Não é o país que está sonâmbulo, é o J M Tavares que padece de doença incurável

A crítica política anda nisto: parece que, na falta de outro assunto para atacar um bom governo, a direita ressabiada brande agora a suposta endogamia do actual elenco governativo (ver Observador e uma ou outra ovelha ainda dispersa, uma das quaisFilhinhos do papá – aqui me traz). O mais ridículo disto tudo é o facto de as mesmas pessoas (quatro, uma multidão, portanto) que possuem laços familiares (e nenhum deles com António Costa) e fazem parte do Governo já fazerem parte do mesmíssimo governo desde o princípio da sua formação, há quatro anos. A única diferença, pelos vistos a que fez eruptir a turba, foi a gravíssima transição de Mariana Vieira da Silva do cargo de secretária de Estado para o de ministra da presidência e da modernização administrativa. Claramente, estes comentadores estiveram a dormir até agora, ocupados já não sei com quê, possivelmente o afundamento iminente do país. Grande Mariana. Deve ser mesmo boa.

 

O segundo aspecto ridículo é estes indignados apresentarem-se muito escandalizados pelo facto de um chefe de governo escolher rodear-se de pessoas que conhece bem e considera competentes. Parece que, para eles, o primeiro-ministro deveria rodear-se de pessoas que conhece mal e de cuja competência apenas ouviu falar. Fingem desconhecer a existência de partidos, os quais possuem, por definição, dirigentes e militantes, que se vão conhecendo ao longo do tempo e estabelecendo relações de confiança e definindo funções “sombra”. Com falsa e exagerada preocupação, e à falta de melhor, alegam, por exemplo, que, em determinadas decisões, Ana Paula Vitorino e António Cabrita (o casal, o único) estarão condicionados pelo facto de serem casados. Isto é tanto mais cómico quanto toda a gente sabe que se há coisa que não falta num casal são divergências e discussões. Tenho para mim que esse condicionalismo matrimonial é capaz de ser bastante irrelevante face ao condicionalismo que um chefe de governo, pela autoridade e pelos poderes que tem, exerce sobre qualquer dos seus ministros.

 

Outra coisa que descobriram agora foi que é mais fácil encontrar pessoas com formação superior que sejam filhos de pessoas com formação superior, ou pessoas com formação e apetência políticas que sejam filhos de políticos, do que o seu contrário. Descobriram agora. Por causa da Mariana, note-se. Mas também se diga que descobriram de uma forma algo míope. Por acaso, há vários ministros no Governo, quase todos, se não 90%, que fogem a essa suposta norma, como Pedro Marques ou Pedro Nuno Santos ou ainda Mário Centeno, que, penso eu, nem fazia parte do círculo mais chegado de António Costa e é filho de um bancário e de uma funcionária dos CTT. Era socialista, porém, olha a chatice.

 

Por fim, um chefe de governo rodear-se de pessoas amigas e bem conhecidas não é de todo apanágio do actual executivo. Os amigos de Cavaco (desgraçados) lá estavam todos, para nossa vergonha e tragédia nalguns casos. Os de Passos idem. E que amigos: o Relvas, o Marco António. Adeus a todos, é o que tenho a dizer. Trezentas mil vezes os amigos do Costa e respectiva prole, não é? Quantos filhos tem mesmo o Vieira da Silva?

A teoria muito fresca de que devemos ser governados por pessoas que nada percebem de política, que estejam distantes dos círculos de poder e que venham da Póvoa de Varzim ou da Amareleja sem nunca terem militado em nenhum partido só porque sim é populismo puro, é uma ideia propositadamente falsa, e leva-nos a aberrações que apenas tornam o mundo mais perigoso.

 

O João Miguel Tavares é um caso perdido. Quem o ouviu falar no último Governo Sombra não pôde deixar de constatar, mais uma vez e ainda, o mal que lhe remói as entranhas, apesar de tudo o que lhe resta de são. Pessoas que conheceram, conviveram, cheiraram ou meramente estiveram perto de Sócrates (que, em política, são maioritariamente socialistas) despertam neste homem um ódio irracional. Nem que lhe fuja muitas vezes a boca para a objectividade e por isso se embrulhe em contradições – Tavares diz que gosta de António Costa, diz que o acha competente e diz que os seus ministros são competentes (vão ouvir o último programa, na Póvoa de Varzim) – o trauma “Sócrates” acaba sempre por vir ao de cima. Pelo que, a bem dizer, este homem faz de si mesmo palhaçada constante. Está, de facto, bem enquadrado num programa de humor como o Governo Sombra. Embora dê pena. Neste tema, nem os outros dois o acompanharam e o homem falou, falou e falou e desabafou, desabafou e nós… eh pá, coitado.

