Dupla de coisas que se passam

  1. Não é uma coisa má as criancinhas não irem já todas para as creches

 

Ao contrário do que insinuam alguns títulos de jornais, que será precipitado abrir as creches já na próxima segunda-feira, porque a maioria dos pais não tem confiança suficiente para lá deixar as criancinhas, o facto de irem menos crianças só ajudará a que a segurança seja maior e mais fácil de assegurar para as que forem e, consequentemente, a que a confiança para daí a quinze dias aumente. Um processo previsível e naturalmente previsto e que se autorregula, sendo também por isso que os salários de quem fica em casa devido aos filhos pequenos é pago até ao final de Maio, mas já não a partir de Junho. Por isso, não vão? Ainda bem. Era o que se esperava.

 

2. O Ventura  é um charlatão com ideias nazis

 

Que o André Ventura é um facho que vê uma oportunidade no ar do tempo, que é o dos energúmenos ao poder, não tenho muitas dúvidas, tanto mais se atendermos às pessoas de quem se rodeia. Só ainda não percebi se é um total ignorante e inculto que polui o discurso público com comentários e propostas supostamente diferentes e chocantes de tão ignorantes, ou apenas um farsante que se aproveita da ignorância e do obscurantismo de muita gente para ganhar votos e poder. Também é verdade que as duas coisas não são incompatíveis. O que ele publicou hoje no Twitter sobre Fátima é de antologia – antologia do populismo mais nojento e primário. Disse isto (com imagem e tudo):

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Ou de como a religião é invariavelmente aproveitada (e explorada e até criada) para satisfazer interesses de poder. Sim, porque todos nós acreditamos na profundíssima religiosidade, no profundíssimo mundo espiritual do André Ventura.

23 thoughts on “Dupla de coisas que se passam”

  1. Não menosprezemos o venturinhas. Repare, vem aí uma grave cise económica e vamos ter muita gente desempregada, muita gente sem esperança. É nesse chão que medra o populismo. Se não estou em erro, sondagens recentes dão uma subida bem inclinada a este oportunista, e não basta achincalhá-lo, isso é descer ao nível do gajo, é preciso apontar as incongruências do seu discurso, mostrar que o tipo, para além de deputado racista, ainda come de umas assessorias para ajudar empresas a fugir aos impostos. É preciso desmascará-lo, Esta tecla de o gajo comer em vários carrinhos é uma das coisas que importa, porque o zé povinho vai estar desesperado e vai querer propostas simples, ciganos para a cadeia, instauração da pena de morte, etc, é preciso mostrar que o venturinhas é um corrupto, menosprezá-lo é um erro.

  2. o ventura andou no seminário , em tempos, pelo menos, teve fé. ..mas ,sim, futebol e fátima é com ele
    também não se percebe o que esperavam dum homem da bola.

  3. O Bertone, – não o automóvel, mas sim o cardeal Tarcisio Bertone – disse que o segredo de Fatima era que o papa João Paulo II iria ser alvejado e vítima de tentativa de assasinato .
    Pôrra, e se assim era, porque não o avisou previamente ???
    O homem tinha enfiado um colete à prova de bala e pronto !
    Uma sabidola, esta Lúcia .

  4. Também todos acreditamos que Miguel Relvas norteou a vida dele “pela simplicidade da procura do conhecimento permanente”. E sabemos que o único cohecimento permanente que há é o religioso.

  5. os salários de quem fica em casa devido aos filhos pequenos é pago até ao final de Maio

    E claro que este facto é uma excelente motivação para os pais terem muito medo de que os filhinhos sejam contaminados na creche. Sabendo que são pagos se disserem que têm medo, pois claro que terão medo. Se lhes pagam o salário para eles ficarem em casa sem fazer nada, eles têm todo o gosto em recebê-lo.

