Consenso e diálogo sobre premissas aldrabadas

Se há coisa que é repetida até à náusea pela direita e chega a ser assimilada por alguma esquerda é que qualquer outro governo não faria muito diferente do atual, dadas as imposições externas. Permito-me duvidar. E duvidar muito. Devia ser obrigatório duvidar. Para começar, sabemos a quem interessam afirmações como essa. E sabemos também, desta aviltante experiência de dois anos e meio, o quão fácil (e eficaz) é mentir. Assim, nada do que o Governo diz sobre as medidas que toma ou afirma ter de tomar, a Troika, as negociações, as reuniões em Bruxelas e o que debitam os porta-vozes, o Estado e a sua reforma urgente, nada, dizia eu, é de confiar. Basta, além disso, abrir um pouco os olhos para perceber que muitas das que foram tomadas nestes dois anos e meio (incluindo as propostas mais recente e provocatoriamente delineadas naquela espécie de rascunho de Portas) nada têm a ver com exigências externas. São um programa de uma certa direita, jamais sufragado, agora oportunistamente posto em prática.

As primeiras medidas tomadas em 2011, que foram muito mais longe em dureza do que o estabelecido, tiveram consequências desastrosas, intencionais ou não. Que depois os resultados dessa irresponsabilidade os tenham obrigado a sucessivas “correções”, insistências e invocações da Troika não significa que o partido alternativo de governo tenha de assumir conformadamente a alegada inevitabilidade, que, em última análise, o levaria a desistir de assumir o poder e, por conseguinte, reorientar a bússola das prioridades. Um novo governo será com certeza diferente. Chegámos a um ponto em que até um governo do PSD com outros protagonistas seria diferente.

É no quadro desta tentativa de desvalorização da alternância que o PSD e o CDS pretendem agora, cada vez com mais insistência e descaramento, que o PS se junte ao seu programa político. Repare-se que não é um convite para participar em negociações com a Troika ou para resolver problemas da economia ou para acordar a aplicação dos fundos estruturais e muito menos para discutir uma estratégia de defesa do interesse nacional nas instâncias europeias. O que o Governo quer é que o PS subscreva o programa de desmantelamento puro e simples do Estado, apresentando-o como inevitável. Mas a intenção é também, na passada, cortar as vazas ao maior partido da oposição nas próximas eleições. Vendo bem, é uma nova versão da ideia congeminada por Cavaco há uns meses e que, no fundo, pretendia manhosamente encurralar o PS. O facto de, nesta parte da minha exposição, ter forçosamente de entrar o Seguro, desmoraliza-me. O ideal seria ele dar lugar a outro. Como tal parece impossível, dada a blindagem que instaurou no partido, ainda reúno energias para, pelo menos, dizer que, se o homem for eleito (mesmo em coligação) a história do que quer a Troika, do que poderia passar a querer e não passa, e do que querem estes desmiolados do governo ficará, pelo menos, tirada a limpo. Já não é pouco.

9 thoughts on “Consenso e diálogo sobre premissas aldrabadas”

  1. Este clube de ressabiados de José Sócrates não tem emenda. Habituem-se e façam jogo limpo. Obrigado por abrirem o jogo, já foi mais subterrâneo, continuem a evoluir à luz do dia .

  2. Este governo não é diferente dos que o precederam, as circunstância em que governa é que são. E as circunstância são frutos do governo que o precedeu. Bafiento é o discurso destes Aspirinas Bocejantes que o que pretendem mesmo é branquear o anterior governo e o seu primeiro ministro (Sócrates). O problema de Portugal é que parece ser um país impossível de governar sem défices substanciais. E quem criou este problema é quem o governa há 40 anos.

