Tsipras defende os interesses de Portugal?

Há quem pense e diga, entre os actuais e anteriores dirigentes do Bloco de Esquerda, como Louçã, que Tsipras é o primeiro ministro que (melhor) defende os interesses de Portugal. Puro voto pio, com a cabeça bem enterrada na areia. O governo do Syriza estará, talvez, genuinamente interessado em defender os interesses da Grécia  – independentemente de se saber se o conseguirá. Mas a premissa de que defender os interesses gregos equivale a defender os interesses portugueses é falsa, proibindo a conclusão do silogismo. A Grécia pode defender os seus interesses à revelia, contra e até parcialmente à custa dos interesses portugueses. Se o governo de Tsipras conseguir assestar sobre a UE, os credores, os EUA e a NATO todos os seus meios de pressão e chantagem, convencendo a Europa e o sistema bancário a adoptar soluções específicas para a Grécia e só para ela, Portugal poderá não beneficiar em nada com isso, ser prejudicado na sua eventual posição negocial e até ter de vir a pagar uma parte da factura daquelas soluções. O governo grego tem, de resto, todo o interesse em tentar convencer a Europa e os credores de que o seu caso é separado ou único. Por mais que diga o ministro das Finanças Varoufakis, com os problemas da restante Europa do Sul pode bem o governo do Syriza.

Pois é, “a Grécia tem mais trunfos do que Portugal” e, sobretudo, trunfos diferentes. Veja-se, por exemplo, a atitude dissonante tomada em relação à questão da Ucrânia, que deixa prever futuros atritos com Bruxelas e a NATO. Se bem que agora, depois de um ligeiro amuo, o governo de Tsipras meteu o rabinho entre as pernas e alinhou “construtivamente” com os outros 27 no prolongamento e agravamento das sanções contra a Rússia. Entrada de leão, saída de sendeiro. Mas pronto, sempre deram um arzinho da sua graça, para lembrar que existem e poderão vir a chatear.

Dir-se-á que Portugal não tem mais trunfos por incompetência do actual governo, que só tem apostado na subserviência mais canina aos ditames da Alemanha, do BCE, do FMI e da NATO. Pois será, mas enquanto este governo aí estiver e continuar com a sua política, os triunfos de Tsipras não beneficiarão necessariamente e até podem vir a prejudicar a posição, actual e futura, de Portugal. Tsipras talvez só beneficiasse a posição portuguesa se o governo de Lisboa fosse, suponhamos, do Bloco de Esquerda e adoptasse o programa do Syriza. Aí, porém, é que se veria realmente quem é que defende melhor os interesses de Portugal. E quanto a ver quem é que defende melhor os interesses da Grécia, ainda estamos para ver. Falamos daqui a uns meses.

23 thoughts on “Tsipras defende os interesses de Portugal?”

  1. Esta vitória do Syriza tem pelo menos o mérito de clarificar as posições não é? Porque vamos lá a saber Julio, se a alternativa não é confrontacional então é o quê? “Austeridade inteligente”? Não será isso uma contradição em termos? O PS propõe exactamente o quê? Ser uma versão menos maligna e incompetente da direita? Para isso temos o original. Não querem aprender com o PASOK? Esta Europa está podre, o Syriza está a tentar demonstrar que é preciso mudar as regras para toda a Europa se queremos que este projecto subsista. Está a desafiar o estado de coisas, a romper o consenso criminoso em torno do empobrecimento para os povos e do resgate para os bancos. Como é que isto pode beneficiar Portugal? Bom, a pergunta parece-me que deveria ser, como é que Portugal pode deixar passar esta oportunidade? Da maioria não espero mais do que a estupidez e a venalidade que são da sua natureza. E o PS? Apoia o Syriza, afasta-se dos radicais do Syriza, algumas propostas são populistas mas ser contra a austeridade é bonito….enfim, uma trapalhada sem sentido. E agora a desculpa é que os Gregos vão prejudicar Portugal com a sua revolta. Quer dizer quando a coisa aperta o que interessa é cuidar da nossa pequena horta e o resto que se foda. Qual Europa unida, qual solidariedade, qual projecto europeu. Estás aqui estás a gritar em uníssono com a maioria “Não somos a Grécia!”

