele, optava por sentar-me em lugar mais distante e higiénico.

26 thoughts on “O alemão que se foi deitar a pensar que teve graça”

  1. Os alemães não têm graça. Bem tentam, mas não têm, porque para terem graça é preciso que não tenham poder sobre nós para estarmos em igualdade. Era por isso preferível não tentassem fazer “humor”, porque soa sempre a sarcasmo.

    De qualquer modo, o Costa é uma fraude e como tal foi tratado em Bruxelas. Por isso não se queixem do tom dos outros, e do desprezo que eles têm pelo “governo” socialista e pelas suas “políticas” que seriam financiadas pelo dinheiro dos outros, porque quem não aturar o tom ofensivo dos alemães não lhes pede mais dinheiro emprestado.

    Levastes nas ventas, é muito bem feito! E ainda agora começou…

  2. Só mesmo um país que ainda não afastou o horror de Auschwitz, é que um ministro em cadeira de rodas se julga superior aos outros.
    Se devolvessem o que roubaram nos países que invadiram, se indemnizassem as famílias que assassinaram, se reparassem os estragos que fizeram, provavelmente a Europa estaria melhor com uma Alemanha um bocadinho mais débil.

  3. O 1.º ministro real chama-se Jerónimo de Sousa. E pela 1ª vez não se senta na bancada do Governo, governa directamente da bancada parlamentar. Babuch Costa – é nome de baptismo? – é chefe de governo interino. Centeno é a nova Santa da Ladeira e vai fazer o milagre da multiplicação do dinheiro. Vai pagar mais a todos funcionários e pensionistas vai reverter as privatizações dos transportes, Vai recolocar os professores e renacionalizar a TAP. Parece que Maria Luís lixou tudo nos dois meses em que esteve de ministra demitida, gastou mais de metade dos empréstimos que tão laboriosamente havia negociado. Mas não é problema do menos se faz mais. O mais chama-se contribuintes. Isto não é um governo é um bando de maus prestidigitadores manipulados a partir do assento parlamentar do Senhor Jerónimo de Sousa que vejam lá nem à universidade foi e lhes diz como devem estudar as matérias… Espectáculo!

  4. Sousa 11, só alucinados é que podiam pensar que a resposta seria outra. Lá dentro deve ter sido muito mais azedo, pelos jeitos com que o Schauble tentou ser “engraçado”.

    Imagine o tuga Centeno chegar ao pé do alemão e dizer-lhe que quer mais tempo – logo, mais dinheiro – para baixar o défice, de modo a fazer jeitos aos sindicatos comunistas. Até se riram dele.

    Este “governo” não tem uma política que possa ser levada a sério no Europa, ponto. Isto é tudo uma palhaçada.

  5. Quem ri por último, ri melhor. Os direitolas comentadores aspirinicos esqueceram-se que, depois de governação-zero de Cavaco, Passos e Portas, o pouco que Costa fizer vai marcar uma diferença notável. O ministro das finanças alemão fez graçola, porque estava a pensar no Victor Gaspar submisso e na figurinha ridicula e subserviente da Maria Luis, ambos lambendo-lhe as botas e agradecendo um olhar que fosse sobre as suas míseras pessoas. Essas figuras esqueceram que representavam o país. Envergonhem-se dos “seus”, direitolas invertebrados!

  6. Penélope, tens razão na apreciação que fazes do comportamento subserviente do “jornalismo” tuga (só pecas por defeito), e tens igualmente razão quanto à arrogância alarve do Schäuble. Mas, talvez porque citas de cor, cometes um erro factual. Quando se referiu ao facto de o Centeno se sentar ao lado dele, explicou que era naturalmente assim porque o mesmo acontecia já no tempo da Maria Luís Albuquerque, dando a entender tratar-se de um mero acaso de distribuição de lugares e não um prémio a conceder ao Centeno se Portugal cumprir os compromissos europeus. A alarvidade que o Fritz cretino bolçou foi, porém, muito mais grave do que a que erradamente apontas. Disse ele que o Centeno lhe tinha transmitido os cumprimentos do António Costa (que declarou conhecer bem dos tempos em que tinham pastas ministeriais equivalentes), mas que retribuiria esses cumprimentos apenas se, e quando, Portugal cumprisse os tais famigerados compromissos.

    Ou seja, alguém que ele afirma conhecer bem envia-lhe cumprimentos de cortesia, bem-educados, por interposta pessoa, e o cretino malcriadão declara que só retribuirá os cumprimentos daqui a um, dois, três ou quatro anos, se o país de quem lhos envia se portar bem numa questão que não tem nada a ver com regras mínimas de cortesia e boa educação que uma dose mínima de bom senso aconselhariam. Eu, se fosse o Costa, mandava-o, muito educadamente, meter os cumprimentos no cu!

