Barbies viúvas

 

Porquê de preto e porquê de véu?

As mulheres nas religiões monoteístas do Livro são realmente umas Evas. A não ser cobertas de preto, só desencaminham. Deixar o pescoço e os tornozelos à vista parece-me perigoso. (E não me venham dizer que é o protocolo, pois justamente o protocolo tem muito que se lhe diga)

29 thoughts on “Barbies viúvas”

  1. pois é , foi o que pensei logo , a morticia !! ;) o Papa devia ser era o Ratzingão , ficava a matar com os adams ;)

  2. Foram celebrar a promoção a Papa do Uncle Fester. Deus me perdoe, mas a menina do lado esquerdo tem uma espécie de halo negro à volta da cabeça. Isto não vai acabar nada bem.

  3. Os vestidos cinguidos demais ó corpo, ressaltam demais as mamas, tetas, das mulheres; embora as tegas do Trump não.
    Deviam levar saias mais largas que não marquem nada do pecaminoso corpo da mulher como moi bem é obrigado no Islam.

  4. Se for ao Vaticano de ombros descobertos entra na mesma. Pode não ser cortês, pode não guardar o respeito institucional que a instituição (a meu ver) merece mas entra e visita.
    Contudo, se for de chinelo de dedo a determinados estabelecimentos de diversão nocturna em Lisboa não entra. Pode estrebuchar, dar cambalhotas, gritar, mas não entra. Se for nesses preparos ao tribunal sujeita-se a que o juiz a reprimenda.

    Tanto escândalo por causa dos códigos de vestuário da Igreja Católica e nem uma linha sobre outros códigos de vestuário bem mais rígidos.

    Paranoia anti-católica? Nãaao. Preconceito anti-religioso? Nem pensar. Fanatismo ateu? Obviamente que não. É simplesmente o uso da (magnífica, completa, absoluta) razão. E, como é óbvio, o nosso raciocínio é algo imaculado e imune àquilo que suave, gradual e eficazmente nos vem sendo incutido desde o berço.

  5. Pinto: Realmente é uma comparação e peras. Em Cannes as mulheres deverem calçar saltos altos (e parece que nem é bem assim), ao mesmo tempo que podem usar vestidos transparentes se para aí estiverem viradas, e no Vaticano (na presença do Papa, pelo menos) as mulheres terem que entrar de negro, saia comprida, manga comprida, sem decotes e cabeça coberta tem tudo a ver. Mas vá lá, não têm que ir de burka. A Igreja Católica é menos radical, tendo-se adaptado lentamente aos tempos. Lentamente, mas lá vai andando. Se assim não fosse, e uma vez que já não tem poder político, ninguém por cá lhe ligava nenhuma, muito menos entraria em igrejas. Assim, é vista como bonacheirona. Tudo bem.

  6. 1. Não, não é só a questão dos saltos altos;
    2. A obrigatoriedade dos saltos altos para mulheres e não para homens não é discriminação?
    3. O facto de muitas mulheres detestarem esse sapato pela dificuldade e desconforto que lhes causa, isso não humilha a mulher?
    4. Ao fazê-la andar numas coisas estranhas e em total desarmonia com a anatomia humana não indigna a Penélope?
    5. E o aperto de mão de Trump em contraste com o beija de mão do “nosso” presidente? Nem uma linhinha?
    6. A forma como elas foram vestidas não foi uma obrigatoriedade do Vaticano mas uma faculdade delas. estão nesse direito.
    7. Tal como foi uma escolha do nosso presidente que, para além de Chefe de Estado, pode ser católico e exprimi-lo de forma clara e aberta. Um presidente ou um primeiro-ministro não têm de ser religiosamente neutros.

  7. “Um presidente ou um primeiro-ministro não têm de ser religiosamente neutros.”

    quando representam o estado não têm outra alternativa senão respeitar a constituição que juraram. em casa podem rezar avé-marias e botar cachecol do benfas que ninguém tem nada a ver com isso, mas convém não aparecerem na tv nestes preceitos, para não confundir o galinheiro.