  6. Luis Lavoura: Não é bem assim. Há famílias tão saturadas de estar em casa fechadas com as crianças pequenas que desejam desesperadamente que as creches abram. Com segurança, claro. Além de que podem continuar a trabalhar em casa, agora sem distracções.

  7. Penélope

    Há famílias tão saturadas de estar em casa fechadas com as crianças pequenas que desejam desesperadamente que as creches abram.

    Haverá. Mas eu diria que, para a maior parte das mães (ou, ocasionalmente, pais), que são postas perante a opção entre colocarem a criança na creche e regressarem ao local de trabalho (com o que isso implica de viagens no tráfego, serem vigiadas no trabalho pelo patrão e pelos colegas, etc), ou permanecerem em teletrabalho e com a criança em casa (tendo perante o patrão a desculpa de que não trabalham tanto porque têm que brincar com a criança), a opção é certa: preferem ficar em casa. E só haverá uma coisa que as fará mudar de opção: perderem o salário se continuarem em casa.

    Eu sou professor universitário, estou no meu local de trabalho, e bem vejo o que se passa com os meus colegas: estão todos em casa, apesar de já poderem regressar ao local de trabalho. Virtualmente ninguém prefere vir para o local de trabalho a ficar em casa em teletrabalho.

    Só haverá uma coisa que os fará mudar de opção: perderem o salário. Enquanto o governo continuar a pagar para ficarem em casa, ficarão. Nem que tenham que arranjar a “desculpa” de que têm muito medo que a criança se infete se fôr para a creche.

  8. “vem aí uma crise económica”
    A quem andais a servir,quando afirmais uma coisa destas?
    Em Portugal sempre estiveram em actividade a Agricultura,a Pesca,aProdução de Energia, os Transportes,a Saúde.as Finanças.os Bancos,os Serviços Sociais,as Forças de Segurança,o Exército,os Tribunais,a Construção Civil,as Minas,a Indústria Transformadora,a Indústria Alimentar,Reparação e venda de Veículos,enfim, tudo manteve a sua actividade salvo algumas Escolas e serviços, como a Hotelaria,comércio a retalho,manicures e barbeiros!.
    Mais de 80 % da actividade manteve-se,a restante estará parada 2 meses,em média, isto é 16,6 % do tempo previsto de laboração !
    Será o bastante para a catástrofe anunciada? Não houve destruição das unidades instaladas,os operários não foram para a guerra,o número dos residentes não se alterou seriamente …
    Pois é o bastante para os mensageiros de más notícias! Vem aí o fim do Mundo,vem aí o Diabo!
    O convívio com medrosos e assustados não é fácil! Todo o medroso tem a obrigação de guardar o seu medo com todo o recato! Pode influenciar um distraído ou um parvo!

  9. ò pinto, apresenta reclamação ao ventura com conhecimento ao bispo de porto kisso resolve-se ou então publica no blasfêmeas que os gajos aceitam qualquer reaccionarice com sabor a nazófacho.

  10. Vamos lá falar de charlatães, de mazismo e de ignorância.

    Anti-semitismo

    1) Quem foi que apresentou uma proposta de alteração à lei de nacionalidade, redobrando as exigências aos judeus sefarditas que queiram a nossa nacionalidade? 2) Quem é que passa a vida numa compaixão mirolha com o que se passa na Palestina? 3) Quem foi que aplaudiu um cartunista que retratou os judeus como cachorros nos EUA?

    Anti-capitalismo?

    O capitalismo é implacável e sem a rédea curta avança para a esfola, sem pruridos
    (Mein Kampf).

    No momento em que escrevo estas linhas, espera-se o êxito da tentativa de passar as mãos do capitalismo Internacional os caminhos de ferro da Alemanha
    (Mein Kampf)

    Quem é que hoje escreve coisas semelhantes? É o André Ventura?

