Fartos de frases como esta

Portugal tem que ser um dos países mais baratos”, declara Daniel Bessa.

Esta gente que usufrui de um belíssimo salário e/ou dispõe de avultados rendimentos e que, baseando-se em meros cálculos economicistas, que, aliás, qualquer um de nós saberia fazer se o objetivo for o exclusivo desafogo financeiro dos empresários, vem dizer que o melhor é os trabalhadores ganharem o menos possível, revolve-me as tripas, confesso. A “mão-de-obra barata” é constituída por pessoas, com necessidades, com expectativas, com famílias ou com ambição a constituírem uma, pessoas potencialmente com capacidades. Pessoas que, com tiradas como esta, só podem é decidir fugir daqui e sem demora.
Daniel Bessa, que, por vezes, parece ter lucidez suficiente para desejar que a Europa reveja a austeridade, pretende agora, como muita gente insensível, reduzir o país a pessoas analfabetas (ah, pois, a educação e a formação custam dinheiro), desqualificadas e mal pagas que “alimentem” (também literalmente) e perpetuem o nosso incompetente tecido empresarial. Esta é a via para o subdesenvolvimento, caro senhor. Só que não para o seu nem o dos seus filhos, claro.

28 thoughts on “Fartos de frases como esta”

  1. Aliás, a frase completa ainda revolve mais as tripas:

    “É importante que os recursos humanos mantenham alguma qualificação e que fiquemos entre os mais baratos.”

    Repare-se no miserabilismo de “alguma qualificação”…

  2. Relembramos os versos de Zeca Afonso “Os Vampiros”. Que bem se aplicam neste momento! Tenhamos esperança que , como diz Manuel Alegre, haja alguém que resista, haja alguem que diz não.

  3. deste gajo o que é que queriam? o moçinho trabalha para o belarmino das mercearias e diz o que o patrão manda dizer com o volume de som controlado pela sonae.

  4. Fazendo minhas as palavras do anónimo das 16,38 acrescentaria como o Ferreira Fernandes, que a criadagem dos poderosos aparece sempre a querer mostrar serviço. Ou, como se dizia no meu tempo, a engraxar.

  5. Pois, Penélope, é revoltante. Mas bate certo com o discurso e ambição do Governo. Mão-de-obra barata e desqualificada para as linhas de produção do pastel de nata, também ele para ser vendido baratinho.

    É por estas e por outras que não podem ouvir falar de Sócrates, quer queiram quer não, ousou pensar diferente, bem diferente.

  6. Eu estou é farta de ouvir estes indivíduos. Ele fala a que título? De onde lhe vem a autoridade? Talvez porque trabalha imeeeenso, em 500 sítios ao mesmo tempo! Por exemplo: Ele é Director-Geral de COTEC Portugal, Administrador de Finibanco Holding, Administrador não executivo de Efacec Capital e da AICEP, Presidente do Conselho Fiscal da Bial, do Conselho Fiscal da Sonae, do Conselho Fiscal da Galp Energia, do Conselho Consultivo do IGFCSS e do Gabinete de Estudos da Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas, Membro do Comité de Investimentos de PVCI do Fundo Europeu de Investimento e do Conselho Consultivo de Microprocessador, Vogal do Conselho de Administração da Fundação Bial e membro do Conselho Consultivo Internacional da FDC – Fundação Dom Cabral. http://www.portugalglobal.pt/PT/SobreNos/Documents/CV_ProfDanielBessa.pdf

  7. Val: Pois, decidi poupar as tripas de quem não abrir a notícia…

    Guida: Não tarda muito, levam com um tabuleiro de pastéis de nata nas ventas. Daqueles que se exportam ainda quentes para Berlim.

    Ariane: A partir de um trono assim, é tudo facílimo, não é?

  8. Estamos entregues à bicheirada. Muitos que foram na treta do ” são todos iguais “, devem estar a engolir bem seco.

  9. A dependência dos trabalhadores relativamente aos patrões e a consequente necessidade dos patrões serem beneficiados e “acarinhados” é uma das falácias desta sociedade capitalista e imoral em que vivemos.
    Se é verdade que as empresas são condição necessária para o desenvolvimento da economia, a sua génese não tem em conta critérios baseados na solidariedade ou justiça social, ou seja, as empresas são criadas para dar lucro, ponto final.
    O que parece à partida uma realidade desfavorável aos trabalhadores, é no entanto a força dos mesmos. Ao libertarmo-nos das grilhetas do agradecimento ao todo-poderoso, por permitir que haja gente com intelecto superior, que nos dá trabalho e nos alimenta, podemos ver com clareza que os trabalhadores nada devem aos patrões nem vice-versa.
    A criação de empregos é um dano colateral para qualquer empresa. Se fosse possível desenvolver a atividade para qual a empresa nasceu, sem proceder à contratação de pessoal, ninguém tem dúvidas que não haveria certamente trabalhadores contratados.
    As relações de trabalho devem trazer benefícios a ambas as partes e é lícita a luta de qualquer uma das partes, no sentido de obter mais benefícios.

