Há na direita quem comece a abrir a pestana, vá lá, a fazer outras perguntas

Dois artigos – dois – no Observador, põem hoje em causa a ligação malévola, exclusiva e única, irrepetível e incomparável, entre Ricardo Salgado e o governo de Sócrates enquanto símbolo máximo da podridão do regime.

Um de Luis Aguiar Conraria, que, partindo do princípio de que está instalada a corrupção sistémica do regime há muitos anos (certa e segura, pressupõe ele, em muitos casos sem qualquer prova) e, embora misturando alguns alhos no meio de bugalhos (ignorando certas razões, por exemplo, do incentivo de Soares a Ricardo Salgado), “ousa” mencionar casos de protagonistas de direita, do PSD e do CDS, que também terão sido corruptos e terão, muitos deles, escapado completamente ao escrutínio da Justiça ou por esta perdoados. Será “um desabafo” ao estilo de Ana Gomes (que faz questão de elogiar), eventualmente exagerado, como o próprio sugere, mas que vale a pena ler.

Outro, mais extraordinário, de Miguel Pinheiro, centra-se em Ricardo Salgado e naquilo que só ele saberá. E apela a que se exerça pressão para que fale e “confesse”. Importante salientar que o jornalista “ousa”, pelo menos, já não é mau, desafiar a ideia assente de que nada houve antes de Sócrates, o inqualificável criminoso :

Há, por exemplo, esta pergunta: o XVII Governo Constitucional foi uma anomalia do regime, que uniu pela primeira vez na História de Portugal a política, a economia e o dinheiro negro em offshores? Ou esta: essa coincidência foi tão extraordinária que juntou à mesma mesa, na mesma sala, não um mas dois governantes disponíveis para receber, ouvir e servir o banqueiro mais poderoso do país? Ou ainda esta: os motivos que explicam a desagradável fama do homem a que chamavam “Dono Disto Tudo” começaram a 12 de Março de 2005, quando José Sócrates tomou posse, e terminaram a 5 de Junho de 2011, quando foi sumariamente despedido? Ou mais esta: antes de Sócrates e de Pinho, Salgado vivia banhado em pureza e virtude?

Mais surpreendente ainda, vindo de quem vem, M. Pinheiro deixa no ar a hipótese de nada ser, afinal, como o que o Ministério Público intui e propala:

“Era melhor descobrirmos tudo e descobrirmos já — até porque a ameaça de explosão podia acabar num suspiro. Ainda esta semana, respirando com descontração o ar quente da Primavera, Ricardo Salgado assegurou aos jornalistas que “nunca na vida” corrompeu alguém. Afinal, tudo isto pode ser um enorme equívoco. É sempre uma hipótese.”

 

Ó Miguel Pinheiro, vais arrepender-te do que disseste já no próximo artigo, certo?

12 thoughts on “Há na direita quem comece a abrir a pestana, vá lá, a fazer outras perguntas”

  1. quantos políticos de direita não comprou salgado ao longo dos anos? nenhum,pois é tudo gente séria!ainda há gente que acredita no Pai Natal!

  2. A tecnologia de destruição de inimigos através de maningancias mediático-judiciais, enchendo a boca de papéis com a palavra corrupção neles escrita, começa originalmente com foco em Sócrates e no PS. Mas estou convencido que será aproveitada pelos novos vingadores Garoupas para escavacar todo o sistema político, por forma a abrir a cortina do cenário aos novos messias. No Brasil é tal e qual.

  3. Já a Clara do Expresso se farta de mandar palpites enrolando no mesmo saco, Sócrates, Salgado e Soares.
    Porra, assim também não!

  4. E Marcelo Rebelo de Sousa também não foi corrompido por Ricardo Salgado? Acredito que sim. Quando Ricardo Salgado estava na mó de cima não faltavam amigos. Agora todos abandonam o barco. São como os ratos.

  5. “E Marcelo Rebelo de Sousa também não foi corrompido por Ricardo Salgado?”

    claro que não, disse que o ricardo dava alojamento e ele pagava os comes.
    mais interessante são as entrevistas históricas como mediador de um jantar em casa do salgado para convencer (ahahah) o cavacoise a candidatar-se à presidôncia, até chegou a confessar que o ricardo financiava a campanha (dentro dos limites legais, claro está), mas estas cenas pleno exercício da democracia para o ministério público. só passa a crime quando mete sócras ou alguma coisa próxima, tal é o pavor da justiça ao belzebu.

