Entrevista de ontem: é que nem isso, meus amigos

Antes da entrevista a Passos, muita gente por esta blogosfera mais astuta e divertida imaginou o que seriam as perguntas do J.G.Ferreira e as respostas de Pedro. Umas eram perguntas que já incorporavam a resposta, incluindo-se muitas delas na categoria de perguntas retóricas, outras punham o jornalista numa posição muito ousada no que toca a números, obrigando o entrevistado a apresentar-se como ser humano com alma e preocupações sociais, outras ainda eram do género de poderem ser feitas.

Nada disso. Foi ainda pior. JGF enveredou por um caminho a que se pode chamar de “não entrevista”. Tratou-se de uma converseta e de uma converseta acanhada por parte de quem se devia mostrar profissional, e chocha, totalmente chocha, dirigida por um homem que até costuma aparecer nas televisões com análises categóricas e declarações bombásticas, tão ousadas quanto afuniladas. Dei por mim a cochilar. Não só as perguntas não foram minimamente incisivas, como também não abordaram sequer as grandes questões do momento: a tal saída limpa ou suja e as hesitações/insegurança de M. Luís Albuquerque, o pós-Troika, os chamados “consensos”, a Europa, os desempregados, os emigrantes que a ministra das Finanças diz que voltam, a bancarrota atual em contraponto com a alegada bancarrota passada, o Manifesto dos 74, a dívida, as comemorações do 25 de abril, as reformas estruturais, enfim, um número abundante de assuntos, que não se esgota nestes mencionados, e que ficaram de fora e não deviam ter ficado, se aquilo pretendesse ser uma entrevista a um chefe de governo num momento crucial do programa de resgate. E mesmo nos assuntos falados, como os das pensões, dos cortes e das “gorduras”, o entrevistador pareceu ficar satisfeito com as respostas totalmente vagas e impreparadas que obteve do barítono seu ídolo. Assim não. Isto não é sério.

Para a próxima, será melhor pôr o homem a cantar. Para não dizer nada, seria, quiçá, mais agradável. E o jornalista, que também não quer incomodar, poderia apenas deleitar-se a ouvi-lo e, no fim, bater as palmas que ontem se refreou de bater.

10 thoughts on “Entrevista de ontem: é que nem isso, meus amigos”

  1. Amansados e escravizados, agora ainda gozam connosco. Sem a mínima ironia: nós merecemos tudo isto. Merecemos esta TV PSD e as outras todas. Vou lembrar-me muitas vezes, neste aproximar dos 40 anos de Abril, do serviço inestimável que o BE e o PCP prestaram para o enterro do Estado Social, por puro ódio e oportunismo político. Ódio ao partido que, dentro das suas limitações, estava a fazer tudo pelo Estado Social. O PS (nunca fui militante deste partido). Os jovens abandonam as universidades por mera carência de meios e emigram em massa. De uma forma sibilina, o ministro da saúde está a desmantelar o SNS. Bem podem. agora, os ex-presidentes da república, via terreiro dizer umas tretas sobre a defesa do Estado Social. Os partidos que há três anos trouxeram a troika, os quatro “magníficos” partidos irmanados no ódio e no oportunismo, fizeram o enterro e estes mesmos presidentes ou não viram ou não quiseram ver o que se preparava. Agora é tarde. Demasiado tarde. Havemos de levantar-nos, se esta governaçâo dos “mercados” não conduzir o mundo para uma hecatombe. O cenário é possivel.

  2. homem pequenino,ou é fcp ou bailarino! confirmado em todo o esplender durante muitos e penosos minutos! o que veio a seguir, tambem não foi melhor,com sousa tavares a fazer o papel de advogado de defesa. a idade não perdoa!o ataque mais violento (ao que isto chegou!)esteve por conta da jornalista de direita da radio renascensa. talvez por ser a única a comentar que não vive à conta de pinto balsemão! quanto ao pm,nada a registar para bem de portugal!

  3. Penélope, chamar entrevista ao frete que ali foi feito, é ousadia que não esperava, do mesmo modo que me surpreende que classifique o pavãozito do JGF de jornalista, coisa que ele não é, embora pretenda parecê-lo. O que se passou a seguir, foi confrangedor. O MST, mais uma vez, na ânsia de ser diferente atirou com umas patacoadas para o ar que, desta vez, nem os direitolas que por lá se sentavam se sentiram com vontade de sufragar. Enfim, é a ‘informação’ que nos dão.

  4. até o pedro guerreiro nos comentários que se seguiram na sicn disse que aquilo eram perguntas combinadas. em abono da verdade, tamém foi a única coisa decente que disseram, o resto foi tóino teixeira a pôr água na fervura, a graça frango a fazer cabidela com o período eleitoral e o tavares a dar graxa ao portas para promover a mulher. um nojo de fretes a esta cambada que nos quer fazer passar por estúpidos, se o gajo não tinha nada para dizer e nada disse, para que é que deu uma entrevista? deve ter sido para promover o peluche ferreira, só pode. o primeiro remove-se a votos e a amostra sem valor comercial mudando de canal.

  5. Digam o que disserem a “entrevista” cumpriu o objetivo, para o governo e PSD.
    Basta ver as declarações dos partidos. O Marco António até se permitiu dizer, no meio de um chorrilho de dispatates, que tinham havido ações sobre as PPPs ( a tal poupança que fica a ser paga pelo Estado, lembram-se ?) . A mensagem que passou foi que não vai mexer nas reformas, embora “liberte” alguns funcionários públicos. E TUDO ISSO É QUE PASSOU! São mentiras ? Claro que sim! MAS PASSOU! ELES MENTEM QUANDO E COMO QUEREM ! Não tenhamos dúvidas!
    Talvez os comentários mais incisivos de ontem tenham sido de António Vitorino, AS Siva E A J Teixeira ( embora condicionado). Quanto ao MS Tavares, até parece que foi recentemente avençado ! O resto, dos partidos, só treta e nem o PS se safou….
    São necessários mais tempos de antena com as mentiras do PPC durante a campanha e durante o período de governação. Isso é que os mói !

  6. Mas alguém esperava outra coisa? É nos jornais e, sobretudo, nas televisões que se faz a grande manipulação. Tão grande, mas tão grande, que por vezes até conseguem aparentar democracia e isenção. Outras vezes, o descaramento é total, grotesco mesmo.
    O trabalhinho dessa corja profissional é realmente extraordinário. Eles sabem como fazer, sabem como manipular, o que significa que nem sequer são clubistas, em sequer acreditam na mensagem que passam. Nunca se viu nada assim.
    Estou com Maria Abril, com as coisas neste estado e com o actual poderio dos media, é bem possível uma hecatombe.

  7. Encontro na televisão do Francisquinho,entre dois defecadores orais,em direto,a cores e com direito a deixarem o estúdio todo salpicado de dejetos,para o pessoal das limpezas remover no tempo seguinte.

    Os tempos,de facto,não vão nada higiénicos!(…)

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