Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão.
Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

Em directo

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Imagem do Primeiro Concílio Aspirínico, que decorre a esta hora. Temas em franca e leal discussão: o Vindaloo é ou não descendente da vinha d’alhos? A “Margarida” será na realidade um heterónimo do João Pedro? O Valupi consegue levitar? O Nuno é mesmo um horrendo divisionista? O Zé Mário conseguirá cumprir as suas resoluções para 2006? E quem é que fez a foto acima, se o Júlio ficou em Beja?

Confirma-se o sacrilégio


Já houve mundos a acabar por menos: “Jobs unveiled the first Intel-based Mac, an updated iMac. The machine will come in the same sizes as its Power PC processors and will cost the same, but Jobs said it will be two to three times faster because it uses Intel’s dual-core Duo chip.” E lá entra o bicho maldito nas nossas lindas maçãs.
De seguida, porque não suporto ver uma tal imagem afixada aqui, podem ver o momento em que o CEO da Intel, num grotesco disfarce que denuncia a sua aliança com as forças do Mal, entrega o primeiro processador a Jobs. Bem; pelo menos não é um Pentium…

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A minha equipa de futebol

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No ISE, a minha equipa de futebol tinha o animado nome de “Tchernenko and the Coconuts”, conseguimos uma vez chegar às meias finais da taça de futebol da escola. Milagre ao nível da escola soviética, concorriamos com mais de 30 equipas e nós éramos um bando de coxos. Não foi nada mau!
É engraçado seguir as transferências de todos os atletas:
Guarda-redes: Miguel Portas (eurodeputado); defesas: eu e o Josue (economista na Sismet); ao meio-campo: Luís Carlos (grande gráfico), João Rosa (Banco de Portugal) e Paulo Madruga (Professor no ISE); ao ataque, o nosso ponta de lança: Sérgio Figueiredo (director do Jornal de Negócios).
Na altura, todos comunistas; hoje, só alguns. Como dizia o Guterres:”é a vida!”

Os novos cães de guarda

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Leio com espanto, como sempre acontece quando espreito as obras de João Carlos Espada, o anúncio da revista “Nova Cidadania”. A dita publicação, é, com a “Atlântico”, uma das duas revistas de ideias distribuídas e apoiadas pelo jornal “Público”, facto que expressa claramente a imensa pluralidade que grassa na cabeça de José Manuel Fernandes. Garante o anúncio: “6 anos politicamente incorrectos”. O meu comentário vai ater-se apenas a essa declaração, até porque, contrariamente à “Atlântico” que compro com alguma regularidade (revista a que o Rainha pediu emprego), só comprei uma vez a dita “Nova Cidadania”: não por razões políticas, mas por motivos estéticos. O grafismo desta publicação é uma clonagem, feita certamente por um designer maléfico, com vista à criação de um híbrido de uma revista da Coreia do Norte e de uma publicação de catequese.
Mas o que me interessa é o anúncio: “6 anos politicamente incorrectos”, quer dizer o quê?
– Opõem-se aos poderes estabelecidos? Estão contra os governos? Não têm lugar nas universidades? Contestam os banqueiros? Ameaçam a moral dominante? São perseguidos?
Nada disso! Limitam-se a ser uma espécie de “voz do dono”, ainda por cima querem silenciar outras vozes, garantindo que essas é que são politicamente correctas e hegemónicas. Olhando para a sociedade portuguesa: entre dinheiro, universidade e acesso a publicar a opinião, são os Espadas desta vida que são hegemonicamente ditatoriais.
O slogan mais conforme à “Nova Cidadania” seria: “6 anos a lamber botas”.

G’anda cena!

No Guardian estão ainda em exibição os resultados de uma interessante sondagem cinéfila: quais os momentos mais memoráveis do Cinema? Quais as imagens-chave que, ao longo dos tempos, foram ficando sedimentadas nos aluviões em technicolor da nossa memória?
A lista proposta arranca com o momento de revelação de “Os Suspeitos do Costume” e só pára pouco depois da “Música no Coração”. Pelo caminho, ficam algumas peças exóticas que talvez digam mais ao público britânico do que a nós.
Por falar nisso: quais seriam as vossas três primeiras escolhas?

Pneumáticos

[…] Muitas experiências são impedidas quando haja agarramento a uma linguagem que não é adaptada ao caso (subjectivo, de alguém). Não me venham falar, nem a mim nem a qualquer um de nós, de incorruptibilidade e de corrupção. Falem antes da permanência do fim e do carácter efémero dos nossos inumeráveis “eus”. Não falem de imortalidade da alma se não tiverem tido a experiência sequer de um desejo que, de facto, constitua uma força material na vida interior. Não falem da carne; falem da resistência ao orgulho: do engano próprio, da imaginação, da dispersão da energia de atenção. Não falem de Deus, falem antes do estádio seguinte de presença e compreensão; porque, para vós, isso é “Deus”. Não falem de misericórdia e de perdão dos pecados; falem antes de uma atitude de interesse em relação a si mesmos tal qual são. Não falem de culpabilidade. Não se atemorizem consigo mesmos, nem façam do amor algo consigo próprios. […]

Nota marginal do P. Silvano
“Instrução prática”

Enquanto alguns fogem da religião por estarem ofuscados pelos comportamentos de homens sem fé que nela me(r)dram, ou por não desenredarem o novelo historicista, confundindo culto e cultura, a humanidade resfolega igual a si própria – uma ponte entre o animal e o divino. Os ateus e os cínicos, os cépticos e os ideólogos, todos têm razão; ah, se têm! Mas, nem que eles continuem a ladrar à Lua até que o inferno gele terão a razão toda. O fenómeno religioso, aqui tomado em sentido abrangente, não se abole por decreto ou silogismo. É uma inevitabilidade intelectual, consequência da complexidade neuronal que supera as limitações do espaço e do tempo através da linguagem. O que nos leva para o maior fracasso das actuais religiões, a dita linguagem dita.