  3. “Ladrão que rouba a nação, tem programa na televisão” e nos jornais também…

  4. A situação a que chegamos não aconteceu de um momento para o outro. Este imediatismo infantil do jornalismo e do público português tem que acabar. É óbvio que Sócrates teve culpa, Durão teve culpa, Guterres teve culpa e Cavaco teve culpa. É óbvio que a proporção da culpa de Sócrates é significativa, basta olha para os gráficos da evolução da despesa pública, constituição de PPPs e outros. Os portugueses foram avisados em tempo útil por pessoas sérias. Dizia-se na altura que eram uns velhos caquéticos com ideias antiquadas. Agora que se vê que tinham razão, não aprendemos nada. Tanto faz quem é o Primeiro Ministro enquanto os portugueses não perceberem que nada é de graça e que temos que fazer pela vida.

  5. Depois de passar uma esponja sobre as patifarias (deviam ser presos, a começar pelo maior Pantemineirto e Palhaço que este País já viu – O Pinóquio) que levaram o País ao charco, o PS embrulha-se nele próprio, tal cão que ladra mas não morde.
    Afasta-se, por que nada de novo tem, ao mesmo tempo que parece acreditar que o “parvo Povo” lhes irá oferecer o pote de bandeja.
    Há esquecidos é verdade mas não são todos.
    Nunca terá maioria o PS (para nosso bem) mas….Até lá, vai-se deixando e deixando andar, sem querer saber de reformas.
    Não percebe (não quer perceber) que uma atitude proactiva e transparente é o único modo que lhe poderá dar uma vitória “significativa” nas próximas eleições.
    É premente o afastamento da liderança do PSD do incompetente Passos e é premente o afastamento do incompetente Seguro da liderança “rosa”.
    Perfilam-se e era desejável que assim o fosse na minha opinião.
    O Rui Rio para tomar conta das laranjas e o calculista Costa para pegar no cesto das rosas.
    Com um bom líder no PSD e no PS, talvez fosse possível a tal coligação ou “bloco central” de que tanto se necessita.
    A não ser assim, estamos de facto (e isso não é novidade) condenados a aturar e sustentar este estado pantanoso em que nos encontramos. e a ouvir as patacuadas do To-Zé …

  6. este “palhaçadas seguras”,já percebi que é adepto “do top” jeronimo de sousa . óh palhaço,queres dizer aqui no aspirina,o que faria o pcp se por acaso os portugueses ficassem mais estúpidos do que tu, para um dia os colocar no poder? não queremos um guião,mas só 10 medidas.nota: não te esqueças de nos dizer o que fazer com as eleiçoes em portugal a partir dessa data.o que nós queremos, já tu sabes, se por acaso eras nascido no periodo das “amplas liberdades que vivemos no tempo do prec “

  7. monica duarte,com todo o carinho,recordo-te que as ppp de socrates,somaram 8oo km de estrada,e todas para o interior.o eng. amaral,em tempos remotos, fez os mesmos 800 km mas no litoral. já agora , fazer o drama do pais com custo de uma obra estrutural, dadas as potencialidades do interior e cujo custo não chega a 2% do pib e a pagar em muitos anos dá vontade de rir,e mais: em condiçoes de normalidade saõ pagas com o “pêlo do mesmo caõ”. o turismo em portugal começou a subir já antes das “primaveras árabes”,graças a viagens de aviao mais baratas,mas tambem ao europeu de futebol,que trouxe cá gente que nunca viria só por causa das nossas praias.(havia na altura melhores e mais baratas no estrangeiro)a partir dessa data,os milhares que vieram ver a bola, foram os melhores embaixadores do nosso pais,quando regressaram aos seus paises.milhares já voltaram,sei disto por ter gente ligada a agencia de viagens cá e no estrangeiro.falar contra os estadios,dá votos,mas uma coisa é certa,para 4 já estava programada a sua construçao mesmo sem euro.porto,braga,benfica e sporting. os que estão a mais,custaram menos que o centro cultural de belem de cavaco silva e surgiram por muita pressaõ dos poderes autarquicos.até o ruas queria um para viseu,lembram-se? lembro-me eu.

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