Em defesa da lentidão alemã (artigo de opinião)

Sabemos que opiniões não faltam sobre a crise europeia. Esta é mais uma, a meu ver bastante lúcida. De Fareed Zakaria (CNN) (para quem quiser ler em inglês).

Um excerto:

Many argue that Germany should come up with a dramatic solution to the debt problem. Chancellor Angela Merkel is not leading, critics charge. I disagree. Germany has a good reason for being sluggish. It is trying to force countries like Greece to enact meaningful reforms.

The German concern is that if they come up with some dramatic solution to the euro crisis, such as guaranteeing everybody’s debt, financial panic would end but countries like Greece and Portugal would feel no pressure to undertake necessary reforms.

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Tenho, no entanto, a ressalvar que, embora eu concorde que seria sempre necessário em Portugal grande rigor orçamental e eliminação de despesas inúteis no sector público, processo começado pelo governo anterior, mais tarde interrompido pelo pânico da crise do subprime, e depois retomado com os sucessivos PEC até ao chumbo do quarto pela oposição (pelos vistos, para que tudo fosse agravado e rapidamente), o facto de termos o salário mínimo nacional mais baixo da zona euro e de haver uma tentativa séria de qualificar o tecido produtivo do país e de reformar a administração pública (pelo anterior governo) deveriam tornar as condições do empréstimo mais razoáveis. Prazos mais dilatados que impedissem a recessão, a par de um controlo cerrado do corte das despesas. Já quanto às privatizações das empresas públicas estratégicas que não dão qualquer prejuízo, a matéria devia ser discutível.

A meio do artigo refere-se o papel do BCE. E essa questão é igualmente determinante.

12 thoughts on “Em defesa da lentidão alemã (artigo de opinião)”

  1. Segundo o Zacarias estão nos a dar um lição e ele acha isso óptimo!
    O Norte tem o direito de castigar o Sul porque aqui em baixo somos todos pouco produtivos, calões e pouco competitivos e se não nos humilharem nós não fazemos as reformas necessárias.
    E é a Alemanha, coitada, que não lucra nadinha com a moeda única, que nos vai salvar da nossa miséria endémica emprestando nos dinheiro a taxas de juro dignas da Dona Branca. A mesma Alemanha que por duas vezes no último século destruiu a Europa toda, e que sem os gigantescos empréstimos de Gregos e Portugas a juros baixíssimos andava a varrer entulho desde meados do século passado…

    E fala da Grécia como se fosse lixo: “It doesn’t make anything anyone wants.”
    Tem razão toda a razão! Eles inventaram a democracia, e ninguém a quer!

  2. Não só isso Artur, para o Zacarias ( como bom Tom Friedman “wanabee”, para campeão da idiotice) está simultâneamente tudo porreiro com a administração em Washington DC despejar milhões em estados na bancarrota, como o Nevada. Esses já não são preguiçosos…

  3. Para valorizar a questão seria de perguntar se a “TROIKA” está realmente interessada em resolver o problema económico (endémico, no que a crescimento diz respeito) de Portugal, ou tão somente interessada em obrigar o País a medidas draconianas de austeridade no que ao défice diz respeito, e resolver o caso, para si mais importante de SALVAR DA FALÊNCIA OS GRANDES BANCOS ALEMÃES, FRANCESES, HOLANDESES, ETC., que na última década eram uns mãos largas na concessão de crédito, muitas vezes com pouco rigor na análise do risco, mas que lhes permitiu LUCROS fabulosos.

  4. Excelente artigo!
    E felizmente deixou de mencionar Portugal quando passou à fase de quais economias são viáveis ou não. Se não conhece parece-me sensato que não sentencie nada.

    No entanto partilho mais do optimismo moderado sobre a construção europeia do que da esperança que possamos ter em políticos como Samaras e Papandreou. Ambos fazem parte da mesma “nobreza” cleptocrática que há gerações e gerações falham em fazer da Grécia um país desenvolvido e capaz de competir de igual para igual com os seus parceiros europeus. Servem apenas os seus bolsos e os dos seus clãs.

    Sobre se no fim da linha quem paga a conta do despesismo alheio é o EFSF ou o BCE, parece-me uma falsa questão. De graça só mesmo o nascer do sol, tudo o resto se paga. Qualquer “ajuda” destas entidades é em troca de soberania económica até ser paga de volta, ou soberania permanente no caso de se tornar impagável.

    Para mim é sempre preferível (e honrado) trabalharmos o dobro ou o triplo para mantermos a soberania e continuarmos a construír a União Europeia de cabeça erguida e livre e Soberana vontade. A humilhação de precisarmos (outra vez) de ajuda externa para nos governarmos e toda a raiva que possa provocar deviam ser canalizadas para esse objectivo: pagar a dívida o mais rapidamente possível e libertarmo-nos do seu jugo. É a NOSSA dívida. Ninguém nos obrigou a contraí-la. Qualquer argumento bacoco de a culpa ser dos credores apenas faz de nós pobres coitados ignorantes e financeiramente iletrados.

    Os disparates sobre o anterior governo e a sua luta “heróica” já desisti de comentar há mais tempo.

    Cumps,
    Buiça

  5. És mesmo ignorante Buiça. Pois fica sabendo que antes da crise do sub-prime em 2007, a dívida de Portugal em percentagem do PIB estava abaixo da média europeia e a Espanha não tinha défices mas superavits! Os estados contraíram o grosso da dívida para salvar o couro aos banqueiros, falidos pelos investimentos nos CDOs e outros activos tóxicos.
    Deves ser banqueiro para estares aí a berrar que “É a NOSSA dívida. Ninguém nos obrigou a contraí-la”…

  6. Buiça: Nenhum país consegue pagar uma dívida como a nossa (que até nem era escandalosa) em dois ou três anos e nas condições impostas (juros, nomeadamente). Só o pagamento dos juros impedem a amortização do empréstimo!
    Além disso, quem te diz que não pagaríamos as dívidas se, com boas políticas económicas e uma certa austeridade, os juros que nos cobrassem (antes da intervenção da Troika) se situassem nos 2%?

  7. Kid, sabes bem onde podes enfiar os adjectivos. Informa-te se faz favor. Não fui eu quem decidiu contraír dívida para salvar os accionistas do BPN com medo de pânicos de banqueiros. E conta lá quanto o Tesouro emprestou aos outros bancos (sublinho emprestou e nem falo de em que condições) desde 2007 para os “ajudar”, que ficamos já a saber quanto isso representa de acréscimo. Vais ter uma surpresa.

    Penélope: a dívida de um país não se paga, gere-se de forma a não ultrapassar certos limites. Há patamares a partir dos quais se torna ingovernável (e não tem só a ver com o tamanho dela, tem também a ver com o preço, com quem está disposto a emprestar, com o que produzes para a pagar etc.) como puderam observar no último ano em muitos países. Prefiro não entrar na discussão da competência ou incompetência de quem a tem gerido. E sobre ser mais fácil pagar dívidas sem juros do que com juros também acho que a frase se explica bem a si própria…
    Neste momento se pedirmos emprestado a 2 anos pedem-nos 15% ao ano. 3 ou 5% parece-me um bom negócio, era bom não o desperdiçarmos. Uma pessoa pedir ajuda e comprometer-se com metas já é humilhante que baste, pedir um desconto antes sequer de cumprir a primeira delas parece-me risível.

    cumps,
    Buiça

  8. Ó Buiça, os adjectivos já tos enfiei pela goela abaixo e, pelos vistos, provocaram-te azia.
    Quando te desligares da central de propaganda, já vai ser tarde para evitares ser atropelado pela realidade…

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