A santa aliança

henrique neto

Há, pelos vistos, um grupo de apoiantes de Seguro que decidiu assumir convictamente a narrativa da coligação (recordo que a mesma tem tido porta-vozes como Nuno Melo e Marco António Costa, Rangel e Teresa Leal Coelho) sobre o governo de Sócrates: um descalabro, um desastre, uma culpa individual irredimível, crimes mesmo. O grupo emitiu hoje um manifesto em que os seus autores soltam todo o ódio acumulado e reprimido. Estão, obviamente, no seu direito. Noto, porém, que são avessos a especificações, explicações e enquadramentos. O que não é de admirar. Se não fossem, lá se lhes ia a narrativa. Suas excelências são fundamentalmente bardos: entoam melodias, julgando conhecer o gosto das audiências, aparentemente indiferentes ao facto de as mesmas se encontrarem, na sua ampla maioria, no partido ao lado. Entraram na campanha pelo líder mais patético que o PS jamais teve e, nesse caso, vale tudo, inclusivamente lançar mão de canções de outros, passando por cima do pormenor dos fins a que se destinavam e destinaram.

Sócrates, possivelmente de férias, queira ou não queira, entra assim na campanha, desta vez interna. Nos tempos que correm, ninguém no Portugal político mais rasca parece viver ou sobreviver sem invocar este homem. Na falta de discurso e de argumentos, diz-se mal de Sócrates. Se considerarmos que a sua qualidade como líder e primeiro-ministro foi de tal ordem que lançou o pânico na direita ao ponto de a única tática que encontraram para o derrubar ter sido transformá-lo num eternamente suspeito corrupto e criminoso à luz dos leitores do Correio da Manhã, que são muitos, para país, estamos conversados.

Pois, pelo andar da carruagem, agora que Seguro se libertou de umas terríveis amarras que alegadamente o forçavam a anular-se, será ele próprio que, com todo o à-vontade dos ignorantes, irá fazer campanha cuspindo veneno sobre a imagem do seu antecessor no partido (já ontem garantia na Renascença que Eu não trago nenhum passado de volta. Nem propõe qualquer futuro, digo eu, ambos motivos bastantes para desaparecer). O desespero tem destas coisas.

De modos que já não restam dúvidas de que, este tempo todo, ao ouvir Passos, Marco António, Montenegro ou Portas concentrarem campanhas e justificarem políticas com os tremendos erros do chefe do anterior governo, nada mais existindo nesta Europa nem neste mundo nem nas cabeças de pessoas como Gaspar e Borges, Seguro se emocionava e invejava o púlpito e a oportunidade de que eles dispunham. Os sacanas tiravam-lhe as palavras da boca! A frustração que era ter o partido, a verdade e as pressões a inibi-lo de ser quem é. Ahggg…

Bom, escusado será desenhar para os nossos prezados leitores o que seria o Seguro estes três anos solto, convicto como diz que está agora, a fazer oposição na Assembleia. A figura (extremamente rara, mas não impossível) do representante de um governo na bancada da oposição diz-vos alguma coisa? Seria ele. Ainda mais do que foi. De que cores gostariam que pintasse este quadro? Sugiro psicadélicas.

A aliança PS (partido do Seguro)-PSD surge, afinal, mais cedo do que o esperado. Agora formarão finalmente um coro. Seguro, tu e o Passos e respetivos bardos, desandem, ‘tá?

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Na imagem, Henrique Neto, um dos autores do manifesto, aqui destacado nesta notícia de 2013 do jornal i, não por bons motivos.

12 thoughts on “A santa aliança”

  1. tadinhos, agora que a coisa prometia pote-au-feu, aparece o costa a estragar o banquete. aposto que estes quatro são convidados do babalú nos próximos “negócios da semana” e deixo a sugestão para o henrique neto explicar a importância da fuga-ao-fisco, sub-facturação, caça-ao-subsídio e suborno nos gloriosos anos da empresa modelo que geriu até o socrates lhe acabar com a mama.

  2. este pulhas não querem o seguro mas a manutençao da direita no poder.dizer o que dizem do governo socrates é ofender os portugueses que por duas vezes em eleiçoes livres lhes pediram para continuar a governar.na terceira foi o que se viu,um mentiroso compulsivo a prometer o melhor dos mundos aos portugueses.mesmo neste quadro de “”mentira eleitoral,só a uma semana das eleiçoes jose socrates cedeu em temros de sondagens da universidade catolica.que pariu o henrique neto,mais os seus capangas ao serviço da direita.

