Barroso mentiroso

O ainda presidente da Comissão Europeia declarou a um jornalista que nos anos em que foi primeiro-ministro tinha chamado “três vezes o Vítor Constâncio a São Bento para saber se aquilo que se dizia do BPN era verdade”. A declaração surgiu só no final de uma entrevista banal, quando Barroso lançou o isco ao jornalista com esta curiosa lamentação: “Foi pena não me ter perguntado mais nada sobre o BPN”. O jornalista, intrigado, mordeu o anzol e Barroso debitou a mentira que obviamente já trazia preparada. Uma aparente vingançazinha do Cherne, ele poderá explicar porquê.

Acredito firmemente que Constâncio se lembraria muito bem se alguma vez (quanto mais três vezes!) tivesse sido “chamado” por Barroso a S. Bento para esclarecimentos sobre o “que se dizia” do BPN. É evidente que Barroso mente com quantos dentes tem na boca. E não mente para alijar as suas próprias responsabilidades no caso BPN, visto que nunca a servil comunicação social ou a distraída Assembleia da República o importunaram com isso. Mente por razões inconfessáveis, como baixo mentiroso. Ele quer claramente atingir Constâncio, suspeito que por alguma razão pessoal.

Houve uma comissão parlamentar de inquérito sobre o caso BPN, mas Barroso só agora, mais de dez anos depois dos factos alegados, vem lançar esta bocarra infamante sobre um técnico de reconhecida competência e honestidade, que como tal é hoje mesmo defendido na imprensa pelos seus antigos pares do Banco de Portugal. Barroso teve dúzias de oportunidades para prestar esclarecimentos sobre o maior roubo jamais feito em Portugal, mas só agora é que resolveu abrir a boca… respondendo a uma pergunta que o jornalista não lhe tinha feito.

Repare-se que Barroso não explicou o que é “que se dizia” sobre o BPN, nem quem o dizia. É outra conhecida maneira de mentir, por omissão e insinuações veladas. O jornalista deve ter ficado pedrado com a “revelação” e esqueceu-se de lhe fazer as perguntas óbvias. Ou então estava à espera de mais um isco lançado pelo habilidoso condutor da entrevista, do género: “É pena não me perguntar o que é que se dizia sobre o BPN”.  

Mas se Barroso queria tanto saber se o “que se dizia do BPN” era verdade, porque não perguntou ao seu estimado amigo e patrono Cavaco, um financeiro de primeira água? Lembro que nesses mesmos anos Cavaco tornou-se co-detentor do BPN através da aquisição familiar, fora da bolsa, de 250.000 acções da SLN.

E porque não perguntou Barroso a Oliveira e Costa, a Dias Loureiro e a mais uma dúzia de políticos-banqueiros do seu próprio partido?

9 thoughts on “Barroso mentiroso”

  1. … mas o que acontece é que a mentira passou! Ainda agora, venho de uma repartição de finanças, toda modernaça com cadeiras e tudo, e nas conversas no ar lá estava um diálogo em que o Constâncio, ” aquele malandro” até foi premiado….
    A mentira está no ADN desta gente. E já perceberam que PODEM MENTIR Á VONTADE!
    Passa sempre! Dá vómitos!

  2. O caso BPN, foi desencadeado pela operação Furacão que se desenrolou a partir de Março de 2004, tendo investigado práticas de evasão fiscal entre 2003 e 2005.
    Só em finais de 2006 é que se começa a falar num conjunto de bancos que estariam sob investigação (BES, BCP, FInibanco e BPN).
    Só em 2008, Oliveira e Costa sai, e, a partir daí aparecem os ‘amigos’ a queixarem-se da sua gestão.
    Como o Durão Barroso foi primeiro-ministro entre 2002 e 2004, terá chamado o Constâncio para saber como é que havia de comprar ações como o Cavaco? Seria para saber se poderia comprar ações da SLN como o Machete? Seria por conversas tidas com o Dias Loureiro que tinha ido ao BdP pedir que não andassem a investigar o banco? Seria para saber como é que a tralha do PSD tinha por lá tantos tachos e tachinhos – alguns uns enormes panelões – e ele, pelos vistos ainda não tinha abichado nada?
    Porque terá sido, uma vez que não foi para lhe participar a trapalhada que por lá ía, não é verdade?!
    E que é que moverá um presidente da Comissão Europeia a fazer um ataque soez a um vice-presidente do BCE?
    Será que alguma vez iremos ter respostas?

