Perguntas à Autoridade Tributária

Dois trabalhadores da Autoridade Tributária estão a ser investigados por, alegadamente, terem consultado os dados fiscais do Coelho e, por isso, podem vir a ser alvo de processos disciplinares – disseram há pouco as notícias.

Acontece que esses dados não são tão confidenciais como os dos outros contribuintes, pois todos os políticos com assento parlamentar ou com funções públicas têm de divulgar atempada e publicamente as suas declarações de rendimentos e de património.

Pergunto agora à Autoridade Tributária:

1 – Quantas vezes aconteceu no passado que trabalhadores da Autoridade Tributária consultaram dados fiscais de contribuintes sem motivo pertinente ou atendível?

2 – Se a Autoridade Tributária não sabe responder à primeira pergunta, porque é que agora soube, e como é que soube, das consultas aos dados fiscais do Coelho?

3 – Será que a consulta dos dados fiscais do Coelho está a ser alvo de uma vigilância especial por parte da Autoridade Tributária?

4 – Se sim, porquê? Se não, voltar à primeira pergunta.

5 – Os dados fiscais de José Sócrates nunca foram consultados por funcionários dos impostos?

6 – Se a Autoridade Tributária não sabe responder à pergunta anterior, porque é que não sabe?

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P. S.:  ontem, as primeiras notícias sobre este caso apenas mencionavam a consulta de dados fiscais de Passos Coelho. Mais tarde, juntaram o nome de Sócrates: também ele teria tido os seus dados fiscais vasculhados. Muito conveniente, para disfarçar que o que chateou a Autoridade Tributária foram as consultas indevidas dos dados de Passos Coelho. Algum dia a Autoridade Tributária teria, por sua iniciativa, investigado fosse o que fosse, se o contribuinte com dados devassados fosse só Sócrates ou qualquer Zé pagante? Querem fazer de nós parvos!

Novas notícias dão hoje (12 de Dezembro) mais pormenores. Afinal não foram só dois funcionários, mas 100 (cem), embora só dois estejam a ser alvo de investigações. Presume a Autoridade que os outros 98 foram movidos apenas por “curiosidade” e não andaram a divulgar os dados. Eu presumo que foram os tais dois que forem espreitar o Coelho. As questões que aqui deixei continuam oportunas, excepto a 5.ª e a 6.ª, que são substituídas por esta:

– Desde quando é que os dados fiscais de José Sócrates são devassados por funcionários da Autoridade Tributária?

8 thoughts on “Perguntas à Autoridade Tributária”

  1. Julio, as suas perguntas são pertinentes mas vão ficar sem resposta. Teriam algum eco, mas não passaria disso mesmo, eco, se formuladas por Costa ou Jerónimo. Costa nunca as fará, muito menos agora que já pormeteu construir, com o Coelho, um projecto para Portugal depois das eleições. Afinal, diz que não pensa como a direita pensa, mas vai governar com a direita que pensa o que pensa. “Hollandices”. Infelizmente, Júlio, essa notícia que ouviu é só mais uma prova de que não estamos a viver dentro da normalidade democrática, mas o PS finge que que sim. A direita deve estar morta de gozo e até incrédula com as facilidades com torceu e distorceu a democracia, perante a uma esquerda finalmente UNIDA NA APATIA. A direita, na hora em que toda a podridão dos seus comportamentos GES/BES e outros) vem à tona, dando um espectaculo inacreditável de laxismo, ganância e muita incompetência, a direita, dizia eu, montou um gigantesco biombo para encobrir a sua sórdida realidade. Esse biombo só podia ser a prisão do mais renomado “xuxa” da actualidade: Sócrates. Ali ficará ele a apodrecer na prisâo, para onde estão voltados os olhos do zé-povo, enquanto a direita exibe nas televisões os intocáveis da direira, Salgados ou Oliveira e Costa. Na prisão só a escumalha xuxa, sem caução nem pulseira electrónica. Duarte Lima e Isaltino foram a excepção para o escândalo não ser tão evidente. Existe mesmo uma “face oculta” que se está a rir da democracia e, o que é pior, a desacreditá-la por completo. Se o povo português é manso, as nossas esquerdas são capadas.

  2. Um conjunto de perguntas idiotas que mostram perfeitamente porque é que o nosso pais não consegue reformar a sua justiça, o que não se deve principalmente à carência dos serviços competentes (e não estou com isto a dizer que eles nunca cometem erros ou negligências, por vezes graves), mas sobretudo à falta de cultura democratica do cidadão médio e, em particular, à sua irremissivel incompreensão do que possa ser a regra juridica e de como deve ser sancionada.

    Vamos la voltar às bases :

    – Consultar dados cobertos pelo segredo profissional é uma coisa, consultar dados publicos é outra, completamente diferente.

    – Com excepção do Al Capone, o argumento “mas fulano de tal fez a mesma coisa e não foi apanhado” nunca foi, em lugar algum, justificação para violar a lei.

    Boas

  3. . 1 – perguntas idiotas, porquê?
    . 2 – “consultar dados cobertos pelo segredo profissional é uma coisa…” e depois? se não podem, não devem ter acesso ao sistema. se forçaram a porta, devem ser punidos, parece que tinham chave e autorização, mas quando chega ao coelho alto e pára o baile.
    . 3 – “…consultar dados publicos é outra, completamente diferente.” claro, até existem editais públicos, mas tem cuidado se fores apanhado a ler o correio da manhã com a escritura da coelha ou a declaração de rendimentos do coelho, podes ir dentro.
    . 4 – “Com excepção do Al Capone, o argumento “mas fulano de tal fez a mesma coisa e não foi apanhado” nunca foi, em lugar algum, justificação para violar a lei.” claro que não, mas serve para fazer prisões arbitrárias, escapam os amigos e prendem os inimigos.

  4. Censura ? Foda-se, não sei se és o Ignatz ou não, mas ja que lês estes comentarios fica a saber que, pela parte que me toca, mostraste definitivamente a massa de que és feito. Se não tens nivel para debater, porque te metes em blogues, pa ? Não tens ninguém com quem brincar no recreio, é isso ? So pode ser…

    Ah, ja me esquecia, não te preocupes que não comento mais as tuas baboseiras, que so vêm acentuar a espectacular descida de nivel deste blogue. There are more things

  5. ora isso só quer dizer uma coisa: anda um histórico a ser vigiado ou quiçá escutado – há aqui uma abordagem sistémica interessante do ponto de vista do avanço tecnológico. :-)

  6. “Ah, ja me esquecia, não te preocupes que não comento mais as tuas baboseiras, que so vêm acentuar a espectacular descida de nivel deste blogue.”

    eheheheh… isto sem viegas para enrabar perde muito leitor e o coitado lá terá que ir fazer broches ao passos no “there are more things”.

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