Memória auxiliada

Um amigo meu, de um um grupo que está contra a passagem da antiga sede da PIDE para condomínio de luxo, foi interrogado e vai a tribunal. O grupo dele pretende que as pessoas recordem o que foi a PIDE. Entre outros crime relevantes é acusado de ter interrompido a passagem de carros durante um minuto. Pode-se dizer que, para a memória, o ministério público é melhor que as pílulas de alho do Dr. Rogoff (?).

27 thoughts on “Memória auxiliada”

  1. A construção desse condomínio é uma coisa vergonhosa.

    Em vez de um museu vai ali viver gente rica, no sítio onde tanta gente foi torturada.

    É preciso que se note que uma boa parte das pessoas que ali sofreram ainda estão vivas, não estamos a falar de coisas que se passaram há 500 anos, e isto é um insulto para essas pessoas!

  2. as coisas começam de mansinho:
    sem qualquer plano pré-definido para o local
    o Flopes enquanto burgomestre de Lisboa tratou de começar a apagar a memória e mandou arrasar a Escola da Pide em Sete-Rios sem que ninguem então tenha levantado ondas.
    (hoje é um terreno baldio onde se empilham carros mal estacionados numa zona central da cidade) uma vergonha!

    só para acrescentar – um dos dois incriminados agora no caso do Chiado é o Duran Clement

  3. Numa noite agitada de 74, o Otelo tinha saído com uns amigos, bebido uns copos e estava com uma tremenda vontade de urinar. À falta de melhor, utilizou um muro de um quintal de uma casa. Ao que soube, o muro vai ser destruído para construir mais um condominio de luxo. Manifestação já! Em vez duma placa comemorativa do evento histórico, irão lá construir uma casa para ricos. Sacanas capitalistas!

  4. Karloos,
    Para além da anquinha estreita, tens também o neuroniozinho fraquinho. A sede da PIDE não é uma casa qualquer, em que um qualquer tipo tenha mijado

  5. Pedro,
    Tens toda a razão: a liberdade é um problema exclusivo da esquerda portuguesa, a direita cá do burgo sempre conviveu bem com ditaduras bafientas e salazaristas

  6. Óh senhor NRA: escreveu …”que as pessoas lembrem-se”???

    Tirou a 4ª clase aonde…à noite, depois do 25 de Abril?

    Quanto ao edifício em questão: não será suficiente uma placa? Tem mesmo se ser todo o sinsitro e degradado casarão?

    Saloio

  7. Caro Saloio,
    Como escreveu “sinsitro” e “4ª clase aonde” tenho que concluir que também tirou a 4ª Classe à noite, mas no seu caso deve ter sido na Escola da PIDE em Sete Rios.

  8. quando falaram aqui em evolução não sei porquê lembrei-me daqueles celebres cartazes alusivos ao 25 de abril.

    lembram-se? até houveram pessoas que tiveram o bom senso de adicionar-lhe o R.

    já agora em nome da “evolução” porque não se transforma Awchwitz numa colonia de ferias…punha-se uma piscinazinha, um parque para roulotes, no edificio principal fazia-se uma disco e um salão de baile…

    mas vão dizer, bem… Awchwitz é pior cometeram-se piores atrocidades… então vamos lá fazer uma lista com diferentes niveis de atrocidade e ver qual deles merece “evoluir”.

  9. Caro NRA: não tinha qualquer intenção ofensiva, apenas de brincar.

    Quanto ao meu erro, como facilmente se depreende, deve-se a lapso de pressão no teclado que uso apenas há uns meses…enquanto que o seu é de gramática elementar. A minha falta é de destreza, a sua de ignorância.

    Penso que, quanto ao Português, estamos esclarecidos.

    Quanto a eu poder ter frequentado a 4ª classe na escola da PIDE, informo-o que não. Frequentei o Colégio Nun Àlvares Pereira, em Tomar, onde fiz o dito exame em 1963.Provavelmente antes de o senhor ter nascido para lutar, e quando um ente meu próximo estava preso em Peniche.

    Por isso, permita-me respeitosamente que ache uma certa piada a si e a outros compagnons seus amigos, que lutam contra tudo o que evolui…sem saberem bem porquê, mas apenas porque são amigos…Enfim, a amizade poderá ser um critário tão respeitável como outro mais consciente.

    Acalme-se e permita-me só mais uma questão: será que o antigo regime lhe causou alguma dor a sério – ou apenas essa basófia raivosa?

    Saudações cordiais sempre, do Saloio.

  10. Caro Saloio,
    Passando ao lado dos seus comentário estarem pejados de erros de teclado,quero dizer-lhe que a oposição ao “antigo regime”, como você com tanta graça escreve, não é uma questão de basófia, nem precisa de agravos pessoais.

