Vinte Linhas 727

As raparigas da nossa turma em 1966

As horas ferem os nossos dias, os meses e os anos mas elas, as meninas, continuam as ser as mesmas raparigas de 1966, não se deixam envelhecer como nós com a chegada de mais um neto. Havia na minha Escola uma bomba, todos os Liceus e Escolas Técnicas tinham uma bomba atómica, expressão que restou dos tempos da guerra fria nos anos cinquenta e da memória da II Guerra Mundial.

A nossa bomba chamava-se Cristina, era simpática, afável e discreta, sabia que era bonita (tinha espelhos em casa como todos nós) mas não abusava dessa beleza nem de ser uma rapariga deslumbrante que se distinguia de todas as outras no pátio e nas escadas da nossa Escola. As outras raparigas eram bonitas, muito bonitas (a Salomé, a Edite, a Ângela, a Marieta) mas a Cristina era especial, era a bomba e o seu nome era pronunciado como se fosse o princípio de uma oração à beleza e à harmonia do Mundo.

Não era do nosso curso a Cristina, por isso não foi da minha turma em 1966. Ela foi aluna do Curso de Formação Feminina, faziam bolos e aprenderam a bordar, tinham Noções de Puericultura e de Economia Doméstica. Nós éramos do Curso Geral do Comércio, tínhamos aulas de Mercadorias, Direito Comercial, Contabilidade, Caligrafia, Técnica de Vendas e Publicidade. Com quinze anos de idade, saíamos da Escola Técnica preparados para começar a trabalhar. Nenhum de nós sabia como falar com a Cristina, a bomba atómica da nossa Escola. Tudo nela e nas outras raparigas de 1966 era um mistério. Ainda hoje nós somos velhos, feridos pelas horas e elas continuam a ser raparigas, as raparigas maias bonitas da nossa turma. As meninas, sempre meninas. Hoje como em 1966.

24 thoughts on “Vinte Linhas 727”

  1. Não há raparigas feias, poeta.
    E bomba a(na)tómica é linguagem de guerra-fria.
    Que os deuses conservem o viço a todas as raparigas da nossa turma.
    E a nós.
    Jnascimento

  2. Mercadorias, Direito Comercial (para saber preencher Letras, Livranças, etc.), Contabilidade, Caligrafia (para saber escrever em letra francesa os títulos das contas-correntes, do Diário e do Razão), Técnicas de Vendas, Economia Política, Dactilografia e mais todas aquelas disciplinas interessantíssimas para as quais o “antigamente ” remetia os filhos dos mais pobres para servirem de carne para canhão, atentos e veneradores sempre de fato e gravata, como mais tarde haveriam de servir na Guerra Colonial, nos escritórios da Baixa de Lisboa.
    As escolas também não eram mistas e as meninas apenas adivinhadas e por vezes vistas na antiga Escola D. Maria nos fundos da Calçada do Combro.
    Ah, é verdade, também existia essa pérola que dava pelo nome de Noções de Higiene. Nos Liceus estavam os outros…

  3. oh hemorróida literária da benedita! qual é a ideia? anúnciar mais um neto? já tinhas dito, mesmo assim os meus parabéns, fode-se muito em casa da tua filha. ah… a foto, tamém já tinha visto há uns tempos atrás, tou a perceber, dá curtir uma de nostalgia do que gostavas de ter feito e não fizeste por tacanhês cerebral, deixa lá, não foste ao woodstock mas ainda podes ir ao stock market ou a um retail park, tamém têm gajas. ora pega lá bimbalhada sonora a condizer com os teus problemas existênciais e traumas de não ter andado no liceu, sempre te alivia a dor.

    http://www.youtube.com/watch?v=6KUJE2xs-RE

  4. outro pormenor, a legenda da fotografia “as raparigas da nossa turma em 1966”, pelos vistos havia infiltração de três tristes travestis.

  5. anonimo, os três mânfios são petardos molhados!

    A bomba deve ser a da esquerda. Nesta altura da liga (agora não há campeonato) já deve ter implodido…

  6. sapo, na minha escola chamavam-se arrumadores e serviam para levar as piquenas a casa.
    não sei se é a bomba antónia, mas é a que tem melhor aspecto, malgré o pixel. acho que esta fotografia vai dar pano para várias declarações de amor do platóino da benedita, já lá vão duas ou três e não fica por aqui.

  7. Este sapo de cócoras e o anonimo que não larga o vinho devem ter uma próstata do tamanho de uma baleia, cheia de taninos cor de rosa.

  8. 1966 foi o ano que Salazar inaugurou a Ponte Salazar.

    Passados dois anos caiu da cadeira.

    Hoje dize-se que o botas mandava em tudo até na moda do vestuário feminino.

    Se era verdade, o velho tinha bom gosto.

  9. Meu Caro «sportinguista ateu» as botas da Cristina não aparecem na foto, nada de confusões. Nós somos do Curso Geral do Comércio e ela da Formação Feminina, isso está no texto bem claro. OK?

  10. o bronco distribui avisos de recepção com piadas encriptadas. bota mas é juízo na tola, se fores a tempo, o que dúvido.

  11. 720-pixeleira / calvário; 027 – calvário / pixeleira. Atenção, amanhã faço greve e vou direitinha para a buraca gingar o kuduro.

  12. se fosse 727 vinte linhas 024 riscas, diria que eras a 4ª da esquerda, assim deves ser mais uma grevista do berreiro a trabalhar na carris

  13. O jcf com estas incursões sem sentido põem o pessoal a rir à gargalhada. O que é que a gente tem a ver com o curso de 66? Com as boazonas da tua escola? Com o pernão que vias à Cristina quando ela estava na escada. Se gostavas tanto dela porque não mudaste para o curso de lavores? O meu pai era pobre e eu andei no liceu. O que tem a ver o cu com as calças. Se o comércio era de borla o liceu também.
    Continua jcf a fazer rir a gente. O Herman já está um bocado passado e nós precisamos de humoristas novos.

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