«A Herdade» – estão a brincar comigo

 

Penso que todos achamos que seria bom alguém fazer um filme sobre o Alentejo rural partindo das transformações por que passou uma herdade específica (e os seus proprietários ou a sua propriedade, o seu uso ou outros aspectos) desde o salazarismo até aos nossos dias. Eu acho que seria. Bom, interessante e importante. Alguém devia ser capaz, agora que alguns realizadores portugueses já começam a perceber o que é um filme e a quem se destina. Pois bem, surgiu agora aí um cuja publicidade diz que o faz, isso de apresentar as transformações, etc., e que até se candidatou ao festival de Veneza, onde ganhou um prémio da crítica independente, e se vai candidatar ao óscar de melhor filme estrangeiro e é anunciado em todo o lado e tudo isso. Mas tenham lá calma.

 

Fui ver. (Atenção: para quem tem intenção de ir ver o filme, vou falar do enredo!)

Cinco minutos de filme e eu a duvidar se deveria ficar. É que comecei a pensar numa famosa oliveira, filmada durante 10 minutos, sem mais, penso que na abertura de um dos filmes do Manuel de Oliveira. Únicas diferenças: aqui são menos de dez minutos, trata-se de um sobreiro e tem um homem enforcado. Porquê? Não sabemos. Se alguém percebeu, que me diga, por favor. E eu que fiquei sentada provavelmente por causa da expectativa assim criada.

Enfim, estava, então, dado o mote. Seriam três penosas horas, três, de passos do quarto para a sala, na sala para o bar, no terreiro em frente, silêncios, olhares, lindos cavalos (quase sempre nos estábulos), uísque, cigarros (uísque e cigarros constantemente, até à náusea, eu que não fumo), uma herdade como paisagem e uma total ausência de história e muito menos de história daquela herdade e dos seus problemas. Era o anúncio, lembram-se? Mas, perguntarão vocês, ao menos sabe-se o que levou aquele rapaz ao desespero? Não, já tinha dito. Nada. Não interessa. Possivelmente o realizador ouviu dizer que a taxa de suicídio no Alentejo era alta e daí a filmagem desse quadro. Mas, senhores, estamos no Alentejo da Comporta, não no coração tórrido da vertigem das searas e dos 45 graus à sombra. Mas vamos.

 

Nessa primeira cena, há um miúdo que é chamado pelo pai avô (? dizem-me nos comentários) para ver o irmão pai enforcado e ao qual é transmitida a máxima de que tudo acaba e que, quando acaba, acaba mesmo. O miúdo ouve, afasta-se para umas ruínas na outra margem do lago e pronto, é tudo o que há a dizer e a fazer quanto àquele suposto drama. Esse miúdo será depois (penso eu, posso estar a ver mal) o Albano Jerónimo, aliás João Fernandes, proprietário da herdade a partir da década de 70, supostamente um homem mal disposto com a existência, mas que ao mesmo tempo adora a vida no campo, não tem problema algum com o pessoal e é danadinho para a brincadeira, pois corre a eito (talvez sem se rir, querem que acreditemos) tudo o que é mulherio na propriedade, incluindo a mulher do capataz. Alto aí! A mulher do capataz? Drama nisso, não? Eles andam sempre juntos. Mas qual drama, amigos? Nenhum. Tudo numa boa. O bom do Joaquim, o capataz, gosta um bocado demais de vinho, possivelmente negligencia os seus deveres conjugais, mas se a mulher teve um filho com o patrão, tudo bem. Qual é o problema? Ela é boa rapariga e obediente. Ai, minha nossa!

