Vinte Linhas 746

Em Santa Catarina, ao domingo à tarde, as mulheres não lavavam roupa no Rio da Pedra. Havia os jogos de futebol e a bola podia sujar as roupas ao sol a corar. Maria Judite assistia do lado de cima da loja (mercearia e fazendas) à confusão organizada do lado de baixo (taberna) onde os rapazes do Grupo Desportivo Catarinense se fardavam para o jogo. Às vezes era complicado arranjar os onze e por isso o desafio começava mais tarde. A táctica era desenhada numa folha de papel pardo em cima do balcão e as quatro camisolas mais complicadas de atribuir eram sempre as mesmas – 4, 6, 8 e 10. O chamado quadrado mágico.

O Almerindo era sempre o último a sair. Entregava a chave da porta à Maria Judite para a dar à mãe, a menina Judite, sempre menina, ao contrário do pai, o Ernesto, sempre senhor Ernesto. Os jogadores desciam por uma rua estreita entre a igreja paroquial e as casas do Silvino onde houve o primeiro café da nossa terra com o Garcia ao balcão e a televisão a preto e branco. Para ver o jogo, o lugar mais disputado era a ponte sobre o Rio da Pedra porque as pessoas podiam ver tudo o que se passava no campo, debruçadas e apoiadas no cimento da ponte.

O campo não tinha cabinas. Os jogadores, depois do aquecimento, entravam de novo em campo a partir do canto mais perto da ponte. Hoje, no lugar do campo não existe nada, fizeram lá um pomar que não deu nada mas a memória ninguém a pode arrasar. E continua.

No fim do jogo o Almerindo vem todo suado e com um joelho em sangue pedir a chave da taberna à Maria Judite que está num grupo de meninas ao lado da casa do Zé Rebelo. A menina Judite e o senhor Ernesto estão a conversar com a minha avó e o meu avô Zé Almeida. Quando eu nasci foi a menina Judite que me deu a primeira prenda: um cobertor azul.

16 thoughts on “Vinte Linhas 746”

  1. saudosismos de uma infância subdesenvolvida de um bronco da benedita que se deslumbrou com a capital e revisita as berças para encher a despensa à borliú. oh pázinho, memórias de miséria e atrazo é que mais há para aí e só tu te orgulhas disso. mas já que estamos nessa seria interessante abordares o tema sexualidade na aldeia, o que é faziam às galinhas, a ordenha de burros, idas à sacristia e derivados que te afectaram a ervilha pensante. o teu “amigo” pacheco contava tudo em detalhe.

  2. sim xico! era isso mesmo que eu queria que contasses ao pessoal, quando e quem é que tirou o cabresto, nas aldeias costumava haver uma velha bêbada que presidia essas iniciações sexuais.

  3. Conta-se nos anais da bola lusa que o benfica e o belenenses antigos gostavam muito de jogar no campo do sporting porque era o único campo com chuveiros no balneário.

    Tambem se conta que recentemente o sporting foi um de dois que não quis o alargamento para mais clubes jogarem à bola com as bancadas vazias.

    Não há vitórias nem dinheiro mas há decência neste emblema

  4. Não era o Benfica meu caro, era o Sport Lisboa, fundado em 1904. O Sport Lisboa e Benfica só nasceu em 13-9-1908 e «Os Belenenses» só em 1919. Nada de confusões…

  5. Olá poeta:

    Estou no Sul, na minha varanda de ver o mar e um casal de amigos que nunca saiu da terra elhe mantem as tradições acabou de me obsequiar com um almoço de “milhos” um comer que pouca gente conhece e que se faz cada vez mais raramente.
    Basta olhar para a travessa para descobrirmos a origem da cachupa de Cabo Verde, desde o tempo em que os algarvios navegavam mar adentro nas naus do Senhor Infante.
    Obrigado, Maria José que começou ontem a preparar os milhos, obrigado Valdemiro que se ficou pela escolha do vinho, porque um califa almoada não entra na cozinha, obrigado Chica pelos doces tradicionais, não sei o nome de todos, mas destaco o seu D. Rodrigo, levemente tostado ao forno, depois de ter sido fio de ovos.
    Para dizer também que neste momento me sinto capaz de ganhar qualquer jogo em que entre, normalmente era dos últimos a ser escolhido o que diz da minha “ronaldice ” e que o campo da minha aldeia tivesse um sobreiro na defesa que só recentemente se conseguiu cortar. Abater sobreiros só se forem muitos e para campos de golfe .
    Jnascimento

  6. mais um rei dos frangos a cagar de poleiro virado para o mar enquanto a capoeira assa o milho e é se-queres-ver-o-mar. se tivesses vergonha na crista estavas a rezar pra que chova.

