Cavaco, uma vergonha nacional

“Toma, toma, toma, não tivemos segundo resgate! Bem feito!” (língua de fora)

(o homem no Facebook)

Este meu resumo infantiloide, mas espero que incontestável, da mensagem deixada por Cavaco Silva no Facebook a propósito da saída «limpa» de Portugal – um assunto em princípio sério e com muito para explicar – ilustra bem o tipo de pessoa que habita Belém há demasiado tempo e influencia a política nacional há uma eternidade. O homem que há um ano alertava para a hipótese de um segundo resgate devido à crise no Governo, ou de um programa cautelar, e para a espiral recessiva vem agora acusar outros, incertos, de serem demasiado pessimistas. «Incertos» que, a propósito, são bem conhecidos: foi o Governo que Cavaco agora tanto parece prezar (tem dias, não é?) que mencionou não há muito tempo, por ocasião das autárquicas, a hipótese de um segundo resgate!

As declarações de Cavaco são, não só por isso, mas a vários títulos, disparatadas. Que me lembre, a maioria dos comentadores teve a perfeita noção, sobretudo após a saída limpa da Irlanda e perante os motivos que a ditaram, de que um novo resgate seria impossível, pois não haveria quem nos quisesse resgatar. Nem sequer havia quem quisesse aprovar e impor-nos um programa cautelar. Também não haveria interessados em admitir que um memorando aplicado tão à risca e com o dobro do zelo por um país considerado o melhor dos alunos afinal falhara. E o certo é que falhou. Nada de regenerador ou estabilizador aconteceu a nível interno e, para quem associava os juros exorbitantes à dívida excessiva, reparem como nos endividámos ainda mais. O que mudou foi a conjuntura europeia e internacional. Que aliás, continua frágil. Sendo assim, no que nos diz respeito, nada de substancial mudou para melhor na nossa economia que nos dê garantias de solidez e sustentabillidade. A saída limpa não tem, no fundamental, base de sustentação. Por isso, a indigência do comentário de Cavaco só pode dirigir-se a indigentes e a ignorantes. Seguramente como ele.

No fundo, voltamos ao PECs. Mas agravados, dada a situação de ruína a que chegámos e os fanáticos que governam. E a pergunta que se impõe é só uma: o assalto ao pote em 2011, com base em mentiras, beneficiou exatamente em quê o país?

15 thoughts on “Cavaco, uma vergonha nacional”

  1. Nesta sua última aparição facebookiana,o sujeito em funções de presidente da república,faz uma demonstração cabal e definitiva da semelhança total e absoluta entre aquela que é a sua densidade e espessura politica e intelectual e o escaravelho da batata.
    Para quem ainda tinha duvidas,acerca dos préstimos de tal personagem,a certeza final:O TIPO, NÃO PRESTA!

  2. “Para quem ainda tinha duvidas,acerca dos préstimos de tal personagem,a certeza final:O TIPO, NÃO PRESTA!”

    é pouco. o gajo é altamente radioactivo e contamina tudo por onde passa. um panteão em cimento nas marianas não resolve, é aproveitar a expedição a marte e exportar embrulhado em roteiros.

  3. A direita tem razões para estar satisfeita, pois safou-se “limpinha” da espada de Dâmocles do colapso político iminente. De facto, em 1932-33, Salazar também viu a sua carreira política de ditador salva pela repatriação de capitais (que anteriormente haviam fugido do país), assustados com os colapsos bancários e a saída da libra esterlina do padrão-ouro e confiantes na gestão financeira do país do ditador. A descida dos juros para valores baixíssimos vai eliminar as restrições ao acesso a capitais estrangeiros, que nos estrangularam em 2011-2014. Também vai ajudar ao repatriamento da capitais nacionais, que fugiram do país durante 2011-2014. Isso vai funcionar como um cabaz de nutrientes para a economia nacional. Resta saber se, com isto, não estaremos a ser os novos “beneficiários” de empréstimos subprime…

    O financiamento da nossa economia a taxas reais negativas, em conjunto com a nossa permanência no euro — que não pára de se valorizar — vai, no futuro, exacerbar os factores negativos que condicionaram a evolução recente da nossa economia. Há ainda o risco, agora acrescido, de a nossa classe média, maioritariamente centrista, vir a ser de novo iludida com o eldorado dos juros baixos e do consumismo de produtos fabricados na Alemanha e na China.

    O PS teve uma pequena janela temporal para poder fazer algo pelo futuro do país. Em 2012 deveria, apoiando-se no movimento popular de então, proposto ao país a solução islandesa. Não o fez; agora, vai (em conjunto com todos nós, daqui a uns anos) sofrer um amargo castigo.

  4. O que eu queria agora era os 100000 ( cem mil) professores no Terreiro do Paço. Isso é que poderia ser baril…. Afinal, nem o Mário Nojueiraá vai….