  8. A Constituição que juraram em lado algum diz que eles não possam manifestar publicamente a sua religião. Tal como o facto de António Costa dizer que é benfiquista (e ser sócio se assim o entender) isso não significa que esteja em causa a separação entre o Estado e o futebol.

    O presidente pode ver futebol, colocar ou não gravata, ir ao cinema, jogar matraquilhos ou ir à missa. No exercício das suas funções não tem que aparecer nu, rapado e esterilizado de toda a sua vivência pessoal. A maneira de vestir, de calçar, de falar, de estar, de cumprimentar, são o reflexo da educação e da vivência pessoal desde o berço. A educação religiosa, as convicções religiosas, são um traço cultural e estrutural do intelecto que não pode ser removido ou suprimido através de um botão ON e OFF.

  9. “Um presidente ou um primeiro-ministro não têm de ser religiosamente neutros.”

    “ser” é um termo ambiguo. O titular dos cargos de Presidente ou de Chefe do Governo pode obviamente ser o que quiser, mas enquanto representa o Estado, deve agir de maneira a respeitar e fazer respeitar a neutralidade do Estado prevista no artigo 41° da constituição.

    Pode discutir-se em que circunstâncias é que esta obrigação o impede de manifestar a sua fé, ou alias a ausência dela, mas a obrigação existe.

    O resto OK

    Boas

  10. João, quando escolhi a palavra “neutro” não era no sentido de imparcialidade mas de indiferença. Obviamente que o tratamento e os direitos concedidos devem ser iguais a todas as religiões. Mas esse imperativo deve vigorar tanto nos países laicos como Portugal como nos países confessionais (Malta, Suíça, Dinamarca, Noruega, etc.). No entanto a pessoa do presidente ou a pessoa do primeiro-ministro não têm a obrigação de mostrar indiferença religiosa, de mostrar uma faceta esterilizada da pessoa que são.

  11. Caro Pinto,

    E’ verdade que as regras em Portugal nem sempre são claras, mas a laicidade costuma ser interpretada como exigindo de todos os agentes publicos o dever de não manifestar, no exercicio das suas funções publicas, a sua religião ou as suas convicções religiosas. Isto não pode obviamente ir até obriga-los a ocultar ou fazer desaparecer quaisquer vestigios das suas actividades quando não esta em funções (podem ir à missa ao domingo, etc.), mas enquanto exercem funções, devem abster-se de manifestar as suas crenças. Em França a exigência vai até à proibição de usar (em serviço) trajes ou adornos, mesmo discretos, que os identifiquem com uma religão em particular.

    Neste aspecto, julgo que a neutralidade implica mesmo, pelo menos em serviço, que os agentes publicos, e também o Presidente e o Chefe de Governo, mostrem uma faceta de alguma maneira “esterilizada” da pessoa que são.

    Esta questão é obviamente melindrosa. Ha “laicistas” que pretendem tirar da regra acima exposta a ideia de que a manifestação de crenças religiosas deveria por principio ser banida do “espaço publico”. Esta tese é quanto a mim inaceitavel e favorece discriminações que, a meu ver, são inconciliaveis com o principio da laicidade. Para além disso, concedo que a interpretação acima da regra da neutralidade do Estado não é necessariamente a mais racional (em que medida é que a obrigação feita aos funcionarios de esconderem as suas crenças constitui uma garantia eficaz que eles se vão comportar de forma realmente neutra ?). No entanto é a que vigora nos paises laicos”, nomeadamente em França que é o exemplo que conheço melhor.

    Para terminar, não conheço argumento decisivo para afirmar que ha mais tolerância nos Estados laicos do que em Estados tolerantes não-laicos, como o RU ou a Alemanha. Tanto quanto percebo, a escolha de um ou outro modelo tem razões essencialmente historicas, que geralmente se prendem com a existência (ou não) de uma religião hegemonica (em Portugal a igreja catolica).

