Ao Coelho o que é do Coelho

Certas pessoas andam agora escandalizadas com uma frase pouco clara de Passos Coelho, velha já de dois anos e meio. Proferida em Outubro de 2012, rezava mais ou menos assim: “Pertenço a uma raça de homens que paga o que deve“.

Soubemos recentemente que Passos Coelho já então fora informado da sua dívida passada à Segurança Social e que só em Fevereiro de 2015 decidiu pagá-la, após o caso ter sido ventilado pela imprensa. Daí certas pessoas chamarem-lhe agora incumpridor e mentiroso, dada a aparente contradição entre o que diz e o que faz.

Há aqui um mal-entendido. Para sermos justos, é preciso ver o contexto em que aquela frase, algo dúbia, foi proferida. Ela foi dita por Passos Coelho no parlamento em resposta a Louçã, que defendera a chamada restruturação da dívida portuguesa e um plausível perdão de parte dela. Ora, nesse preciso contexto, Passos Coelho não disse que era de uma raça de homens que pagava sempre as suas dívidas, longe dele tal insinuação. Disse, sim, que era de uma raça de homens que honrava os “compromissos do país” mesmo que não tivessem sido assumidos pelo seu governo. Como é sabido, as dívidas do Estado são pagas com o dinheiro dos contribuintes. É diferente.

Assim, para não dar azo aos remoques da populaça, Passos Coelho deveria ter dito: “Pertenço a uma raça de homens que paga as dívidas, desde que seja com o dinheiro dos outros“.

Aqui, porém, põe-se novo problema, dado que a dívida pública portuguesa tem vindo a crescer desde que Passos Coelho chegou ao poder. Além disso, alegando conseguir juros mais baixos, o governo está a tentar passar a dívida ao FMI para dívida contraída no mercado e com prazos mais dilatados.

Para ser inteiramente claro, Passos Coelho deveria, pois, ter dito: “Pertenço a uma raça de homens que finge que vai pagando as dívidas, mas que realmente as vai passando em herança, e aumentadas, para os que vierem depois“.

Assim não havia mais remoques nem mal-entendidos.

6 thoughts on “Ao Coelho o que é do Coelho”

  1. parece a coisa mete declarações falsificadas da segurança social. esperemos que o alex investigue durante a campanha para as legislativas.

  2. O que constacto, nesta coisa dos blogs, é que os xuxalistas estão desesperados. Como têm o 44 instalado no hotel em Évora (e que pelos vistos nunca mais irá de lá sair), tentam denegrir o Passos. (é claro que não acho correcto um 1º ministro ter estes antecedentes). Mas enfim. Antes prefiro um ex. primeiro ministro que teve problemas com a segurança social. A ter outro que se governou durante o seu mandato. :(
    Mas isto sou eu…

  3. perde3o, Herman Van Rompuy, o tal comisse1urio-presidente euorpeu que, segundo Michael Farage, tem “o carisma de uma esfregona hfamida”.Quando recebia ordens do Marco Antf3nio de Vila Nova de Gaia (entretanto promovido a Secrete1rio de Estado — e inimigo figadal — de Mota Soares, de tal forma que o seu ministe9rio este1 paralisado com o veneno segregado entre os dois), dizia que o PEC 4 era inaceite1vel, e que os portugueses tinham motivos para estar revoltados com o Sf3crates. Quando passou a receber ordens da Dona Merkel, ai, ai, aed a Troika je1 era boa mas incompleta, porque era preciso fazer mais do que a Troika e os portugueses eram uns piegas. Agora que ne3o se percebe bem de onde lhe veaem as ordens, que a confuse3o entre Washington, Paris e Berlim e9 tremenda nestes dias, o homem diz umas coisas desconexas, que afinal os portugueses ne3o se3o piegas, ne3o senhor, se3o isso sim pacientes e estf3icos (o suficiente para o continuarem a aturar, pelo menos) mas a Troika continua a ser o Graal, e a dedvida incobre1vel e9 para pagar e ne3o bufar.Realmente merecedamos bem melhor… Quem e9 que vos mandou votar nestes gajos, porra!!!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.