FMI na Troika – sociedade (quase) inútil

Os técnicos do FMI insistem em publicar relatórios sobre a situação na Europa. Muitos deles têm dito o óbvio, ou seja, que a austeridade não pode ser um fim em si mesma e que não dispensa uma análise dos efeitos que vai tendo. Por outras palavras, não pode ser cega. E precisamente a análise da evolução dos países sujeitos a um tal regime, e também dos outros que em certa medida o aplicam, mostra claramente que a austeridade é tudo menos expansionista, como nos faziam crer, e que, basicamente, os países que a aplicam como política única continuam em apuros, se não pior, e sem qualquer perspetiva de crescimento (antigamente chamava-se desenvolvimento). Portugal secou e não foi por perda de gorduras, mas de seiva.

Embora o FMI também aceite elaborar relatórios por encomenda e baseados em dados “por medida” dos governantes, como aconteceu em Portugal no mandato de Vítor Gaspar, o relatório hoje referido nesta notícia insere-se na linha acima mencionada. Dizem os técnicos que, se o crescimento for inferior ao previsto ou desejável, haverá que suspender os cortes. E que o BCE deveria intervir com medidas que não temam a inflação.

Isto dito, falta saber o que diz Christine Lagarde, a própria. Até agora, e no que respeita aos países individualmente, tem dito exatamente o contrário quanto aos cortes e repetido, e feito coro com os seus parceiros da Troika, que a “consolidação orçamental” é a grande prioridade. Por isso, ou aqueles técnicos tomam o poder no Fundo ou Christine Lagarde assume as conclusões dos seus relatórios ou os desautoriza e demite de vez. O mais certo, porém, é fazer “cherry-picking” e aproveitar a parte que pressiona o BCE, abstendo-se de comentar a restante…

De qualquer modo, se Portugal tivesse um governo de jeito, todos estes relatórios seriam explorados e esfregados nas ventas do Eurogrupo (e, na primeira ocasião, também de Lagarde – Tipo “You’re talking to me?”, pronunciado à de Niro). Mas, tratando-se de Passos e companhia, estes técnicos são a ala esquerdista e esbanjadora do FMI, incapazes de perceber as virtudes do empobrecimento generalizado e do reforço financeiro das elites, as verdadeiras criadoras de empregos (vamos rir e, já agora, ler o muito que se tem escrito sobre essa ilusão). Uns burros, em suma.

A participação do FMI na Troika deu-lhes uns dinheiros a ganhar com os juros do empréstimo e aliviou a Europa, no imediato, de uns milhões. Mais nada. Não têm direito à última palavra.

5 thoughts on “FMI na Troika – sociedade (quase) inútil”

  1. Que excelente metáfora: “Portugal secou e não foi por perda de gorduras mas de seiva!” . No entanto, não creio que “esta gente” a não perceba. Estou com o João Cravinho quando diz que o que está em causa em todo este processo é usar a dívida como fantasma ameaçador, para levar por diante o projeto neoliberal de reduzir o Estado Social à sua expressão mais simples. Trata-se, aliás, de um processo que só a infantilizacão dos portugueses viabiliza pois a tal “dívida ameaçadora e inaceitável por parte de gente séria” passou de 97% do PIB em 2010 para 129% em 2013 e não sabemos a que nível estará neste momento!

  2. Mas algum desses organismos (FMI, BCE, FED, etc.) está interessado no bem-estar das populações?

    Doce ilusão, para quem pensa que sim!

    Para esses, as pessoas são um Recurso Natural dos países aonde vivem, como a água potável, o nº de dias de sol, ou a fauna marítima. São recursos para explorar. Isto é, usar quando necessário, abandonar quando não fazem falta… e quanto mais barato custarem “MAIS SUSTENTÁVEL É A ECONOMIA DO PAÍS”.

    Perderam a vergonha. Quanto mais afastados estivermos, no tempo, da queda do muro de Berlim, mais o descaramento aumenta. O limite é a instauração do Poder Absoluto, (aquele que foi, em tempos, derrotado pelos Bolcheviques).

  3. bom poste de penélope.não consigo esquecer o nome dos pulhas que chamou estes agiotas.agora com a maior hipocrisia do mundo,passam a vida a insulta-los,como se a troika os tivesse desiludido no seu desempenho!joão cravinho tem razaõ na nota que dá a estrategia do governo e à infantilizaçao do povo portugues!

  4. manolo heredia,tem toda a razão .quanto diz :quanto mais nos afastamos da queda do muro de berlim,menos vergonha tem essa escumalha que sonha com os amanhas que cantam!

  5. não havendo hipóteses de termos cá o socialfascismo,os jerónimos destes país, preferem a direita a governar,mesmo que esta atitude custo muito caro aos seus e ao país.que os pariu!

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