Costa demasiado cavalheiro com Rio

Segundo sondagens diárias da TVI, o PS deixou de tocar os números da maioria absoluta e Rui Rio começou a recuperar terreno após os debates, conseguindo já 28% dos votos, depois de meses e meses a afundar o partido, que já não captava mais do que 22 – 23% das intenções de voto. Esta recuperação do PSD não me surpreende. Sendo as expectativas pré-debates de tal maneira baixas em relação ao seu líder, prontamente os comentadores pós-debates (para mim, uma aberração, pois são enormes influenciadores – mais do que os candidatos – e não são neutros) lhe teceram os maiores elogios, apesar de totalmente imerecidos se atendermos ao conteúdo do que disse. Depois, nem toda a gente gosta de governantes com ar sério, responsável e respeitador (postura que Costa melhor deixa ver nos debates), sobretudo nos tempos que correm, que parecem ser de feição para patetas alegres. Rui Rio tem dito e diz as maiores alarvidades, mas fá-lo com o à-vontade e a “genuinidade” de quem tinha já pouco a perder, além de com grande técnica de “armar aos cucos”. Ora, a genuinidade, mesmo de contadores de anedotas, e o estilo convicto são apreciados. E Rio, mesmo que debite incongruências e impossibilidades, tem a seu favor o facto de não ser um arrivista, mas já ter sido presidente da Câmara do Porto durante vários anos.

 

António Costa tem tendência a negligenciar os adversários.  Um pouco mais de “killer instinct” não lhe iria mal. Simpatiza com Rui Rio e não gosta de o hostilizar ou humilhar, mas devia. Estamos em campanha e Rio continua a dizer muito disparate. Além de que, se Costa estiver atento, verá que este não se ensaia muito para o atacar descaradamente, mesmo sem razão nenhuma e pela via da demagogia. E sempre bem disposto, agora que deixou os lugares de desclassificação. E isso, hoje em dia, pode ser fatal para o seu rival.

8 thoughts on “Costa demasiado cavalheiro com Rio”

  1. Ainda o PS estava no máximo, segundo as sondagens, já aqui escrevia que, iniciada a campanha, seria sempre a descer. E porquê? Porque se entrava no terreno em que Costa é fraco. Costa é forte em governança, fraco em campanha. Falta-lhe discurso, figura, carisma, empolgamento. Não perdeu com Rio, perdeu com todos. Terá empatado com Jerónimo porque terá havido entre eles um pacto de não agressão. Penso que a vantagem de partida é mais que suficiente para ganhar as eleições e que as perdas em campanha trarão o benefício de evitar a maioria absoluta.

  2. Acontece que há superficialidade e falta do escrutínio indispensável nos media. Rio tem pés de barro. Ganhou a Câmara do Porto com a promessa de “recuperar o equilíbrio” das finanças, contra o projecto (Souto Moura) de limitação do parque da cidade, e contra os projectos “megalómanos” .
    Primeira mentira: as finanças. Infelizmente o PS Porto nunca foi capaz de repor a verdade e de defender a gestão de Fernando Gomes, esse sim o grande presidente, que lançou as obras fundamentais de renovação da cidade (metro, Casa da Música, Porto Capital Europeia da Cultura, etc).
    Prometeu (de braço dado com Bloco local) um referendo sobre o parque da cidade. Eleito, não fez referendo nenhum. E o parque tem agora construções num dos limites. Depois, aproveitou bem a popularidade das tais obras que tanto criticara antes.

  3. Rio é tal qual o contabilista que de contabilidade sabe apenas que o “deve” e “haver” tem de ser uma igualdade.
    Outras contas mais complicadas é uma pura e prática complicação para a sua mentalidade. É um homem de contas certas muito simples porque quer contas quer ideias complexas não estão seu alcance de sua mentalidade e inteligência de homem comum vulgar de leituras, hábitos e comportamentos de um empregado administrativo burocrático.
    É, por isso, um homem atado mentalmente às tradições e costumes de sua vivência incapaz de qualquer rasgo político, de qualquer iniciativa com grandeza e muito menos algo inédito, visionário que empolgue.
    Foi isso que sempre demonstrou ser e foi na CM do Porto onde lutou, sempre pacoviamente, contra a cultura, o turismo, o futebol, as grandes obras estruturais.
    Enfim, um político de paróquia.

  4. José neves : “Enfim, um politico de paróquia”.
    Não será justamente esse o seu grande trunfo ,a caracteristica certa para levar consigo o país paroquiano , a pequena burguesia que pulula no nosso provincianismo larvar ?