Como é que não vim embora ao intervalo, ou até aos cinco minutos, e me deixei ficar até perto de uma crise de nervos? É que a última parte ainda consegue ser pior do que a primeira. Se na primeira ainda aparecem umas questiúnculas, muito mal engendradas, diga-se, (só para dizer que estávamos no fascismo) com o governo de Marcelo Caetano e seus agentes, um baile em Lisboa com música dos anos 70 e uma hipótese de paixão escaldante com a cunhada (ná, não tem qualquer desenvolvimento, nem “flasbacks” nem nada, e olhem que é a Vitória Guerra), na segunda, após um salto gigante do 25 de Abril para os anos 90 sem que nada de relevante se tivesse passado naquela herdade, nada de nadinha, nem com os trabalhadores, todos mansinhos, incluindo o suposto comunista, nem com a produção nem com nada, a “história”, sem maneira de apresentar dados sobre uma eventual quebra de vendas, ocupações, crise económica, sei lá, má gestão e outras circunstâncias que poderiam ter levado ao declínio, passa a concentrar-se no melodrama telenovelesco do filho que não era filho do capataz mas do patrão (coisa que toda a gente sabia e que o realizador não escondeu de ninguém desde a primeira hora) e que se enamora da filha legítima do mesmo. Ora, baseando-nos no que o filme nos mostra, isto é não só altamente improvável, pois tinham sido criados todos juntos (três miúdos) desde que nasceram, como irmãos, como também não era novidade nenhuma e teria certamente já sido acautelado. O mais cómico (às tantas, uma pessoa já se ri) e desesperante é que, à medida que o filme carrega neste forçado drama final de recurso, menos as personagens falam, mais se calam e mais olham, estáticas. O cúmulo deste comportamento é atingido quando a filha vê o pai a pegar numa pistola que estava na gaveta e sair de casa, e a rapariga não tuge nem muge, não faz uma pergunta que evite uma potencial tragédia, não faz um gesto, nada. Fica a olhar para o pai a sair com a pistola e pronto, ele lá sabia da vida dele. (e o facto é que ia só ali abater o cavalo ferido, por ter caído, mas ela não sabia, caraças)

 

Bom, já perceberam. Para mim, tirando a paisagem, os cavalos e o actor principal, que é bonito, e o filho mais novo, também bonito, nada neste filme se aproveita. Uma estopada. Uma fraude. Três horas. Um argumento e um guião escritos em cima dos joelhos e às três pancadas. Tirando os dois protagonistas, ele e ela, até o “casting” restante é mau. A actriz que faz de mulher do patrão é expressiva, mas o problema é que não estamos já na era do cinema mudo e a personagem dela é, como tudo o resto, indefinida e inverosímil e sobretudo sem palavras para dizer. Gosto do Albano Jerónimo, já o vi e elogiei como actor de teatro, mas até ele devia ter pensado melhor antes de se meter em argumento tão pobrezinho. Grande ambição, enorme publicidade e sai-me isto. Acho que até as telenovelas já fazem melhor.

 

Mas, é claro, sintam-se à vontade para me dizerem que não percebi nada, nem os simbolismos nem a história, nem a linguagem cinematográfica nem nada. Eu lerei o que dizem, mas não. Muito mau.

 

22 thoughts on “«A Herdade» – estão a brincar comigo”

  1. bem, os tipos ricos lá no Alentejo têm o hábito de ir de copas , ou de quinta em quinta ou de tasco em tasco, em manadas de machos, percebo os charutos e o guisqui -:)

    só o João Canijo é capaz de fazer filmes de jeito , é uma espécie de Almodovar fadista, retrata bem o país.

  2. Eu achei o filme bom. Não há dúvida que é um filme parado de poucas palavras com simbolismos mas não é preciso ser muito inteligente para perceber o filme. O realizador assim o pensou e assim o fez. Isto dos críticos tem muito que se lhe diga…
    Em Veneza o filme ganhou com os independentes.
    Um bom filme não é preciso ter a papinha toda feita para o espectador perceber tudo do princípio ao fim. Temos a cabeça para pensar. O enforcado no princípio do filme é o pai dele e o que chama o miúdo para ver é o avô.

  3. Também fiquei cheio de expectativa por causa da recepção em Veneza, acrescida após ter lido o crítico cinematográfico que mais admiro – https://www.dn.pt/cultura/interior/a-herdade-ou-a-nossa-historia-para-alem-dos-lugares-comuns-11313818.html

    Acontece que se pode considerar facilmente um feito interessante, e até valioso, para o cinema português, mas estamos perante uma obra medíocre para a História do cinema. Do muito que se poderia dizer, aponto só numa direcção: a personagem principal. A representação do Albano Jerónimo parece-me cabotina mas sem culpa do próprio. Pura e simplesmente, aquela personagem não tem nenhuma história para contar. O trauma inicial permanece plástico e superficial, apenas um artifício para moldar o espaço e ligar temporalidades. E as restantes personagens acabam tragadas pela voragem do vazio do protagonista. Só o cavalo é que cumpre plenamente o seu papel, com a profundidade natural indicada.