  2. Quando as tacanhas mentes que votam nos partidos do arco do poder/corru+ção, abrirem os olhos, verão que o PS é pior que o PASOK e que merece o mesmo destino.
    Dúvidas? Olhem para o estado financeiro, económico, moral e educacional em que Portugal se encontra e como a fuga/emigração é um espelho da sinistra realidade para a qual as políticas socialistas, mas não só, nos atiraram, tendo começado com as criminosas descolonizações e nacionalizações. Sugiro que leiam o livro, editado há uns 10 anos, do ex-socialista Rui Mateus sobre o PS desconhecido, para ficarem a saber um pouco do que ele é na realidade. Haja coragem de enfrentar a realidade como é e não como convém!

  3. Depois da II GGuerra nasceram os “partidos do socialismo em liberdade” que serviram para implementar políticas favoráveis às classes trabalhadoras que não se afastassem muito da realidade que vigorava para lá do muro de Berlim. Os detentores do Grande Capital toleraram e alguns até aplaudiram esses partidos e suas políticas, porque julgavam que assim as ideias comunistas não invaderiam tão facilmente os países ocidentais. Então, Mario Soares gritava nos comícios “votem no socialismo em liberdade, não votem nos comunistas, que são social fascistas!”. E como ele, Willy Brant, Mitterrand, etc.
    Depois, o muro de Berlim caiu. O Grande Capital, que andou a chorar durante muitos anos a perda de lucros a favor do rendimento social de inserção e a favor dos hospitais gratuitos, já não necessita chorar. Criou o Neo-liberalismo para acabar com todas essas políticas e, por arrastamento, acaba com os partidos socialistas.
    Estamos a regressar ao Poder Absoluto, de fachada democrática. Continuará a haver eleições para que não se perca a autoridade suprema do Regime Democrático. Mas as sociedades saídas destas eleições serão tudo menos democráricas.

  4. Toda a gente sabe que o PS não vai alterar em nada a politica de subserviência em relação à Alemanha que esta direita de vende pátrias tem prosseguido, e ficam a tremer de medo quando alguém com coragem enfrenta a ditadura dos mercados da União europeia, é natural que Tsipras não consiga levar avante aquilo que se propôs, o poder que enfrenta é muito forte, mas pelo menos tem a coragem de tentar, coisa que os portugueses não têm , Falta-lhes coluna vertebral , agachados a lamber botas é que se sentem bem.

  5. Neste país de politicos oportunistas e populistas, nem temos Syrizas – o bloco é uma gaja histérica na menopausa que lhe falta peso e tusa; e o PS um clube de velhos BALOFOS e jovens snobs e ideológicamente DECADENTES … pois não é ! Júlinho Xuxa ?

  6. Surpreendentemente o Berloque ainda anda excitado com a vitoria do Syriza… Não é em vão que MM , a discípula querida do Chico , diz que “É impossível um governo de esquerda sem o povo do Partido Socialista”… Esta frase diz tudo sobre a excitação dos puros. Curiosamente ou talvez não, da mesma forma, o “padrinho” Chico, hoje na TSF, apontou o canhão ao inimigo… Mas quem foi o inimigo escolhido ? O impuro PS, claro!
    Porque não se manda toda esta gente viver para a Grécia e aconselhar o Syriza ???? Estariam muito mais felizes ….

  7. “Quando as tacanhas mentes que votam nos partidos do arco do poder/corru+ção, abrirem os olhos, verão que o PS é pior que o PASOK e que merece o mesmo destino.”

