Como implementar um programa em quatro etapas

Primeira etapa: Receção de boas-vindas à Troika. Gaspar encantado oferece-se para lhes poupar viagens e dores de cabeça.

Segunda etapa: Inventar um desvio colossal e cortar dois salários na função pública. O termo precaução ganha novo sentido.
Aumentar os impostos indiretos (IVA).
Fingir que se ignoram as consequências das duas medidas na economia, nas receitas, no desemprego. Buraco orçamental, este sim monumental, recessão.

Terceira etapa: Em cima das medidas anteriores, aumentar os impostos diretos (IRS, IMI e outros) – novo buraco, maior quebra da economia, mais desemprego. Devastação. Limite da carga fiscal atingido.
Não fingir que se ignoram as consequências, mas aludir vagamente às exigências de uma tal Troika e mais fortemente a um plano de ajustamento, que não nos deixam alternativa. Mandar emissários à televisão matraquear este argumentário. O da falta de alternativa. Começar a falar no corte da despesa.

Quarta etapa: Perante os legítimos e generalizados protestos contra a carga fiscal e o falhanço da receita, escamotear a responsabilidade do Governo, centrar as atenções na carga fiscal e alegar que menos impostos só com menos serviços e começar, a partir daí, a desmantelar ou a privatizar os serviços tradicionais do Estado (não é o que se faz na Europa) – ensino, saúde, Justiça, segurança (?), defesa – e diminuir drasticamente os apoios sociais. Diabolizar o Estado social.

E já está. É simples. Negócios entregues aos amigos e a quem pagar em géneros e em diferido ao Relvas (e não só), salários acentuadamente reduzidos e maior número de desempregados, logo, mão de obra barata à disposição, créditos do Gaspar reforçados e eventualmente premiados nas instâncias europeias. Umas pequenas chatices pelo caminho devido à pressa excessiva que os levou a esquecer o Portas e o partido dele, nada que uma boa encenação não tenha resolvido, pois o Paulo adora viajar, umas idas chatas ao Parlamento para ter de ouvir o João Galamba e o Pedro Marques, e uma maratona orçamental para aparentar árduo trabalho.

António Borges atrás da cortina: Check.

Uma maioria de portugueses votou nesta gente. Continuarem a acreditar nas patranhas que lhes vendem será quase incompreensível.

Nota: Este plano que descrevi pode não ter sido traçado e executado com régua e esquadro tão perfeitos. Mas as circunstâncias, as trapalhadas semi-brincalhonas, o amadorismo, a ausência de presidente e a base pouco sólida da oposição Seguro acabam por lhes abrir oportunidades para o concretizarem. Do seu ponto de vista, também não lhes resta qualquer outra fuga para não se afundarem de vez (e nesse sentido não têm mesmo alternativa, eles) – apresentarem-se como revolucionários (voltando ao princípio, ao programa eleitoral). Será que pega? Não perca os próximos episódios.

16 thoughts on “Como implementar um programa em quatro etapas”

  1. Certo. Trata-se de uma estratégia, há muito pensada.
    Se daqui a uns minutos, o PS não votar contra este orçamento, é cumplice da maior mentira da democracia em Portugal. Estaremos atentos.
    PS: não vale votar “abstenção”.

  2. oh mota! o teu problema é se o ps vota contra ou se abstém, quando o problema dos portugueses é o orçamento já estar garantido com os votos da maioria. o folclore é que é importante para a comunada, devem andar a sonhar com as equivalências folclóricas do relvas para aumentar a representação no próximo parlamento.

  3. Ignatz,

    O PS votou contra e bem. Era a única posição possível.
    Ao contrário do que tu pensas, não sou comunista, mas tenho princípios. E tu?

  4. “… não sou comunista, mas tenho princípios. E tu?”

    pois, tou farto dessa conversa, quando a coisa aperta não agrada rejeitam o comunismo, não sabem quem é o bloco, nunca viram o psd, são independentes de esquerda e votam cds, é uma questão de tarracha. eu voto socialista e apesar de discordar deste nhonhas não deixo de defender o partido, questões de princípios, meios e fins complicadas demais para quem vive na luz e combate o lumiar.

  5. Infelizmente Penélope, há ainda muita gente a acreditar nesta gente.

    Se andares junto ao povo mais iletrado é ouvi-los a debitar a propaganda espalhada pelos pasquins a soldo, pelos comunas e bloquistas, pela máqiona de propaganda montada pela direita,etc.

    Há mesmo quem tenha canudos melhores do que o do Relvas e acredite piamente que os políticos (todos) são um bando de mamões e que a AR poderia fechar de imediato.

    A democracia não é ensinada, mas o ódio ao sistema está a ser implementado a uma velocidade estonteante.