  5. Numa próxima revisão da Constituição, para além da mudança
    de regime, se for para Presidêncialista deve ter um artigo que
    preveja a destituição do presidente se tiver comportamentos
    como os que temos assistido ao actual inquilino de Belém que,
    pelos vistos, quer acabar o mandato em desgraça … a não ser
    que, seja doença e, se for, é razão bastante para resignar!!!

  6. em qualquer país do mundo civilizado uma inventona de belém dáva impugnação de mandato e as cenas das acções bpn + negócio da coelha processos judiciais com destituição do cargo, mas a justiça portuguesa só tem capacidade para lidar com ladrões de champô. bora lá botar umas velas à santa para que o bolicoiso seja apanhado a gamar no mini mercado midões.

  7. Estas a confundir : PREC, houve apenas um. Se queres falar dos PEC, que foram uma série de planos adoptados entre 2009 e 2011 em antecipação da politica seguida a mando (ou a pretexto) da Troika. Ja não me lembro bem quantos foram, 11 ou 12 (creio que foram 12).

    Portanto o que tu queres dizer é : “no fundo voltamos ao PEC XII”.

    Boas

    PS : Este comentario foi redigido especialmente para facilitar a tarefa dos muitos comentadores que vão querer chamar-me comuna de merda.

  8. Ó viegas, chamar-te comuna de merda era dar-te um elogio. Tu és é um atrasado mental que confunde uma saída limpa com um cú lavado.

  9. o professor doutor aníbal antónio cavaco silva, como o nome indica, está a fazer um excelente mandato como chefe máximo da nação. todas as críticas, incluindo a que corresponde a esta caixa de comentários, derivam de um preconceito classista, elitista e centralista, preconceito esse, aliás, que também aflige o presidente bruno de carvalho. como qualquer pessoa de bem compreenderá, o professor doutor aníbal antónio cavaco silva, na sua qualidade de presidente da república, cabe-lhe apenas observar – com a sempre competente ajuda das psp e da gnr – que as pessoas e as merdas se estão a portar bem, ou seja, de acordo com a constituição e essas cenas assim; no caso em apreço, existe uma maioria absoluta na assembleia da república, eleita pelo povo português – o mesmo que elegeu 5 vezes o professor doutor aníbal antónio cavaco silva, aproveito para esfregar na cara de sua excelencia a doutora penélope – com um mandato de 4 anos, os quais ainda não se esfumaram. qualquer acção do professor doutor aníbal antónio cavaco silva que desestabilizasse a governação seria um inqualificável desrespeito pelo povo português, e uma perturbação séria da capacidade da democracia de aplicar programas de governo com um mínimo de consistência. se, como considero, 4 anos já é um tempo curto para se sentir e avaliar com justiça os resultados de uma política (económica ou outra), se introduzirmos ainda mais agitação naquilo que é uma intenção de governação a seu tempo maioritariamente sufragada, então a demagogia e o populismo serão o destino mais que certo da democracia, e, portanto, a sua morte, etc. o professor doutor aníbal antónio cavaco silva, ao proteger o governo dos ataques que o poderiam fragilizar, está a escorar a democracia neste seu momento pivot, cá e na europa, um momento onde decisões importantes sobre as possibilidades de futuro se vão definir, e o caralho. foi isso, aliás, o que fez o professor doutor aníbal antónio cavaco silva , em grande medida, com o governo sócrates, que só deu de frosques após eleições. considero, portanto, que só temos que nos orgulhar do mandato que o professor doutor aníbal antónio cavaco silva está a fazer como presidente da república, e que, por consequencia, a doutora penélope é uma ranhosa.

    cordialmente
    maradona

  10. Cavaco tem que ser visto sob o prisma da qualidade das instituições. Aí, não passa. Mas também o mundo à sua volta não é melhor. Porque é que o Alegrre nunca conseguiu ser eleito. Não ser compreende(que as divisões vêm do passado). A opinião pública e logo o voto são manipulados continua e reiteradamente pelo exercício dos media e o tapering norteamericano. Quem não percebe isso não perecebe nada. O domínio está sob. Tá.se no jugo de.
    Antes havia serão, as pessoas e as famºlías compunham-se junto à lareira ou tinham um Atlântico para atravessar. Hoje temos a Irlanda como escape. O Min. Crato a branquear(com rizoma) a prática passada , como se agora sim a roda seJa inventada . Não dá . os juros é que tão a cair . não é por causa da periferia – mas sim pois é assim que o Draghi comunica

  11. governo de turno , governo de turno
    mas que linguagem – O que é preciso é um programa, calço e um trampolim para as médias; se os palhaços fossem identificados nos salários do estado também quebrava o prémio salarial . é isso não é mais nada: atitude e não servir o pasto.

  12. Cavaco, Vergonha Nacional?
    Talvez todos os Presidentes da República sejam Vergonha Nacional.
    Ao fim de 800 anos de Monarquia ninguém queria ser presidente por vergonha.
    Tanto que os primeiros três presidentes vieram do mar: Dois dos Açores e o terceiro veio do Brasil.
    Agora corremos o risco de ficar em breve com 5 presidentes simultaneamente.
    Perderam a vergonha e nunca mais morrem.

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