  4. Ainda bem que todos somos diferentes! Só lamento os 2 minutos que perdi a ler tamanha injúria, provavelmente sem culpa da autora, notoriamente ignorante naquilo que se pode chamar de cultura cinematográfica.. só posso acrescentar, realmente não percebeu nada do filme.. e que tal abster-se de fazer comentários medíocres de algo para o qual não está de todo preparada? Deixe as críticas para quem perceba do que fala e não nos faça perder tempo com paleio de porta de café..

  5. No Jl, texto de Irene Pimentel
    A Herdade é um filme sobre o outro lado da História. Aquele que por motivos óbvios não ouvimos contar. Portugal era um país ditatorial e envolvido numa guerra colonial, dividido entre poucas famílias (umas mais importantes que outras), com poder sobre milhões de portugueses. Com o “25 de Abril”, esses privilégios esfumaram-se e essas personagens, outrora ostensivas entraram numa espécie de nevoeiro discreto, tentando ser invisíveis, sem o conseguir, mas continuando a viver. Derrotados pela história, mas vivos. É disso este filme trata.
    Assisti à projecção do filme A Herdade, com um encantamento que começa logo com a primeira imagem, num Ribatejo belíssimo, onde a árvore convoca a vida, e a morte. Vai-se depois conhecendo as diversas multifacetadas personagens na casa da herdade ribatejana onde quase tudo se passa, em dois períodos diferentes: um que se inicia em 1973, incluindo a ruptura provocada pelo 25 de Abril de 1974, e os anos 90 do século XX. Gostei em especial da cena em que, numa noite em que João Fernandes e a mulher regressam de uma festa de casamento em Lisboa, se cruzam com tanques militares, ao som em surdina de «Grândola», debitada pelo rádio do carro. Vinham de Santarém.
    Como em todos os filmes épicos que retratam sagas familiares, não faltam os grandes pequenos eventos que entrecortam a vida quotidiana: o casamento, o nascimento, o baptizado e o funeral, repletos de tensões, segredos, hipocrisia e não-ditos. E há também, além das diversas e multifacetadas personagens, um cavalo… Mas mais não conto sobre a história, com um argumento certo e escorreito de Rui Cardoso Martins e Tiago Guedes, que também realiza o filme. Este conta com uma caracterização das personagens de grande maturidade, bem como com um conhecimento rigoroso do meio histórico e social em que ocorre o filme, quer do realizador, quer do produtor, do qual partiu a ideia, Paulo Branco. Não quero narrar o drama, nem vou contar o fim, pois deve surpreender os espectadores, transmitindo-lhes a mesma empatia pelas personagens que, também na sua humanidade, estas sentem, apesar de estarem submersas numa torrente de sentimentos, que incluem o desprezo, o amor, a amizade, a camaradagem, o ressentimento e o ódio.
    Num filme português gostamos – eu gosto – de ver os locais que conhecemos, da casa à paisagem envolvente, as personagens e os seus comportamentos que reconhecemos, bem como a proximidade da história, da cultura e do património. E gosto sobretudo dos clin d´oeuils, cinéfilos ou não. No final da exibição de A Herdade, eu disse a Paulo Branco que me fizera lembrar os filmes «Torre bela», de Thomas Harlan (1977), e «Linha Vermelha», de José Filipe Costa (2011). Então não é que o montador convidado foi precisamente Roberto Perpignani, o mesmo do documentário de Harlan. Ao convidá-lo, Paulo Branco perguntou-lhe se ele queria «montar o contra-campo do Torre Bela»?!
    Finalmente, gostaria de salientar dois aspectos que me impressionaram. Um deles é o facto de as personagens terem densidade dramática e não serem meras caricaturas, por um lado. O “direito de pernada” lá está, da mesma forma que estão vícios dos senhores quase feudais, mas sem qualquer ostentação, apenas reconhecíveis pela inteligência do espectador. O segundo aspecto, já salientado, é o pioneirismo do filme, ao narrar a história dos derrotados do «25 de Abril», sem demagogia, nem recurso à ilustração e muito menos ao panfleto. Provavelmente tal narração em filme só agora é possível, 45 anos depois.
    Irene Flunser Pimentel

  6. Fernando: Acho o discurso da Irene demasiado empolado para o produto que, enquanto espectadores, temos na frente. Mas, de facto, no limite, alguém pode fazer um filme, digamos, de duas horas em que apenas nos seja mostrado um sobreiro com um homem pendurado, um avô a olhar, um neto a ser chamado e um empregado para tratar do enterro. Será o suficiente. O espectador tratará depois de criar a história. É perfeitamente possível. E também não tenho a mínima dúvida de que haveria gente a gostar.