    É verdade que ainda hoje de manhã a presidente da AR não ajudou mesmo nada ao prestígio da instituição, mas que se há-de fazer, bastará ouvir a qualidade da grande maioria das intervenções para ficarmos assustados, mas quem serão os culpados?

    Será que as classes docente, empresarial, judicial, sindical e tantas outras deste país poderão tirar o cavalinho da chuva e argumentar que não têm culpa de nada?

  6. aprende a ler, oh zé! eu disse que voto nos socialistas e defendo o partido socialista, até prova em contrário os boletins de voto e o partido são assim designados, mas se a comunada se acha com direito ao franchising denunciem a ilegalidade, recorram à paula e ponham os xuxas em tribunal. há bocado era o fiscal de intenções de voto, agora é o da certificação ideológica, quando não é bufo é bófia.

  7. Ignatz, eu apenas te questionei sobre o “Socialismo” tendo depois perguntado se consideravas o PS um partido socialista. Não vejo qual é maldade insana em tentar questionar o teu conhecimento sobre uma teoria e uma consideração sobre um partido. Nada de mais. Não percebo a agressividade.

  8. oh zé! perguntaste e eu respondi, coisa que tu não fazes, não gostaste da resposta e vai daí agressividade coisa & tal. tens que te habituar que em democracia as respostas não exactamente aquilo que pretendes que os outros respondam e que os interrogatórios da pide, tipo toma lá um papel preenchido com aquilo que eu quero que respondas e assina, já lá vão e não deixam sódades, só na nostalgia da comunada. fiz-me perceber ò queres um esquisso?

  9. “oh zé! perguntaste e eu respond”

    Zé pergunta: Camarada ignatz, o que defende o Socialismo? Será o PS um partido socialista?

    Ignatz responde (obviamente que não responde ao que foi perguntado): “eu disse que voto nos socialistas e defendo o partido socialista”

    Ignatz, amigo, acalme-se. Apenas quis saber o pensas sobre o Socialismo e se o PS é um partido socialista. Não viste a fazer qualquer tipo de consideração. Realmente, algo vai mal quando uma inocente pergunta incomoda tanto. Sintomático.

  10. o camarada zé deve pensar que está a interrogar tóinos, isso era nos tempos do prec e da vigilância popular que a comunada praticava nos centros de trabalho o que tinha aprendido na pide. têm lá calma e não ignores a parte da resposta que não te interessa, em democracia as pessoas são livres de responder o que querem. quem costuma fazer perguntas inocentes são os conas que têm a mania de ser incómodos, quando o verdadeiro incómodo é o pec atravessado.

  11. Como pôde alguém ter votado no programa eleitoral completamente incoerente do PSD de Passos Coelho?! A “refundação” do Estado que defende — que daria uma machadada irreversível na competitividade do nosso país, tornado os sectores de alto valor acrescentado economicamente inviáveis — é incoerente com a permanência de Portugal na Zona Euro.

  12. joaopft,

    “Refundação” é o nome de código para “golpada”, um eufemismo usado pela direita local para implementar a receita do FMI (Marques Mendes “dixit”).
    Na Grécia, vão um ano à “nossa frente” e os resultados estão à vista: a cada nova medida de austeridade, segue-se um recessão pior do que a anterior e a necessidade da readaptação do programa, que obriga a novo “resgate” e a novo empréstimo com juros, logo aumento da dívida. No caso da Grécia, já vai em 189% do PIB. É a loucura!
    Nenhum país está em condições de recuperar desta hetacombe e os credores sabem-no. Com a degradação dos serviços públicos, o “estado social” deixa de funcionar e em Atenas quem está a fazer o serviço social (comida. medicamentos, etc) é a “Aurora Dourada” que já tem 17% de intenção de votos das sondagens recentes, vindos dos mais desfavorecidos e da classe média. Mais: a “Aurora Dourada” defende a expulsâo de todos os estrangeiros ilegais e das crianças estrangeiras das creches, segundo a palavra de ordem “Grécia para os gregos!”. Curiosamente, esta era a palavra de ordem usada pelos socialistas e “partizans” na guerra contra os nazis (ainda que por motivos diferentes, claro). Em França e na Holanda, Le Pen e Wilders respectivamente, usam-na também. Paradoxos da História.
    Não nos enganemos: estes governantes do PSD/CDS não são incompetentes e têm uma estratégia bem definida, como a Penélope acima descreve. Cabe a “esquerda”, impedir este plano. Se for capaz, claro.

  13. Great improvements ineded! I am from the chicagoland area and first had the pleasure of browsing your amazing comic section last December. I am back in town and made it a point to stock up while I’m here and I must say Kilgore is the very best place for underground comics period! Chicago has nothing on you guys keep up the greatness.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.