César das Neves proximamente doméstico

Então reza assim a última crónica de César das Neves: fazer biscates se não se render na escola, ser sacerdote ou ser dona de casa não tem nada de desprestigiante. É pena que nestes tempos se valorize demasiado o emprego (€) em detrimento da “função” (0€). Se as mulheres ficassem em casa a cuidar dos filhos, não só a fecundidade aumentava (este tema é recorrente) como também não se rebentava com a caixa da segurança social. Por outro lado e também por esta mesma razão, os velhos não deviam ficar em casa; deviam ir trabalhar (aqui não se percebe se em modo “função”, dadas as limitações, se em modo “produção”, mas não importa).

Veja-se a salgalhada desta passagem, que acaba por ser bem-vinda, pois este tipo de prédica é melhor que nem se perceba:

«A era moderna, no entanto, confundiu função com emprego, o que gerou males, sobretudo nos mais vulneráveis. Idosos, estudantes, crianças, donas-de-casa, como artistas, políticos, sindicalistas, sacerdotes, têm funções decisivas, apesar de não terem emprego. Num tempo economicista, que liga personalidade à produção, perdem dignidade

Desde quando é que os estudantes, os artistas (como se não tivessem um emprego) ou os políticos perdem dignidade? E como vamos acreditar que César das Neves considera os artistas (não são todos uns galdérios, tirando os que tocam oboé?) e os sindicalistas decisivos? Saberá entretanto que são pagos ou, mais uma vez, não importa?

Eu só posso admitir que este homem, se teve filhos, os tenha encaminhado para as profissões (ou será ocupações?) dignas que recomenda para os outros e que não exigem mais do que o nono ano de escolaridade, ou nem isso, que há miúdos mesmo burros. E, se teve filhas, que tenham aprendido a tocar piano, a falar francês, a bordar e a preparar o enxoval. As mais feias, devem estar a caminho do convento, que ainda os há. Assim, pelo menos para ele, o mundo será mais harmonioso. Será? Suspeito que a “harmonia” que preconiza para os outros não seja a almejada lá em casa. É bom ditar a ordem do mundo quando se está por cima.

Depois de ler isto, peço encarecidamente a algum jornalista que, na próxima intervenção pública desta pessoa, lhe pergunte se, sem desprimor, não tem roupa para passar em casa.

13 thoughts on “César das Neves proximamente doméstico”

  1. eu só lamento, que a troco de uma remuneração,este cromo ainda tenha pares para o aturarem na tv.chega de moer o juizo ao tuga, com a invasão da nossa privacidade com este catolico,apostólico aparvalhado! para agravar a situaçao ainda é economista. de merda mas é!

  2. ora bem, é triste e abominável que use argumentos infelizes e forçados – porque não são opção da população – para justificar a actual situação económica e social do país. mas é verdade isso de ser o Homem que dignifica o trabalho e não o contrário, assim como a vergonha e desprestígio que as mulheres hoje em dia sentem quando se referem ao que é trabalhar sem ser fora de casa. e também é verdade que as famílias eram mais felizes quando não sentiam como uma obrigação a mulher ser impressora multifunções. e as crianças, sim, também são mais felizes quando passam mais tempo em casa a receberem tempo e dedicação. e sim isto deve-se mais à ambição por mais dinheiro do que à falta dele. é como se a mulher, a partir de certa altura, se negasse a ser mulher pela busca da igualdade. e a igualdade é ridícula e produz imensos danos.

  3. olinda,a mulher na sua esmagadora maioria, não era, nem é mais feliz ficando em casa a tratar dos filhos e da casa.as felizes, tinham empregada domestica e ama para tratar dos seus filhos,e saiam às horas que lhes apetecia para tomar o chazinho com as amigas na pastelaria mais chiquérrima lá da terra! as crianças são mais felizes com a mãe em casa,mas não sei se o dia todo com a mãe,sem se socializar com crianças da sua idade a prepara melhor para a vida.

  4. (antes que me esqueça outra vez, Penélope, falta, por favor, um s no título)

    o que prepara as crianças, em particular, e as pessoas, em geral, para a vida, nuno cm, é o amor que damos e que recebemos. e não se consegue amar nada nem ninguém em um jantar a correr com a televisão ligada ao fim do dia.

  5. todas as famílias, socialmente aceites como funcionais – com filhos pequenos e com o cão que ficava dentro de casa antes de os filhos nascerem e depois passou a dormir ao relento do pátio ou da varanda -, que eu conheço.

    (é caricatura, obviamente, mas é verdade)

  6. O César é mais calhordas que economista. É daqueles economistas de trazer por casa. Se calhar também tirou o curso como o Relvas daí a sua permanente e confrangedora ignorância. É daqueles que vai enganando alguns (poucos) que ainda lhe dão ouvidos. Gente desta merecia um valente castigo, como por exemplo, a cavar ou a carregar baldes de cimento para a obra. Triste gente aos quais nós pagamos o curso para depois nos saírem estes cromos.

  7. Estou de acordo com Tobias: Neves para as obras, no emprego e na função!
    Faça-se-lhe uma estatueta, sem peanha, para que os cães lhe humedeçam os calcantes e o estrumem.

  8. Agora a sério: Acham mesmo que o maluquinho do abominável das neves merece o tempo que perderam aqui com ele?

  9. Carta Aberta a um MENTECAPTO (João César das Neves)

    Meu Caro João,

    Ouvi-te brevemente nos noticiários da TSF no fim-de-semana e não acreditei no que estava a ouvir.
    Confesso que pensei que fossem “excertos”, fora de contexto, de alguém a tentar destruir o (pouco) prestígio de Economista (que ainda te resta).
    Mas depois tive a enorme surpresa: fui ler, no Diário de Notícias a tua entrevista (ou deverei dizer: o arrazoado de DISPARATES que resolveste vomitar para os microfones de quem teve a suprema paciência de te ouvir). E, afinal, disseste mesmo aquilo que disseste, CONVICTO e em contexto.
    Tu não fazes a menor ideia do que é a vida fora da redoma protegida em que vives:
    – Não sabes o que é ser pobre;
    – Não sabes o que é ter fome;
    – Não sabes o que é ter a certeza de não ter um futuro.
    Pior que isso, João, não sabes, NEM QUERES SABER!
    Limitas-te a vomitar ódio sobre TODOS aqueles que não pertencem ao teu meio. …..Por : Carlos Paz
    http://viriatoapedrada.blogspot.pt/2013/11/carlos-paz-cesar-das-neves.html

  10. Este homem é um indivíduo execrável que vomita sem pudor todas as parvoíces que lhe vêm á cabeça!
    é óbvio que nem merece a nossa atenção. O problema é que é disto que a comunicação social gosta, e ainda lhe paga para ele dizer coisas sem nexo. Economista?????????????? talvez na Lusófuna! e depoi fala com tanta convicção que não percebe que ninguém lhe liga nehuma! porque ele não tem nada para dizer, mas como ele, temos muitos infelizmente.

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