O problema do abuso de droga nas redacções

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O editorial do Público de hoje é a prova viva de uma velha campanha: droga, loucura e morte!
Voltarei mais tarde ao assunto, mas o artigo é simplesmente genial: estará o esforçado José Manuel Fernandes convencido conseguir convencer alguém com aquele arrazoado de disparates, para além da estimável Helena Matos?
Aqui ficam alguns “factos”, para incentivar a leitura:
– A culpa da não existência de armas de destruição maciça é de Saddam: fazia Bluff e assim enganou maldosamente os Estados Unidos da América.
– A prisão de Abu Graib, a tortura e Guantánamo são a prova da superioridade da democracia dos Estado Unidos da América: só sabemos delas porque há imprensa livre.
– A al-Qaeda está muito activa no Iraque e o terrorismo disparou numa escalada incontrolável, porque a “base”, sabe-se lá com que cumplicidades, já actuava no Iraque nos tempos de Saddam.

22 thoughts on “O problema do abuso de droga nas redacções”

  1. A mim convence-me sem grande dificuldade, mas também não tenho a cultura nem a suprema inteligência do autor deste post para descobrir a verdade. Já o seu editorial do último jornal do BE ou o artigo sobre os direitos dos trabalhadores da indústria do sexo me parecem mais dificeis de “engolir”!

  2. também tinha ficado com uma impressão semelhante após ler o editorial. como é que alguém pode ser tão cego é complicado. é um desfilar de delírios que fariam inveja à Helena Matos.

  3. REPRESSÃO EM CUBA. ‘O calor da Primavera’, de Raúl Rivero.

    «No autocarro que nos levava para a prisão, uma manhã de Abril de 2003, perguntei ao poeta e jornalista Ricardo González Alfonso qual havia sido para ele o momento mais duro durante o fulminante processo que nos condenou a passar 20 anos na prisão por escrever e dar opiniões no país em que nascemos. ‘A noite em que puseram na minha cela o rapaz que iam fuzilar no dia seguinte’, disse-me, e meteu a cabeça entre as mãos, muito juntas por obra e graça das algemas. Muito juntas, como se fosse começar a rezar. ‘O que é que lhe disseste, de que é que falaram essa noite?’

    Fiquei calado, não falamos de quase nada. Ele era um homem sem crenças religiosas e iam matá-lo ao amanhecer. O que é que lhe podia dizer? Creio que, quando o foram buscar e ele se levantou do beliche, senti que algo de mim ia com ele. É assim, a vida. O azar ou a ambição e a maldade de um ditador levam-te a lugares que não queres, em viagens reais ou sonhadas.

    Este sábado [18 de Março], eu, que sou só um homem livre devido à Espanha e por vontade de muitos homens livres no mundo, viajo às prisões onde 60 amigos meus, 25 deles jornalistas, estão há 36 meses fechados a cadeado apenas porque a sua maneira de ver o mundo (o seu mundo) não coincide com a do Governo que Cuba tem desde os anos 50 do século passado. Fazem hoje três anos que aconteceu ali a Primavera Negra e continuam obscuros e nocturnos os Verões e os leves Invernos, e o Outono, desapercebidos.

    Lá estão Ricardo González e Pedro Pablo Alvarez, no Combinado do Leste, de Havana, empenhados em escrever poemas atrás do ferro das grades pintadas com alcatrão. Lá estão Luís Milán e José Rámon Castillo, a rabiscar sonetos na prisão de Santiago de Cuba, e Normando Hernández e Horácio Piña, na de Pinar del Rio, doentes, amontoados, em perigo. No centro do país, próximo de Varadero, com os seus 22 quilómetros de espuma e água azul, Ariel Sigler Amaya, condenado a 25 anos, mas mais atormentado por a sua mãe, uma anciã octogenária, ter a casa cercada por turbas governamentais que a insultam [os chamados ‘actos de repúdio’, frequentes nos anos 80, agora de regresso]. Lá estou, com todos eles, hoje e até ao dia em que chegue a liberdade.»

  4. Caro Rui Castro,
    As suas dificuldades em engolir baseiam-se na sua pressa: começa por confundir um artigo com um entrevista/perfil, sabe-se lá se conseguiu acabar de ler o resto.

  5. Caro Nuno Ramos de Almeida,
    Está enganado, li do princípio ao fim. E continuo a pensar que é mais um artigo que uma entrevista, mas isso sou eu que não percebo nada de jornalismo.
    Desde logo, noto que aparece na secção “As nossas lutas” com o título: “Trabalhadores do sexo: uni-vos!”. Presumi eu que “as nossas lutas” eram as do BE e que o título era seu, como que um incentivo do autor aos profissionais da área retratada pelo artigo/entrevista/perfil. Depois, diz na caixa “texto de Nuno Ramos de Almeida”, pelo que pensei efectivamente tratar-se de um artigo. Agradeço a sua correcção, reformulando o que disse:
    Se há alguém que anda a abusar do consumo de drogas (obviamente tendo em vista fins puramente mediciais) é o editor do jornal do BE no seu editorial e na sua entrevista/perfil a uma sindicalista do mercado sexo, constituindo a defesa dos seus direitos uma das lutas do bloco de esquerda.
    Espero que me perdoe a falta de rigor nos conceitos utilizados no meu 1.º comentário a este post!

  6. Caro Juvenal,
    Temos de ler de tudo. Senão arrisco-me a andar com palas nos olhos como esta malta da esquerda (Rainha: para evitar a pergunta, esta esquerda é a esquerda do Anacleto e seus muchachos) que só vê o que lhe interessa para não se desviar do seu caminho em direcção à “liberdade” (liberdade de Fidel, Che e outros sanguinários que tal, mas eles gostam de lhe chamar liberdade. É deixá-los; não sabem o que dizem, mas paciência!).