    Boas

  12. Por qué criticar o Islão, por qué o debate do lenço na cabeça, por qué falarmos da situação da mulheer nos países islámicos?, por qué temos de falar nos países religiosos islámicos nos qu estão unidos religião e poder?. Se todo é o resultado da liberdade da mulher de ir com os fatos que quiser, para que falarmos de novo, e voltar o mesmo sempre.
    Ainda não estamos já situados, na post-revolução francesa e na revolução do 68 na reivindicação do corpo humano e na igualdade de homens e mulheres. Temos que voltar ainda lá pa trás e andar com mixordias que levam a confusão de igualar ser adepto do Benfica ou católico na figura dum Presidente da República representando a um Estado. Estamos na deturpação no debate para arrimar a brasa a nossa sardinha, bem se vê.

    Por vezes é um arrepío as pérolas que aquí se ouvem, seja dito com todo respeito, a respeito de certos asuntos bem fundamentais do pensamento político-social contemporâneo.
    Não tudo é igual. Essa maneira de terem as mulheres para presentaren-se no Vaticano é uma exquisitão que quer fazer ver ou visibilizar para o mundo o que deve ser um modelo de mulher na forma de vestir. Então a guapa senhora Trump o vestir outros fatos mais alegres, abertos y adequados os gostos de agora, está a pecar ou incitando o pecado?

  13. João, é uma pessoa que tem clara predisposição para o diálogo, para a troca de ideias e nota-se que perde tempo em reflexão sobre o que se passa e não meramente na reprodução dos clichés de bolso. Como tal vou tenta, de forma empenhada, mostrar qual, na minha opinião, é o alcance da liberdade religiosa no que toca à liberdade de manifestação dos políticos na execução dos seus cargos.

    Se há amalgama que a União Europeia não consegue minimamente uniformizar é a relação dos respectivos Estados com as religiões. Jorge Miranda, empenhado europeísta, num esforço hercúleo para dar um ar de mínima uniformização, divide a coisa em três : a) Identificação entre Estado e religião, entre comunidade política e comunidade religiosa (Estado confessional); b) Não identificação (Estado laico); c) Oposição do Estado à religião. E então tenta colocar todos os países da UE sob a epígrafe de “Estado laico” com tantas subdivisões que quase dava uma para cada país da UE. A pretensa forçada de colocar um país como Malta (art. 2.º, 1. The religion of Malta is the Roman Catholic Apostolic Religion) no saco dos estados laicos não me parece concebível. Para não falar do facto de serem os próprios países a não se denominarem como Estados laicos.

    Mas o artigo de Jorge Miranda, com brilhantes e acutilantes conclusões jurídico-constitucionais, não veio por acaso. O primeiro aspecto que devemos ter em consideração é o momento. Numa altura em que tudo apontava para uma certa tranquilidade e estabilidade filosófica, ideológica, jurídica e política da relação dos estados com as religiões, eis que o tema volta novamente para cima da mesa. Por causa do islamismo? Por causa do judaísmo? Por causa do ateísmo de Estado dos países comunistas? Não. Por causa da oposição do Estado à religião de concepção essencialmente ateísta e socialista. Oposição essa que cavalga lenta, suave mas perigosamente. E que convoca os constitucionalistas a nova reflexão. E veja-se onde Jorge Miranda coloca a tónica.

    A Declaração Universal, de 1948, declara que “Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião: este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou a convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos

    Os negritos e sublinhados são meus e não são por mero acaso. A declaração prescreve que todas, repito, todas as pessoas têm a liberdade de manifestar a sua religião. Não há restrições para políticos, juízes, médicos, polícias, militares, jogadores de futebol ou empregados de armazém. Todos têm essa liberdade.
    Toda a lei que vá no sentido de proibir essa manifestação – proibir o uso de um símbolo, o recurso a uma expressão religiosa (graças a Deus), proibir um gesto – incrementa, não a tolerância, mas a intolerância. Quando a França – ex libris desse ateísmo fundamentalista de cariz socialista – proíbe o político de usar um crucifixo, não está a promover a tolerância. Está a promover a intolerância religiosa.