    Fobia anti-clerical e apologia da higienização social com a retórica do “mais vale não fazer sofrer as criancinhas”, num excerto

    Seria muito mais nobre que ambas as igrejas cristãs (…) ensinassem aos europeus, com gestos bondosos, mas com toda seriedade, que é agradável a Deus que os pais não sadios tenham compaixão das pobres criancinhas sadias e que evitem trazer ao mundo filhos que só trazem infelicidade para si e para os outros.
    (Mein Kampf)

    Quem é que hoje vem com estes argumentos melosos para justificar abortos e eutanásias? É o André Ventura? Quem é que está sempre com o dedinho em riste a dizer o que é que a Igreja deveria ser? É o André Ventura?

  11. O comentário do Pinto ficou bloqueado (acabei de desbloquear e alterei a hora para ficar actual) pelo sistema automático de “spam”. Talvez por ter a expressão “Mein Kampf” ou por outra razão qualquer que, neste caso, não controlamos – ou seja, como em muitos outros casos de comentários retidos, não foi intencional da parte dos autores do blogue.

  12. Pinto: Não falha. Eu bem me parecia que você via muitos pontos positivos no Ventura.
    A propósito da sua última citação, repare como todos os políticos sem excepção, e claro o Hitler, instrumentalizam a religião e pretendem moldar os crentes aos seus intentos – neste caso a eugenia. Muitos foram na conversa dele, como sabemos, apesar de cristãos.

  13. Luís Lavoura: Sim, mas essa transição, esses 15 dias de meio gás para as creches, é benéfica para a adaptação das instalações, agora já com alguns dos pequenos utentes, que poderão “dar” ideias úteis aos educadores.

  14. “Eu bem me parecia que você via muitos pontos positivos no Ventura.”

    reclama liberdade de expressão para calar os outros e mais tarde constataremos que a democracia foi substituída pela ditadura, mas aí já é tarde.

  15. Pinto: Quanto aos judeus sefarditas, se bem percebi da lei para a obtenção da nacionalidade portuguesa, os estrangeiros (portanto, nascidos noutro país) que cá vivam têm que esperar pelo menos seis anos para poderem pedir a nacionalidade. Os judeus sefarditas poderão pedi-la se 1. provarem que descendem de judeus expulsos (o que me parece o mínimo, dada a definição do próprio grupo) e 2. agora também se cá residirem há pelo menos dois anos. Dois anos é muito menos tempo do que seis, logo, estão em vantagem.

  16. Pinto, o que eu li há poucos meses na Economist foi que havia um número substancial de judeus sefarditas britânicos que, por receio de perderem a nacionalidade europeia devido ao Brexit, estavam a pedir a nacionalidade portuguesa, e obtinham-na do pé para a mão apesar de jamais terem posto os pés em Portugal. Também já vi outras reportagens para o mesmo efeito, sobre judeus sefarditas turcos.

    Parece-me eminentemente razoável que um estrangeiro qualquer não possa obter a nacionalidade portuguesa somente por ser descendente de judeus portugueses, como a lei anterior estipulava.

    Que diabo, tal como não devemos ser racistas contra os judeus, também não devemos ser (demasiadamente) racistas a favor dos judeus. Um descendente de portugueses em sexta ou décima geração não tem em geral direito à nacionalidade portuguesa; porque há de ter esse direito se fôr judeu?

  17. “Um descendente de portugueses em sexta ou décima geração não tem em geral direito à nacionalidade portuguesa; porque há de ter esse direito se fôr judeu?”

    Porque os antepassados do primeiro, em principio, não foram expulsos do pais, ou coagidos a fugir, por regras ou decisões consideradas indignas à luz dos princpios que hoje julgamos basilares, tão basilares que achamos que a sua violação põe em causa a nossa responsabilidade colectiva. Pelo menos, é esta a justificação da lei em questão. Podemos discuti-la, e provavelmente foi amplamente debatida na época em que foi aprovada. Mas para discutir alguma coisa, convém fazer um esforço, minimo, para compreender do que se trata…

    Boas,

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