Molotov caseiro

(post republicado, após sumiço devido às obras em curso)

Soube-se hoje (15 de set.) que a antiga ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, foi condenada a 3 anos e meio de prisão com pena suspensa e a indemnizar o Estado em 200 000 euros por ter encomendado a um jurista com um apelido conhecido e laços familiares com um membro do PS um estudo que o Ministério Público considera desnecessário (ao que chegámos) e sobre cuja qualidade entendeu pronunciar-se. Não gostou.

Talvez o deputado Manuel Tiago, autor da denúncia de tão aberrante crime, queira fazer, não uma, mas várias denúncias ao Ministério Público dos ajustes diretos deste governo. Quer? Não lhe apetece?

Os ajustes diretos não são proibidos e não eram proibidos na altura de Maria de Lurdes Rodrigues. Também não é obrigatório, nesses casos, contratar simpatizantes de partidos da oposição. Ou será? Acontece que, no ano da graça de 2014, não há memória de um governo ter contratado tanto estudioso, consultor, auditor e sei lá que mais por ajuste direto quanto este. O deputado Manuel Tiago sente-se confortável.

A ideia do putativo crime” de que é acusada “nasceu na Assembleia da República em 2008, com intervenções dos deputados Pedro Duarte e Emídio Guerreiro, do PSD, e Manuel Tiago, do PCP, tendo este último apresentado, na Procuradoria, a denúncia em que todo este caso se baseia”, sublinha.”

(clicar para ler notícia completa, de 4 de agosto, com as explicações da ex-ministra)

30 thoughts on “Molotov caseiro”

  1. penélope,tinha que estar um comuna a participar neste processo.o ódio,cega-os.só lamento, que ande tanta gente a leva-los ao colo,para com os seus votos manterem a direita no poder!

  2. Não sei quem é que mostra ódio no texto e no comentário. Mas agora o culpado de uma condenação é quem denuncia? Parece que os homens violentos que andam a matar as ex-companheiras quando são condenados por violência doméstica têm razão. A culpa é toda delas, não de quem comente o crime.

    Às vezes pergunto-me como é que se pode ser tão sectorial como vocês aqui. Piores que os comunas, piores que a direita. Tudo o que vem de Sócrates é sagrado, não há qualquer tentativa de equilíbrio.

    A adjudicação directa é legal, mas o favorecimento óbvio não é. No meio de tanta indignação ficamos sem saber se concordam ou não que se faça adjudicações aos cunhados.

    Segundo este texto o que Manuel Tiago fez de errado foi denunciar um crime porque não denuncia outros. Vocês têm noção da imbecilidade do que escrevem perdidos que estão no vosso sectarismo? Será que algum dia irão perceber que foram fanáticos como vocês que levaram a maioria de PS à derrota? Não foi o BE nem o PCP que nos atiraram para a mão da direita. Foram VOCÊS. Vejam se acordam.

  3. Bravo para o ultimo comentador. Deixei de comentar neste blogue pelas mesmas razões. Isto passou a ser uma mera oficina de propaganda. Gosto de acreditar que não foi sempre assim.

  4. “A adjudicação directa é legal, mas o favorecimento óbvio não é. ”

    a única coisa óbvia e ilegal é o favorecimento político da direita pelo tribunal com a habitual conivência dos gajos que conseguiram ser juízes por decreto do vasco gonçalves.

  5. nem percebo porque é que a menistra da cruz não encerra de vez os tribunais, manda o ministério público para supranumerário e recorre ao outsourcing, o tiago denúncia, o correio da manhã investiga, a felícia coordena e leva ao parlamento para votação da sentença.

  6. “concordam ao não”, não concordo.o favorecimento não é obvio.era, se a pessoa contratada fosse um incompetente,mas reconhecidamente não é caso.tem um problema. vota ps! mais de dois milhoes de portugueses não podem ser contratados por governos do ps. pcp nestas coisas tem menos possibilidades de errar só há 8% de comunas .o manuel tiago dos tres denunciantes 2 da direita e ele PCP,foi o único que quiz ver maria de lurdes rodigues na cadeia. por ultimo, antes socratista do que stalinista.

  7. o governo de socrates que foi derrubado era minoritario.o pcp mais uma vez se pos.quem abre as portas à direita é o pcp ,por isso a amizade é reciproca.onde estão as “esperas” com tomates ao pm.e a ministros do governo como santos silva e maria de lurdes?o pcp oferece o melhor dos mundos aos portugueses na oposiçao,mas no poder a experiencia diz-nos que não estariamos longe da coreia do norte.não reconheço legitimidade politica a esta seita.não metam o bloco no vosso argumentario,com todos os erros e foram muitos,não têm nada a ver como o social-fascismo do pcp!