  3. Isto vai uma estrumeira que tresanda!Só faltavam estes:Agora que rebentou o cano do esgoto central,só sai MERDA!MERDA!MERDA!

  4. Eventualmente querem chamar os simpatizantes do PSD e CDS a votar nas primárias (dos militantes do PS já desistiram). Acho mesmo que é a estratégia

  5. o henrique neto deve pensar que isto é um país de tótós e que todos embarcam nas tretas de um vendedor de moldes que se acha superior a um vendedor de “automóveis usados”. homofobias comerciais à parte, gostaria de lembrar que este cabrãozinho que agora atribui as desgraças do país ao sócras e ao despesismo é exactamente o mesmo que há uns anos atrás defendia portos de águas profundas em peniche, combóios rápidos, linha do oeste com apeadeiro em picassinos (iberomoldes) + aquela anedocta de pôr os camiões a serem transportados por comboios, aeroportos na ota e em monte-real (7 km da iberomoldes), auto-estradas onde lhe dáva jeito i.e. a8 (iberomoldes-lisboa), ligação a1 – a17 (iberomoldes-iber olef) e uma mais anterior que felizmente não foi feita leiria-m.grande (iberomoldes-hotel eurosol), enfim tudo em grande, tudo neto style, o que é bom para a minha empresa é óptimo para o país e quem não for na conversa é incompetente, aldrabão ou casou com uma moça de leira, que por acaso nasceu em moçambique, cujos pais são fornecedores da iberomoldes… aqui tocaram campaínhas e pergunto que moral tem um gajo que andou a comer a cunhada às escondidas para levantar suspeições sobre problemas familiares alheios? o que este gajo merece é uma reportagem sobre o mito henrique neto com recolha de opinião pública na marinha grande e na imprensa local.

  6. Acho que o mais rasca e desprezível que pode existir em política é fazer referências à vida pessoal de alguém com quem não se concorda. Pior ainda se de forma anónima. É uma desgraça ver um dos baluartes da defesa (justa) de José Sócrates optar pelo caminho que os seus adversários mais ignóbeis percorreram.

  7. “Acho que o mais rasca e desprezível que pode existir em política é fazer referências à vida pessoal de alguém com quem não se concorda.”

    tamém acho, mas a justiça é lenta, ninguém lê sentenças e a prática demonstra que essa retórica serve para proteger cabrões, um sucedâneo de dar-a-outra-face ou tipo come-e-cala. tudo o que foi referido no comentário anterior é do conhecimento público e está documentado nesta entrevista:
    https://docs.google.com/file/d/1DfMKLtPHbwgTWLybr1FE3V6Q2nmXivinaytbpZVpOOpD1bN6iKF0PlJrAj_N/edit?hl=en&authkey=CObVkJ8M e no livro que o gajo publicou: http://books.google.pt/books?id=9twWAZDJwaoC&pg=PA136&lpg=PA136&dq=henrique+neto+porto+aguas+profundas+peniche&source=bl&ots=X1tYXb5OoY&sig=70AzS24r-22SLsmB5-dbnqDN7do&hl=pt-PT&sa=X&ei=9tWqU9KWIKKe0QXvl4GgAQ&ved=0CDEQ6AEwAg#v=onepage&q=henrique%20neto%20porto%20aguas%20profundas%20peniche&f=false
    a história da cunhada não vem nas revistas porque na altura ainda estava na moda a retórica que referes, mas na marinha grande toda a gente sabe desta história e outras que fariam corar os filhos do relvas. quanto a anónimos ignóbeis, tou farto de dar para esse peditório e de ouvir a k7, imagina que até o filósofo da marmeleira deixou cair esse argumento.

  8. Lucas Galuxo: De que estás a falar? Limitei-me a re-publicar uma notícia que refere declarações do próprio. “Próprio” esse que acusa outros de corruptos e aldrabões (“vendedor de automóveis”, chamou ele a Sócrates no seu blogue) sem apontar nada de concreto nem apresentar qualquer denúncia junto dos tribunais. É importante saber quem são os eticamente irrepreensíveis que assinarão em primeiro lugar o chamado Código de Ética do Seguro.

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