  7. Valupi: Mas não é que até o cavalo me pareceu que, com um bom veterinário, se safava? Reparaste na forma espevitada como levanta o focinho, já caído? Salvo o devido respeito para com os especialistas, aquele cavalo não me pareceu em agonia. Mas se calhar estou com excesso de má vontade.

  8. Obrigado pela crítica, Penélope. Assim escuso de ir perder tempo e dinheiro a ver a porcaria. (De qualquer forma não iria, recuso-me a ver coisas com mais de duas horas.) Também eu abomino filmes à la Manoel de Oliveira, com muita imagem e pouca fala ou enredo. Estamos portanto de acordo.

  9. Não me surpreende…

    Nem sei o que será mais lamentável, se a recorrente incapacidade de ficcionar no Cinema os temas históricos portugueses com um mínimo de credibilidade, rigor e sensibilidade, se a incrível capacidade de os intelectuais da moda continuamente se deslumbrarem com este tipo de inanidades, por vezes até premiadas nos inconsequentes Festivais de charme daqui e de acolá, desde aquela fraude colossal do Manoel de Oliveira, que a todos encanta, menos ao “estúpido” do público, até àquela última e presunçosa sensaboria da «Raiva», que aliás foi o último a enganar-me, passando pelas inenarráveis palhaçadas da Teresa Villaverde e as brejeirices mais ou menos alarves do João César Monteiro.

    Quanto ao sempre maltratado e estereotipado tema do Alentejo, que já aborrece de tanta inépcia fílmica, honestidade só a vi no «Torre Bela» e, sobretudo, no «Cerromaior».

    Quanto ao mais, é rever «Fantasia Lusitana» e deixar-se doutras fantasias.

  10. Já agora a Penélope poderia dizer-me se também foi ver o Variações e se é bom. É que eu estava a considerar ir ver mas gostaria antes de ter uma opinião de uma boa crítica.

  11. Nos últimos anos, o cinema português tem conseguido captar junto de mim algum capital de confiança: Demonstrou ter sabido adquirir um normal ritmo narrativo, os naipes de actores são já suficientemente extensos e consistentes, as produções são já suficientemente robustas para nos fazer acreditar no que estamos a ver e, principalmente, tem havido alguma maestria em tratar com pinças alguns temas sensíveis e delicados.
    Integram esta galeria filmes como “A Gaiola Dourada”, “Parque Mayer” ou, mais recentemente, “Variações”.

    Por todas estas razões, e também pelos prémios, pelas críticas, pelo argumento, pela ambição, pela escolha para os óscares, etc, etc, “A Herdade” apresentou-se para mim numa rampa de lançamento para ser “O” grande filme português contemporâneo, mas….o melhor que posso dizer, infelizmente e sendo lisonjeiro, é que o produto final é muito desequilibrado!…

    Um carro descreve uma curva , sai de cena, e ficamos 3 segundos a olhar para uma oliveira (porquê?…).
    Um personagem fecha uma porta e ficamos 3 segundos a olhar para um corredor vazio (porquê?…).
    Cigarros e mais cigarros, acendidos com fósforos e com isqueiros em todos os momentos e em todos os locais, respectivos cinzeiros e nuvens de fumo…a sério??! Ainda esta muleta da filmografia nacional que já vem dos tempos do “Lugar do Morto”?! (1984)…
    Quase um minuto da “Grandola Vila Morena” debitada num auto-rádio, numa cena sem palavras dos personagens, de tal forma metida à força que uma delas até aumenta o volume daquilo que já se ouvia bem…mas que a um estrangeiro não diz absolutamente nada!…

    Que me interessa a mim, como espectador e não como profissional de cinema, que a cena do baile seja filmada num único take (recreando Visconti), se o realizador me irrita desfocando o que está em 2º plano ou não baixando suficientemente o volume da banda (sofrível, por sinal) para que os personagens possam ser audíveis?
    Já agora, um elemento central do argumento para ajudar a compreender o mau estado do casamento do personagem principal – a sua anterior relação com a cunhada – é completamente descurado e não suficientemente desenvolvido, sendo apenas aqui abordado de passagem, e mal…

    A “ocupação do proletariado” é muito soft, perdendo-se aqui uma boa possibilidade de reforçar o argumento.
    Se a perda da herdade nessa altura ficasse em risco (o que não chega a ser sugerido), o seu “salvamento” poderia ter sido garantido pelo antigo “elemento subversivo” que ali trabalhava, devolvendo o favor de ter sido resgatado da pide pelo antigo patrão.