    Não é só arrogância, trata-se de má-criação boçal, estúpida e gratuita de um pobre casca-grossa deslumbrado com o poder merdoso de que dispõe. Imagino que os guardas dos campos de concentração nazis arrotassem graçolas do mesmo calibre quando encaminhavam os desgraçados para as câmaras de gás. Se as rodinhas do parvalhão tiverem câmara de ar, desejo-lhe furos todos os dias, até não ter pneus sobressalentes que cheguem, e que os solavancos daí resultantes lhe provoquem escolioses, espondiloses, hérnias discais e calos no cu. Sugiro desde já uma subscrição para dez dúzias de caixas de punaises para lhe ir espalhando discretamente, todos os dias, no caminho da carroça.

  7. “o pouco que Costa fizer vai marcar uma diferença notável”

    Não será “poucochinho”? HAHAHAHAHA

  8. por acaso eu até achei piada :-) e não me parece ofensivo – tenho a certeza de que Centena, naquilo em que acredita e para o que se propõe trabalhar, não se refunde – ainda que seja pelo alemão-mor – no que por aí dizem. pelo contrário, estará a contrariar a tal ideia de reverência.

  9. Andam por aí uns comentadores confusos, de bússola avariada, fartos de se rir quando pensam num futuro que está guardadinho nas mãos do Jerónimo de Sousa.
    Essa esperança tiveram-na sempre, os cabrões. E enquanto esperam por ela… riem-se muuiito! Talvez se fodam!
    Se fossem levar no cu, desamparavam a loja, gozavam na mesma e poupavam tempo. E deixavam o mundo em paz.

  10. “Talvez se fodam!”

    Vocês fodem-se primeiro, não acha? E depois o país, claro, “guardadinho nas mãos do Jerónimo de Sousa”, como bem diz. Ainda bem que admite!

  11. Esperemos que Costa não quebre a coluna com tanto flic-flac!

    É na câmara baixa com o Bloco; na câmara alta com o PCP e por fim no parlamento.

    Quando chega a Bruxelas, não há coluna que aguente!

  12. Ó menino “trocado”, aí acima:
    Se tu soubesses o que é a ironia… eras adulto! Assim, és apenas um cretino comum.

  13. António Costa foi um bom ministro do interior, um bom presidente de câmara, um bom secretário do PS, um bom candidato a primeiro ministro.

    ???Ninguém acha estranho ser tão consensual???

  14. “Se tu soubesses o que é a ironia… eras adulto! Assim, és apenas um cretino comum.”

    Sou como a “Opel”, que se há-de fazer?

  15. Joaquim Camacho: Para que não restem dúvidas sobre o que eu ouvi, veja a gravação do Telejornal de ontem, depois das 19h00 (foi antecipado, devido à transmissão do jogo do Benfica). Textualmente, Schäuble diz “Se fizer isso, fica ao meu lado no ECOFIN” (em alemão “bei mir setzen”). Se a RTP omitiu outras declarações que desmentiriam a ideia com que fiquei, não é problema meu. Não vi outro Jornal.

  16. penélope,desculpe a deriva para citar palavras de cavaco.” portugal e irlanda,foram forçados a implementar programas de ajustamento para corrigir desequílibrios nas suas contas PUBLICAS , e para reforçar os seus SISTEMAS FINANCEIROS.” fim de citação. as contas publicas estão pior do que em 2011. e os bancos que ainda estão no mercado estão na merda como se vê no PSI20. pergunto em 2011 a banca estava mal por causa do governo socrates? ajudem-me, pois já não percebo os motivos por que chamamos a troika .

  17. o ministro centeno não é o lider do syriza,como tal, só podia dizer, que vai procurar cumprir as metas impostas a portugal. mas não se pôs de joelhos,como o fez a direita durante estes 4 penosos anos.

  18. Os jornalistas portugueses adoram este palhaço ontem no site da sapo.pt tinha seis fotografias e noticias sobre ele é o verdadeiro dono deste quintal.

  19. Você tem a boa vontade de pressupor que há lugares fixos no ECOFIN (e quem os determina?). Essa referência do Schäuble à Maria Luis não me parece consertar muito.

  20. Penélope, não posso negar liminarmente que ele tenha dito o que disse, e que dizes que disse, porque toda a gente o pode ouvir. O certo, porém, é que, talvez no micrograma de bom senso que ainda lhe resta, parece ter-se apercebido da bojarda e emendou-a logo a seguir com a alusão ao facto de a Maria Luís Albuquerque já se sentar habitualmente nesse lugar. Também não sei se os lugares são fixos ou não, ou quem os determina. Mas, se ouvires o Fritz até ao fim, não podes ignorar a segunda bojarda, a dos cumprimentos que magnanimamente retribuirá apenas se o Costa se portar bem. E essa bojarda, bem maior que a outra, não a emendou o casca-grossa, talvez porque se lhe tinha acabado o chá.

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