    Ahhh o dia em que as tacanhas mentes (90% da população portuguesa) abrir os olhos, esse será o dia em que vão finalmente perceber como estes anos todos deviam era ter votado no primo do Vitor Gaspar ou no Avô Jerónimo. Se não fossem os 9 milhões de burgueses de merda, a esta hora viveríamos no luxo da Coreia do Norte.

  8. Quem diz que não quer ir a Bruxelas levar com a porta na cara, não é prudente, é COBARDE.

    Com politicos cobardes, e com politicos obedientes ao governo alemão, não vamos lá.

    Tsipras ao ser o arauto da luta contra a austeridade, ao levantar a bandeira da necessidade da reestruturação das dividas soberanas, está a fazer mais por Portugal e o pelo nosso povo, do que os politicos submissos e cobardes.

    Ontem Berlim , Hoje Madrid, a Europa precisa de novas ideias e de politicos que defendam os seus povos.

  9. Aliás a União Europeia ESTOIROU.

    O Obama propõe-se a servir de mediador entre Tsipras e a Merkel.

    Os Russos oferecem apoio financeiro ao governo Grego.

    Se na União Europeia já nem é possível, o dialogo sem intermediários, e é preciso a Rússia vir salvar economicamente a Grécia, então para que serve a União Europeia.

    A ambição desmedida do Governo alemão e a submissão dos chefes de governo de muitos países da Europa, conduziu a este resultado caricato.

  10. Também concordo: Tsipras está, indirectamente, a fazer muito pelo nosso país. Se, pela sua acção, a UE estoirar, terás servido como factor determinante de clarificação, enterrando o morto-vivo em que se tornou a UE. Já nem é um “directório” que governa a UE; é mesmo a Alemanha. Uma Alemanha que se aproveitou da fraqueza dos seus parceiros e, desdenhosa e impiedosamente, diz que se “estão a morrer que morram”. Um pequeno holocausto é mais digerível pela nova civilização.

  11. Ora beie, eu sugiro que us protuguezes ótórguem uma prócurassãoe ao espantalhu gregu. issu revogará a procuraçãoe que o sócrates passoue à merquele, cum o tratadu de lisvoa.

    comprimentus a todus

  12. Vital Moreira é um euro-deputado socialista convicto de que o caminho actual traçado pelo directório alemão é o único com saída. O homem diz que o Syirza está ceguinho e a arrastar a Grécia para o o abismo da bancarrota. E faz esta afirmação, assim, com toda a naturalidade, indiferente, este socialista de gema, à agonia de milhões de cidadãos gregos, que expiam o pecado da sua desorganização e preguiça crónicas. Pensará, como todos os organizadinhos e laboriosos europeus, que o inferno para os gregos é a única saída. Pagam pelo que fizeram da sua vida. Pois que não tivessem nascido naquele lugar, naquele tempo, naquele terceiro mundo europeu. O senhor deputado Vital Moreira sabe muito bem, ou devia saber, que as dívidas grega ou portuguesa, depois do estado a que chegaram, não têm solução, a não ser com o extermínio das condições de vida de milhões de cidadãos gregos e portugueses. Mas isso parece não incomodar o principescamente remunerado deputado socialista europeu. Até Cavaco fez a s contas e mostrou como não é possivel sair do buraco. Que propõe o Vital Moreira? Deixar andar e morra quem tenha de morrer.

  13. O banco americano Lehman Brothers foi à Grécia ensinar a martelar as contas públicas de maneira que fossem aceites pela UE quando a Grécia quis aderir à nova moeda “euro”.
    Se não fosse essa “ajuda”, a Grécia nunca tinha entrado na meoda única.
    De resto a Grécia, pela lógica, não pertence à europa ocidental; Professam a religião ortodoxa e o seu território não é contíguo com outros países do espaço schengen. Se não fosse a questão religiosa ainda hoje pertenciam à Turquia…

  14. Agora com a Grécia e a Europa inteira do nosso lado, já não estamos “orgulhosamente sós”, antes pelo contrário, estamos “vergonhosamente acompanhados”.