    E é por isso que Jorge Miranda nos ensina que a “separação não determina necessariamente desconhecimento da realidade social e cultural religiosa, nem relegar as confissões religiosas para a esfera privada. A existência das confissões e das suas atividades não pode ser ignorada” (p. 27). E mais à frente explica que “Laicismo significa desconfiança ou repúdio da religião como expressão comunitária e, porque imbuído de pressupostos filosóficos ou ideológicos (o positivismo, o cientismo, o livre pensamento ou outros), acaba por pôr em causa o próprio princípio da laicidade. A França e Portugal conheceram esse estado de espírito aquando das suas leis de separação” (p. 28).
    Mais à frente, e após um apanhado da evolução constitucional da liberdade religiosa, Jorge Miranda ilustra o alcance do art. 41.º da nossa Constituição: “A liberdade de consciência, de religião e de culto é inviolável (art. 41º, nº 1). E ela compreende: – A liberdade de manifestar a religião, separadamente ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto ou pelos ritos” (p. 37).
    E então Jorge Miranda, no claro intuito de impedir a nossa jurisprudência de resvalar por caminhos pantanosos como os casos francês e belga (sabendo de antemão que a letra da Lei Constitucional já é por si radical, como o caso do n.º 3, do art. 51.º que impede que em Portugal exista um Christlich Demokratische Union Deutschlands no nosso país), define doutrinalmente os pontos norteadores da liberdade religiosa consagrada na nossa Constituição:

    a) Assim, o princípio da laicidade ou da não confessionalidade do Estado exige, antes de mais, por respeito pela liberdade de todos os cidadãos:
    (…)
    – Um dever de reserva dos titulares de cargos públicos (até para se atalhar a aproveitamentos incorretos num ou noutro sentido), o que não os impede, naturalmente, de, como quaisquer cidadãos, professarem em público as suas crenças;
    (…)
    – A ausência de símbolos de qualquer religião em edifícios públicos, salvo quando tenham caráter histórico ou correspondam a arreigada tradição cívico-cultural, variável de região para região
    (…)
    b) Tal como requer, por respeito pela liberdade dos que têm religião:
    (…)
    – A inadmissibilidade de proibição de uso de símbolos religiosos por funcionários e agentes de entidades públicas, bem como por alunos de escolas públicas, e até do uso de trajos identificados com uma religião, desde que tal não revista intenção ostentatória e provocatória ou ofensiva da dignidade da pessoa humana
    (pp. 42 e 43).

    Note-se o que pretende Jorge Miranda com este artigo: i) Que todos os cidadãos possam manifestar livremente e em público as suas crenças e convicções religiosas. ii) Que a empreitada proibicionista de crucifixos nas escolas (como se de símbolos maléficos se tratassem) tenha a trela curta.
    Jorge Miranda percebe claramente onde reside o perigo na Europa e quer assegurar, com a produção de doutrina, que a liberdade religiosa impere sobre as novas tendências intolerantes, proibicionistas e perigosas se expandam. E aqui cabe pôr o dedo na ferida: tendências de matriz socialista, ateísta e, obviamente, nefastas.

  14. Pinto, o problema é que se consente o crucifixo, por exemplo, numa escola pública, então para haver equidade, tem que se permitir os simbolos de todas as outras religiões ( maxime, a estrela de David, e por aí adiante,) e, inclusive, o simbolo dos ateístas, que é o que se mostra a seguir :

    https://www.google.pt/search?q=o+s%C3%ADmbolo+do+ateismo&client=safari&hl=pt-pt&prmd=inv&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwiN9aW35I7UAhWEtBQKHeRrDeQQ_AUICSgB&biw=1024&bih=672#imgrc=rlV_I5PVmATbpM:

    Ora eu não estou a ver a Igreja Católica a ficar queda e muda . Além disso, ficaria uma parede de sala de aula bastante pesada, tipo capa de estudante de Universidade Facilitas Totus Tantum .

