Ao nível da «abstenção violenta»

Não vi o debate de ontem. No entanto, ao jantar, não deixaram de ser tema de conversa as circunstâncias que o motivaram. Um dos presentes declarou precocemente que queria inscrever-se como simpatizante do PS para votar Seguro, só que não tinha ainda conseguido. Que contrariedade. Nós, os outros, em coro, menu depositado de novo na mesa, já que se adivinhava borrasca: «Ainda bem, homem! O Seguro? Estás a ver bem a personagem?” Que não estávamos a perceber, respondeu. «Eu não quero é que o PS ganhe as próximas legislativas. Prontos. Não gosto.» Claro, evidentemente, um votante habitual do PSD ou do CDS, daqueles que dizem que votam, embora não votem, variadamente, segundo a avaliação do momento. Como pudemos esquecer-nos do outro desígnio destas primárias, tão ou mais importante do que a acusação de traição?

Esta historieta parece inventada e posta aqui só para documentar a minha tese, partilhada por meio Portugal pelo menos, de que a manutenção de Seguro à frente do PS é muito mais de meio caminho andado para a coligação PSD/CDS ganhar as eleições em 2015. Mas a historieta não é inventada, aconteceu mesmo. E se já antes do episódio das primárias havia o risco de o Tozé não conseguir ganhar a Passos (razão pela qual foi desafiado no seu cargo, aliás), após estes quatro meses patéticos e desgastantes, não vão restar dúvidas. E o PS cindir-se-á antes disso.

Entretanto, leio nos jornais que o Seguro teve uma tirada espetacular, do outro mundo. Declarou que, se, uma vez eleito primeiro-ministro, não puder baixar os impostos, demite-se. Imagino que tenham ouvido bem. Façamos o exercício de imaginar Obama, Merkel ou Cameron a confessarem tais intenções em campanha. Pois é. O planeta poderia ir abaixo de tanto rir e até o Estado Islâmico decretaria um cessar-fogo permanente por ausência de inimigo à altura.

Não há comentários possíveis a este nível de declarações. A «abstenção violenta» já nos tinha alertado. Nada mudou e nada vai mudar. Este homem é um desastre ao volante. Mas está convencido de que é um ás. Quem nunca andou de automóvel com um tipo assim talvez tenha dificuldade em entender. Normalmente só há uma medida a tomar: abandonar o veículo na primeira oportunidade e para todo o sempre. Porque, se as chamadas de atenção, os sustos e os incidentes de percurso não funcionarem, e nunca funcionam, só nos resta mesmo deixá-lo enfaixar-se na próxima árvore. Mas sozinho, claro.

8 thoughts on “Ao nível da «abstenção violenta»”

  1. Olha impressionante…a figurinha que quer ir ao tacho que passa a vida a falar nele…NÃO VIU O DEBATE…mas fala nele…será que foi por ter ficado enjoadita da mediocridade do abutrezito Costa? Dá jeito não ter visto? Nem há videos nem nada…ela nem escreve em blogs nem nada…Até um Seguro chegou para o homem, que meteu pena assistir a tal má preparação, ficar engasgado sem resposta do Costinha…Num debate com Passos Coelho, o Costa seria esmagado…Mas afinal aquilo que ia ser um massacre do Costinha ao Seguro parecia a Albânia contra Portugal…

  2. A direita divide-se entre os que querem que o Seguro ganhe as primárias, para que o PS perca as legislativas ou, ganhando-as, se espalhe no governo, e os que dizem “antes o Costa”, temendo que o PS ganhe as legislativas em qualquer caso.

  3. Como simpatizante do PS, para votar em Costa basta-me que o Seguro seja tão querido no CDS, no PSD, no PC e no Bloco. Se o Seguro pudesse vir a ser (que não tem sido) um bom SG para o PS os adversários deste quereriam vê-lo à distância. E eles adoram-no. Porque será?

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