    * ver altos patrocínios no fim da página
    http://nonocongresso.smmp.pt/?page_id=52

  6. E depois há aqueles que manifestamente deviam evitar debates políticos na rádio ao almoço. Sobretudo quando ainda no mês passado António Costa referiu a politização da Justiça à Visão.

  7. A obsessão com o Observador desta feita parece justificada, pois o ps e os colunistas (com o surfista marado a proa – um mestre da gamificaçao da politica, com racionalismos idiotas e simplificações a metro) afetos já deitaram fora o principio de inocência e dançam ao som do Pop da moda. No fundo este é só mais um passo na degradação da vida publica. Mais uma tentativa da direcçao do PS deixar cair o governo de Socrates, primeiro era a culpa moral, agora é a culpa por tweet. Quem te viu e quem te vê PS.

  8. Querido anónimo : Carlos César disse que a confirmarem-se os boatos que alguns divulgam,no caso de José Sócrates.ex-Secretário Geral e Primeiro Ministro ,a vergonha será maior!
    Tenha calma,anónimo! Não se excite tanto,olhe o priapismo ! A coisa está montada e o “ladrão” não escapa! É uma questão de tempo e vai resolver-se quando mais nos convier. Olarila !!!

  9. Também ouvi na tV, claro, o Ricardo Salgado dizer que “nunca na vida corrompeu alguém”
    Fiquei a pensar no caso e no ar calmo e conciso como o proferiu como já o dissera antes noutros casos. E cheguei à conclusão que o maior DDT deste país. verdadeiramente, nunca precisou de corromper alguém. Estou convencido que foram todos bater-lhe à porta vender-se e não o DDT que a procurá-los. É muito mais provável, pelo que se sabe de longa data, que todos lhe pediram reuniões, audiências, meteram cunhas, pediram favores ou foram declarar-se prontos a vender a alma a troco de um patrocínio, a troco de um lugarzinho nas imensas administrações, direcções gerais e direcções de todo o género que o homem dominava.
    O Salgado é que foi corruptor dos magistrados para financiar o congresso dos magistrados em Vila Moura ou foram os magistrados que lhe foram solicitar apoio corruptivo?
    O Salgado é que foi a casa do Cavaco para lhe pedir que se candidatasse ou foi o Cavaco e c.ia que foi a casa dele para pedir dinheiro para a campanha deixando-se subornar/corromper-se.
    Bem, podíamos citar quase meio mundo que se foi oferecer a Salgado para, de uma forma dura ou outra mais leve, oferecer-se a troco de verbas para tudo e mais. muito mais que apenas eleições.
    Por outro lado, muitos dos ministros, secretários de Estado, deputados, directores de cargos financeiros e económicos foram recrutados directamente do BES sob total alçada de Salgado e certamente industriados para usar os lugares, também, para dar jeitos e fazer fretes ao patrão original até porque precisavam do emprego depois da “comissão” de serviço.
    Certamente fala quem sabe e o articulista do blog “Observador”, eventualmente pensa como eu e por isso avança surrateiramente e “antes de Sócrates e de Pinho, Salgado vivia banhado em pureza e virtude? “
    Se se pensar como era a realidade e poder de Salgado antes da queda ( tudo indica por vingança de não ter satisfeito um ou mais corruptos que pediam mais que a conta) é mais certo pensar que Salgado nunca se deu à baixeza de corromper mas sim, foram os corruptos que se foram oferecer.
    Ele só teve de seleccionar e escolher e aceitar: o homem, nesse ponto, não está mentindo.

  10. Parece-me que tens razão, amigo Neves. Tecnicamente, o homem, calhando, não corrompeu ninguém. Com as putas todas a bater-lhe à porta, para quê gastar solas a deslocar-se a casa das ditas?

  11. O Salgado e todos os banqueiros, mesmo o Champalimaud,, que se “REPRAVITIZARAM” após a estupidez das nacionalizações abrilistas, os banqueiros viraram todos uns sofisticados “Alves dos Reis”, ou seja, fabricantes de dinheiro.

    Os velhos e os novos banqueiros subornaram, e gozaram com todos os políticos de meia tigela destes 40 anos, de LIBERDADES totais para os espertos.

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