A direita aos esses (Ss) na estrada

Fingir que não se ligava nenhuma à disciplina financeira serviu para estabilizar o poder. Expor agora a prioridade à disciplina financeira serve para conquistar o poder, colocando o PS mais ao centro, o espaço onde se consegue a maioria absoluta. Talvez assim seja.

Durante quase dois anos e meio, o Governo disse uma coisa e fez outra, como se alertou várias vezes neste espaço a partir determinada altura. Reduziu o défice público e caminha para o excedente orçamental, está a conseguir controlar a dívida e tem consciência que está longe de ter o problema das contas públicas resolvido. Mais do que tudo isso, concretizou em 2017 uma política orçamental que segue as melhores práticas de política económica: contra-cíclica, como salienta o Conselho de Finanças Públicas.

Fez tudo isso à socapa, dizendo que não o estava a fazer – afinal estavam a ser repostos rendimentos com a eliminação dos cortes salariais na função pública e das pensões e o fim da sobretaxa. E como é que se concretizar uma política de redução do défice público mascarada de expansionista, como se finge que não se está a fazer fazendo?

Helena Garrido, no Observador

 

Mentir é muito feio. Como pode esta mulher dizer que o Governo “fingiu que não ligava nenhuma à disciplina financeira”? Não afirmou Costa desde o início, e manteve aquando do entendimento com a extrema-esquerda, que, a par da reposição dos rendimentos, cumpriria os compromissos com Bruxelas? Não tem feito nada de diferente do que disse. Além disso, se houve um aumento das cativações em 2016 (cujos “malefícios” ninguém verdadeiramente sentiu), soube-se agora, pela UTAO, que as cativações em 2017 foram as mais baixas desde 2013.

“Embora os cativos iniciais até fossem mais elevados do que em 2016, Mário Centeno foi libertando muito mais recursos ao longo do ano. Enquanto há dois anos, os cativos finais tenham representado cerca de 56% do valor inicial, em 2017 foram apenas 27%. Abaixo também das percentagens de 2015 e 2014 (50,4% e 43,4%, respetivamente).

As cativações finais ficam assim no valor mais baixo desde 2013 (ano em que se ficaram por pouco mais de 200 milhões de euros).”

Fonte: Visão

 

Se a direita observatória só tem opiniões enviesadas, em suma asneiras, para dizer em matéria de política, porque não escrevem os seus porta-vozes sobre o fitoplâncton?

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