  11. Há pessoas que querem transformar tudo em museus, e esquecem-se que os museus custam dinheiro (não só a criar como também a manter em funcionamento) e, frequentemente, não têm visitantes que os justifiquem.

    Toda a cidade está cheia de placas comemorativas. Em casas que já não são as originais. Por exemplo, há uma placa comemorativa do sítio onde ficava a casa na qual nasceu a Amália Rodrigues. Ninguém vai a esse local, que fica num sítio esconso da cidade, ao pé da Calçada de Santana. Também há uma placa comemorativo no único local no qual se sabe, com toda a certeza, que Luís de Camões terá estado – o local onde foi originalmente enterrado, ao pé do Instituto Bacteriológico.

    Placas comemorativas são amplamente suficientes. Não precisamos de manter a cidade cheia de mamarrachos.

  12. A sede da PIDE é coisa que já só tem significado e interesse para uma pequena fração da sociedade. Daqui a 20 ou 30 anos ninguém se interessará pela PIDE. Um museu que fosse criado sobre a PIDE não teria visitantes por mais do que 10 ou 20 anos, e mesmo assim seriam poucos.

    É lamentável que, hoje em dia, a esquerda pareça ser mais conservadora do que a direita. Mais desejosa de conservar lugares e coisas que já não servem para nada e que já não suscitam memórias a quase ninguém. Querem conservar a sede da PIDE, o cinema Europa, o cinema São Jorge, e sabe-se lá que mais. É tudo para ficar em conserva, mesmo que não sirva para nada nem se lhe consiga encontrar qualquer utilidade.

  13. Luís Lavoura,
    Não consigo explicar-lhe que há coisas que não dependem do público, mas da atitude com a nossa história e com a pessoas que lutaram para que seja possível ler o seu comentário e responder-lhe.
    Ao contrário do que você garante a luta pela liberdade e a democracia não tem apenas interesse para uma minoria de pessoas. Pelo contrário, aquela urbanização de luxo é que só interessa a muito poucos.

  14. O meu pai também conservou, durante muito tempo, todas as escovas de dentes que iam ficando velhas. Tinha lá em casa dezenas de escovas de dentes gastas. Cada uma delas suscitava-lhe, não duvido, importantes recordações de cada vez que a via.

    No entanto, estavam a encher a casa. Foram deitadas fora.

  15. Caro Luís Lavoura,
    A sua comparação, entre a sede da PIDE e as escovas de dentes do seu pai, é genial.
    O seu raciocínio é filho dilecto daquela anedota em que uma criança diz ao pai:
    – Pai compra-me uma bicicleta
    – Porquê se tu já tens umas cuecas?
    Moral da história: o filho nunca mais comeu amendoim.
    Estou esmagado e não vou conseguir participar mais no nosso diálogo.

  16. Estranho será pensar que foi a esquerda amante da liberdade que resolveu acabar com uma ditadura para logo a seguir tentar impor outra.
    Aliás, pessoalmente sempre achei a direita muito mais democrática que a esquerda.
    Mas isso se calhar são apenas as normais condicionantes de quem estudou no ninho da gávea, ou seja a FCSH.

  17. Uma placa na entrada do Condomínio? Até pode ser… mas nada dessas merdas tipo: “aqui foram torturados, inocentes, sob a ditadura…” se é pra por placa, que se faça jus á história, eu sugiro: ” Aqui, se manteve a sede, da melhor Força Policial que a Pátria já teve, aquela que resistiu, com bravura, independentemente da restante cobardia dos traidores ao regime e á Nação!”

  18. Parece que entro sempre atrasado nestas coisas mas mais vale tarde de que nunca.Primeiro quero lembrar ao “xatoo” que o edificio que era a escola da PIDE em Sete Rios,já estava em ruínas quando o FLOPES tomou conta disto.Se calhar não se lembra por ainda ter as fraldas coladas ao sim/senhor. Acabou-se depois do 25A com uma PIDE e agora quantas há?Não torturam fisicamente mas corroem mentalmente.A HISTÓRIA não se apaga , a HISTÓRIA deve estar sempre na mente e recordações de todos nós.Esquecem-se de que se fez uma ponte de um dia para o outro?A HISTÓRIA deve-se respeitar com todos os seus ingredientes quero gostemos deles ou não. STALINE é que apagava da HISTÓRIA aqueles de que não gostava.A HISTÓRIA faz-me recordar três homens que fizeram ou pensaram fazer tudo pelo nosso PAÍS – SALAZAR ; ALVARO CUNHAL e SÁ CARNEIRO.Admirei os três por aquilo que fizeram por este PORTUGAL e que hoje muitos querem apagar da nossa MEMÓRIA.

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