  8. mas o que é que o favorecimento da pessoa tem a ver com a competencia da pessoa? ha praqui com cada um a atirar areia pro olhos da malta…

  9. ” a corja que despreza a constituição que se ponha a pau. é que se o meu direito à saúde, educação, pensão, trabalho, habitação, não valem nada, então também os seus direitos à propriedade privada, ao lucro, à integridade física e moral deixam de valer! e nós somos mais que eles.” – miguel tiago facebook, 08abr2013

  10. ignatz: podemos discordar do que Vasco Gonçalves ou Álvaro Cunhal pensavam ou fizeram, mas isso não nos dá o direito de sequer os referirmos a propósito de um dos elementos daqueles três ou quatro frisos de chapados e chapadas carreiristas que constituem o atual grupo parlamentar do PCP (com duas ou três exceções, que parecem ter vida e dúvidas por detrás do rosto).
    Falar de Miguel Tiago e de Álvaro Cunhal ou Vasco Gonçalves a menos de um milhão de caracteres de distância é um insulto para estes últimos. Que já cá não estão para se defenderem.

  11. vamos lá ver se percebi. podemos discordar das passagens administrativas, mas sem falar do assumpto e muito menos associar o nome do camarada vasco à bagunça. ninguém falou do cunhal, mas podes incluí-lo na lista da bufaria comuna juntamente com o miguel tiago, vivinho da silva, apesar das enormidades que profere, ver comentário das 16:20.

  12. alvaro cunhal nas sacanices era pior do que o piolhoso miguel tiago.a calunia para impedir PAVEL de ser o lider natural do pcp, foi simplesmente repugnante.as traiçoes as denuncias à pide fazem parte do reportorio dos comunistas!

  13. Apenas pela amostra destes fragmentos (ver blogue Vaie-e-Vem) do acórdão dos senhores juízes se constata tratar-se de um puro julgamento político.
    Juízes que não hesitam reclamar, para julgar e sentenciar, “as regras do conhecimento comum e experiência de vida”, experiência que só pode ser de sua vida pessoal e particular e, por conseguinte, totalmente parcial, só podem estar a cometer uma sentença segundo o espírito da política e nunca segundo a lei e o espírito dela.
    Depois do julgamento do pobre diabo sucateiro, cuja lista de contactos para fazer negócios para a sua empresa legalizada e legal, foi considerada uma lista de associação de criminosos e os acusados levaram com penas de “crimes hediondos” sujeitos a controle de ADN, vem agora, no seguimento desse, outro julgamento baseado na “experiência se vida” pessoal dos juízes, isto é: nas suas vivências e convicções políticas.
    Ainda pensando no caso do sucateiro porque não foi investigado todo o seu processo de enriquecimento uma vez que foi de comprador de sucata porta-a-porta a industrial sucateiro rico? Acaso singrou de pobre diabo a milionário sem lista de contactos quando começou na sucata há trinta anos? Quem eram os gestores das empresas públicas nessa época e que contactos teve o sucateiro nesse tempo em que os seus negócios cresceram e se tornou rico? Ou, neste caso, a “experiência de vida” dos julgadores apenas teve início com o processo e coincidiu, puta de coincidência, apenas com ele?
    Se os senhores juízes se deixam contaminar pela sua “experiência de vida” pessoal e particular ao ponto de a tornarem dominante no seu pensamento racional, então, estamos próximo da existência dos antigos tribunais plenários de má memória.

  14. ignatz: nada tenho contra discutir-se o que quer que seja seja quando e onde for. Mas faço questão de não misturar Miguel Tiago, por exemplo, com, por exemplo, qualquer um dos outros dois. Como não misturo penicos com panelas, para lembrar a velha e sensaborona anedota.

    (Aproveito para o felicitar pelo seu dom e o seu trabalho de ourives da palavra. Por vezes, embasbaco-me com a filigrana dos seus textos, e chego a esquecer-me de concordar ou discordar do que neles se diz. Mas é sempre um prazer ler o que escreve.)

  15. não misturei coisíssima nenhuma, escrevi que há juízes que o são graças às passagens administrativas do forca-forca-camarada-vasco e cagam sentenças como a merda em apreço e que há a bufaria miguel tiago que faz estes fretes à direita em nome dos besuntas, magalas e saloios que bebem minis no bar do centro de trabalho. as associações & deduções que fazes, são em tudo idênticas às dos juízes que ouvem uma coisa, deduzem outra e sentenciam o que lhes dá mais jeito. depois, chamam-lhe “experiência de vida”, como diz acima o neves.

  16. Concordam ou não?:
    Segundo li, nenhuma acusação foi dada como provada em tribunal, tendo o juiz deliberado por convicção e com base numa alegada experiência de vida.