    Um outro aspecto, e este desagradavel em especial para crianças até aos 12, 13 anos, é que, geralmente, Cristo é mostrado cruficado na cruz e com ar de grande sofrimento, um ar de grande agonia .
    Ora sabemos, que Cristo vive, e que está muito bem, pelo que Cristos crucificados é coisa que para cristãos com religiosidade esclarecida, e alegria de são e saudável cristianismo, é coisa que deve ser evitada . Deus não gosta de superstição, e Cristo também não.

    Eu, por exemplo, quando andava na catequese, ( obrigatória nos anos pesados do catolicismo dos anos de 50 e sessenta, ) cheguei a ver imagens de slides com pessoas com o coração cheio de manchas negras . Era explicado que se tratavam dos pecados . Ora isto é pura ignorância e superstiçao .

    Logo que tive ensejo, abandonei a Igreja Católica Apostólica Romana ( que em suma é tudo o que restou da velha Roma ) e embora me considere um cristão e admire alguns vultos como o actual Papa e outros vultos de qualidade e autenticidade cristã, de origem nacional ( e mais pela prática da caridade, do que pela exibição da intelectualidade ) afasto-me do clero obscurantista e retrógrado, carreirista, e reacionário, predominante nos meios rurais .

    Em face de tudo o exposto, o melhor seria que nenhum símbolo fosse exposto exteriormente, e assim todos se respeitariam .
    O que cada um é interiormente, é que conta, não são os sinais exteriores .
    Estes, muitas das vezes, servem fins de exibição de vaidades .

  15. Caro Pinto,

    Obrigado pela sua resposta. Vou ler o artigo do Jorge Miranda, com certeza com grande proveito. Julgo que v. exagera quando diz que nos Estados laicos triumfou uma visão militante, e de certa maneira contraditoria, da laicidade. O caso francês é emblematico : embora pouca gente o saiba, a lei de 1905 é uma lei de compromisso. Inspira-se no relatorio de Aristide Briand, que era na altura um moderado. A lei consagra claramente a liberdade de culto, inclusivamente no espaço publico. A jurisprudência do Conselho de Estado alertou muito cedo contra a visão maximalista do principio da laicidade e tem-se pautado por uma visão bastante equilibrada, que acolhe totalmente as preocupações expressas no seu comentario e a necessidade de proteger a liberdade de crença e a liberdade de culto. A opinião de 1989 acerca do véu na escola, ou mais recentemente o estudo de dezembro de 2013 em resposta a um pedido do “Défenseur des droits” mostram que esta tradição continua bem viva. Se ler francês e se lhe interessar, posso dar-lhe as referências destes textos.

    Em Portugal, embora conheça menos os pormenores da jurisprudência, julgo que também ha uma visão equilibrada, que faz com que o principio possa ser invocado por quem pretende proteger o direito de crença. De resto, o artigo 41 da constituição põe nitidamente a tonica na protecção da liberdade religiosa.

    Mas é claro que, tanto em França como em Portugal, existe também uma corrente laicista “fanatica” e eu percebo perfeitamente o seu espanto perante os excessos desta corrente “fanatica”. Quanto a mim, eles devem-se ao menosprezo da dimensão religiosa em nome de um pseudo-“racionalismo” militante sem grande capacidade de discernimento. E’ completamente impossivel (e profundamente irracional) pretender ignorar, ou relegar para a esfera privada, a dimensão religiosa da pessoa, que existe em qualquer pessoa humana, inclusivamente nos ateus (como eu). Impossivel e contraditorio, porque ao procurar fazê-lo, na realidade acabamos sempre por transferir uma parte importante das nossas liberdades fundamentais (nomeadamente a liberdade de pensamento) para um Estado idolatrado, que tem muito de “religioso” sem no entanto assumi-lo…