    A passagem dos anos 70 para os 90 não é bem conseguida, à excepção dos dois personagens principais, ninguém envelhece…acho que nem mesmo o cavalo!

    O final não está bem rematado, não há um arco narrativo,…no mínimo, na cena final com o protagonista, poderia ser evocada a frase do pai/avó – “O que termina, termina mesmo e para sempre…”

    O filme não tem música, a fotografia abusa dos tons escuros e das casas mal iluminadas, sem nenhuma razão aparente ou estética…há cenas nocturnas em que entra luz solar pela janela, há cenas diurnas em que os candeeiros estão acesos…

    Não me percebam mal, o filme não é mau:

    O argumento é suficientemente sólido para suportar um filme de carácter épico, a generalidade dos actores cumpre as expectativas, a produção é competente…mas, para além do ritmo narrativo débil imposto por uma realização talvez demasiado petulante (o que arrasta o filme para uma duração injustificável), “A Herdade” compromete por, à partida, pretender ser o grande filme que, objectivamente…não é!

    0/20 – 13

    António C.

  12. “fantasia lusitana” ou “sapatos pretos” ou” ganhar a vida”… muito, mas muito, faz ele, tendo em conta a taciturnidade da cultura.

  13. Ah, e ainda mais uma questão, de resto já referida pela Penélope,

    Não é verosímil o filho do patrão ser o puto do capataz…e ele saber!

    Entende-se a ideia de ilustrar como o poder do latifundiário se estendia a todos os domínios (e era um facto!) mas, das duas uma :
    – Ou a personagem escolhida para ser pai de aluguer era um subalterno menos qualificado hierarquicamente e socialmente;
    – Ou o capataz não poderia saber.

    Passar uma vida inteira sabendo e sendo braço direito e homem de confiança do patrão, isso simplesmente não é credível que pudesse acontecer.

    António C.

  14. Penélope, fiquei a pensar no mesmo em relação ao cavalo. Ao ponto de, para não me limitar a meter um carimbo de pura incompetência na avaliação, chegar a admitir que aquele movimento da cabeça do cavalo era uma forma de ilustrar o efeito da bala tendo em conta a falta de recursos para resolver a cena de outra forma ou, ainda com mais generosidade narrativa, imaginando que o filme nos está a dizer que o protagonista não consegue matar o cavalo e dispara ao lado, apenas assustando o animal.

    Seja lá o que for, não funciona.

  15. Antes de terem ido ver “A Herdade”, oxalá tenham ido ver “Vem e vê”, uma obra prima absoluta, e “Santiago, Itália”, um esplêndido documentário. Certamente que foram. Quanto à “A Herdade”, bem sei que é um filme português, mas eu, infelizmente, há muito que só vou ver filmes portugueses legendados, para perceber o que dizem, como nenhum o é, paciência.

  16. Luís Lavoura: Não fui ver o Variações , mas já me fizeram apreciações positivas. Sem prejuízo de ainda poder tomar outra decisão, não fui ver porque nunca achei piada ao António Variações, do qual aliás só conheço aquela canção “Quando a cabeça não tem juízo “, que me provoca alguma urticária, confesso. De resto, estou sem saber o que fez ele de importante nesta vida ao ponto de merecer um filme.

    Valupi: Eh, eh. É uma canseira o que pedem ao espectador.

    António C.: A lista de inanidades é longa e não se esgota nas que referimos.

  17. Eu gostei. Muito. Mesmo.
    Senti-me afrontado pela ficção e cheguei ao final com uma sugestão interessante de uma outra história sobre o 25 de abril que normalmente não me vem à memória.
    Julgo que tanto alarido e vontade de dizer mal do filme deve ser interpretado com inteligência.

  18. “recuso-me a ver coisas com mais de duas horas”

    O Luis Lavoura, se não existisse, devia ser inventado… Nem quando ha prologamento e tremoços no intervalo ?

    Boas

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