A Christie’s levou as pinturas e pronto?

Ouvi agora no Telejornal Passos Coelho a acusar a leiloeira Christie’s de ter vindo a Portugal “agarrar” nas obras de Miró e levá-las para Inglaterra. Desculpe? Isto ultrapassa todos os limites. Existirá governo neste país? Autoridades? Polícias? Porteiros?

15 thoughts on “A Christie’s levou as pinturas e pronto?”

  1. Ora, Penélope, isto mais mentira, menos aldrabice . . . . . há é que arranjar uma desculpa qualquer, por mais esfarrapada, para tentar safar o “mocho sábio” do SEC.

  2. Mas haverá algum limite ou alguma linha vermelha que estes governantes não estejam dispostos a ultrapassar, cagando-se para tudo e todos? Eles já perceberam que têm o Ministério Público no bolso, o Presidente da República a carregá-los para onde queiram ir, uma comunicação social domesticadinha…E uma oposição completamente apardalada! Sirvam-se à-vontade, suas bestas felizardas! Têm o caminho completamente livre!

  3. Publicado pelo embaixador Francisco Seixas da Costa no seu blog DUAS OU TRÊS COISAS em 4.FEV.2014

    NÃO TÊM VERGONHA?
    A passada segunda-feira foi um dia bem “português”.

    Uma magistrada, já cerca da meia-noite, depois de um dia frenético de audições, ditou, do alto da sua independência como órgão de soberania, que o leilão do importante lote de obras de Juan Miró, que estava nas mãos de um empresa que foi criada para privatizar tudo o que for possível privatizar antes que este governo acabe, podia prosseguir, lá em Londres, onde a Christie’s fora encarregada de o vender. Estava assim anulada a previdência cautelar (“liminar”, para leitor brasileiro) solicitada por atentas personalidades da oposição e logo seguida por um Ministério Público sempre bem alerta quando alguém o avisa.

    Caramba! Para que o assunto merecesse este tratamento tão expedito da nossa magistratura, com uma decisão sobre a hora, era, com certeza, sinal de que a operação fora feita sob total surpresa. Qual quê! O assunto “tem barbas”. Eu próprio, por razões que não vêm para o caso, tinha dele conhecimento há bem mais de um ano. Outros compradores tinham já aparecido no circuito e a intenção oficial de recorrer a este método para a liquidação do espólio era, de há muito, conhecida.

    Porque é que o país só agora “acorda” para a venda dos Miró, a escassas horas do leilão? Porque nos chamamos Portugal, porque nada aqui se faz a tempo e horas, porque temos uma imprensa que só há dias aprendeu que o BPN nos tinha feito ganhar uma coleção rara de obras do genial pintor, porque temos uns políticos da oposição que, em lugar de, desde há meses, terem suscitado a questão junto da opinião pública, andaram “a dormir” na forma até agora*. E já nem falo do governo, porque todo o mundo da arte sabe que a sua decisão de vender um lote tão importante de obras de Miró, tudo no mesmo dia, baixa naturalmente o seu valor individual de mercado, afetando o potencial encaixe de capital. Mas que interessa isto a quem quer vender (já!) tudo o que possa “cheirar” a público?

    A Christie’s, que nestas coisas não brinca em serviço, suspendeu entretanto o leilão. Esteve-se nas tintas para o fim da providência cautelar e, escaldada com confusões judiciais, quer esclarecer o assunto. Na serenidade dos gabinetes da King Street, deve já ter havido alguém a perguntar(-se): “mas quem é que nos mandou meter-nos com esta gente?” Mesmo arriscando-me a equiparar-me por uma vez, em despreendimento patriótico, a Vasco Pulido Valente, tenho de reconhecer que têm toda a razão!

    * foi-me chamada a atenção para o facto de o assunto ter sido suscitado, desde há meses, em sede parlamentar.

  4. Isto parece, cada vez mais, um caso de polícia. Que as obras tenham sido levadas ilegalmente e com a cobertura e cumplicidade do Governo e do Ministério das Finanças, isso, pela reacção do Secretário de Estado “Barrete” Xavier, parece mais que provável.

    Há por aí uns quantos que, a esta hora, já deviam estar a aguardar, em preventiva. Chamem o juíz Rui Teixeira, que ele trata do assunto…

  5. esse seixas da costa é um ponto, pelos vistos sabia da coisa há bués, mas tamém não fez nada e só se indignou agora por a venda ter borregado. não há merda que o governo faça que este senhor não venha defender ou pelo menos desculpar com argumentos da treta, neste caso usa a conversa dos defensores do regime. já que sabe tanto e foi embaixador em londres, tamém deve saber como é que os quadros lá foram parar, mas isso não interessa para o futuro político de quem anda à procura de motorista e carro preto à custa do contribuinte.

  6. Poderia ser uma cena à la “Twilight Zone”. As obras meteram pés à estrada e viajaram de Lisboa para Londres. Curiosamente ninguém sabe como…muito menos os nossos mídia…já para não falar no nosso fantástico secretário de estado da cultura…e enquanto um país se preocupa com quem deve ser sepultado no Panteão e ocupa com isso páginas e páginas de jornais e redes sociais, estas poucas vergonhas acontecem. E vão passando (quase) despercebidas!

  7. Dúvida sincera: Porque raio, e a que título, é que os quadros – cujo envio para Londres, ao que sei, deveria, de outra forma, ter passado por um processo de comunicações e/ou autorizações – foram expedidos para Londres por mala diplomática, tanto mais que, como o governo afirma, não fazem parte do património do Estado, mas sim de uma sociedade comercial?

  8. O estado português não tem nem nunca teve políticas estratégicas no campo da aquisição de obras de arte. Pelo contrário, tem uma longa tradição de deixar sair para os museus e colecções estrangeiros obras que tornariam mais consistentes as colecções nacionais. É por isso que a maioria dos nossos museus permanecem parados no tempo.
    Seja por falta de consciência cultural, seja por falta de dimensão ética, é também por isso que os políticos de agora têm o descaramento acrescido de tratar o património artístico que é de todos, caído dos céus (do BPN) aos trambolhões, como se fosse assunto particular, propriedade privada. É vergonhoso.
    Depois da perda definitiva do quadro de Crivelli, a questão agora é saber o que podemos fazer (nós, os pobrezinhos), depois da assinatura da petição que corre na net, para evitar que o governo persista na asneira.

  9. Afinal, depois de uma pesquisa afortunada, descobri que o caso da Colecção Miró pode ser uma imensa embrulhada, com trafulhices várias à mistura. Um enorme escândalo financeiro e cultural. Achas para a fogueira, leia-se isto:

    http://transparente.blogs.sapo.pt/os-miros-num-vale-tenebroso-19462

    ou isto:
    http://transparente.blogs.sapo.pt/temos-os-miros-do-japao-esperem-pelos-17799

    ou também isto:
    http://transparente.blogs.sapo.pt/os-miros-do-katsuta-16920

  10. Pois, cara Penélope, ainda que esta história esteja muito mal contada, há ou não há aqui matéria de investigação jornalística? Então, porque não são feitas nos jornais e nas televisões as devidas perguntas aos responsáveis políticos e aos empresários? A comunicação social não vai à net?

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