    Boas

  16. A defesa do fanatismo ateu, perdão, minimalista em Portugal ficou a cargo de Vital Moreia, cujas raízes ideológicas são sobejamente conhecidas. Ele ainda hoje defende a teoria da redução da religiosidade à esfera privada. Mas caramba, sejamos frontais, o objectivo dessa pretensão é a remoção da religião e não a liberdade religiosa. Vital Moreira não defende a liberdade política na perspectiva de cada qual apenas poder expressar a sua ideologia em privado. Vital Moreira não defende a proibição de comícios de rua, nos órgãos de comunicação social e a ostentação de bandeiras do PS ou do PSD.
    Defender a redução dos nossos pensamentos, das nossas ideias, das nossas crenças, sem possibilidade de as manifestarmos de forma total, aberta e plena, não é mais que uma forma camuflada de repressão da liberdade.
    O pretexto é a igualdade. Mas é isso mesmo que está em causa? Se eu visitar a Coreia do Norte levo a minha fé comigo. Levo-a na minha consciência. Não posso é exteriorizá-la. Lá sim, há plena igualdade de tratamento entre religiões. Ou seja, tratamento zero para todas elas. É a visão minimalista em todo o seu esplendor.

    Na França começou-se com a história do véu. Passou-se para os crucifixos (em homenagem à igualdade). Na Bélgica já houve propostas no sentido de se proibir símbolos religiosos em cemitérios. E, passo a passo, vamos direitinhos no caminho da repressão, da censura, da coerção da liberdade.

  17. Caro Pinto,

    Com o devido respeito, julgo que v. esta a agora a resvalar. Não li o que diz o Vital Moreira sobre o assunto. Pode ser que se junte aos “laïcards” e deve então ser criticado. Conheço-os bem (os “laïcards”) e sei por experiência que é quase sempre possivel demonstrar-lhes que o conceito que têm da razão esta inquinado, por forma a reconcilia-los com os verdadeiros principios da laicidade, que são de facto a tolerância e o respeito. So ha dificuldade quando a eles adoptam uma postura meramente oportunista e instrumentalizadora, como a da Frente Nacional em França.

    Quanto ao resto, concordaremos provavelmente com isto : o principio da sabedoria, neste aspecto como em tantos outros, é realizar que não estamos na Coreia do Norte.

    Boas

  18. A opinião de Vital Moreira ficou bem espelhada no voto vencido do acórdão n.º 423/1987 do Tribunal Constitucional. E de resto nalguns artigos de opinião por aí fora.
    Ele não defende uma Coreia do Norte. Mas não defende uma liberdade de culto verdadeiramente livre na latitude que é dada pelo art. 18.º da Declaração Universal dos Direitos do Homem.

  19. “A opinião de Vital Moreira ficou bem espelhada no voto vencido do acórdão n.º 423/1987 do Tribunal Constitucional.”

    yah… nota-se bués na declaração do vital, que votou contra a alínea a) e a favor das b) e c).

    “Votei contra a alínea a) das conclusões. Desde logo porque entendo que o regime estabelecido no diploma em causa afronta o princípio da separação das igrejas e do Estudo e o princípio da não confessionalidade do ensino público, expressamente consagrados na Constituição (artigos 41.º, n.º 4, e 43.º, n.º 3).”

    quem estiver interessado em ler o resto da declaração de voto para avaliar a capacidade de aldrabice do cromo acima é seguir o linque:
    https://dre.tretas.org/dre/42644/acordao-423-87-de-26-de-novembro

  20. Uma curiosidade, Penélope: Trudeau e esposa tb visitaram o Papa por estes dias; a senhora trajou como as Trump ( vestido e véu pretos ). Porque será que ninguém reagiu ?

  21. Alves Reis: Não sabia, mas vou reagir à notícia que aqui nos traz: é ridículo e, pior do que isso, é considerar as mulheres não mais do que umas Evas.

  22. Certo! A foto a que tinha tido acesso não tinha definição para me aperceber da diferença. Em qualquer caso trata-se de um fait-divers, pois no essencial a senhora cumpre o protocolo: vai de preto e coberta.

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