    Pois uma «experiência de vida» que nem você nem o juiz quiseram ter em conta foi a guerra desgraçada que o PCP, através do seu homem de mão, Mário Nogueira, movia na altura à ministra da Educação, num aproveitamento político descarado (e instigação) da deslocada indignação dos professores. O objetivo era desgastar e, no fim, derrubar o Governo, mais nada. Miguel Tiago fez a sua parte no jogo do seu partido e o juiz feliz da vida com isso.

    E sim, não se percebe por que está o deputado tão tranquilo há três anos com as contratações deste governo. Não conhecerá casos de contratações diretas de simpatizantes, amigos, conhecidos ou familiares? É que não fazem outra coisa desde que tomaram posse!

  17. “Segundo li, nenhuma acusação foi dada como provada em tribunal, tendo o juiz deliberado por convicção e com base numa alegada experiência de vida”

    Não é possivel disponibilizar este julgamento que condena apos afirmar que nada foi dado como provado ?

    Até para fins de preparar uma queixa crime contra o(s) juiz(es)…

    Tenham juizo !

  18. “Até para fins de preparar uma queixa crime contra o(s) juiz(es)”

    yeah meu! uma queixa creme ékéra baril, melhor só se fora leite creme brulé, mas isso é sobremesa, agora acho que a coisa fica pelo recurso.

  19. Oh ignatzjactância, “recurso” é o que poderias experimentar para tentar remediar à tua ignorância crassa.

    Que tal abrires o codigo penal e leres o que vem dito, por exemplo, no artigo 369 ° ?

    Bom, nem sei porque estou a perder o meu tempo. Bem à maneira deste blogue, a ultima coisa que te preocupa é fazeres a mais pequena ideia daquilo de que falas. Viva o sporting !

  20. o link é para o 369 do cp, que diz que aquilo é para funcionários, coisa que juízes aceitam só para questões sindicais.
    http://bdjur.almedina.net/item.php?field=item_id&value=1171932

    quanto ao acordeão, a música é sempre a mesma “Não basta, pois, que se tenha decidido mal, incorrectamente, contra legem, sendo necessário que quem assim decidiu tenha consciência de que, desviando-se dos seus deveres funcionais, violou o ordenamento jurídico pondo em causa a administração da justiça.” e a letra da sentença diz que não ficou provada a consciência do juíz.

    juízes e magistrados continuam a viver na maior impunidade, não há quem os responsabilize pela merda que fazem em nome da justiça e quando se sentem ameaçados as corporações e sindicatos tratam do assumpto. em vez de andares por aí a googlar acordãos de roupa de cama vendida ao arrepio da herança e com piscadela de olho do juíz, fazia-te melhor ir para a escola aprender a direito para perceberes que as leis servem para culpar e absolver.

  21. Oh Santa Ignatzignorância y Mafé,

    O acordão implica que o artigo 369 do codigo penal se aplica a um juiz e, logo, que os juizes devem ser considerados como “funcionarios” no sentido do artigo em causa. Caso assim não fosse, o STJ teria julgado que a decisão que lhe foi deferida carecia de base legal, em vez de declarar que os factos relevantes estavam insuficientemente provados.

    Portanto, contrariamente ao que escreves levianamente, um juiz é um funcionario no sentido do artigo 369 do codigo penal.

    Mas continua ! A intenção é mostrar que os frequentadores habituais deste blogue, tal como os seus autores, gostam de mandar bocas desprovidas de fundamento e que se intessam zero pelo fundo das questões aqui abordadas, não é ?

  22. não, pá! a intenção é mostrar que saloios como tu transformam e adaptam a realidade às suas experiências de vida, nem que para isso tenham que recensear todos os portugueses na malveira da serra.

    já agora e partindo do princípio que o caso que linkaste faz jurisprudência da tanga funcionário-juíz, como é que se faz prova do subconsciente do mamífero?

    a minha avó bem me dizia para não discutir leis com polícias.

  23. A unica pessoa que esta a inventar aqui és tu, apesar de estares com o nariz mesmo em cima da tua asneira. Mas deixa estar, nada que me surpreenda, nem a mim nem a qualquer leitor habitual deste blogue…

    Se por acaso estivesses minimamente interessado em ter uma noção vaga daquilo de que estas a falar, podes ficar a saber que o dolo directo e necessario é tido como provado em inumeras situações, todos os dias, nos tribunais portugueses, e não apenas para o crime de denegação de justiça.

    Tens um mundo à tua espera, meu filho. Abre-te a ele, em vez de continuares virado exclusivamente para o que fazes nas fraldas…

  24. Isto só visto parece o candidato a advogado que virou solicitador por força das circunstâncias de mercado e que, por militância e ociosidade, adora cheirar os citus de facto e opinião e, claro está, mostrar os apontamentos da sebenta.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.