«Onde há amor, não há aborto»

A comentadora que assina Sininho escreveu isto, que importa ‘puxar’ para aqui.

Tenho a sensação que, neste momento, muitos homens sentem um “aperto” ao pensar que, numa situação futura, poderão ver a sua parceira a tomar essa decisão [de interromper a gravidez] de uma forma autónoma, perdendo eles o direito a participarem nessa decisão tão grave e, por fim, irreversível.

No entanto, como mulher e mãe, gostaria de dizer que a maioria das mulheres que aborta, fá-lo por se sentir só, abandonada pelo seu parceiro.

Fá-lo por medo de não conseguir suportar a imensa responsabilidade de colocar neste mundo um ser, sozinha. Fá-lo porque sente essa responsabilidade muito antes do homem, à medida que o seu corpo se transforma. Fá-lo por falta de amor, diálogo, compreensão, apoio… Onde há amor, não há aborto.

Sininho

14 thoughts on “«Onde há amor, não há aborto»”

  1. ontem quase concordei co a sininho, na caixa de comentários. continuo a concordar, mas não completamente. deixa de fora o aborto adolescente, que decorre sobretudo da falta de educação sexual. e também os casos em que houve uma gravidez deliberada para reparar uma relação em ruptura que ao não atingir os seus propósitos deixou de ser conveniente. ou o do casal cheio de amor que não quer, de modo algum, ter filhos mas não faz grande coisa para o evitar. etc.
    o meu desejo é que reduzam drasticamente as gravidezes não planeadas que, convenhamos, hoje têm uma estreita margem de razões para surgirem. educação sexual é uma ferramenta, mas também uma mudança de mentalidades que procure ver a gravidez como um propósito comum e deliberado, entre os dois progenitores. ou, pelo menos, da mulher que quer de facto ter um filho.

  2. o que a sininho deveria quere dizer é: onde há amor poderá não haver aborto.

    mas também pode haver.

    as mulheres cada vez dominam mais os homens (não é para ser compreendido com sentidos machistas ou depreciativos).

  3. É, pelo menos para mim, evidente q a ‘Sininho’ se referia a uma das razões q levam uma mulher a optar pelo aborto, e não será a razão menos frequente! é claro q numa situação de abandono, de solidão, de desespero, é claro q se existisse ‘alguém’ ao lado – com amor! – mt provavelmente poderia não ser necessário chegar ao extremo do aborto, mas…

    Tb há situações, menos frequentes é certo, em q a decisão é tomada a dois…pq há amor!…há amor, mas o amor não paga contas, não dá casa, não mete comer na mesa, não paga infantários, não dá emprego à mulher qd esta o perde por estar a contrato e pufff, engravida!…essa treta do amor e uma cabana já foi chão q deu uvas!:=>…e assim, pq há amor, sonha-se q a vida um dia dá uma volta e até se arranja novo emprego; e entretanto o outro filho até já deixou o infantário; e entretanto o pai até foi aumentado; e entretanto até se arranjou uma casita q dá para ter um quarto para os putos; e…e…e…aí sim!, pode-se e decide-se pensar noutro filho!…e só assim se devia ter ‘direito’ a ter filhos!

  4. Susana

    Bem visto! E quase concordo contigo.

    De facto, a gravidez adolescente decorre da escassa educação sexual em casa e na escola.
    E essa importa debater e encontrar soluções.
    No entanto, achas que uma adolescente espera que o seu namorado a acompanhe, nessa tenra e poderosa idade, na maior criação e aventura do mundo, esta de serem Pais? Pergunta-lhes.

    Remendar uma relação com uma gravidez não será resultado de falta de amor, diálogo, compreensão, …?

    O casal cheio de amor que não quer ter filhos e que não faz grande coisa para evitar… desculpa… não pode ser. Não te soa melhor dizer que esse casal de quotidiano altamente confortável e no auge da sua carreira profissional e social não está para ser incomodado com o choro duma criança? (só se for dos outros… ai, são tão queridos mas choram tanto! E as fraldas? Iiiiiihhhh que horror!)

    Amok

    Aqueles que tão bem referes são os mal amados da sociedade. Eles não esperam que a sociedade os proteja, ampare.
    À luz da despenalização, espero, vai ser possível colmatar as suas maiores carências e evitar alguns abortos. Que tal começar pela contracepção e assim evitar mais algumas gravidezes não desejadas?
    (Insulta-me e diz-me que sou naïf!)

    Não há maior pobreza do que perder um filho.
    O “direito” a ter filhos é uma liberdade ao alcance de todos, para uns mais, para outros menos… se houver amor…

  5. Acredito que possa haver muitas razões e outras tantas sem-razões. Agora essa da falta do amorzinho é que não me convence.

    Há muitos Manéis na terra.

    Eu sei que há quem o faça para não perder o namorado. E até conheço casos em que ficaram sem os narmorados e sem mais hipóteses de terem filhos.

    Mas é coisa de mariazinha.

  6. sininho, não fiz qualquer referência à vontade das meninas de que os namorados as acompanhem nessa aventura e tal. referi apenas que essas, aliás como quase todas as outras gravidezes indesejadas, decorrem de falta de educação sexual. por vezes nem é bem falta dela, é uma confiança no acaso que eu nunca entendi muito bem. precisamente aquilo que eu tenho dito que é responsabilidade de todos os que votaram «sim», como é o meu caso, é o que dizes à amok: contracepção, veicular essa mensagem, debatermo-nos por mais e melhor educação sexual. é que eu tive a sorte de ser levada à ginecologista pela minha mãe assim que me apareceu a menstruação, mas isso ainda hoje é raro.
    regressando aos adolescentes: importante, nessa parte que concerne aos rapazes, é sensibilizar para a responsabilidade comum no caso de uma gravidez. não sei como é agora, porque já não sou adolescente há muito tempo, mas cheira-me que os rapazes continuam sempre à espera de que elas se defendam, nem confirmam, e só aqueles que têm o cuidado de evitar DSTs andam protegidos. quanto ao casal, nunca me passaria pela cabeça questionar alguém que não queira ter filhos, apenas perguntar o que falhou para que tivessem engravidado.

  7. ah, esqueci-me do remendo! precisamente: se remendar uma má relação com uma gravidez significa falta de amor, então a falta de amor precede a gravidez e onde não há amor uma gravidez não deve ser um instrumento de coacção, nem pode ser um de coesão. a não ser que a vontade seja a de ter o filho mesmo que a relação rebente em consequência dele.
    é que há tantos casos e tão diferentes! as únicas causas que encontro como genéricas são a falta de educação sexual e a falta de formação afectiva e ética. para além do acaso, da paixão incontrolável, da bebedeira (que já contam com a pílula do dia seguinte) e das falhas contraceptivas, mas essas têm as costas bem mais largas do que apontam os dados científicos quanto às margens de eficácia.

  8. O que não entendo é porque é que uma lei inconstiucional vai ser alegremente aprovada pela assembleia? Então o progenitor masculino não tem direito a opinar sobre o destino do feto? Para abortar ou para levar a termo? Onde está a igualdade de sexos prometida pela Constituição da República?

    Mas se fôr para pagar por uma gravidez não desejada levada a termo então já está tudo bem… Hipocrisias politicamente correctas.

  9. …e quantos abortos, engraçado que ninguém aflorou sequer essa situação,se fazem por pressão, pressão fortíssima, de maridos e companheiros. Enfim, uma lástima.

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