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Os Quadrados

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As cerradas fileiras do Quadrado começam a mostrar algumas rachas inconvenientes. Hoje mesmo, Inês Pedrosa desceu do seu elevado pedestal — onde voga a grandeza estelar do Bardo Alegre — e tratou de puxar as orelhitas a um colega infractor: “vejo-me obrigada a intervir de novo neste blog para chamar a atenção de outro dos seus autores – neste caso o Carlos Brito – e para dar testemunho público da minha discordância relativamente a alguns posts aqui publicados, atacando outras candidaturas (foi a de Francisco Louça mas até odia ser a de Cavaco Silva), que julgo não serem consentâneos com o carácter civicamente exemplar que queremos dar a esta candidatura.”
O visado, quiçá temendo a imposição de uma coima ou castigo mais cruel, como ser obrigado a ler algum livro da acusadora, teve este débil assomo de defesa: “talvez pudesse ter-me dito directamente a mim o comentário que escreveu mais acima, mas adiante: quero dizer-lhe que o meu intuito era apenas polemizar e nunca agredir”.
Aliás, os comentários deste blogue mereciam, sem mais acrescentos, ser coligidos numa antologia de prosa poético-política. Desde coisas que eu, ao que parece, lá escrevi sem por tal dar conta (estão explicadas as olheiras com que tenho acordado ultimamente), até tesouros como “Louçã e Alegre são farinha da mesma saca divisionista”, da nossa estimada Margarida (tamanha produtividade, repartida por tanta paragem, deve dar emprego a tempo inteiro) e “como é que pode ser de ‘esquerda’ um candidato como o Louçã que nem uma única vez usou as palavras Constituição ou Abril”. Sem esquecer, claro, o último episódio da saga Luís Maria: “EU É QUE SOU O VERDADEIRO LUÍS MARIA, TODOS OS OUTROS NÃO PASSAM DE IMITAÇÕES FÚTEIS. FASCISTAS! EU NÃO ME CALO! EU NÃO ME CALO! COMIGO NINGUÉM BRINCA! COMIGO NINGUÉM BRINCA!”

Reivindicar mortos?

Diz o Nuno que Alegre reivindicou o nome de Álvaro Cunhal. Depreende-se daqui que o candidato terá mencionado o falecido líder comunista como que invocando um possível apoio post mortem.
Pelo que ouvi e consigo agora ler, não estou a ver que este rapto seja assim tão óbvio: Alegre afirmou que “durante muitos anos ninguém foi tão livre como os homens que aqui estiveram presos, venho aqui buscar a inspiração da sua coragem, da sua determinação, do seu inconformismo e da sua rebeldia”. A propósito de Álvaro Cunhal “e de muitos outros que resistiram aos maus-tratos, às torturas, à violência e nunca se renderam”, deu destaque a um episódio específico: “evadindo-se do Forte de Peniche, infligiram ao fascismo uma estrondosa derrota”. Francamente, não leio aqui esse intento de “reivindicar” Cunhal “contra o partido que ele ajudou a construir”. Aliás, o contra-ataque de Alegre foi certeiro: “não há donos de personalidades históricas, mesmo que tenham sido secretários-gerais”.
Não está aqui em causa a óbvia mitomania de Alegre. Desde que li a sua “Arte de Marear”, palpita-me que ele tem grande dificuldade em distinguir a realidade das suas fantasias de glória pessoal. Quando ele diz que conheceu Guevara, não duvido que esteja mesmo a acreditar nisso; sempre que o ego incha sem tino, acaba por nos obstruir a vista do mundo.
E atenção, que Alegre já fez, sem margem para dúvidas, aquilo de que o Nuno o acusa, mas com outra vítima defunta. Sem qualquer amostra de pudor, garantiu ele ontem: “sei que o Salgueiro Maia gostaria de me ouvir dizer o que estou aqui a dizer”. Isto aproveitando-se do apoio e da presença da viúva do capitão de Abril. Vergonhoso.
Mal no meio desta história, fica também a reacção de Jerónimo Sousa. Dizer que Alegre já tinha “insultado” Cunhal, “por via do seu projecto” é um disparate que hoje prosseguiu: “Manuel Alegre falou tão mal de Álvaro Cunhal e do seu projecto que também não teve uma atitude decente”. Discordar veementemente de um “projecto” passa assim a ser um insulto pessoal.
Neste lapso estratégico, o candidato comunista deixou cair a máscara de avôzinho simpático — ainda que com umas ideias vagamente destrambelhadas — revelando pela primeira vez, mas com toda a clareza, as linhas duras do político sectário e intransigente.

Melhoras na Imprensa

O Diário de Notícias de hoje parece irreconhecível: está francamente melhor, tanto em termos gráficos como em conteúdo. Era muito bom que finalmente houvesse uma alternativa informativa ao Público. Vamos ver se a qualidade se mantém. Não resisto à tentação de passar um diálogo, recolhido pelo jornalista Pedro Correia, na campanha de Manuel Alegre:
” – Olha vamos aparecer na televisão logo à noite.
– Mas tu percebeste bem quem é o homem?
– Sei lá, é um político.
– É um ministro!
– Chama-se Jerónimo de Sousa, acho.
– E esse é ministro?
– Isso não interessa nada. O que interessa é que vamos aparecer na televisão.
– Eu queria aparecer na TVI. Porque dá os Morangos…

Já o Expresso está ligeiramente melhor: não vi a crónica da Bomba Inteligente, espero continuar a ser poupado.