  7. José Manuel Fernandes é um paladino do sectarismo mas sempre com uma capa de pseudo jornalismo independente, sem ideologias, manipulações ou preconceitos… pois, pois.

  8. Rui Castro,
    Você é um leitor que gosta de citar , mas pouco rigoroso. A secção chama-se “as nossas lutas” e entrevista militantes movimentos sociais.Até agora nenhum deles é militante do Bloco: a última entrevista foi um activista imigrante pelo direito à habitação. Neste número, é entrevistada uma sindicalista e investigadora que defende os direitos dos trabalhadores da industria do sexo. O que eu acho muito bem!.
    A propósito, lá porque o meu tio lhe viu a temperatura, isso não lhe dá o direito a despromover-me: não sou editor do jornal,sou director.
    Sobre as barbaridades do Fernandes, o seu silêncio é elucidativo…

  9. Nuno Ramos de Almeida,
    Essa da temperatura está com piada. Folgo em saber que o que lhe falta em visão política sobra em ironia. Pouco rigoroso? Mas o que disse de pouco rigoroso? Eu nunca disse que a entrevistada era militante do bloco, mas folgo em saber que na secção “as nossas lutas” se trata de lutas alheias ao Bloco de Esquerda e com as quais o bloco não se identifica.
    Mais uma vez tenho de lhe pedir desculpa, desta feita pelo facto de o ter destratado e ter omitido a sua condição de Director do jornal do Bloco de Esquerda. Faz com efeito toda a diferença! Mas é como eu disse, de jornalismo percebo pouco, menos ainda deste tipo de “jornalismo independente”.
    Quanto ao Fernandes (como carinhosamente lhe chama), eu não me esqueci, porventura não terá o Nuno lido o meu primeiro comentário com atenção quando disse que o citado José Manuel Fernandes me convencia sem grande dificuldade. Mas isso sou eu, um porco imperialista, vendido ao capitalismo e fervoroso adepto da globalização.

  10. “As suas dificuldades em engolir baseiam-se na sua pressa: começa por confundir um artigo com um entrevista/perfil, sabe-se lá se conseguiu acabar de ler o resto.”

    Talvez porque o seu jornal seja simplesmente nojento!

  11. Pergunta ao pelos vistos famoso director de um jornal independente com jornalistas isentos. Caro Nuno Almeida, Guantánamo encontra-se numa ilha onde abunda a liberdade, a igualdade e a fraternidade. Pois na sua qualidade de “jornalista” “isento” e “independente” em que regime optaria por desempenhar as suas altas funções? No lado de Cuba ou no lado do país que tem Guantánamo? Dada a sua isenção e imparcialidade a resposta parece-me óbvia, mas fico à espera que me surpreenda.

  12. MigPt,
    Não seja burro.Denunciar as torturas na base dos Marines ilegalmente ocupada de Guantánamo, não significa que se esteja de acordo com as prisões de dissidentes em Cuba.
    No meu caso, sou só jornalista. Nunca conheci essa figura de “jornalista independente”, esses espécimes eram normalmente gente que diziam como eram “independentes” e “imparciais”, as suas notícias eram obrigatoriamente objectivas. Ora, vou-lhe explicar muito devagar para que me perceba, uma notícia tem que seguir uma metodologia jornalística (ouvir as duas partes, cruzar informações, uma certa hierarquia da escrita), deve ser séria e inteligente, mas não há coberturas ontologicamente objectivas. Percebeu?

  13. Ainda bem que temos o iluminado do Ramos para nos fazer ver a luz. Nós os burros somos assim, para contra-argumentar começamos por adjectivar. Os iluminados do Bloco de Esquerda, são como toda a gente sabe moralmente superiores. Mas mesmo na bosta de resposta em que o Ramos tenta articular duas ideias encontram-se pérolas. Pois se repararem, para o Ramos, o único problema de Cuba são as prisões de dissidentes, nada mais. Se formos a ver esse é até um pequeno problema de um modelo que funciona tão bem. Quanto à isenção, claro que essa cabecinha não consegue perceber o que é isso. Na sua douta metodologia jornalística, conseguiu ler que é necessário ouvir as duas partes. Ora isso é algo que o BE sabe fazer tão bem. Aliás o seu amigo Anacleto e restantes compinchas primam por ouvir as duas partes e normalmente proferem conclusões perfeitamente equilibradas.

  14. Uma coisa é certa, JMFpouco a pouco vai mostrando as suas causas. Causa-lhe urticaria que outros possam ter outras, mas o “sr independente e objectivo” vai mostrando o que o motiva.
    Nunca me enganei a teu respeito, JMF:

  15. Uma coisa é certa, JMFpouco a pouco vai mostrando as suas causas. Causa-lhe urticaria que outros possam ter outras, mas o “sr independente e objectivo” vai mostrando o que o motiva.
    Nunca me enganei a teu respeito, JMF:

  16. Uma coisa é certa, JMFpouco a pouco vai mostrando as suas causas. Causa-lhe urticaria que outros possam ter outras, mas o “sr independente e objectivo” vai mostrando o que o motiva.
    Nunca me enganei a teu respeito, JMF:

  17. “Lenine no começo da Revolução Russa, quando teve de arranjar um chefe para a Polícia Política, chamou um dos seus intelectuais preferidos e avisou-o da possibilidade de se fazer torturas. Mas com uma condição prévia avisou-o: “no dia em que sentires prazer no que fazes, demite-te”.
    O grande erro foi ter escolhido um Intelectual para o cargo. Eles arranjam desculpas para tudo:”os fins justificam os meios”; “os fins justificam os meios, mas estes condicionam os fins” – Kitéria Brabuda

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