9 thoughts on “Não é o país que está sonâmbulo, é o J M Tavares que padece de doença incurável”

  1. bom, o Costa parece ser um solitário, só conhece bem meia dúzia de pessoas e as suas famílias, deve jantar lá em casa. e bolas, o ps está de rastos, também só tem meia dúzia de competentes. o vieira da silva já foi ministro quantas vezes ? e desde quando? desde o tempo da maria cachucha? e como esse , uma palete deles, que mantêm a boca calada haja o que houver pois devem ter muito a perder.

    a estrutura do poder é sempre a mesma, monarquia ou república, há os barões e duques e viscondes e as suas famílias e os segredos de alcova e outros.

  2. A Narrativa
    José Sócrates chamou ao debate político uma palavra até então raramente usada, a “narrativa”.
    Fê-lo porque vários dos seus inimigos martelavam e assim continuam, duas ou três “narrativas” para lhe atribuírem todos os males dos séculos.
    Uma delas é a de que “deu cabo disto tudo”, a bancarrota, como se não tivesse acontecido em 2008 a maior crise bancária e económica desde a Grande.Como se os marteleiros não pertencessem a partidos que, também eles, gastaram à maluca enquanto fingiam governar.
    Outra é que José Sócrates teve um plano para fazer da comunicação social um monopólio seu, manipulada e favorável, pois claro.
    Sendo que a minha memória já teve dias mais risonhos ( se puderem corrijam-me), eu lembro-me desse tempo e do que se ouvia, lia e via no comentário e debate políticos.
    Lembro-me do Correio da Manhã com ataques diários ao PM,
    da Moura Guedes na TVI,
    do Marcelo Rebelo de Sousa na TVI,
    do Paulo Baldaia na TSF,
    do José Manuel Fernandes no Público
    do arquitecto José António Saraiva no Expresso,
    do mano Costa e do Henrique Monteiro no Expresso,
    do jornal Sol,
    do Jornal I,
    do Semanário,
    das orelhas do José Rodrigues dos Santos na RTP,
    da careca do Camilo Lourenço na RTP,
    da constância presencial do opinante frequente de direita José Gomes Ferreira na SIC,
    de Pacheco Pereira do PSD na Quadratura de Circulo,
    de Lopo Xavier do CDS na Quadratura do Circulo,
    do Governo Sombra da TVI, uns de direita, outros a fingir que não mas todos, ai aquele gajo que carrega nos erres valha-nos deus, todos contra Sócrates,
    da SIC propriedade de Balsemão, militante numero 1 do PSD,
    da TVI dirigida pelo marido da Guedes,
    e dos comissários políticos da direita na informação da RTP.
    É caso para dizer que o homem foi o mais incompetente de todos os dominadores jamais existentes.
    O cabrão!

  3. Continuam a dar uma importância indevida ao jornaleiro/escritor/comentadeiro
    que, se tem afirmado no mal dizer de Sócrates e do PS! Lamentavelmente, até o
    Presidente Celinho fez saber que, designou o traste para liderar a jornada de 10
    de Junho para lá do mau gosto, já está a ser penalizado nas sondagens e, muito
    bem pois, os portugueses já viram que ele não não consegue ser imparcial como
    exige o alto lugar que ocupa no Estado que, queremos que seja de Direito e ainda
    vão faltando algumas coisitas!!!

  4. foda-se que gigantesca lata! em vez de um tom algo envergonhado, justificativo, apaziguador e relativizador, parecia que estava a ouvir o eduardo dos santos a falar do empreendedorismo da filha

  5. Só ainda continuo a ler “essa coisa” porque o leio nos seus comentários!
    E se deixasse de o comentar?
    Está a valorizar a importância que lhe foi outorgada pelo patrão das mercearias!
    JJ

  6. @João Jones.
    Porque ignorar não ‘apaga’ ou faz com que desapareça.
    Porque à calúnia se responde com ideias e contraditório.
    Porque faltar à luta é entregar a vitória argumentativa e das ideias ao adversário.

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