Não sou eu o responsável

Volta não volta, ouvimos Passos Coelho responder, na Assembleia, a quem o acusa de excesso de austeridade, do alvo errado da mesma e das suas consequências devastadoras para a economia portuguesa, que não foi ele, nem o seu governo, que conduziram o País ao descalabro. Que eles, pobres coitados, se limitam a solucionar o buraco herdado e hélas, sem nada poderem fazer de diferente, são obrigados a proceder desse modo, deixando no ar a ideia de que o não fariam se pudessem. Nada mais falso, nada mais simplista, mas também nada mais engana-tolos. O buraco herdado foi-lhes deixado pelo amigo Alberto João, que protegeram até à reeleição e continuam a aplaudir nos congressos, pelos amigos do BPN e pela subida dos juros da dívida. (Qualquer país será frágil se lhe pedirem juros de mais de 6%)
Como não lamentar que não haja oposição da direção socialista perante afirmações deste tipo?

Não foram os responsáveis? A par da arquitetura do euro e da inação da UE, claro que foram. Pelo que andaram a fazer ao longo de 2010 perante a austeridade doseada e atenta à economia proposta pelo executivo minoritário de Sócrates, pelo comportamento miserável na Assembleia e pelo que fizeram em Março e Abril de 2011 ao rejeitarem o apoio dado pela UE ao quarto programa de estabilidade, foram mais do que responsáveis. Foram totalmente responsáveis pelo pedido de intervenção externa e, aliás, desejaram-no. Foram acima de tudo os responsáveis pela irresponsabilidade total.

Atuam contrariados ao baixar os salários e diminuir os direitos dos trabalhadores? Claro que não. É a ideia de competitividade que tinham para o país! Aliás, põem-na em prática com a máxima convicção e frieza.

Por isso, basta de conversa da treta e já é tempo de alguém lhes atirar com estas verdades à cara.

Nota: No DN de hoje, Viriato Soromenho Marques critica a entrevista dada por Vital Moreira, e que eu já aqui critiquei, considerando que a declarada falta de paixão de Vital é eufemismo para falta de princípios, certo, mas concluindo, surpreendentemente, que A.J.Seguro sofre, coitado, devido ao campo minado pelos “socratistas”, de que Vital será um representante. Extraordinário. E qual o fundamento para esta estranha interpretação das palavras de Vital? O facto de ele, na entrevista, se declarar amigo de Sócrates.
Não contacto com Sócrates no Além. Sei apenas que foi ele que convidou Vital para o PE (só por si motivo para eterno agradecimento), mas tenho as mais fundamentadas dúvidas de que as opiniões de VM sobre a Europa e o bom caminho seguido por Portugal coincidam com as de Sócrates. Admira-me mesmo que V.S – Marques não se tenha lembrado um minuto que fosse de Zita Seabra.

2 thoughts on “Não sou eu o responsável”

  1. mas ele tem razão, ele é totalmente irresponsável pelo que quer que seja. Aliás, a responsabilidade foi herdada aqui, na Grécia, na Irlanda, em Espanha na Itália, e todos sabemos de quem.

    E não é que pega? E paga?

    ‘Inda agora vi o novo presidente do AICEP a explicar ao Crespo sempre concordante que o dito organismo está em grande dinâmica de apoio à internacionalização e exportação, e ainda está a “ir mais além” (isto foi um tique que lhes deu). Eu sei, porque trabalho numa empresa com relações com o AICEP, que o dito está parado desde que despejaram de lá o Basílio Horta, que cancelaram todos os projectos em andamento nos quais as tais ditas empresas apoiadas para exportação já tinham investido capital e tempo e que a resposta que dão sobre pedidos de esclarecimento do tipo “quando recomeçam a trabalhar” é “não sabemos”. Os funcinários internacinais foram, na sua maioria, dispensados. Este AICEP só serve para pagar ao tacho ods PSD sem ideias que dele se apropriaram. Mas não haver um jornalista que, com um pouquito de investigação, o confronte coma total mentira, é que é mesmo escabroso. Entregues aos bichos feios, porcos e maus, estamos.

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