A resiliência e a incidência

 

Definitivamente, a utilização da língua portuguesa por Passos Coelho e quem o assessora é vergonhosa. Que raio será uma «incidência protocolar»? Será um incidente protocolar em caldo agitado de resiliência?

Vejamos o recente emprego destes termos:

(sobre a adesão da Guiné Equatorial à CPLP)

E seria, penso eu, muito negativo que Portugal permanecesse de forma resiliente opondo-se a esse alargamento. Creio que isso conduziria Portugal a um isolamento no seio da comunidade de língua portuguesa que não é aquilo que Portugal deseja com certeza”, defendeu.

Homem, «resiliente» costuma ter conotação positiva e aplica-se, com essa conotação, a materiais, redes de comunicações, economia, banca, etc.

(sobre o alegado rompimento do protocolo pelo representante da Guiné Equatorial)

O Presidente da República e o primeiro-ministro declararam hoje que foram “surpreendidos” pelo anúncio antecipado da adesão da Guiné Equatorial à CPLP e que desvalorizaram essa “incidência protocolar” em nome do sucesso da Cimeira de Díli.

Uma incidência? E protocolar?

Este post, antes que mo lembrem, refere-se à questão formal do uso da língua. Neste caso, mau e ridículo. O problema de Passos é mais aterrador do que a forma como se exprime. No entanto, não é errado dizer que governa como fala. Alguém lhe soprou uns conceitos, umas teorias, umas palavras modernas ao ouvido e o homem não teve ainda tempo de os absorver e enquadrar. E assim rodeia-se de consultores tipo Moedas e Maçães, que são, na prática, quem dita a linha da governação e siga o circo. O urso não sabe falar, mas está bem amestrado. É o que importa.

15 thoughts on “A resiliência e a incidência”

  1. Por amor do Santo Sócrates!!! Eu já sabia que vossemeceses eram uma cambada de hipócritas, mentirosos, aldrabões, alzheimerentos ( Mário Soares) e corruptos ( Socas )! Mas não sabia que agora não sabem ir ao dicionário procurar uma palavrinha, eu sei que são burros, epá, não sabiam é que eram tanto!

  2. O gajo queria dizer “obstinadamente”, mas resolveu falar caro. É próprio dum analfabeto que quer parecer culto ou enganar o freguês. Típico dos eufemismos despropositados usados pelos imbecis que estão no governo. Por azar, saiu-lhe o “de forma resiliente”, que é ridiculamente desadequado. A “incidência protocolar” é mais do mesmo. O Coelho a falar começa a parecer o Odorico Paraguaçu, o festejado prefeito de Sucupira. Mas esse ao menos tinha graça. Este Paraguaçu de cá é só tristezas.

  3. Es uma exagerada e estas de ma fé. Trata-se mesmo de um caso emblematico de resiliencia, que vai permitir a PPC reciclar-se como politico na Guiné Equatorial. O homem até ja esta a aprender os rudimentos da lingua. Portanto, estamos claramente num caso de incidência, e mesmo de re-incidência protocolar.

    E a pestilência não é praqui chamada, não insidas !

    Boas

  4. 2 anos depois e aproveitando as ausências massamá & possoilo, salgado foi detido para interrogatório no processo monte branco. deve ser posto em liberdade a tempo de ir almoçar ao ritz e preparar fuga para o brasil até as coisas acalmarem.

  5. O mal é que toda esta comédia rasca , começa num governo de Sócrates, e o principal responsável , tem o nome de Luis Amado . militante do PS, ex-ministro do Negócios Estrangeiros, e actual homem forte do BANIF.

  6. Eu já calculava: o Socas deve ter tido conta no BES, com direito a cartão multibanco e livro de cheques, o que além de mostrar o seu feitio resiliente ainda vai provocar uma incidência protocolar. Só não teve ações do BPN, compradas e vendidas sem que houvesse cotação. Mas isso, como dizia a outra, agora não interessa nada.

    Ó Vanessa conta-m’essa!

  7. parece-me que te falta, ou faltou, penélope, resiliência para perceberes que a palavra não é assim limitada e que a sua aplicação pode ser figurada.

    gosto nada de faltas de respeito com a língua para outras finalidades. isso é apolítico.

  8. Informem-se não sejam ignorantes.

    E já agora que escreveu sobre o BES, também não lhe fazia mal informar-se , sobre o peso que este banco teve na governação do Socrates.

    A história não pode ser apagada.

  9. Quando eu, puto, andava na escola, havia uma lista de palavras (cerca de 10) , que ,escritas ou faladas, em qualquer sequencia davam uma frase bem sonante e duvidosa compreensão. Eram as palavras do professor Candeias….
    Querem ver que o passos encontrou a lista e acrescentou resiliência ???? Não me admiraria…

  10. Completamente de acordo, e não foi há muito tempo que a resiliência tal commo a pasta medicinal Couto entrou no dicionário mediático português. E pela porta dos fundos ouvindo-se, erradamente, que é uma espécie de sinónimo erudito de resistência para aqui e para acolá.* No caso, a mistificação que Passos Coelho queria dizer era que não valia a pena pregar no deserto. Uma mistificação, sublinhe-se. Ora, na origem é um conceito da Sociologia (utilizado para caracterizar a *plasticidade* que as sociedades africanas tiveram de aparentar que jogar as regras ao colonizador, nomeadamente) e, por isso mesmo, não deixou de ser engraçado ouvir há dias o Pedro Adão e Silva, na SIC N, a usá-la com propriedade no seu discurso como que a separar as águas. Pois, …!

    * Para aqui, e mal: até o pregador dominical da TVI a começou a utilizar.

  11. Correcção sem gralhas, para se perceber. Ora, na origem é um conceito da Sociologia (utilizado para caracterizar a *plasticidade* que as sociedades africanas tiveram de aparentar que juravam jogar as regras ao colonizador, nomeadamente) etc.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.