  5. FG, que tem a casa da musica e a capital da cultura a ver com a renovação da cidade ? Com buracos e poeira decorrente de obras, transtornos de obras muitíssimo demoradas e muito gravosos para o comércio, e, claro, grandes negociatas, isso talvez . Por exemplo, a casa da musica, foi inaugurada depois da capital da cultura e o seu custo teve uma derrapagem de alto lá com ela .
    O que relançou a cidade, e a região, foi a ampliação e beneficiação do aeroporto de pedras rubras, a regularização do douro navegável, o empresário dos passeios turísticos de barco, rio acima, o low cost, a conjuntura internacional, e, claro, a tradicional subserviência do povo português em relação aos estrangeiros .
    Claro que algumas das benfeitorias acima descritas são transversais a diferentes partidos políticos , não são exclusivo apenas dos socialistas .
    Por onde passam souto moura, e siza vieira, só restam jardins de pedra …

  6. Então, e afinal, o que é que V. queria ?
    Construção no parque todo, e a sua redução a um charco rodeado por um canteiro ?
    Isso queria o replacement de Gomes, o eng. Nuno Cardoso ( não eleito em urnas ) . Gomes foi para Lisboa, integrar o governo de guterres .
    Narciso ( um socialista da Efacec ) e Filipe Menezes ( e o socialista que o antecedeu ) também porventura queriam .
    Narciso ergueu um muro de betão do lado de lá da circunvalação. E também em frente ao mar . Menezes ( e o socialista que o antecedeu ) idem, do lado de lá do rio douro .
    Mas Rio, que derrotou a ambos ( Gomes e Menezes ) não ia com eles à bola … para bom entendedor …
    Qualquer arquitecto ou paisagista, e por decorrência, um político, com dois dedos de testa, entende que certos logradouros de paisagem, são um bem comum, para serem desfrutados por todos, e não para nesses locais serem erigidos edifícios em altura, para desfrute apenas de alguns .
    Sabe-se agora que árabes pagaram 200 milhões para construírem naquela faixa que resta de arvoredo ( portanto ainda não edificado ) do lado de lá do douro, no cabedelo . Inclui resort de alto luxo e a transformação do palacete que lá está, em hotel-boutique de luxo . Direitos adquiridos, compra efectuada com projecto aprovado . Menezes ou socialistas ? Não sei .
    Não teria sido melhor restaurar o palacete ( não faltam fundos comunitários ) e preservar o espaço natural, para o desfrute público ?
    É que durante muitos e bons anos, todo aquele imenso espaço, esteve intocado, e nunca lá ninguém conseguiu licença de construção … porquê ?

    A única obra de raiz que me lembre de Gomes, foi efectivamente o metro .
    Mas isso daria pano para mangas …
    Por exemplo, aquilo que seria a primeira ( e na altura a única ) linha, nascia em gaia, entrava no porto ( na altura nem se sabia por onde ) e iria desembocar na foz, pela avenida da boavista abaixo . Viria a corresponder à linha amarela, e, foi desviada para o Hospital de São João . E foi a última a ser terminada …
    Já a que ( julga-se ) passaria pelo Palácio, praça da galiza e depois seguiria pelo canal já existente da linha do eléctrico, boavista abaixo,até à foz, a inicial, essa, nunca se fez .
    Os poveiros, por exemplo, estavam mais bem servidos pelo comboio, que perderam para o metro . Já os da trofa, que também entrou na equação do metro, perderam o comboio, e até hoje, não têm nem uma coisa nem outra .

  7. Estas Legislativas são um complexo e intrincado jogo de espelhos.

    Nada do que parece, efectivamente é.

    A Direita, desnorteada desde que o “Diabo” a abandonou, está sem trunfos nenhuns, porém tem de mostrar-se contente com os excelentes resultados da governação, que aliás superaram o que terão sido os sonhos mais húmidos do pateta Gaspar. Embasbacados, nem conseguem soltar um grunhido que se oiça.

    Mas há um problema, claro: os boys sem os jobs… E isso é bastante grave, porque no fundo é só isso o que lhes interessa, estão-se completamente cagando (sempre estiveram, já desde o Sá Carneiro!) para Portugal e para os portugueses.

    Mas sem trunfos, sem temas, sem líderes, sem propostas, sem NADA, perdida até a esperança em algum arroubo de pendor cavaquista do “seu” Marcelo, que lhes desse uma pequena candeia de esperança em algo, a única hipótese, para além do estafado jogo sujo feito a partir dos mérdia (tentação a que os canalhas nunca resistem…), é tentar que o pobre do Rio leve uma cabazada tão demolidora que o obrigue já a demitir-se ainda antes das presidenciais. E já vai tarde, porque os cus sentados em S. Bento, esses, já estão perdidos por quatro anos.

    O maior problema agora é: como conseguir derrotar o Rio sem dar uma vitória esmagadora ao monhé e à puta da Esquerda? No 8º Ano todos aprendemos o que são equações impossíveis. Eles, contudo, ainda vão no 5º, ou no 6º e pensam que isto ainda pode acontecer…

    Por isso, o Costa, que não nasceu nem anteontem, sabe que não pode humilhar o seu amigo Rui, que para além de ser um bacoco de paróquia até nem é mau rapaz. E convém-lhe muito, ao Costa (e, no fundo, a todos nós, portugueses decentes, seja qual for a nossa escolha eleitoral), que o PSD possa continuar a ser liderado por um bom rapaz, que talvez o possa até conduzir à irrelevância (afinal, Partidos sociais-democratas a sério é o que não faltam em Portugal…), mas de caminho continue a sua imprescindível higienização e desinfestação!

    Que contribua para que se continue a respirar ar puro na Sociedade portuguesa e para que não regresse o hálito empestado e de guerra civil fria dos tempos do cavaquismo/passismo; e assim, neste ambiente desanuviado que felizmente vivemos na presente Legislatura, se criem as condições para a re-eleição do actual Presidente-Raínha de Inglaterra e se evite o surgimento de uma candidatura a Belém da Direita rançosa e populista, que faça regressar Portugal à estaca miserável de 2 006.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.