Arrotar num roteiro

Levar-nos-ia muito longe o que Cavaco afirma no prefácio a mais um Roteiro. Por exemplo, e só para nos ficarmos por bem perto, a opinião de que o seu sucessor deve dominar bem a política externa. Ter experiência nessa matéria.

Ora bem, comecemos por lhe olhar para a cara, já que é ele que escreve. Ter experiência como ele? Ou como ele não tinha? Perguntamos e perguntamos também. Estas perguntas ficam pairando no éter, dirá um alentejano atordoado com esta nova sentença de Belém. No entanto, como temos consciência de que dificilmente o próprio algum dia reconhecerá um defeito que seja na sua pessoa, é de crer que, em seu entender, o seu sucessor deva possuir a experiência que sua Eminência possuía, e que tão bem aplicou, derivado, diria o povo, do exercício do cargo de primeiro-ministro durante largos anos. Só esta convicção o poderá ter levado a proclamar tal desidério. Caso contrário, estava calado.

E em quem estaria o homem a pensar? Em algum ex-primeiro-ministro? Ex-ministro dos Negócios Estrangeiros? Ou acordou nesse dia a lembrar-se do Machete e vai daí? A resposta pouco interessa, até porque a mais provável é esta: não está a pensar em ninguém. Está, sim, a pensar em surpreender o pagode de modo a que muita gente passe a estar entretida a discutir o mistério e as insondáveis intenções do presidente ao caracterizar o seu substituto. Isso chega-lhe.

Quanto aos seus bastos conhecimentos em matéria internacional, que presumivelmente servirão de inspiração a um sucessor, apraz-me dizer o seguinte: se o seu brilhante e exemplar desempenho como PR em matéria de política externa e de defesa dos interesses do país foi o de submissão incondicional aos ditames (e interesses) da Alemanha, em pandã com este governo (como ele quer que continue a ser), estamos demasiado bem esclarecidos para perdermos muito tempo. Infelizmente, algum temos que perder. É certo que ele e o Governo não provocaram agitação na Europa, não questionaram a mínima alínea do programa, nem perante resultados catastróficos, esmifraram mesmo mais o Zé Povinho do que aquilo que lhes pediam, mas o país, o que ganhou com isso? Que interesses foram defendidos? Que interesses defendeu ele no nervo do problema, que é a Europa? Estamos bem? Estamos sequer benzinho? Livrámo-nos de algum fardo, de algum garrote? Estancámos a hemorragia de quadros? Não, nada. Pelo contrário. Assim sendo, o Presidente deveria ter tento na pena e não escrever patacoadas na linha da sua célebre teoria segundo a qual todas as mentes inteligentes debruçando-se sobre uma mesma questão chegam às mesmas (as suas) conclusões. Isso devia acontecer em Boliqueime em 1950.

O que eu acho é que Cavaco não devia ter interrompido os estudos tão precocemente só para ir ver o mar bravo da Figueira da Foz. E depois, fica a pergunta: não estava Sócrates a defender os interesses nacionais quando este mesmo PR decidiu proclamar alto e bom som que havia limites para os sacrifícios que se podem pedir aos cidadãos, só para lá pôr um governo que pediu ainda mais, muitos mais, insuportavelmente mais sacrifícios?

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Não incluída no Roteiro, e é pena, está a declaração desta Eminência de que o facto de Passos Coelho, o primeiro-ministro que mais sobrecarga fiscal impôs aos portugueses e que mais implacável se mostrou na sua cobrança, não ter cumprido durante vários anos as suas obrigações fiscais e para com a Segurança Social, como noticiado fundamentadamente por um jornal, é uma querela político-partidária, própria de um período pré-eleitoral. É pena que esta visão da política e da ética não conste do Roteiro, porque é digna de registo e devia constar, assinada, de algum documento escrito, com ou sem rota.

Cavaco canta bem mas não encanta. Porque sabemos bem que as irregularidades vindas a público em relação à Quinta da Coelha e à compra e venda de ações do BPN também se enquadram, para ele, nas querelas político-partidárias. É assim que ele quer que seja. E olha que bem que tem vivido com isso! Este homem tem-se como exemplo e até dá conselhos. O problema é que cheiram mal.

29 thoughts on “Arrotar num roteiro”

  1. Este gajo baixou de tal maneira a fasquia para o que espera de um presidente da República que, a seguir, podia vir o Emplastro que não se notava a diferença…

  2. Mais uma lição de sapiência de sua exa.
    A convicção com que atira para o ar estas patacoadas faz-me pensar que estamos diante dum predestinado, profeta e sábio.
    Ao que isto chegou…
    Até quando? Com o que gasta dos cofres públicos, não terá assessores, conselheiros, etc, que lhe preparem as “bocas” ?
    Nunca esperei muito deste personagem, mas agora está a surpreender-me…

