Ainda não vieram e já têm um tribunal à espera

Sempre prolífico em ideias brilhantes, António José Seguro lembrou-se de propor a criação de um tribunal especial para investidores estrangeiros.

Propomos a criação de um tribunal com uma competência especializada para apreciar os conflitos emergentes das relações contratuais onde está envolvido investimento estrangeiro”, anunciou António José Seguro durante uma sessão das conferências “Novo Rumo” dedicada à Justiça e à Segurança, num hotel lisboeta.

Seguro precisou que a futura instituição também deveria dedicar-se a julgar processos com empresas portuguesas, dependendo das verbas envolvidas, algo que seria definido consoante o contexto económico, por exemplo anualmente.

“Damos a garantia de que há um prazo máximo para resolver conflitos, proporcionando assim um ambiente mais propício, mais amigo, do investimento estrangeiro no nosso país, instrumento indispensável para criar mais emprego, mais oportunidades de trabalho“, declarou.

Ora bem, para além do que esta proposta nos diz e sobretudo do que diz aos putativos investidores sobre a subserviência do país (já que estamos de cócoras nas Chegadas do aeroporto, mantenhamo-nos nessa posição), sobre o mar de “conflitos contratuais” em que os investidores irão inevitavelmente mergulhar caso decidam vir até cá, sobre o funcionamento do nosso sistema de justiça em geral e sobre o que o PS pensa (e pelos vistos não pensa) fazer para o tornar mais eficiente, ágil e eficaz quando chegar ao poder, ficamos também a saber que Seguro se sente perfeitamente confortável com a discriminação implícita e explícita que tal sistema especial iria representar em relação ao restante maralhal doméstico. Ou seja, os cidadãos portugueses que se amanhem com a Justiça que têm, não há nada a fazer, e entretanto tratemos de reservar um tratamento judicial de luxo aos estrangeiros. Possivelmente a ideia é também dar garantias de que os senhores juízes se apresentarão bem vestidos, bem calçados e asseados, bem cheirosos e a falar, pelo menos, quatro línguas estrangeiras, duas das quais o mandarim e o híndi… Ah, e possivelmente a terem direito a um suplemento salarial por despesas de apresentação e representação.

Mas sou injusta. O sempre preocupado líder não se esqueceu totalmente das empresas portuguesas. E, para o provar, acrescenta umas patacoadas bastante confusas (segundo parágrafo supra), sem dúvida fruto de uma rajada repentina de preocupações que o assolou na hora, sofrendo, também ele, os efeitos da intempérie e querendo com ela sincronizar-se. Assim, os ditos tribunais julgariam também “processos com empresas portuguesas”. O que quer isto dizer? Que uma das partes tem de ser estrangeira? Ou processos com empresas portuguesas, mas apenas acima de determinado montante? Ou seja, as empresas portuguesas com negócios mais valiosos? E o que quererá dizer “definido consoante o contexto económico”? Definido o quê? O jornalista percebeu o que escreveu? O líder percebeu o que disse? Tudo isto me parece mau demais e o mais grave é que não me surpreende.
António José – sempre a tentar elevar-se acima de Relvas. Para desorientação de Marco António.

17 thoughts on “Ainda não vieram e já têm um tribunal à espera”

  1. Quer dizer: uma justiça para os indígenas e outra para os colonizadores….
    Não há dúvida. Temos que arranjar urgentemente um movimento de libertação !

  2. Se o PS não se cuida isto vai acabar mal. O que é que se passará com a orfandade do Largo do Rato que parece afogada num luto que se arrasta excessivamente. Como é possível que se aguente este trapalhão à frente do que já foi o maior partido português?!

  3. Apenas a confirmação, para além da discriminação face aos colonos, de que será para continuar, internamente, a discriminação em função dos montantes envolvidos… quem mexe em muito (saber-se-á como e porquê) continuará a ter tratamento VIP.
    Não resisto: bardamerda Seguro, e para quem o mantém no cargo…

  4. E um decreto que conceda perpétuo vencimento de causa a todo o estrangeiro e,entre estes,ao de nacionalidade com maior PIB ? Sempre era uma ajuda para a rapidez da Justiça, a eliminação de ruídos parasitas e inovava-se definitivamente em ciência jurídica,sem gastar um tostão com bolseiros!