  10. Penélope, muito bem! O que um bardamerda assim quer dizer, quando preconiza um um país mais barato, é um país de analfabetos e pelintras sem eira nem beira. Mais barato não há, nem mais atrasado. A imbecilidade pegou de estaca nas nossas elites da trampa. Uns mandam-nos comer caladinhos a austeridade, como o cardeal e o Proença; outros pretendem-nos fazer regredir ao pé descalço analfabeto, como este Bessa que já foi ministro.(Parece que tudo o que é imbecil chega a ministro).
    Ainda chega alguém que empunha um dos muitos tachos destes estarolas e prega-lhes com ele na cabeça do abonado.

  11. Estamos entregues à bicheirada!!!! Os que foram na treta do ” são todos iguais “, devem estar a engolir bem seco.

  12. Eu acho que esta gente precisa de começar a sentir na pele.Por exemplo as manifestações de greve em vez de serem em frente á A.R- deveriam ser á porta de casa desta gentinha.Talvez passassem a ter mais senso na língua.
    Temos que acabar com os brandos costumes.

  13. Isto é próprio de quem fala de pança cheia e assim a quer manter. Trabalhar barato não é com ele, mas pode sempre sugeri-lo a outros.

  14. “só que já foi ministro” dicit Mário!
    Pois foi, sim, Mário; Mas do PS, do Guterres. E aí é que está o problema. Estos tipos estão com todos, com quem dá mais. Ministros dum governo socialista ou altos “assalariados” da SONAE. O principio deles é sempre o de servir o patrão. De cócoras ou de rastos, tanto faz. Gente sem principios sem valores, sem dignidade nem honestidade intelectual.
    O nosso país está como está devido a esta gente. Estão-se nas tintas para o desenvolvimento economico, para o progresso, para a coesão social. Não passam é de mordomos dos Belmiros e dos Soares dos Santos.
    E não deve deixar-se sem reparo o facto de o PS também ter estas “sumidades” como luminárias que escolhe para ministros. Também diz muito do que o PS é, em determinadas alturas. Lembram-se do Campos e Cunha?. É outro que tal. Porque caralho é que escolhem estas merdas para ministros dum governo socialistra?. Por serem “economistas” de referência? Professores da escola de Chicago, boys do Milton Friedman, assassinos das economias dos seus paises. Estes é que são os responsáveis, com as suas qualidades governativas, pelo atual estado do País.

  15. É na verdade uma proposta brilhante. A seguir a uma série de propostas brilhantes que vêm indiferentemente de quase todos os quadrantes políticos. Eu por exemplo gostava que UM só destes economistas me explicasse onde andaram escondidos durante tantos anos? Deveriam estar adormecidos em hibernação profunda porque nenhum durante 20 anos disse nada e de repente têm soluções para tudo … Espera … são todas deste calibre. Pensando melhor eles sempre andaram por aí só que antes achávamos que estavam a brincar agora não. Malta isto é a brincar, são anedotas, só pode … ou isso ou continuam hibernados e soltaram os ursos …

  16. Em 1957 ouvi essa referência minimalista a «ler, escrever e contar» mas a pior foi sobre o meu pai quando pedalou durante semanas 90 quilómetros entre a minha terra e Santarém: «Tirou a carta mas vai puxar terra para os pés!» O fascismo é isto.

  17. E o mais engraçado (mais triste neste caso) é que estes filhos de uma grandessíssima puta parecem (parecem, note-se) esquecer-se que foram ministros das Finanças, da Economia, etc. e que foram eles, e não os desgraçados que vivem (mal) do seu trabalho, os responsáveis por todos os erros que no plano da Economia e Finanças foram sendo cometidos ao longo dos anos. Sou contra a violência mas que andam a fazer falta por aí umas brigatte rosse lá isso andam.

  18. De relevar o facto da grande maioria das assessorias lhe cairem no colo, depois de Guterres lhe ter burilado o currículo.

  19. A propósito, achei sociologicamente interessante que haja um movimento de opinião de cidadãos italianos na internet, pedindo que o oficial da capitania que passou o raspanete no comandante fujão e que chorou de raiva pela impotência em salvar as pessoas, seja candidato a presidente da república. Que mais é preciso dizer sobre a profunda carência que os europeus têm, de um líder que seja uma pessoa sensível, decente, honesta, corajosa?

    Serei só eu a ver a coisa assim?

  20. Prefiro frases como estas:
    “”When I was 5 years old, my mother always told me that happiness was the key to life. When I went to school, they asked me what I wanted to be when I grew up. I wrote down “happy”. They told me I didn’t understand the assignment.

    I told them they didn’t understand life.”

    — John Lennon

  21. ” E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?” A frase não é minha, nem tão pouco de um político de extrema esquerda; simplesmente, é de Almeida Garret e foi escrita em 1846.

  22. Edie, João do Canto Lagido: Obrigada pelas belas frases aqui trazidas.

    Edie: Tudo isso é bonito (o chefe da capitania à Presidência), mas o problema é que a finança tomou completamente conta da política. Podemos ter um líder genial, mas, se não conseguir financiar-se, o génio tranforma-se rapidamente em louco. Não estou com isto a elogiar os atuais líderes. Muitos deles, como os nossos, são medíocres. A chantagem dos especuladores leva a que, na Europa, os grandes países se voltem para si próprios e se borrifem no ideal europeu, que aliás perdeu bastante força após o desaparecimento do bloco soviético.

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