  3. Que sentido faz numa República centenária, vir o mais fraco presidente
    fazer definições sobre o perfil de um Presidente ?
    Recandidatou-se fazendo referência aos seus bastos conhecimentos de
    economia, ainda conseguiu enganar 24% dos eleitores que nele votaram
    pois, em nada ajudou o País pelo contrário, por omissão, contribuiu para
    a vinda da troika com um memorando cuja, austeridade foi duplicada pe-
    los estarolas que ele empossou, baseado numa maioria que há muito dei-
    xou de ter qualquer apoio popular!
    Está mal explicada a sua “grande” experiência internacional, foi assim que,
    em Praga comeu e calou do seu grosseiro anfitrião, com alusões desloca-
    das sobre a nossa economia! Por outro lado, não está explicada a trapalhada
    que se passou na reunião da CPLP em Timor, engole-se um sapão só para
    não tirar o brilho ao evento ? Serão os “meetings” de Arraiolos ?
    Tudo não passa da magna preocupação em escrever a história à sua maneira,
    para mais tarde dizer cheio de alarde que já havia escrito há muito tempo !!!

  4. hum, pois tendes todos razão. O home é, de facto, intragábel. E a mulhere, ai a esposa, a sua sinhóra, uma hillary, uma hillary. Serrá que já aprendeue a escolhere toalhas de mesa condizentes com a sua posiçãoe política?

    Nunca me esquecerei do dia em que os bi a todos – netos e todos – no balcão do palácio, a acenar aos 19%….aquilo era realeza, cultura e pseudo-soberania.

  5. Ignatz, espeta isso ao naumbênada, vai aguardar pelos próximos capítulos e ver aos poucos as manhas pruxuexais que não queria ver.
    E isto do Carlos super já era denunciado desde Novembro no Tesouros à Tonelada.

  6. Os Passistas, Ceguetas e Retornados, nunca gostaram do Cavaco. Na realidade lêem da mesma cartilha mas têm a mania que são chiques.

  7. maria, já se sabia há bués, mas só agora foi apertado.

    leão, é técnica, dizem que não gostam, mas votam e apoiam a merda que faz.

  8. Ora beie, enquanto arreio o calhau, e penço em bós, IGNORANTEZES e assistente Marria, debo dizerbos e lembrarbos que num bejo as manhas jurnalisticas. Já bos diçe bezes sem conta que o pruxecho é que manda. Já fizestes o requerimentu, hum? ora bocês inspiram-se nos linques e nas nutícias, acreditais no que bos dizem, abanssem prá frente, bá, tirem o homem do xilindró. a murreirita já bos deue umas ideias, foi ao indice de um libro de penal e sacoue tudo o que á lá sobre principios de dirreito. Abancem cum o requerimento, bá.
    oqueie, aí baie em honra bossa, cum tom esberdeado, queu hoje cumi esparregado cum morssela. agradesso a bossa atençãoe a tudo o queu escrebo e prufiro. oqueie. Ignatezes, o maior baie pra tie, mereçes, pela purcaria que pruferes no dispençario. ai baie. oqueie.

  9. A jogada do coiso-de-boliqueime é simples: perdidamente apaixonado pelo seu merdoso umbigo, que entende como dádiva dos deuses ao planeta (eventualmente à galáxia), e vendo-se daqui a pouco mais de um ano afastado da ribalta, ambiciona um tacho de prestígio que lhe permita continuar a pavonear-se entre gente importante. Já não lhe chega o nosso modesto e depauperado quintal e o coiso ambiciona a arena internacional, onde todos ficarão maravilhados com suas excelsas qualidades, pensa ele de que.

    Vai daí, arrota (ou será antes arroteira?) uma posta de pescada à medida de outro desqualificado com tão pouca vergonha na cara como ele, criatura habilidosa e bem entrosada nos corredores e capelinhas da tacharia internacional, que poderá ajudá-lo, mais uma vez pensa ele de que, a subir ao palco. E eis o cherne maoísta em todo o seu esplendor, inequívoco destinatário da lambidela, ainda que alguns ingénuos (?) pretendam juntar ao ramalhete o Guterres e o Vitorino, assim disfarçando a subtileza de elefante do mais sublime umbigo da galáxia.

    É bom não esquecer que o rancoroso-de-boliqueime é doutorado em esperteza saloia! E convém ainda lembrar a sabedoria do botas-de-santa-comba, que rezava assim: “Em política, aquilo que parece é.” O flato que Sua Excremência agora largou não passa disso mesmo: politiqueirice pura, que é como ele, politiqueiro rasteiro que despreza “os agentes políticos”, entende e pratica a política.

    Elementar, meu caro Watson… perdão, minha cara Penélope.

  10. pois pois numbêsnada, agora chama-lhes manhas jornalisticas. Então tudo o que os media escreveram sobre Sócrates não são manhas jornalisticas? Só mesmo tu para desviar o assunto.Tu já nem sabes onde te meter pá, vais levar tamanha coça mental, tu e os teus superjuízes que passas a ver tudo claro. Até mudas de niqueneime.