  3. a mentira passa porque o circunstanso se pôs a jeito na comissão de inquérito e agora com conversa da treta, tivesse agarrado o boi pelos cornos e feito qualquer coisa para esclarecer o assunto, não precisaria de cartas abonatórias da corporação dos bancoiros para o desacreditarem ainda mais. quessafoda, mais um pavão de churrasco para glorificação e embeatamento do queque mal educado, o ps não perde grande coisa e se tirar o tapete a este nabo, não é nada que ele não tenha feito anteriormente ao governo do ps com as previsões 4 estações que eram muito do agrado dos direitolos. chega de dar tiros nos pés.

  4. isto é um frete ao seu partido,tendo em vista as eleiçoes presidenciais.não tenho duvidas que,o bpn possa ter sido falado em tres conversas com constancio,o que não é credivel é tres conversas com agenda única o bpn.,e nada ter sido referido pela imprensa.durão barroso mais uma vez mostrou a sua falta de seriedade.perante esta postura não temos agora duvidas sobre o seu comportamento de agente duplo no resgate e na cumplicidade na austeridade que nos foi imposta.resta ao povo portugues derrotar esta gente nas urnas que governou europa durante 10 anos.

  5. Lá veio o João Lisbosta, mais a sua verdade (a que temos direito?), a convidar o pessoal para sujar as botas na sua latrina. Tem juízo, Lisbosta!

  6. tenham paciência com o joão lisboa.ele só é livre e feliz quando entra no aspirina.dentro de dias vai ter que usar o corte de cabelo do kim da coreia,em nome da democracia à moda do presidente da camara de loures “cú ligado” com a direita! o costume digo eu.

  7. Acerca do papel da regulação financeira, no sistema capitalista moderno…

    Eis a explicação correcta sobre o funcionamento do sistema bancário e o papel do regulador, num artigo do Banco de Inglaterra:

    “Na economia moderna, a maior parte do dinheiro existe na forma de depósitos bancários. Mas a forma como estes depósitos são criados é, muitas vezes, mal compreendida: na maior parte dos casos, os depósitos são criados através de empréstimos concedidos por bancos comerciais. Sempre que um banco faz um empréstimo, ele cria simultaneamente um depósito do mesmo valor na conta do devedor, assim criando novo dinheiro. A realidade de como o dinheiro é, actualmente. criado difere da descrição encontrada em alguns livros de economia:

    – Em vez de os bancos receberem depósitos quando as famílias poupam e, depois os emprestarem, os empréstimos bancários criam depósitos.

    – Em épocas normais, o banco central não determina a quantidade de dinheiro em circulação, nem o dinheiro do banco central é «multiplicado» para dar origem a mais empréstimos e depósitos.

    Embora os bancos comerciais possam criar dinheiro através de empréstimos, eles não podem fazê-lo, por seu livre arbítrio, de forma ilimitada. Há um limite à quantidade de dinheiro que os bancos podem emprestar, se se querem manter lucrativos num sistema bancário competitivo. Uma regulação prudente actua como uma restrição às actividades dos bancos, por forma manter a solidez do sistema bancário, como um todo.”

    Portanto, e em resumo, a regulação bancária actual não impede (e, de certa forma, até encoraja) fenómenos como o BPN. Basta verificar que em inúmeros países, incluindo no Reino Unido, Irlanda, Alemanha, Espanha, Estados Unidos e outros, houve escândalos ainda mais graves que o BPN.

    Conforme diz Axel Merk, numa economia de mercado

    “os reguladores não podem impedir, através de regulação, as más decisões [dos participantes no mercado]; no entanto, os reguladores podem ajudar a definir um sistema onde as más decisões de um dos participantes (o colapso de um deles) não destroça o sistema, como um todo.”

    Eis, portanto, o papel atribuído aos bancos centrais. Constâncio não tinha, em abono da verdade, poderes de facto para fazer o que quer que fosse. Antes de 2008 (numa «época normal») teria sido travado e demitido, se se tentasse imiscuir “demasiado” nas decisões de negócio do BPN.

    Mas quando um banco — como o BPN, ou o Anglo-Irish — falha catastroficamente devido a «más decisões» da sua gestão, o sistema só se preocupa com a sua própria sobrevivência. Por isso, após 2008, seguiu-se a via mais fácil; os prejuízos desses colapsos bancários foram socializados; o sistema reequilibra-se pilhando quem menos culpa teve da crise financeira de 2008.

    Na década de 1930, Henry Ford observou que era bom que a maior parte dos americanos não sabia como o sistema bancário realmente funciona; pois se tal fosse do seu conhecimento, “haveria uma revolução antes de amanhã”.

    Fontes:

    http://www.bankofengland.co.uk/publications/Documents/quarterlybulletin/2014/qb14q102.pdf

    http://www.gold-eagle.com/article/foolish-investment-ideas

  8. obrigado joãopft,pelo esclarecimento.mais uma vez a direita mostrou que alem de incompetente é desonesta!

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