  5. Pensar que o Seguro é a causa dos males do PS, é ser, no mínimo, naíve. Quem o elegeu secretário-geral, foram as mesmas pessoas que tinham elegido Sócrates. Logo, o mal deve estar na ideologia do partido e não nos líderes. Estes são, sempre, um reflexo dos apoiantes.

  6. SIm, mas qual é o problema? Já tinha informado o
    prof. Martelo que esteve uma semana desaparecido
    com gripe … agora, deve mandar um SMS a dizer que
    a malfadada gripe deixou graves sequelas no seu dé-
    bil pensamento!
    A sua afirmação passa por refazer tudo o que o PSD
    e apêndíce, desfazem até, o ganda nóia lhe dá uns
    “carolos” … é mau demais para continuar!!!

  7. Este governo mantém-se em funções, não por andar a ser levado ao colo pelo PR, mas por o PS ter, coniventemente, como líder um pateta.

  8. E daí…

    Se calhar o Tó Zé assistiu a alguma palestra sobre as feitorias coloniais, e ficou deslumbrado!

    Para lançar o assunto sugeriu as jurisdições especiais (“à maneira”) para “protegerem” os investidores. Na mesma linha – provavelmente na semana que vem – vai sugerir a instalação de tropa estrangeira com a mesma missão, reservando amarração para as canhoneiras em frente ao Terreiro do Paço.

    Pode ser que na confusão alguma se perca e rebente de ver com o Ministério das Finanças, que bem precisados andamos…

  9. Esta semana não deixaria margem para o prof martelada. Teria mesmo que cascar no governo…. Agora vem o Tózero dar-lhe uma oportunidade de levar uns carolos que até vai dar dó! É chato dizer isto, mas mais parece que esta ideia foi germinada após um almoço bem regado. Não há pachorra…!

  10. Só nos faltava mais esta:António José Seguro,a querer competir com o imbeciloide do Marco António Costa,sobre o qual, o Dr.Miguel Veiga,já disse tudo o que era necessário saber acerca da espessura do esbirro.AJS,não se enxerga?O PS,não acorda?Estamos Fo…..!

  11. eu não consigo ouvir os “dois fanaticos dos popos (fdp) de nome;marco antonio e nuno melo.a narrativa que utilizam é uma vergonha e não é contrariada por ninguem fora dos blogues.a rtp substituiu o pros e contras por um programa com rui moreira.a democracia da direita é isto! era fundamental um debate a serio na tv,com cronometro entre silva pereira ,e o lider do psd,para a narrativa ser de uma vez por todas destruida.

  12. “Seguro defende “gestão global” da costa para travar avanço do mar”…..(http://www.jn.pt/paginainicial/interior.aspx?content_id=3677066)
    É outra de hoje…
    Esta lembra-me o capitão Vasco Muscoso de Aragão, personagem principal de ” Os velhos Marinheiros” de Jorge Amado….
    Quantas ancoras deito para segurar o navio ? Todas
    Com quantos cabos amarro o ITA ? Todos os cabos…
    Foram com certeza estas ações totais/ globais que protegeram o navio e o salvaram…
    E para que são precisos estudos de cientistas, geólogos, especialistas de litoral; se o argumento ( que até pode ser válido!) do pescador é que é citado ? Os bolseiros que se cuidem!
    Não digo mais nada… Vou esquecer e que se lixem as eleições. Isto dói.
    No Seguro, jamais !

  13. Num anúncio duma imobiliária dizia-se: reformados e pensionistas que queiram estabelecer a sua residência fiscal em Portugal têm isenção fiscal durante 10 anos (enquanto aos reformados nacionais se vai extorquindo o máximo com a CES). AJS propõe tribunais especiais para investidores estrangeiros (diz-se ele (AJS) “socialista” e “republicano”). Dois exemplos notáveis de luta contra as propostas da extrema direita francesa sobre a “preferência nacional”.
    O futuro ė radioso e os portugueses nem realizam quanto devem a esta “elite” iluminada.

  14. Sintomático de como A.J. Seguro não tem a menor noção do que seja um estado de direito democrático… Papagueia as mesmas ideias pós-modernas (ou retro) sobre os “empresários” e as “empresas” e a “atracção de investimento” e a “competitividade” que a direita defende. Não há “trabalhadores” no léxico do PS. Cada vez que o ouço tenho vergonha de ser do PS. Ou melhor tenho é vergonha do PS nada fazer para remover rapidamente esta nulidade intelectual e política que mancha a história do partido.

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