Eu contribuo imenso para a crise da imprensa diária

Regra única para ler jornais hoje em dia:

Olhar para as capas, ver se há alguma novidade; se sim, dizer “Está bem, abelhas” e, antes de seguir viagem, verificar se, por milagre, alguma notícia de há três dias reapareceu. Nesse caso, esperar mais outros três. Considerar o jornal lido

 

Ao contrário da instantaneidade das redes sociais e da rapidez de reacção e superficialidade que as caracteriza, os jornais (e revistas) deviam esperar entre três dias a uma semana, ou mais, até noticiarem um facto de que tenham tido conhecimento. Menos do que isso, é passaporte para a asneira e consequente perda de credibilidade. É  “infotainment”, com ênfase no “…tainment”. Começa a ser demais e já perdi a paciência. Sai uma notícia. Passados uns dias, afinal não é bem assim. Outras vezes, nem um pingo de verdade havia no que foi noticiado inicialmente. Pura e simplesmente falso. Muitas vezes, falou-se uma vez, não se falou mais. Fogo fátuo. Abafamento ou missão cumprida. Por isso, deixei de comprar e de assinar jornais. Excepção feita à “The Economist“, sempre rigorosa, bem escrita e informativa, mesmo que se não concorde com o que é dito, e a uns dois ou três jornais ingleses. Em Portugal (e não só), a cada novidade, acreditar é estupidez. Escrever sobre isso, é precipitado. É preciso que a notícia sofra o teste de resistência ao tempo, para lhe começar a dar alguma atenção e considerar que está ali alguma coisa séria e importante que convém aprofundar. Mas, a maior parte das vezes, grandes bombas são pólvora seca. Que ninguém deixa de mandar, no entanto. É um foguetório permanente de coisa nenhuma ou então de encomendas ou de armadilhas políticas. Para alguns jornais, as fontes são um “Mente-me, que eu quero”. Ganhei juízo e não pago mais para isso.

3 thoughts on “Eu contribuo imenso para a crise da imprensa diária”

  1. Nem um cêntimo gasto há mais de dez anos em Jornais ,é só mentiras ,noticias não confirmadas ,como diria o outro é só fumaça, e as televisões nacionais seguem pelo mesmo caminho tirando o telejornal da RTP1 , e um desperdício de tempo e de ignorância ,respeito pelo telespectador ou o leitor não existe.

  2. Profunda ilusão imaginar que basta “não comprar” para resolver a coisa. Quem os paga não precisa desses trocos. Tudo o que quer é que marquem a agenda em linha com os seus interesses. Mesmo nesse capitulo, as coisas já foram mais lineares. Não foi por ter “má-imprensa” que Trump deixou de ser eleito. Temos de nos reinventar, se não queremos ficar a falar sózinhos. E abrir mão dessa ilusão de que a luta de classes se ganha com cravos.
    Dou exemplo.
    Jornal da noite da RTP 2 de ontem. Manuel Carvalho perorando sobre “Tancos”. Começou bem, referindo que não estava confirmada a autenticidade do “memorando” que anda em circulação. Mas logo de seguida faz tábua rasa desse facto e comenta como se fosse autêntico. Ora a RTP não é da SONAE. É pública. Que espera o Governo das esquerdas para lhes corrigir a “mira” ?

  3. …e uns dois ou três Jornais Ingleses…
    Gostaria, gostaria não, suplico-lhe ! que diga quais os “dois ou três” Jornais Ingleses em que acredita piamente. Daily Mail ? Daily Express ? Daily Telegraph ?
    The Sun ? Daily Mirror ? The Times ? London Evening Standard ? Diabo, só resta o Guardian e mesmo assim…

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