    Para quando um Panteão em Santa Comba?

  15. Vital Moreira é aquele caquéctico (Com ar professoral) ex-comunista que diz umas barbaridades em defesa da merckel e dos patrões da União Europeia, não tarda está a fazer companhia à Zita Seabra na Opus DEI. “Dêem poder ao Homem e conhecerão o seu caracter”

  16. Depois do alinhamento nas sanções à Rússia ter refreado a excitação inicial, mais um balde de água fria que vem reduzir ainda mais a libido:

    The Labor Ministry’s new administration is preparing to take cautious steps in the context of broader planning for employment and enterprises, which will risk creating a shock in the domestic economy and employment market if the minimum salary is reinstated at 751 euros per month.
    http://www.ekathimerini.com/4dcgi/_w_articles_wsite2_1_30/01/2015_546728

  17. Júlio, não o compreendo bem. Ao estado a que chegaram as dívidas da Grécia e de Portugal, por culpas próprias, sim senhor, mas também por gradessissima culpa da arquitectura do euro e da inacreditavelmente estúpida (ou não!!!) da reacção da UE à crise das dividas soberanas, como vamos respeitar os compromissos assumidos, no tempo e na forma que nos são impostos? Também está de acordo, Júlio, com extemínio em massa das condições de vida de milhões de protugueses e gregos? O senhor sabe que este caminho das troikas significa isso mesmo. Ou ainda não olhou à sua volta? Eu conheço muita gente desesperada e vi muitos amigos e familiares a emigrar à força, POR CAUSA DO EXTERMIÍNIO que nos vem dos parceiros europeus!!! Não é uma questâo de não pagar, Júlio, é ter de PAGAR COM A PROPRIA VIDA! Acha bem? Li Vital Moreira no seu blog Causa Nossa e fiquei enojado. Vê-se que está bem na vida. Os outros, os que não tiveram igual sorte na vida, que se lixem, não é! Depois, os socialistas como este senhor, queixam-se de ver os seus partidos desfazerem-se como PASOK na Grécia e o PS na França. O Vital Moreira pode juntar-se ao Medina Carreira e passar a vida a chamar preguiçosos aos portugueses e que “não há dinheiro”.

  18. Sinceramente, espanta-me esta interpretação ingénua do que se está a passar. Acha mesmo que isto é apenas uma questão entre o interesse particular dos gregos e o interesse dos credores em torno da dívida pública grega!?!? Que o nosso primeiro-ministro queira passar essa ideia, não espanta. Que o leia por aqui já me surpreende bastante.

    O que está em causa nesta “rebelião” grega são visões diferentes das causas da crise da dívida soberana e necessariamente das soluções; são visões diferentes do que deve ser a construção europeia, dos problemas da sua actual arquitectura institucional (moeda única incluída). É um confronto ideológico que está em causa, sendo certo que as forças em confronto são de tal forma desiguais que esta revolta grega pode efectivamente ser rapidamente abafada e nunca passar disso mesmo. É um confronto muito complicado porque a narrativa que sustenta o actual status quo é muito fácil de vender, uma história de crianças, dirão alguns, daquelas que se aprendem na catequese (“quem se porta mal, leva castigo”).

    Honestamente, sou céptico em relação ao desfecho desta rebelião. Mas não é preciso grande ginástica mental para perceber que a único desfecho favorável aos gregos nunca seria um remédio que lhes servisse exclusivamente a eles, mas uma alteração de regras no conjunto da UE que inevitavelmente nos beneficiaria também a nós (e, estou convencido, toda a Europa no seu conjunto). E o meu cepticismo reside exactamente nisto: um desfecho bom para isto tudo exige alterações institucionais muito significativas. Logo, exige uma grande mudança política e logo tempo. Não sei se os gregos aguentarão tempo suficiente para que mais “gente” se levante…

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