  11. Ò IGNORANTE, bá manda aí os DOIS requerimentos, atãoe? como andase o ano todo com o intestino prezo, pá, e o calhau te saie pla boca , toue a bere o cuntaúdo da tua burrissse, ó vadalhócu. Foste enxertado na merdeland, num há dubida

  12. Ó tipa MARIA, oiça, aprendaa ler e a refletir. Então, vocês seus ignorantes, contestam as manhas dos jornais, aventam o preconceito, inventam sentenças de absolvição, estão tão cheios de argumentos – os vossos -, não entendem pataca do assunto, remetem-se a links, e vêm agora com a torneira mental do desvio? Aprenda a ler, a analisar, e mais uma vez, tire a mão da anca. Remeta-se ao PROCESSO, sua ignorante, e já que tem tanta certeza de TUDO, ponha o homem cá fora! Consegue? Não. Sabe porquê? Porque assuntos sérios cuidam-se com tacto, sapiência, prudência – SABEDORIA. You just don´t fit. Quando não enquadra uma opinião contraria e a respeita, ( e como o faria, se não lê nem compreende?), só tem que aceitar que a gozem em toda a sua dimensão. Carneiros, só de signo, minha cara, ou então, no prato.

  13. Ó senhor Mouraz Lopes, Associação Sindical dos Juizes Portugueses, senhor Alcides, senhor Mário, vulgo nambêsnada. Senhora Joana, senhora paula, senhores magistrados, polícias e caceteiros.
    Vocês estão convencidos de que alguém lúcido distingue entre as manhas jornalísticas e as manhas processuais? Já todos entendemos que são as mesmas manhas, as jornalísticas e as processuais.
    Assim sendo, senhor Mouraz Lopes, etceterera e tal, vulgo nambêsnada, Que raio de manha jornalística/processual virá daí agora para que a Joana, vulgo MP, entregue a cabeça do Carlos?
    Isto só pode ter um significado. A manha do Rui Cruz e dos tugaleaks não surtiu efeito. Não era ainda oportuno oferecer a cabeça do Alcides.
    Se não entenderes isto, ou tiveres que fazer a parte de que não sabes o que se passa nos corredores da ”maçonaria”, diz. Eu explico.
    Mas fico-me com a ideia de que tu és um chavalito. Sabes a missa pela metade que te interessa.
    Tu ainda não entendeste que a gente, nós, as bestas asininas que não andaram na tua escola, já sabemos a missa toda, da frente p’ra trás e de trás p’rá frente?
    Estávamos activos no PRC, estás a ver?
    Agora podes responder em linguagem. Escusas de usar o latim erudito.

  14. Ó maria, pázinha, toma lá esta: cala-te, pá, põe unguento, queu nu rezolbo os teus pruvlemas, minha. Já ta diçe que só pudemos discutire se tiberes ao mesmo níbele, cumu num estás, tens de lebare com a belocidade xaloia, que é a que tá ao teu nivele, pá. tirra a maão da anca, pá, já debes ter nódoas de tanto apeicheirare, tá beie? ganda supeirra. oqueie.

  15. oube, istás avaixo do nibel da ignoranssia pá, definitibamente. cala-te, baie fazere renda, sua comuna xucha ou bere o prugrama do góxa ou da outra parba, debes ser deças, ebidentemente. cuntigu num çargumenta, cuntigu goza-se, tá beie? oqueie.

  16. Ó cegueta! Experimenta fazer uma experiência.
    Vai lá fora. Vira-te para a torre do campanário que está à tua frente.
    Agora olha à tua esquerda. Nambêsnada mas se visses verias o poente. Agora olha em frente. Nambêsnada mas se visses verias o norte. Agora olha à direita. É o nascente. Se visses para trás, verias o sul.
    Agora repete. Mais depressa. Fecha os olhos que não precisas deles. Mais depressa. Mais depressa.
    Agora abre os olhos!!!!
    Estás a ver quem eu sou?

  17. tò chim, marria, e neie boue iscrebere que num querro atacarre o curação das pessoas, pá. pelo menus rapabas as pernas, fogu. oqueie.

  18. Ahahahah! Anónima! Mais uma careta! Mostra a coisa, senhora! Uma coisa anónima não consegue arranjar serventia. Ahahahah!
    Ó numbêsnada! Ainda não entendeste que nós somos uns tugaliques? Estás fo…, perdão, tramado!
    Agora olha p’ró norte! Eu estou no sul, atrás de ti.
    Vamos fazer de contas que eu sou o sindicato da guarda prisional e que tu estás no banho com o Cristóvão.
    Tás a ver, cegueta?
    Pensas que por fazeres parte do sindicato te safas…

  19. Aie ó Maria, andase mesmo à nora, oube, eue estoue pur cima, mas num é de tie, fogu, fogu, debes tere as ancas todas calejadas, e peludas, xiba-se. oube, eue toue acima de tie, logu, para olharre nessas direções todas ca tua povre cabaça dize, eu tinha ca istare ao mesmo nibele, tás abere? Poisé, num pode sere.
    tu lá saves das trazeiras, e da ótica de traze, a gente já bimus içu, claru. oqueie.

  20. Ficaste à nora, ó cegueta!
    Ainda não nos disseste que bigode viste quando olhaste p’ra trás, para sul, a partir da frente, do campanário que vês logo que sais de casa.
    Ahahah! Mais facilmente se apanha um cego do que um coxo.

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