  7. Carissimo amigo – Então e o almirante ainda não apareceu? Quanto à equipa talvez tivesse lugar entre os mais novos… O meu avô nasceu em 1906, não é o seu caso mas poderiam ter sido colegas de equipa. Um grande abraço e cuidado com as digestões de Albufeira…

  8. Ó BENFIQUISTA, atãoe ias á ribeira ber as mulheres a labare a rôpa incardida, hein, enquanto andabas a papar as uvas da vinha ao lado ou a arrear o calhau no meio do milho.Debes ter ido muitas bezes à palheira, pá, onde guradabam os burros e as bacas, tamém as charolesas, ó pazinho, tu falas tanto nestas, pá, e debias lá tere as pitas, e os cuelhos, e no meio daquilo a palha, se a maria judite te desse trocu, até que tinha marchado, não é, BENFIQUISTA? Quem era a abre latas lá do sítio pá?
    oube o teu amigo que tem uma janela a dare pró mare, debe sufrer do mesmo cumplexo que tu,pegastes-lhe a baidade. Debes istare bué da inbejoso, purque tu só tense as ágoas fortadas e num tense bista pró mare, pá.Como bais resólvere a cousa?olha lá, tu que ése tão culto e só ése recunhecidio pleos cultose, tamém dizes lá em casa «vou preparar o comer?» ou será que falas vou fazer cumida?
    E quem te lababa a rôpa, lababa-te as cuecas? Olha a tua mãe dizia-te assim ó chico, põe umas cuecas labadas que podes sere atropelado? E tu mudabas de cuecas todose os diase ou será que era só aos domingos, quando ias ao Povo? Conta aíe mais uma história das tuase, pra ficarmos cultos, debes ter marcas de percebejos, debias dórmire em culxões de palha, pázinho.

  9. Vai-te charolês aos pinotes para longe, para depois da Senhora de Alcamé. Bem longe, benfiquista, animal, grande bruto!

  10. oh nascimento! já que abres a varanda da tua mansão em albufeira abre tamém a porta da alcova e conta aí à malta se andas a comer a maria josé ou se é o baldemiro que te come a ti depois de te enxarcar com o morangueiro vsop. tens que concordar que é um tema com mais interesse do que saber como é que se assa milho, confeccionam d. rodrigos, da história trágico-marítima da cachupa ou do metano que produzes à baranda. agora vai esconder o computador para os labregos teus amigos não lerem este comentário, se é que sabem ler.

  11. Tu é que, se não fosses um animal eras um gajo, grande ca bresto!!! Quanto a merda isso é contigo, porcalhão!

  12. deves estar a falar para o teu amigo nascimento, pois comigo juraste nem mais uma palavra. triste do caraças nem a bécula já se menstrua por aqui.

  13. BENFIQUISTA de segunda, cabalo, bai a xamare cabresto a quem te fez as orlehas, meu marrano. bais à benedita, granda bronco pra comer morcelas, farinheiros e chóriças pá, e algum tntol da zurrapa à conta da uva moida com o xulê de quem se mete no pio a pisar a uva. Granda macaco, como é que tu passastes despercebido à pide, pázinho? esses fdp debiam ter-te dado umas lambadas e educação, pra tu respeitares os outros,ó cagão. BENFIQUISTA, carroceiro, farrapaneiro, lingua trapuda.

    ó zeca, ó zeca
    dás coice que nem pileca

    charolês és tu,
    porcalhão és tu
    toma cuidado que
    lebas um pontapé no cu

    ó Zeca galão, pázinho, muda de penso higiénico, meu, quem sabe, a cabecinha fica mais protegida e tu perdes esse cumplecssu.

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